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02 janeiro 2013

UM ANO PERIGOSO - Mauro Santayana

É bom não esperar muito dos próximos doze meses. Os dissídios internacionais tendem a crescer e, se não houver o milagre do bom senso, podem conduzir a novos conflitos armados regionais, com o perigo de que se ampliem. Os chineses, que têm particular visão de mundo, podem dissimular sua alma coletiva, mas no interior de seu excepcional crescimento econômico e tecnológico, militam sentimentos de orgulhosa desforra. Nenhum povo, ao que registra a História, foi tão espezinhado pelos invasores armados quanto o chinês.

Durante milênios, senhores dentro de suas fronteiras, sentiam-se os donos do mundo que conheciam, mesmo que vivessem em guerras internas e se defendessem de vizinhos hostis.

O enriquecimento dos chineses e sua crescente presença internacional são fatos novos, que podem ser o fator mais importante da História neste século, que já entrou em sua segunda década. Eles estão se apropriando, com perseverança e obstinação, das riquezas naturais do mundo, do petróleo às terras raras (de que são grandes possuidores em seu próprio subsolo). Ao mesmo tempo, desenvolvem tecnologia militar própria e fortalecem seus exércitos.

É difícil pensar que, dispondo de tal poder econômico e militar, os chineses não o utilizem na defesa de sua cultura e de seus interesses. E também para cobrar o que lhes fizeram os colonizadores europeus durante o século 18 – e os japoneses, no século 20, na Manchúria. Como eles se lembram bem, contingentes do Exército Japonês, em fúria animal, mataram, entre dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, mais de 200 mil militares e civis na cidade de Nanquim, estupraram as mulheres e meninas, antes de matá-las, e dilaceraram os corpos dos meninos, entre eles os de recém-nascidos.

O general Chiang-kai-Chek, que se tornaria anticomunista em seguida, não ficou bem no episódio. Com a desculpa de que deveria preservar a elite de seu exército, abandonou a cidade, entregando-a a recrutas mal treinados e a voluntários civis, além da população, inocente e desarmada. Foi essa gente, sem treinamento e debilitada, que os japoneses venceram e trucidaram. Os chineses não esqueceram os mortos de Nanquim, e os japoneses se esforçam em fazer de conta que não foi bem assim. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono

O dissídio, aparentemente menor, entre Beijing e Tóquio, a propósito das ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês) pode ser o pretexto para o acerto de contas de 1937. Nos últimos dias do ano, o Japão decidiu enviar uma força naval para a defesa das ilhas, cuja soberania diz manter – o que os chineses contestam. Os chineses advertiram que vão contrapor-se à iniciativa bélica japonesa. As ilhas, sem importância econômica, e desabitadas, eram milenarmente chinesas, e foram incorporadas pelo Japão em 1895, depois da guerra sino-japonesa daquele fim de século. São ilhotas diminutas, a menor com apenas 800 metros quadrados (menor do que um lote urbano no Brasil) e a maior com pouco mais de 4 km2.

Acossados por uma série de vicissitudes, os Estados Unidos começam o ano combalidos pelo confronto político interno, a propósito do Orçamento. Mas não perdem a sua velha arrogância imperial. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono, para antecipar, enquanto lhes parece mais conveniente, o confronto com os chineses. Há um tratado de paz dos Estados Unidos com o Japão que prevê a ajuda americana em caso de conflito regional. É uma partida muito arriscada.

O presidente Obama também acaba de sancionar uma lei do Congresso determinando que o governo norte-americano tome medidas para impedir a penetração diplomática do Irã na América Latina, e, no bojo das justificativas, a Tríplice Fronteira é mais uma vez citada, como área que financia o Hesbolá. Como se não houvesse, ali e no resto do Brasil, os que financiam o Estado de Israel. Devemos nos precaver.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais (sobretudo com o Irã e a Palestina), entre eles alguns senadores da República, como revelaram os despachos do Embaixador Sobel, divulgados pelo WikiLeaks. Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais

O anunciado conflito armado entre Israel e o Irã é também alimentado pelo ódio da extrema direita judaica contra todos os que criticam Tel Aviv. O Centro Simon Wiesenthal considerou o cartunista brasileiro Carlos Latuff o terceiro maior inimigo de Israel no mundo. Os dois primeiros são o líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e Ahmadinejad, o presidente do Irã.

O cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são mais críticos da posição de Israel contra os palestinos do que o cartunista brasileiro.

É lamentável que o nome do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, que conheci e entrevistei, em Viena, há mais ou menos 40 anos, para este mesmo Jornal do Brasil, seja usado para uma organização fanática e radical, como essa. Wiesenthal, ele mesmo sobrevivente da estupidez nazista, era um obstinado – e legítimo – caçador de criminosos de guerra, que haviam cometido todo o tipo de atrocidades contra seu povo.

O governo direitista de Israel é de outra origem. Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo. Ou que não nos devamos preocupar com a lei aprovada por Obama. Temos tido bom relacionamento com o governo do Irã, e a política externa brasileira é decisão soberana de nosso povo.

Uma presença militar maior em Foz do Iguaçu e ao longo da fronteira ocidental é necessária, a fim de dissuadir os agentes provocadores. As guerras sempre foram vantajosas para os americanos, desde a invasão do México, em 1846-48. É provável que seus estrategistas estejam retornando à Doutrina Bush da guerra infinita.

Diante desse cenário mundial instável, e na perspectiva de uma campanha sucessória agitada, temos que manter toda serenidade possível. A defesa de posições políticas eventuais não deve comprometer a segurança nem a soberania do povo brasileiro. A nação deve sobrepor se a todos os interesses, mais legítimos uns e menos legítimos outros, de grupos econômicos e partidários.

Infelizmente, desde Calabar e Silvério dos Reis, não faltam os que desprezam o nosso povo e traem os interesses da Pátria.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

14 setembro 2012

JAPÃO ANUNCIA PLANO DE ABANDONAR ENERGIA NUCLEAR ATÉ 2040


Alvo de pressões da sociedade desde o desastre de Fukushima, governo japonês informa que desligará seus reatores nucleares nas próximas décadas. País não especificou quando exatamente meta será alcançada.

Um ano e meio após a catástrofe de Fukushima, o Japão anunciou que irá abrir mão da energia nuclear ao longo das próximas três décadas. Em encontro ministerial nesta sexta-feira (14/09), chegou-se à decisão de abandonar tal fonte energética na "década de 2030", informou a mídia japonesa.

O objetivo ambicioso do governo em Tóquio significaria um corte total do uso de energia nuclear até 2040. Então, os reatores que, até o desastre em 2011 produziam cerca de um terço da energia consumida no país, seriam permanentemente desativados.

O acidente nuclear de Fukushima abalou a confiança da população na segurança da energia nuclear. Em pesquisas recentes, a maioria dos japoneses se declarou a favor do fim do uso desse tipo de energia no país. Diante das eleições gerais previstas para os próximos meses, o tema tem sido motivo de protestos, reunindo até dezenas de milhares de pessoas.

"Muitos japoneses esperam construir uma sociedade que não dependa da energia nuclear. Por outro lado, também está claro que estão divididas as opiniões sobre quando e como exatamente uma sociedade do tipo pode ser alcançada", informou um comunicado do governo nesta sexta-feira.

O plano anunciado pelo Japão se alinha ao da Alemanha, que prometeu desligar todos os seus 17 reatores nucleares até 2022. O país europeu se disse disposto a apoiar o Japão em sua empreitada. "Trata-se de uma tarefa complexa, sobre a qual poderíamos relatar nossa própria experiência, se assim for requisitado", declarou o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, nesta sexta-feira.

Desde desastre de Fukushima, dezenas de milhares de japoneses protestaram contra a energia nuclear
Alvo de críticas

Além de não ter sido especificado quando exatamente a meta será alcançada pelo Japão, o anúncio feito nesta sexta-feira não é obrigatório para governos futuros, o que significa que uma nova administração poderia reverter os planos.

Além disso, muitos críticos veem um Japão sem energia nuclear como algo irreal e alertam que o abandono de tal fonte energética poderia ter graves consequências para a terceira maior economia do mundo.

O Greenpeace deu as boas-vindas à nova política, porém, com cautela. Segundo a organização ambiental, o abandono da energia nuclear deveria ocorrer num prazo menor, juntamente com o desenvolvimento de soluções renováveis.

O cronograma de décadas apresentado pelo Japão é desnecessário, já que 48 dos 50 reatores japoneses foram desligados na sequência da crise de Fukushima, considera o Greenpeace. O poderoso lobby empresarial japonês pressionou para a reativação dos reatores, temendo cortes e aumento do preço da energia.

Na última semana, o Partido Democrático do Japão – do premiê Yoshihiko Noda – recomendou que o país expanda o uso de energia renovável e adote mais medidas de economia energética. O país depende hoje fortemente do petróleo do Oriente Médio e foi obrigado a elevar as importações para compensar o deficit energético desde o acidente de Fukushima.

Extraído do sítio Deutsche Welle

07 maio 2012

JAPÃO DESATIVA TODAS AS CENTRAIS NUCLEARES DO PAÍS - Ulrike Mast-Kirschning



Após catástrofe nuclear de Fukushima, o Japão desligou da rede seu último reator. Governo diz que se trata de manutenção de rotina e plantas serão reativadas em breve. Greenpeace vê chance para energia sustentável.

"Todas as luzes estão acesas, não está escuro. Tudo está normal no Japão", disse Hisayo Takada, de Tóquio, um dia antes de a última das 54 usinas nucleares do país ser desligada da rede . "E isso não vai mudar no dia 5 de maio", apostou a ativista do Greenpeace.

A usina de Tomaria (foto), localizada na ilha de Hokkaido, foi então desativada. Oficialmente, para manutenção de rotina. Segundo funcionários, porém, é na verdade para melhorar a segurança na planta.

As exigências de segurança foram aumentadas significativamente pelo governo desde a explosão na central nuclear de Fukushima Daiichi, na sequência de um forte terremoto e de um tsunami que atingiu a costa leste do Japão. Na época, foi liberada uma grande quantidade de radioatividade na região.

Quatro reatores de Fukushima nunca mais serão ligados à rede elétrica. Segundo informou a operadora Tepco, eles foram riscados da lista. Mesmo dois reatores menos danificados foram desativados permanentemente.

Explosão em Fukushima em março de 2011 foi maior catástrofe nuclear da história do Japão
Até agora nenhum apagão

Ao todo, 15 centrais nucleares avariadas foram desativadas. Todas as outras foram desligadas para manutenção. Especialmente no interior deve haver escassez de energia, informou o governo japonês.

"A maioria das pessoas não acredita nisso", diz a ativista do Greenpeace, Hisayo Takada. "Metade da energia que abastecia o oeste do Japão vinha de centrais nucleares", disse ela. Atualmente não há qualquer reator ativo na região e, até agora, não há registros de apagão.

Os japoneses temem, entretanto, que possam ocorrer problemas nos meses mais quentes do verão, julho e agosto. É quando os condicionadores de ar são ligados, principalmente na capital, Tóquio, e a demanda por energia aumenta.

"Tivemos experiência com isso no verão passado", contrapõe a ambientalista. No ano passado, Tóquio conseguiu economizar até 80% de energia no horário de pico. Já naquela época havia poucos reatores da Tepco em operação. Levando em conta todo o verão, o consumo de energia foi reduzido em 40%.

Cidadãos em Tóquio protestam contra energia atômica
Oportunidade para fontes alternativas

No entanto, o governo japonês insiste que as centrais nucleares serão reativadas assim que possível. A planta de Oii, de propriedade da Kansai Electric Power, na cidade de Fukui, a oeste do país, estaria adequadamente protegida contra desastres nucleares, declarou já em abril o ministro japonês do Comércio Yukio Edano. Até agora as autoridades locais não aprovaram o retorno das operações na usina, e ainda não há data para o reator ser religado à rede. As negociações sobre a reativação devem continuar na próxima semana.

Enquanto isso já foram realizadas duas audiências públicas no local, diz a ativista do Greenpeace. Para os cidadãos, muitas questões de segurança teriam ficado em aberto, no caso de a região ser atingida por um terremoto. "É um grande desafio para o Japão seguir adiante sem suas 54 centrais nucleares, mas esta também é uma grande oportunidade", acredita Hisayo. "Nós podemos poupar energia, oferecer mais incentivos para reduzir o consumo e investir mais em fontes de energia renovável."

Extraído do sítio Deutsche Welle