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01 março 2013

BEPPE GRILLO, O COMEDIANTE QUE BAGUNÇOU A POLÍTICA ITALIANA - Marcus Lütticke


"Enfant terrible" da campanha eleitoral italiana, Beppe Grillo produziu manchetes com seu estilo direto e suas declarações contra os políticos. Agora poderá desempenhar um papel decisivo na formação do próximo governo.

Seus seguidores são chamados na Itália de grillini, ou seja, grilhinhos. E, de fato, Beppe Grillo, de 64 anos, parece representar uma espécie de figura paterna para eles. Em praça pública, ele escancara a raiva e o desdém pelo sistema político italiano – uma postura compartilhada por muita gente depois da série de escândalos dos últimos anos no país. Para manter uma comunicação direta com seus eleitores, ele usa, com sucesso, a internet.

Grillo, que se tornou conhecido no país como ator e comediante, entrou tarde para a vida política. Em 2009, fundou seu partido, o Movimento Cinco Estrelas. Já em 2007 organizava dias de protesto no país, levando milhares de pessoas às ruas em manifestações contra os políticos. Além disso, Grillo é responsável por um dos mais bem sucedidos blogs da Itália e tem quase um milhão de seguidores no Twitter.

Movimento Cinco Estrelas: Grillo consegue mover as massas
Terceira maior força política

O Movimento Cinco Estrelas saiu das eleições como a terceira maior força política do país. A formação de um governo que não seja ao menos tolerado pelo Cinco Estrelas parece impossível de ser concretizada, já que nenhuma das alianças (seja a de centro-esquerda, seja a de centro-direita) dispõe de maioria na Câmara e no Senado. E uma cooperação entre essas duas forças políticas, lideradas por Pier Luigi Bersani e Silvio Berlusconi, respectivamente, parece também impossível.

No momento, começa a existir uma aproximação ainda tímida entre Bersani e Grillo. "Não existe nenhuma estratégia. Iremos apoiar ideias que estejam de acordo com a nossa linha de pensamento, projeto a projeto", afirmou Grillo depois da divulgação das primeiras estimativas de resultado do pleito.

Aliança difícil

Pier Luigi Bersani: alguns pontos em comum
De fato, há algumas interseções entre o Partido Democrático de Bersani e o Movimento Cinco Estrelas. "Beppe Grillo entrou para a política inspirado em seu conflito pessoal com Berlusconi. Essa foi sua motivação principal, com a qual o Partido Democrático pode de certa forma concordar. Há aí um interesse comum", diz Roman Maruhn, do Instituto Goethe de Palermo.

Mesmo assim, Grillo e Bersani não seguem de forma alguma o mesmo curso político, sobretudo do ponto de vista pessoal. Para Grillo, Bersani faz parte da elite política italiana, sendo, por isso, corresponsável pela situação do país nos últimos anos. O cientista político Luca Verzichelli, da Universidade de Siena, afirma em entrevista à Deutsche Welle que uma aliança entre os dois é, na verdade, "uma missão impossível".

Mas caso os dois políticos abdiquem de fato de suas respectivas resistências e iniciem um diálogo sério, seria pelo menos possível desenvolver estratégias comuns em alguns pontos. "Introduzir um novo sistema eleitoral, estabilizar a economia, combater os cartéis e reduzir os gastos públicos, sobretudo os benefícios para os políticos – tudo isso poderia fazer parte de um projeto comum. Mas mais do que isso também não", analisa Verzichelli.

Um segundo Berlusconi?

O arqui-inimigo de Grillo continua sendo Berlusconi. Mas apesar de toda a adversidade, há também pontos em comum entre os dois. As alianças que eles conduzem mantêm-se profundamente focadas em uma única pessoa. Ambos utilizam uma linguagem tosca e são considerados populistas, capazes de arrebatar as massas. E os dois conseguiram levar movimentos políticos recém-criados ao Parlamento.

O ex-premiê Silvio Berlusconi: arqui-inimigo tradicional de Grillo
Mas a comparação para por aí, observa Maruhn. "Pelo que se sabe, Grillo comporta-se de maneira correta em relação às mulheres. E leva, pelo que consta, uma vida privada normal." Além disso, do ponto de vista político, Grillo é uma reação a Berlusconi, responsável por angariar votos de um eleitorado de centro-esquerda.

Grillo tem ainda um outro ponto em comum com Berlusconi: ambos já enfrentaram conflitos jurídicos pesados. Berlusconi foi condenado por sonegação fiscal e enfrenta vários outros processos. Grillo tem antecedentes criminais em função de um acidente de trânsito nos anos 1980, em consequência do qual muitas pessoas morreram. Ele foi condenado por homicídio culposo.

Extraído do sítio Deutsche Welle

26 fevereiro 2013

CAOS POLÍTICO EM ITÁLIA AMEAÇA FAZER REVIVER TENSÃO SOBRE O EURO

El Economista, 26 fevereiro 2013

A derrota do primeiro-ministro cessante, Mario Monti, o candidato preferido da UE, nas eleições legislativas e senatoriais italianas, “põe em causa a política de austeridade de Merkel”, escreve o diário económico espanhol.

Monti, que teve apenas 10,1% dos votos para a Câmara de deputados e 9,1% para o Senado, ficou em quarto lugar, muito atrás das coligações de esquerda e de direita lideradas respetivamente por Pierluigi Bersani e Silvio Berlusconi e do Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo.

Este resultado traz nova incerteza às bolsas europeias e a Wall Street, escreve o jornal.

Extraído do sítio Press Europe

23 fevereiro 2013

RETORNO DE BERLUSCONI AO PODER PREOCUPA BERLIM - Martin Koch


Novamente candidato ao governo na eleição deste domingo, ex-premiê caça votos disparando críticas contra Alemanha. Berlim tenta não mostrar preocupação, mas eleição de empresário pode afetar planos de Merkel.

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o próximo encontro com um premiê italiano pode ser um reencontro com um velho, embora impopular, conhecido: Silvio Berlusconi foi, entre 1994 e 2011, quatro vezes primeiro-ministro. E analistas consideram bem possível que ele consiga subir ao posto uma quinta vez.

E ironicamente, justamente Merkel pode acabar contribuindo sem querer para uma vitória eleitoral de Berlusconi. O político e empresário de 76 anos culpa a Alemanha pela má situação econômica de seu país, porque Berlim apoiou de forma decisiva as medidas de austeridade impostas pela União Europeia. É com esta posição que Berlusconi vai à caça de votos.

Sorrisos forçados

A relação entre Merkel e Berlusconi sempre foi curiosa. Ambos pertencem à mesma família de partidos conservadores europeus. Mas sempre que se encontravam, a efusiva cordialidade entre ambos parecia sempre meio deslocada. Como se dois parentes distantes que, na verdade, preferem se evitar, tivessem que abrir no rosto um sorriso forçado para a foto de família. "Os dois não têm relação alguma, eles não conseguem conversar entre si, nem mesmo pessoalmente. E na política isso desempenha um papel importante. E eles também não confiam um no outro", define o cientista político Angelo Bonaffi, ex-diretor do Instituto Cultural Italiano em Berlim.

Bolaffi diz que poucos conseguem resistir a poder midiático de Berlusconi
Na campanha eleitoral, o "cavaliere" ─ como Berlusconi gosta de ser chamado, depois que ganhou uma ordem nacional de cavalaria por "mérito do trabalho" ─, vem fazendo acusações contra a Alemanha, apontando Angela Merkel quase como a única responsável pelo fato de a UE ter imposto à Itália um pacote de austeridade tão duro. Aumentos de impostos, cortes no orçamento, crise econômica, tudo é culpa de Merkel. Ele veicula os ataques populistas em sua rede constituída por várias estações de televisão. Com isso, ele possui um enorme poder manipulador, de acordo com Angelo Bolaffi. "Não há muitas pessoas que tenham conhecimento e tempo suficientes para resistir a isso", ressalta o especialista, em entrevista à DW.

Ex-premiê com poder na mídia

Na avaliação do cientista político, é como um ciclo que se fecha. Pois no início de sua carreira política, Berlusconi também usou seu poder de mídia maciçamente para poder chegar a um cargo político. Ele não acredita que o ex-primeiro-ministro consiga chegar novamente ao poder, mas sublinha que, com os 20% de votos que possivelmente receberá, ele já pode ter um papel importante na formação do novo governo.

Bolaffi lamenta que as relações entre Alemanha e Itália tenham sofrido desgaste no passado recente. Ambos os países foram aliados no início do movimento europeu, mas, desde que Berlusconi se tornou primeiro-ministro pela primeira vez, há quase vinte anos, o relacionamento sofreu abalos. Ele rompeu com a tradição de visitar a Alemanha como um dos primeiros países após a posse. De lá para cá, observa Bolaffi, o relacionamento é "precário". Ele ouve com frequência em seu país que Angela Merkel é a responsável pela má situação econômica da Itália, mas quase não ouve nada sobre as medidas de austeridade se deverem à situação atual e serem o caminho certo para sair da crise. Por isso, na opinião dele, não é de admirar o atual clima desfavorável à Alemanha entre os italianos.

Calma tensa

A coalizão de governo em Berlim não parece se interessar muito pelo fato de a campanha eleitoral italiana estar sendo feita às custas da Alemanha. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, disse ao jornal Süddeutsche Zeitung que não vai fazer comentários sobre os ataques contra o país nas campanhas eleitorais italianas. "Obviamente não somos partidários na campanha eleitoral italiana", comentou. "Mas esperamos que o curso pró-europeu e as reformas necessárias continuem. Essa é, certamente, a atitude geral do governo alemão", ponderou.

Na opinião de Langguth, reeleição de Berlusconi pode atrapalhar planos de Merkel
Na opinião do cientista político Gerd Langguth, a chanceler e sua equipe não devem estar tão relaxadas em relação a Roma, como querem fazer parecer. Ele acredita que o resultado das urnas italianas pode lançar uma sombra sobre as eleições alemãs de setembro. "A eleição de Berlusconi poderia ameaçar a reeleição de Angela Merkel, porque poderia ser vista como um fracasso da chanceler em fazer valer sua vontade."

Angelo Bolaffi está convencido que, no final, vai prevalecer, novamente, o que já é comum na política do país: uma batalha cabeça por cabeça entre dois ou três partidos, seguida por complicadas negociações de coalizão. O movimento de protesto Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, pode ter uma participação importante, já que pode obter até 20% dos votos. Talvez seja formada uma grande coalizão entre o PdL de Berlusconi e o partido de centro-esquerda PD, de Pier Luigi Bersani, que começou a campanha eleitoral como favorito. "Tudo está em aberto, como é comum na Itália", conclui Bolaffi.

Extraído do sítio Deutsche Welle

09 agosto 2012

CRISE MUNDIAL COMPLETA 5 ANOS E CONTINUA SEM SOLUÇÃO, DIZ JORNAL FRANCÊS

Jornais franceses analisam o efeito cascata dos "subprimes" do mercado imobiliário na crise mundial. Flickr/ ILPeoplesAction

O aniversário de cinco anos da crise financeira mundial domina a manchete do principal diário econômico francês, o Les Echos, que dedica extensa reportagem para rememorar os fatos e analisar os efeitos provocados pelos chamados "subprimes", os títulos de crédito imobiliário que estremeceram as bases do sistema bancário e abalaram as economias mais poderosas do mundo.

Em 9 de agosto de 2007, lembra o Les Echos, o banco francês BNP Paribas suspendeu a valorização de três de seus fundos vinculados aos subprimes americanos, desencadeando uma crise que ainda não acabou. A data, segundo o jornal, marca talvez o fim de um período em que o capitalismo financeiro funcionou livremente, sem se autoregular.

O poder dos Estados Unidos, no epicentro da maior tormenta econômica mundial depois da depressão dos anos 30, enfraqueceu, constata o Les Echos e na Europa, o futuro do euro ficou ameçada com o problema da dívida soberana dos estados. O jornal lembra ainda que a crise na zona do euro derrubou vários governantes, como Gordon Brown, na Grã Bretanha, Silvio Berlusconi na Itália e Nicolas Sarkozy, na França.

O ex-presidente Sarkozy está na origem da manchete do Aujourd' hui en France. O jornal repercute a polêmica lançada pelo ex-presidente que emitiu ontem um comunicado criticando na terça-feira o suposto imobilismo da política da França sobre a Síria. Em entrevista ao Aujourd'hui en France, o chanceler socialista Laurent Fabius disse que esperava outra postura do ex-presidente e que a Síria, com seu arsenal de armas químicas, não é a Líbia. Ele lembrou ainda que Sarkozy recebeu o presidente Bashar Al-Assad, em Paris, 4 anos atrás.

O Le Figaro traz em capa o alerta do Banco da França de que o país poderá entrar em recessão diante da previsão de queda de 0,1 do PIB francês no terceiro trimestre do ano.

O Libération afirma em sua reportagem principal que o governo francês ainda estuda o congelamento nos preços dos combustíveis que estão em alta desde o início de julho. Apesar de ser uma das promessas do então candidato François Hollande, o ministério da Economia avalia que o nível de alerta ainda não foi atingido.

Extraído do sítio RFI