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28 março 2013

PORQUE O REGIME CHINÊS NÃO PODE RESOLVER SEUS PROBLEMAS AMBIENTAIS - Tian Yuan

Uma visão de Pequim sob densa poluição atmosférica em 31 de janeiro de 2013 (Mark Ralston/AFP/Getty Images)

A poluição é um grande problema na China, porque ela afeta a todos. As pessoas ficam ansiosas quando se discute o ar poluído, as tempestades de areia, os rios e os lençóis freáticos contaminados, além das “vilas de câncer”, onde produtos químicos tóxicos estão exterminando populações.

Autoridades chinesas falam de proteger o meio ambiente, mas elas têm uma fonte especial de alimentos, água e até mesmo de ar. Em dezembro de 2012, quando o novo líder chinês Xi Jinping proferiu seu discurso “Sonho da China”, parte de sua visão incluía “um meio ambiente melhor”.

Então, se todos estão preocupados com o meio ambiente na China, por que é que a poluição tem piorado a cada dia e o número de aldeias de câncer têm crescido? É óbvio que os oficiais estão dizendo uma coisa, mas fazendo outra: eles incentivam o sacrifício do meio ambiente em troca de desenvolvimento econômico e penalizam aqueles que investem na restauração ambiental.

Por que isso ocorre? Para começar, o Partido Comunista Chinês (PCC) é uma ditadura ilegítima. Para prolongar seu domínio, o regime depende desesperadamente de incentivar e propagandear o crescimento econômico.

Antes de 2012, o PCC tentou de tudo para manter o produto interno bruto (PIB) numa taxa de crescimento em torno de 8%. Depois de 2012, apesar de seus esforços e por causa da desaceleração econômica na China, o regime foi obrigado a definir uma meta de 7%. Abaixo deste nível, o desemprego proliferará, causando instabilidade social e ameaçando o regime.

Um estudo recente da Secretaria Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA prova este ponto com números sólidos. O documento analisou 283 cidades na China e descobriu que oficiais que usaram parte de seus orçamentos no tratamento da poluição não receberam qualquer promoção. No entanto, aqueles que gastaram grandes somas na construção de rodovias e outras infraestruturas – aumentando o PIB local em detrimento do meio ambiente – foram promovidos ou granjeados com outros benefícios.

Em outras palavras, se um oficial cuida do bem-estar do povo e lida com a poluição, ele não tem esperança de ser promovido. No entanto, se um oficial eleva o PIB, o regime o premia independente da poluição gerada. Diante desta política de flagrante incentivo a ganhos pessoais, quantos oficiais protegeriam o meio ambiente?

O regime chinês também proíbe os movimentos populares de proteção ambiental. Desde 1996, o número de manifestações e protestos devido a questões ambientais aumentou cerca de 30% ao ano.

Da poluição por p-xileno nas cidades costeiras de Xiamen, Ningbo e Dalian até a poluição por molibdênio-cobre em Shifang, no sudoeste da China, e a poluição de resíduos industriais da Companhia de Papel Oji em Qidong, no centro do litoral chinês, as autoridades locais foram coniventes com empresas e permitiram projetos poluentes antes que o público tomasse conhecimento das consequências.

As pessoas não têm um canal para apelar contra as decisões do governo, então, elas recorrem a manifestações e protestos, muitas vezes violentos, e o regime responde com sua política de “manutenção da estabilidade”, mobilizando as forças armadas para reprimir manifestantes. Isto se tornou o protocolo padrão do PCC para lidar com os problemas ambientais.

A ditadura na China e a animosidade do regime pela vontade popular também são responsáveis pela grave poluição. As políticas do mundo ocidental de proteção ambiental começaram com os movimentos civis nos anos 60 e 70, com a democracia sendo necessária para seu sucesso. Os norte-americanos fizeram avanços na proteção do meio ambiente por meio da manifestação popular.

Durante a industrialização do Japão, grandes incidentes de poluição levaram nacionais a adoecerem gravemente. Na década de 60, havia muitos grupos civis que defendiam a proteção ambiental e desafiavam o Partido Liberal Democrático, o partido dominante no pós-guerra que não se preocupava com a poluição ambiental. Esses grupos também encorajaram as pessoas a boicotar as piores empresas.

Em meados dos anos 70, grupos ambientalistas alteraram com sucesso a situação no Japão, com muitos políticos apoiando a proteção ambiental. Querendo melhorar sua imagem pública, as empresas começaram a contatar grupos ambientais e prometeram cuidar do meio ambiente. Mecanismos positivos para lidar com os problemas ambientais foram finalmente estabelecidos.

A poluição na China reflete a corrupção do regime comunista e ela existirá enquanto o PCC existir, com o solo contaminado por metais pesados e resíduos químicos industriais nos rios, lagos e águas subterrâneas conferindo-lhes uma variedade de cores estranhas e efeitos letais, além do ar cheio de partículas lesivas aos pulmões e a comida sobrecarregada de toxinas.

Os chineses chegaram a um ponto crítico em sua qualidade de vida. Se eles continuarem indiferentes ou enganados pelo regime, o povo chinês estará se condenando ao suicídio.

Extraído do sítio The Epoch Times

12 março 2013

A POLUIÇÂO ATMOSFÉRICA QUE ENVOLVE A CHINA E A SAÚDE PÚBLICA - Li Rulan

A questão da qualidade do ar e câncer de pulmão na China é mais temerária do que a epidemia de SARS em 2003, segundo especialista em doenças respiratórias.

Um motociclista usa uma máscara facial numa densa poluição atmosférica agravada por uma tempestade de areia em Pequim em 28 de fevereiro de 2013 (Ed Jones/AFP/Getty Images)

O Dr. Zhong Nanshan, presidente da Associação Médica da China, advertiu que o problema da poluição na China é “mais assustador do que a SARS”, ao falar numa sessão plenária em Pequim em 5 de março.

Um respeitado especialista em doenças respiratórias, Zhong Nanshan ganhou reconhecimento uma década atrás por liderar a batalha contra a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Zhong Nanshan disse que diferente da SARS, que pode ser controlada por meio de quarentena, a poluição atmosférica afeta a todos. “Quem quer que você seja, você não pode escapar do ar poluído”, disse ele, segundo o Diário Jovem da China.

Ele citou um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre qualidade do ar mostrando que a cidade-ilha de Haiko, que tem o ar mais limpo na China, ocupa apenas a 1530ª posição das 1802 cidades mundiais listadas. Zhong Nanshan acrescentou que o relatório mostra que a incidência de câncer de pulmão na China está entre as mais altas do mundo, com 76 casos em cada 100 mil homens e 48 por 100 mil mulheres.

Ele disse que estes números variam muito entre regiões com diferentes qualidades do ar, pois a poluição do ar está relacionada com as taxas de câncer de pulmão na China. Por exemplo, disse ele, na área urbana de Guangzhou, a incidência de câncer pulmonar é o dobro das zonas rurais circundantes e Pequim mostra o mesmo padrão.

“Se esta tendência de poluição continuar, o número de pacientes com câncer provavelmente aumentará exponencialmente”, disse ele.

Zhong Nanshan questionou a política do Partido Comunista Chinês (PCC) de priorizar o produto interno bruto (PIB), frequentemente à custa do meio ambiente. “O que é mais importante, o PIB ou a saúde? Neste ponto, não é uma questão de cuidar de ambas as questões. Atualmente, o componente necessário à sobrevivência humana foi seriamente ameaçado”, disse ele. “O desempenho dos oficiais locais é normalmente avaliado com base no crescimento do PIB em suas jurisdições. A partir de hoje, o sucesso dos oficiais em termos de reduzir a poluição também deve ser incluído como um parâmetro de desempenho.”

Anteriormente, Zhong Nanshan disse ao Sohu.com que, ao trabalhar com cirurgiões, ele viu que os pulmões de muitos moradores de Guangzhou acima de 40-50 anos são negros devido à poluição do ar. Embora uma das maiores cidades da China, Guangzhou tem níveis relativamente baixos de poluição. “Alguns podem pensar que estou exagerando o assunto, mas isso é um fato”, disse ele. “Se é assim em Guangzhou, em Pequim deve ser muito pior.”

“Eu não me importo com a chamada ‘sociedade harmoniosa’”, continuou ele, referindo-se a campanha de propaganda comunista. “As coisas mais importantes para os seres humanos são ar, água e alimento. Se estes estão ameaçados, ninguém pode realmente ser feliz.”

Chineses comuns admiram a franqueza de Zhong Nanshan, uma qualidade raramente associada aos delegados do Congresso Popular. “Poucos representantes políticos são como Zhong Nanshan”, comentou um internauta na rede de mídia social chinesa Weibo. “Eles não deveriam apenas elogiar o governo. Eles devem realmente considerar com mais seriedade o ar, a água e o alimento das pessoas.” Muitos outros internautas também pediram que mais pessoas corajosas agissem na melhoria da qualidade de vida do povo chinês.

Mas pode já ser tarde demais. Num artigo recente, a economista He Qinglian falou da poluição em geral, dizendo que mesmo que o governo e todas as pessoas parassem imediatamente de criar nova poluição, ainda levaria algumas centenas de anos para o meio ambiente da China se recuperar.

A Sra. He Qinglian também apontou que por muitos anos oficiais do PCC foram condescendentes com empresas poluidoras visando ganhos políticos e benefícios financeiros, o que levou à degradação ambiental generalizada na China. As autoridades pensaram que poderiam escapar contando com o acesso a alimentos seguros especiais, disse ela.

Eles não perceberam que a poluição do ar inesperadamente nivelaria o terreno para todos. “Na China, onde a classe social determina tudo, morrer por causa da poluição pode ser uma situação em que as pessoas experimentam a igualdade total”, concluiu ela.

Extraído do sítio The Epoch Times

08 fevereiro 2013

POLUIÇÃO DA CHINA PENETRA ATMOSFERA DO JAPÃO - Jack Phillips

Um avião da Japan Airlines decola no aeroporto Haneda em Tóquio em meio a atmosfera cinzenta em 4 de fevereiro (Yoshikazu Tsuno/AFP/Getty Images)

A densa poluição atmosférica que tem envolvido a China no último mês está infiltrando os ares do Japão, levando o Ministério do Meio Ambiente do país a alertar a população sobre os riscos para a saúde de crianças e pessoas com condição já debilitada.

“O acesso ao nosso sistema de monitoramento da poluição do ar tem sido quase impossível na semana passada e o telefone aqui tem tocado constantemente, porque as pessoas continuam nos indagando preocupadas com o impacto sobre a saúde”, disse um funcionário anônimo do Ministério do Meio Ambiente japonês à AFP na segunda-feira.

O website do ministério tem estado sobrecarregado com o tráfego, informou a AFP. De acordo com a mídia Standard de Hong Kong, o ministério também aconselhou a população a fechar suas janelas e usar máscara de respiração, que são comumente usadas na Ásia Oriental.

“A China é nossa vizinha e todo tipo de problema acontece entre nós constantemente”, disse Takaharu Abiko, de 50 anos, à AFP. “É muito preocupante. Esta poluição é perigosa, como veneno, e não podemos nos proteger. É assustador.”

Três cidades da prefeitura de Hiroshima, localizada no Sul do Japão, registraram 40 microgramas por metro cúbico na escala de partículas PM 2,5, usada para medir a poluição do ar. Partículas pequenas podem penetrar nos pulmões e causar doenças respiratórias. A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que é “insalubre” respirar o ar que tem mais de 25 microgramas de micropartículas por metro cúbico.

Em meados de janeiro, durante o pico da epidemia de poluição do ar na China, Pequim registrou mais de 990 microgramas por metro cúbico na mesma escala. Nas últimas semanas, o nível de PM 2,5 tem sido consistentemente maior que 500 microgramas por metro cúbico, ultrapassando múltiplas vezes o nível “perigoso” definido pela OMS.

Autoridades japonesas não implicaram a China pelo nevoeiro cinzento que cobriu partes do Japão, mas o ministro do meio ambiente japonês Yasushi Nakajima disse à AFP que “não se pode negar que há um impacto da poluição proveniente na China”.

“Nesta época do ano, definitivamente, não são areias amarelas” que são sopradas dos desertos chineses e mongóis, “são partículas tóxicas”, disse Atsushi Shimizu do Instituto Nacional de Estudos Ambientais do Japão. “Pessoas com doenças respiratórias devem ter cuidado”, advertiu ele.

O alerta no Japão surge apenas duas semanas após relatos de que a poluição da China engoliu a maior parte da Coreia do Sul. A capital de Seul registrou 218 partículas por metro cúbico na escala PM 10, outra medida para avaliar pequenas partículas no ar.

Toshihiko Takemura, professor associado da Universidade de Kyushu, disse à AFP que um aumento da poluição do ar chinês em partes do Japão se tornou uma tendência preocupante em anos recentes.

“Especialmente em Kyushu, o nível de poluição do ar tem sido detectado na vida cotidiana há alguns anos”, disse ele. “As pessoas no Leste e Norte do Japão estão agora percebendo tardiamente a poluição do ar transfronteiriça.”

Extraído do sítio The Epoch Times

02 janeiro 2013

UM ANO PERIGOSO - Mauro Santayana

É bom não esperar muito dos próximos doze meses. Os dissídios internacionais tendem a crescer e, se não houver o milagre do bom senso, podem conduzir a novos conflitos armados regionais, com o perigo de que se ampliem. Os chineses, que têm particular visão de mundo, podem dissimular sua alma coletiva, mas no interior de seu excepcional crescimento econômico e tecnológico, militam sentimentos de orgulhosa desforra. Nenhum povo, ao que registra a História, foi tão espezinhado pelos invasores armados quanto o chinês.

Durante milênios, senhores dentro de suas fronteiras, sentiam-se os donos do mundo que conheciam, mesmo que vivessem em guerras internas e se defendessem de vizinhos hostis.

O enriquecimento dos chineses e sua crescente presença internacional são fatos novos, que podem ser o fator mais importante da História neste século, que já entrou em sua segunda década. Eles estão se apropriando, com perseverança e obstinação, das riquezas naturais do mundo, do petróleo às terras raras (de que são grandes possuidores em seu próprio subsolo). Ao mesmo tempo, desenvolvem tecnologia militar própria e fortalecem seus exércitos.

É difícil pensar que, dispondo de tal poder econômico e militar, os chineses não o utilizem na defesa de sua cultura e de seus interesses. E também para cobrar o que lhes fizeram os colonizadores europeus durante o século 18 – e os japoneses, no século 20, na Manchúria. Como eles se lembram bem, contingentes do Exército Japonês, em fúria animal, mataram, entre dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, mais de 200 mil militares e civis na cidade de Nanquim, estupraram as mulheres e meninas, antes de matá-las, e dilaceraram os corpos dos meninos, entre eles os de recém-nascidos.

O general Chiang-kai-Chek, que se tornaria anticomunista em seguida, não ficou bem no episódio. Com a desculpa de que deveria preservar a elite de seu exército, abandonou a cidade, entregando-a a recrutas mal treinados e a voluntários civis, além da população, inocente e desarmada. Foi essa gente, sem treinamento e debilitada, que os japoneses venceram e trucidaram. Os chineses não esqueceram os mortos de Nanquim, e os japoneses se esforçam em fazer de conta que não foi bem assim. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono

O dissídio, aparentemente menor, entre Beijing e Tóquio, a propósito das ilhas Senkaku (em japonês) ou Diaoyu (em chinês) pode ser o pretexto para o acerto de contas de 1937. Nos últimos dias do ano, o Japão decidiu enviar uma força naval para a defesa das ilhas, cuja soberania diz manter – o que os chineses contestam. Os chineses advertiram que vão contrapor-se à iniciativa bélica japonesa. As ilhas, sem importância econômica, e desabitadas, eram milenarmente chinesas, e foram incorporadas pelo Japão em 1895, depois da guerra sino-japonesa daquele fim de século. São ilhotas diminutas, a menor com apenas 800 metros quadrados (menor do que um lote urbano no Brasil) e a maior com pouco mais de 4 km2.

Acossados por uma série de vicissitudes, os Estados Unidos começam o ano combalidos pelo confronto político interno, a propósito do Orçamento. Mas não perdem a sua velha arrogância imperial. Há mesmo quem veja, na decisão japonesa de enviar navios de guerra ao diminuto arquipélago, uma jogada do Pentágono, para antecipar, enquanto lhes parece mais conveniente, o confronto com os chineses. Há um tratado de paz dos Estados Unidos com o Japão que prevê a ajuda americana em caso de conflito regional. É uma partida muito arriscada.

O presidente Obama também acaba de sancionar uma lei do Congresso determinando que o governo norte-americano tome medidas para impedir a penetração diplomática do Irã na América Latina, e, no bojo das justificativas, a Tríplice Fronteira é mais uma vez citada, como área que financia o Hesbolá. Como se não houvesse, ali e no resto do Brasil, os que financiam o Estado de Israel. Devemos nos precaver.

Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais (sobretudo com o Irã e a Palestina), entre eles alguns senadores da República, como revelaram os despachos do Embaixador Sobel, divulgados pelo WikiLeaks. Infelizmente, no Brasil, há sempre os vassalos de Washington, que estimulam o intervencionismo ianque em nossas relações internacionais

O anunciado conflito armado entre Israel e o Irã é também alimentado pelo ódio da extrema direita judaica contra todos os que criticam Tel Aviv. O Centro Simon Wiesenthal considerou o cartunista brasileiro Carlos Latuff o terceiro maior inimigo de Israel no mundo. Os dois primeiros são o líder espiritual da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e Ahmadinejad, o presidente do Irã.

O cineasta Sylvio Tendler, em mensagem de solidariedade a Latuff, lembra que eminentes judeus, entre eles os jornalistas Ury Avnery, Amira Haas e Gideon Levy, são mais críticos da posição de Israel contra os palestinos do que o cartunista brasileiro.

É lamentável que o nome do caçador de nazistas Simon Wiesenthal, que conheci e entrevistei, em Viena, há mais ou menos 40 anos, para este mesmo Jornal do Brasil, seja usado para uma organização fanática e radical, como essa. Wiesenthal, ele mesmo sobrevivente da estupidez nazista, era um obstinado – e legítimo – caçador de criminosos de guerra, que haviam cometido todo o tipo de atrocidades contra seu povo.

O governo direitista de Israel é de outra origem. Não podemos fazer de conta que nada temos contra a ameaça a um cidadão brasileiro, Carlos Latuff, cuja segurança pessoal deve ser, de agora em diante, de responsabilidade do governo. Ou que não nos devamos preocupar com a lei aprovada por Obama. Temos tido bom relacionamento com o governo do Irã, e a política externa brasileira é decisão soberana de nosso povo.

Uma presença militar maior em Foz do Iguaçu e ao longo da fronteira ocidental é necessária, a fim de dissuadir os agentes provocadores. As guerras sempre foram vantajosas para os americanos, desde a invasão do México, em 1846-48. É provável que seus estrategistas estejam retornando à Doutrina Bush da guerra infinita.

Diante desse cenário mundial instável, e na perspectiva de uma campanha sucessória agitada, temos que manter toda serenidade possível. A defesa de posições políticas eventuais não deve comprometer a segurança nem a soberania do povo brasileiro. A nação deve sobrepor se a todos os interesses, mais legítimos uns e menos legítimos outros, de grupos econômicos e partidários.

Infelizmente, desde Calabar e Silvério dos Reis, não faltam os que desprezam o nosso povo e traem os interesses da Pátria.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

29 setembro 2012

PETIÇÃO SOBRE COLHEITA DE ÓRGÃOS SOLICITA EUA A PRESSIONAR CHINA - Matthew Robertson

Pede-se aos EUA que divulguem o que Wang Lijun revelou sobre a atrocidade.

A Dra. Wang Wenyi (direita) e a Dra. Cynthia Liu (esquerda), membras do grupo ‘Médicos contra a Colheita Forçada de Órgãos’, se preparam para entregar a petição no gabinete de Susan E. Rice, a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, em Nova York. (Amal Chen/The Epoch Times)
NOVA YORK – A petição de quase 25 mil assinaturas pede aos EUA para colocarem pressão sobre a China por meio da ONU para impedir a prática da colheita forçada de órgãos.

A petição, entregue em 26 de setembro no gabinete de Susan E. Rice, a embaixadora dos EUA na ONU, também pede ao governo dos EUA para liberarem qualquer informação que possuam sobre o envolvimento de Wang Lijun, o ex-chefe da polícia de Chongqing na China que foi condenado a 15 anos de prisão, nas atividades de colheita de órgãos.

Desde 2000, essas atividades têm em grande medida visado prisioneiros da consciência, especificamente praticantes da disciplina espiritual do Falun Gong. Pelo menos 60 mil praticantes do Falun Gong foram mortos quando seus órgãos foram extraídos, segundo estimativas de analistas do assunto. Os órgãos são vendidos por dezenas de milhares de dólares para chineses ricos, oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) e estrangeiros que necessitam de órgãos, segundo a petição.

“Queremos quebrar o silêncio, para que os Estados Unidos parem de ser apenas um observador, mas se posicione internacionalmente e exija o fim destes crimes”, disse o Dr. Torsten Trey, diretor-executivo dos ‘Médicos contra a Colheita Forçado de Órgãos’ (DAFOH), num conversa telefônica.

Seu grupo de defesa médica recolheu as petições e as entregou ao escritório de Rice no edifício das Nações Unidas. “Precisamos ver investigações internacionais chegarem ao fundo disto. Esta é a razão da petição”, disse ele.

As assinaturas foram coletadas por voluntários ao longo das últimas quatro a cinco semanas em cidades estadunidenses e foram então digitalizadas, gravadas num CD e DVD e entregues ao gabinete de Rice, juntamente com a carta de apresentação. “Pedimos que você tome uma atitude pelos que assinaram e levaram sua voz às Nações Unidas”, diz a carta.

O grupo recolheu mais de 24.300 até o domingo e era estimado que facilmente ultrapassaria 25 mil no intervalo antes da entrega. O escritório de Rice não respondeu a um pedido de comentário na tarde de 26 de setembro.

As pessoas foram enormemente receptivas à petição, disse Trey, citando histórias de voluntários em campo. “Notamos tremenda receptividade do povo. Muitos ofereceram sua ajuda ou sugestões e apoio”, disse Trey.

“Eles dizem, ‘Eu quero saber o que está acontecendo e, se as pessoas estão sendo mortas por seus órgãos, eu quero que isso acabe.’ Eles têm um simples desejo de fazer a coisa certa”, disse ele. “Poderíamos facilmente ter conseguido 100 mil assinaturas nos EUA em um mês”, acrescentou ele.

A Dra. Wenyi Wang, membra do DAFOH e ex-jornalista da edição chinesa do Epoch Times, esteve presente no dia e ajudou a entregar a petição ao gabinete de Rice. “Quando as pessoas souberem a verdade, elas farão a escolha certa”, disse ela. “A Declaração de Direitos Humanos da ONU surgiu há muitos anos; viemos aqui submeter a petição para lembrar à ONU que o regime chinês não está cumprindo com a declaração.”

A Dra. Cynthia Liu, uma patologista do Centro Médico da Universidade de Nova York e membra do DAFOH, ajudou a entregar a petição.

A carta e petição destacavam a evidência disponível da colheita de órgãos de praticantes do Falun Gong na China e observava, “Altos oficiais do PCC estão envolvidos em dirigir a colheita forçada de órgãos.”

Essas afirmações são baseadas em ligações telefônicas gravadas secretamente pela ‘Organização Mundial para Investigar a Perseguição ao Falun Gong’ (WOIPFG), cujos pesquisadores contataram a China se passando por vários oficiais comunistas e provocando admissões de oficiais do PCC e publicaram as conversas online.

“Acredita-se que Wang Lijun, em sua tentativa de desertar no consulado dos EUA em Chengdu em fevereiro de 2012, forneceu informações vitais sobre a colheita de órgãos para os funcionários do consulado”, diz a carta.

Quando perguntado sobre o assunto durante a coletiva do 17º Diálogo EUA-China sobre os Direitos Humanos, o secretário-adjunto de Estado norte-americano Michael H. Posner deu uma resposta ambígua.

Se o Departamento de Estado tem sido mais aberto com o Congresso não é conhecido. Uma coletiva somente com seus membros foi realizada pelo Comitê das Relações Exteriores num ambiente restrito em 26 de abril. Os membros da equipe de congressistas não foram autorizados a participar e a comissão não fez qualquer comentário sobre o conteúdo da coletiva após sua conclusão.

Posteriormente, pressão multiprolongada foi feita sobre a administração para divulgar o que sabe e para pressionar por maior atenção internacional e investigação.

A audiência do Congresso foi realizada recentemente por dois subcomitês do Comitê Parlamentar das Relações Exteriores, que convocou testemunhas para depor. O Rep. Dana Rohrabacher (R-Calif.), presidente de um dos subcomitês, descreveu a colheita de órgãos como um “crime monstruoso”.

Os membros do Congresso estão circulando uma carta com o objetivo de obter centenas de assinaturas num documento que será enviado à secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, pedindo que o Departamento de Estado divulgue publicamente o que sabe sobre a colheita de órgãos de pessoas vivas na China e que informação Wang Lijun forneceu.

“Se tal evidência foi recebida e for trazida à luz, medidas podem ser tomadas para ajudar a impedir tais abusos abomináveis”, diz a carta. “Solicitamos, portanto, que o Departamento de Estado libere qualquer informação que possa ter que se relacione com os abusos de transplante na China, incluindo toda a documentação que Wang Lijun possa ter fornecido ao nosso consulado em Chengdu.”

Extraído do sítio The Epoch Times

28 setembro 2012

MÍDIA DOS EUA ESCONDE GENOCÍDIO CHINÊS PARA TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS - Yukio Spinosa

Imagem de um transplante de órgãos publicado no Youtube pela NTDTV
Durante mais de uma década, o Partido Comunista Chinês (PCC) tem torturado e assassinado dezenas de milhares de prisioneiros políticos, por seus órgãos. A mídia ocidental, principalmente os jornais Washington Post e The New York Times têm recebido dinheiro para manterem-se calados e postarem propaganda chinesa aos seus leitores.

Em material audiovisual para a rede de televisão baseada em Nova York, NTDTV (New Tang Dinasty Television), o repórter Chris Chappell quebra o silêncio da mídia ocidental e denuncia o “terrível crime contra a Humanidade”, como definiu o congressista norte-americano Dana Rohrabacher.

Dois dos maiores jornais norte-americanos “têm falhado miserável e repetidamente em reportar um dos mais horríveis genocídios da História atual. O regime comunista chinês coleta órgãos dos prisioneiros políticos executados. É um fato conhecido pela comunidade internacional desde os anos 80”, reporta Chappell.

Qualquer um pode se tornar um preso político na China. Mas a maioria das prisões são de advogados de direitos humanos, artistas e religiosos. O regime já tentou a doação voluntária de órgãos, que falhou por ser um tabu.

Rohrabacher denunciou no dia 12 de Setembro que a prática continua, principalmente, após execuções de membros da religião Falun Gong, considerada subversiva pelo governo chinês.

“O PCC e seu sistema de segurança usam amplos meios de repressão (…) e um dos mais desumanos é a coleta forçada de órgãos de prisioneiros políticos e religiosos (…),afirmou Rohrabacher, congressista republicano pelo Estado da Califórnia.

Os abusos chineses com prisioneiros foram noticiados pela primeira vez apenas em 2006, por outro veículo da mídia chinesa de caráter internacional, o The Epoch Times. O artigo ainda está online: 

A NTDTV foi fundada por seguidores do Falun Gong, uma seita religiosa presente em 80 países e vista pelo Partido Comunista Chinês como uma ameaça devido ao seu tamanho, cerca de 100 milhões de seguidores. Seu criador, Li Hongzhi já recebeu quatro indicações para o Prêmio Nobel da Paz. 

Assista o vídeo da NTDTV


Extraído do sítio IA Notícia

20 agosto 2012

MERCOSUL VERSUS A NOVA ALCA VERSUS A CHINA - Samuel Pinheiro Guimarães

Hoje, o embate político, econômico e ideológico na América do Sul se trava entre os Estados Unidos, a maior potência do mundo; a crescente presença chinesa, com suas investidas para garantir acesso a recursos naturais, ao suprimento de alimentos e de suas exportações de manufaturas; e as políticas dos países do Mercosul, que ainda entretém aspirações de desenvolvimento soberano, pretendem atingir níveis de desenvolvimento social elevado e que sabem que, para alcançar estes objetivos, a ação do Estado, é indispensável. O artigo é de Samuel Pinheiro Guimarães.


1. Todo o noticiário sobre Mercosul, Aliança do Pacífico, Parceria Transpacífica e China tem a ver com um embate ideológico entre duas concepções de política de desenvolvimento econômico e social. 

2. A primeira dessas concepções afirma que o principal obstáculo ao crescimento e ao desenvolvimento é a ação do Estado na economia.

3. A ação direta do Estado na economia, através de empresas estatais, como a Petrobrás, ou indireta, através de políticas tributárias e creditícias para estimular empresas consideradas estratégicas, como a ação de financiamento do BNDES, distorceria as forças de mercado e prejudicaria a alocação eficiente de recursos.

4. Nesta visão privatista e individualista, uma política de eliminação dos obstáculos ao comércio e à circulação de capitais; de não discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras; de eliminação de reservas de mercado; de mínima regulamentação da atividade empresarial, inclusive financeira; e de privatização de empresas estatais conduziria a uma eficiente divisão internacional do trabalho em que todas as sociedades participariam de forma equânime e atingiriam os mais elevados níveis de crescimento e desenvolvimento.

5. Esta visão da economia se fundamenta em premissas equivocadas. Primeiro, de que todos os Estados partem de um mesmo nível de desenvolvimento, de que não há Estados mais e menos desenvolvidos. Segundo, de que as empresas são todas iguais ou pelo menos muito semelhantes em dimensão de produção, de capacidade financeira e tecnológica e de que não são capazes de influir sobre os preços. Terceiro, de que há plena liberdade de movimento da mão de obra entre os Estados. Quarto, de que há pleno acesso à tecnologia que pode ser adquirida livremente no mercado. Quinto, de que todos os Estados, inclusive aqueles mais desenvolvidos, seguem hoje e teriam seguido passado esse tipo de políticas.

6. Como é obvio, estas premissas não correspondem nem à realidade da economia mundial, que é muito, muito mais complexa, nem ao desenvolvimento histórico do capitalismo.

7. Historicamente, as nações hoje altamente desenvolvidas utilizaram uma gama de instrumentos de política econômica que permitiram o fortalecimento de suas empresas, de suas economias e de seus Estados nacionais. Isto ocorreu mesmo na Inglaterra, que foi a nação líder do desenvolvimento capitalista industrial, com a Lei de Navegação, que obrigava o transporte em navios ingleses de todo o seu comércio de importação e exportação; com a política de restrição às exportações de lã em bruto e às importações de tecidos de lã; com as restrições à exportação de máquinas e à imigração de “técnicos”.

8. Políticas semelhantes utilizaram a França, a Alemanha, os Estados Unidos e o Japão. Países que não o fizeram naquela época, tais como Portugal e Espanha, não se desenvolveram industrialmente e, portanto, não se desenvolveram.

9. Se assim foi historicamente, a realidade da economia atual é a de mercados financeiros e industriais oligopolizados em nível global por megaempresas multinacionais, cujas sedes se encontram nos países altamente desenvolvidos. A lista das maiores empresas do mundo, publicada pela revista Forbes, apresenta dados sobre essas empresas cujo faturamento é superior ao PIB de muitos países. Das 500 maiores empresas, 400 se encontram operando na China. Os países altamente desenvolvidos protegem da competição estrangeira setores de sua economia como a agricultura e outros de alta tecnologia. Através de seus gigantescos orçamentos de defesa, todos, inclusive a Alemanha e o Japão, que não poderiam legalmente ter forças armadas, subsidiam as suas empresas e estimulam o desenvolvimento cientifico e tecnológico. Com os programas do tipo “Buy American” e outros semelhantes, privilegiam as empresas nacionais de seus países; através da legislação e de acordos cada vez mais restritivos de proteção à propriedade intelectual, dificultam e até impedem a difusão do conhecimento tecnológico. Através de agressivas políticas de “abertura de mercados” obtém acesso aos recursos naturais (petróleo, minérios etc) e aos mercados dos países periféricos, em troca de uma falsa reciprocidade, e conseguem garantir para suas megaempresas um tratamento privilegiado em relação às empresas locais, inclusive no campo jurídico, com os acordos de proteção e promoção de investimentos, pelos quais obtém a extraterritorialidade. Como é sabido, protegem seus mercados de trabalho através de todo tipo de restrição à imigração, favorecendo, porém, a de pessoal altamente qualificado, atraindo cientistas e engenheiros, colhendo as melhores “flores” dos jardins periféricos.

10. A segunda concepção de desenvolvimento econômico e social afirma que, dada a realidade da economia mundial e de sua dinâmica, e a realidade das economias subdesenvolvidas, é essencial a ação do Estado para superar os três desafios que tem de enfrentar os países periféricos, ex-colônias, algumas mais outras menos recentes, mas todas vítimas da exploração colonial direta ou indireta. Esses desafios são a redução das disparidades sociais, a eliminação das vulnerabilidades externas e o pleno desenvolvimento de seu potencial de recursos naturais, de sua mão de obra e de seu capital.

11. As extremas disparidades sociais, as graves vulnerabilidades externas, o potencial não desenvolvido caracterizam o Brasil, mas também todas as economias sul-americanas. A superação desses desafios não poderá ocorrer sem a ação do Estado, pela simples aplicação ingênua dos princípios do neoliberalismo, de liberdade absoluta para as empresas as quais, aliás, levaram o mundo à maior crise econômica e social de sua História: a crise de 2007. E agora, Estados europeus, pela política de austeridade (naturalmente, não para os bancos) que ressuscita o neoliberalismo, atacam vigorosamente a legislação social, propagam o desemprego e agravam as disparidades de renda e de riqueza. Mas isto é tema para outro artigo.

12. Assim, neste embate entre duas visões, concepções, de política econômica, a aplicação da primeira política, a do neoliberalismo, levou à ampliação da diferença de renda entre os países da América do Sul e os países altamente desenvolvidos nos últimos vinte anos até a crise de 2007. Por outro lado, é a aplicação de políticas econômicas semelhantes, que preveem explicitamente a ação do Estado, que permitiu à China crescer à taxa média de 10% a/a desde 1979 e que farão que a China venha a ultrapassar os EUA até 2020. Ainda assim, há aqueles que na periferia não querem ver, por interesse ou ideologia, a verdadeira natureza da economia internacional e a necessidade da ação do Estado para promover o desenvolvimento. Nesta economia internacional real, e não mitológica, é preciso considerar a ação da maior Potência.

13. A política econômica externa dos Estados Unidos, a partir do momento em que o país se tornou a principal potência industrial do mundo no final do século XIX e em especial a partir de 1945, com a vitória na Segunda Guerra Mundial, e confiante na enorme superioridade de suas empresas, tem tido como principal objetivo liberalizar o comércio internacional de bens e promover a livre circulação de capitais, de investimento ou financeiro, através de acordos multilaterais como o GATT, mais tarde OMC, e o FMI; de acordos regionais, como era a proposta da ALCA e de acordos bilaterais, como são os tratados de livre comércio com a Colômbia, o Chile, o Peru, a América Central e com outros países como a Coréia do Sul. E agora as negociações, altamente reservadas, da chamada Trans-Pacific Partnership - TPP, a Parceria Transpacífica, iniciativa americana extremamente ambiciosa, que envolve a Austrália, Brunei, Chile, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Vietnã, e eventualmente Canadá, México e Japão, e que, nas palavras de Bernard Gordon, Professor Emérito de Ciência Política, da Universidade de New Hampshire, “adicionaria bilhões de dólares à economia americana e consolidaria o compromisso político, financeiro e militar dos Estados Unidos no Pacifico por décadas”. O compromisso, a presença, a influência dos Estados Unidos no Pacifico isto é, na Ásia, no contexto de sua disputa com a China. A TPP merece um artigo à parte.

14. Através daqueles acordos bilaterais, procuram os EUA consagrar juridicamente a abertura de mercados e obter o compromisso dos países de não utilizar políticas de desenvolvimento industrial e de proteção do capital nacional. Não desejam os Estados Unidos ver o desenvolvimento de economias nacionais, com fortes empresas, capazes de competir com as megaempresas americanas, por razões óbvias, entre elas a consequente redução das remessas de lucros das regiões periféricas para a economia americana. Os lucros no exterior são cerca de 20% do total anual dos lucros das empresas americanas!

15. Nas Américas, a política econômica dos Estados Unidos teve sempre como objetivo a formação de uma área continental integrada à economia americana e liderada pelos Estados Unidos que, inclusive, contribuísse para o alinhamento político de cada Estado da região com a política externa americana em seus eventuais embates com outros centros de poder, como a União Européia, a Rússia e hoje a China.

16. Assim, já no século XIX, em 1889 , no mesmo ano em que Deodoro da Fonseca proclamou a República, na Conferência Internacional Americana, em Washington, os Estados Unidos propuseram a criação de uma união aduaneira continental. Esta proposta, que recebeu acolhida favorável do Brasil, no entusiasmo pan-americano da recém-nascida república, foi rejeitada pela Argentina e outros países.

17. Com a I Guerra Mundial, a Grande Depressão, a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos procuraram estreitar seus laços econômicos com a América Latina, aproveitando, inclusive, a derrota alemã e o retraimento francês e inglês, influências históricas tradicionais.

18. Em 1948, na IX Conferência Internacional Americana, em Bogotá, propuseram novamente a negociação de uma área de livre comércio nas Américas; mais tarde, em 1988, negociaram o acordo de livre comércio com o Canadá, que seria transformado em Nafta com a inclusão do México, em 1994; e propuseram a negociação de uma Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, em 1994.

19. A negociação da ALCA fracassou em parte pela oposição do Brasil e da Argentina, a partir da eleição de Lula, em 2002 e de Kirchner, em 2003 e, em parte, devido à recusa americana de negociar os temas de agricultura e de defesa comercial, o que permitiu enviar os temas de propriedade intelectual, compras governamentais e investimentos para a esfera da OMC, o que esvaziou as negociações.

20. O objetivo estratégico americano, todavia, passou a ser executado, agora com redobrada ênfase, através da negociação de tratados bilaterais de livre comércio, que concluíram com o Chile, a Colômbia, o Peru, a América Central e República Dominicana, só não conseguindo o mesmo com o Equador e a Venezuela devido à eleição de Rafael Correa e de Hugo Chávez e à resistência do Mercosul às investidas feitas junto ao Uruguai.

21. Assim, a estratégia americana tem tido como resultado, senão como objetivo expresso, impedir a integração da América do Sul e desintegrar o Mercosul através da negociação de acordos bilaterais, incorporando Estado por Estado na área econômica americana, sem barreiras às exportações e capitais americanos e com a consolidação legal de políticas econômicas internas, em cada país, nas áreas de propriedade intelectual, compras governamentais, defesa comercial, investimentos, em geral com dispositivos chamados de OMC – Plus, mais favoráveis aos Estados Unidos do que aqueles que conseguiram incluir na OMC, que, sob o manto de ilusória reciprocidade, beneficiam as megaempresas americanas, em especial neste momento de crise e de início da competição sino-americana na América Latina.

22. Na execução deste objetivo, de alinhar econômica, e por consequência politicamente, toda a América Latina sob a sua bandeira contam com o auxílio dos grupos internos de interesse em cada país que, tendo apoiado a ALCA no passado, agora apoiam a negociação de acordos bilaterais ou a aproximação com associações de países, tais como a Aliança do Pacífico, que reúne países sul-americanos e mais o México, que celebraram acordos de livre comércio com os EUA.

23. Hoje, o embate político, econômico e ideológico na América do Sul se trava entre os Estados Unidos da América, a maior potência econômica, política, militar, tecnológica, cultural e de mídia do mundo; a crescente presença chinesa, com suas investidas para garantir acesso a recursos naturais, ao suprimento de alimentos e de suas exportações de manufaturas e que, para isto, procuram seduzir os países da América do Sul e em especial do Mercosul com propostas de acordos de livre comércio; e as políticas dos países do Mercosul, Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai e Paraguai que ainda entretém aspirações de desenvolvimento soberano, pretendem atingir níveis de desenvolvimento social elevado e que sabem que, para alcançar estes objetivos, a ação do Estado, i.e. da coletividade organizada, é essencial, é indispensável.

Extraído do sítio Carta Maior

01 julho 2012

ESTADOS UNIDOS ESTÃO SE TORNANDO MUITO PARECIDOS COM A GRÉCIA - Peter Morici

Candidatos fazem fila para entrar numa feira de trabalho em 11 de junho de 2012, em Nova York. 400 chegaram cedo e 1.000 eram esperadas até o fim do dia. (John Moore/Getty Images)
Os norte-americanos devem prestar atenção, os Estados Unidos estão se tornando muito parecidos com a Grécia e poderiam facilmente acabar do mesmo jeito.

Os problemas da Grécia começaram com um setor privado não competitivo instigado por políticas de mercado trabalhistas não realistas e uma moeda única com a Alemanha. As exportações se tornaram muito caras, as indústrias nacionais não podiam competir adequadamente com as importações, o setor privado cresceu muito lentamente e o desemprego aumentou. O desemprego juvenil e o subemprego se tornaram endêmicos.

Nos Estados Unidos, os enormes déficits comerciais em petróleo e com a China estão desacelerando o crescimento, ambos são causados por políticas governamentais. Com mais perfuração em águas profundas e uma melhor utilização do abundante gás natural, os Estados Unidos poderiam reduzir as importações de petróleo pela metade.

Quanto à China, os Estados Unidos poderiam tomar medidas contra a moeda subvalorizada da China e o protecionismo, mas não fazem nada. Consequentemente, o desemprego está emperrado acima de 8% e muitos graduados universitários estão esperando nas mesas ou nos balcões do Starbucks.

Para baixar o desemprego, a Grécia permitiu que os trabalhadores se aposentassem muito jovens e gastou muito em pensões e o governo gastava prodigamente em educação, saúde e outros serviços para criar empregos.

Nos Estados Unidos, os governos estaduais e municipais estão gastando muito na segurança social e pensões de funcionários. Os gastos do governo federal têm aumentado de forma permanente, sob o pretexto de estímulo temporário, para criar empregos no governo e subsidiar um sistema de saúde muito ineficiente. Os estados estão gastando muito em educação ineficiente, sistemas de trânsito e outros serviços e num vertiginoso mandato de assistência médica e benefícios de saúde para funcionários e aposentados.

O déficit federal disparou de 161 bilhões de dólares em 2007 para cerca de 1,3 trilhões e tem estado acima de 1 trilhão por quatro anos. Os Estados Unidos perderam sua valorizada classificação de crédito AAA e sua credibilidade continuará a cair se o enorme déficit federal não for reduzido. O presidente Barack Obama não tem um plano confiável para reduzir o déficit.

Enquanto a dívida federal e estadual se acumulam, a avaliação de crédito dos EUA continuará a ser rebaixada e os investidores permanecerão relutantes em possuir títulos norte-americanos sem receberem taxas de juros mais elevadas.

Como na Grécia, altas taxas de juros sobre a dívida pública conduzirão os governos federal e estadual à insolvência, ou o Federal Reserve terá de imprimir dinheiro para comprar títulos do governo que resultará em hiperinflação. O resultado seria a calamidade, de qualquer forma.

* Peter Morici é economista e professor da Faculdade Smith de Administração da Universidade de Maryland e um colunista amplamente publicado.


Extraído do sítio The Epoch Times

05 junho 2012

CHINA BLOQUEIA REFERÊNCIAS AO MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL NA INTERNET

China bloqueou referências online a mortes de opositores na Praça 
da Paz Celestial, em 1989.

Autoridades chinesas bloquearam nesta segunda-feira resultados de buscas feitas na internet sobre termos relacionados ao 23º aniversário do massacre contra manifestantes na Praça da Paz Celestial, em Pequim, ocorrido em 1989.

A censura ocorre no mesmo dia em que o governo chinês decretou a prisão de ativistas políticos, além de ter colocado outros sob intensa vigilância para impedir que participem dos protestos.

Palavras como "23", "vela" e "nunca esqueça", digitadas nos mecanismos de busca chineses, não retornavam nenhum resultado.

Discussões sobre os protestos do dia 4 de junho de 1989 ainda são um tabu no país.

Apesar da censura, alguns usuários conseguiram subir fotos para o microblog chinês Sina Weibo.

Em 1989, militares chineses mataram centenas de manifestantes pró-democracia que se reuniam no centro de Pequim.

Os protestos nunca foram registrados publicamente na China e o governo nunca informou quantos opositores, de fato, foram mortos.

Grupos de direitos humanos, entretanto, estimam que entre centenas e milhares de pessoas morreram durante a ofensiva militar.

Analistas afirmam que a censura a qualquer tipo de referência online ao evento é especialmente importante para Pequim neste ano, já que o governo se prepara para uma troca de lideranças.

"Hoje é o aniversário de um daqueles tópicos que são sempre objeto de alto escrutínio", disse à BBC Duncan Clark, da consultoria BDA China.

"As buscas feitas sobre 'Praça da Paz Celestial' na internet chinesa resultavam em descrições amenas sobre a praça, fotos de visitantes, e principais marcos turísticos".

"Alguns usuários tuitaram que até as buscas pela palavra "hoje" estão sendo censuradas".

O principal microblog chinês, Sina Weibo, desativou a emoticon (símbolo comumente usado na internet) de uma vela, geralmente usada para lamentar mortes no país.

Em retaliação, os usuários tentaram substituir a emoticon da vela pelo símbolo da tocha olímpica, que acabou, logo em seguida, desativado pelo site.

Quando tentavam buscar por detalhes do massacre, internautas se deparavam com uma menssagem informando que os resultados das buscas não estavam disponíveis "devido a leis relevantes, regulações e políticas".

Com o passar dos anos, segundo Clark, os métodos do governo provaram-se "bastante efetivos" em evitar qualquer discussão sobre o episódio.

"Para muitos chineses, as palavras 'Praça da Paz Celestial' não trazem à mente as mesmas imagens e associações como no Ocidente; trata-se de uma praça como a Trafalgar Square para os britânicos".

"Tal 'ocultamento' demonstra a eficácia dos mecanismos de controle do governo; muitos que nasceram naquele ano ou depois nunca ouviram falar do que aconteceu, até mesmo os graduados nos melhores cursos universitários".

Termos 'sensíveis'

O governo dos Estados Unidos pediu à China que libertasse todos os dissidentes da época que ainda estão na prisão.

Em nota, o Departamento de Estado americano também reivindicou à China que "divulgue publicamente o número de mortos, detidos e desaparecidos" durante o episódio.

Além do massacre de 1989 na Praça da Paz Celestial, as autoridades chinesas censuram os resultados dos termos na internet relacionados ao movimento de independência de Taiwan, ou postagens de termos "sensíveis" referentes ao Tibete, a Xinjiang ou ao Partido Comunista.

Ainda que o Google não seja banido na China, as pessoas que usam o mecanismo de busca são encaminhadas diretamente aos servidores da companhia localizados em Hong Kong.

Recentemente, a filial do Google em Hong Kong adicionou uma nova ferramenta indicando aos usuários, em tempo real, quais palavras são "sensíveis" durante as buscas feitas nos computadores do país.


Extraído do sítio BBC Brasil

16 maio 2012

POPULAÇÃO URBANA CHINESA ULTRAPASSA RURAL PELA PRIMEIRA VEZ EM 2011


Segundo o Relatório do Desenvolvimento das Cidades Chinesas em 2011, a taxa da urbanização do país atingiu 51,27% em 2011. Pela primeira vez, a população urbana ultrapassou a população rural, atingindo 690 milhões de pessoas.

As estatísticas mostram que, ao todo, 30 cidades têm mais de oito milhões de habitantes, sendo que em 13 delas a população ultrapassa 10 milhões de pessoas.

Os especialistas apontam que a urbanização na China ainda está no meio do caminho. Isso significa que todas as cidades irão se desenvolver rapidamente nos próximos 20 anos. Ao mesmo tempo, a modernização da estrutura industrial, o fluxo de produção e a necessidade de economia de energia estão promovendo a transformação das cidades chinesas.

Extraído do sítio CRI

28 abril 2012

A NOVA GUERRA FRIA, AGORA NA INTERNET - Carlos Castilho



Os Estados Unidos ganharam a Guerra Fria nuclear sem disparar um tiro, mas podem estar perdendo a versão cibernética do conflito pela supremacia mundial. E acredite quem quiser: a nova superpotência virtual é a China, apontada pelos especialistas ocidentais em segurança cibernética como a maior incógnita contemporânea no que se refere a políticas de uso da internet.

Os norte-americanos não admitem publicamente, mas o jornal inglês The Guardian afirmou na série "Batalha pela Internet" que o número de chineses especialistas em crackear [1] computadores e redes virtuais é maior do que o dos engenheiros norte-americanos dedicados ao desenvolvimento de novos programas e equipamentos para computação. Os crackers chineses são conhecidos também como cyber jedis (guerreiros cibernéticos), numa analogia com os guerreiros do bem na série Guerra nas Estrelas.

No fundamental, a nova versão da Guerra Fria é essencialmente uma guerra por informações onde as armas convencionais passaram a um segundo plano, para desespero de toda a multimilionária indústria bélica mundial. Os jedis chineses, em sua esmagadora maioria protegidos pelo governo de Beijing, vasculham o sistema financeiro ocidental, as redes de comunicações privadas e governamentais, descobrem vulnerabilidades em bancos de dados, em complexos de energia e transporte, bem como, é óbvio, nos serviços de inteligência militar.

A grande diferença em relação à Guerra Fria nuclear é que agora a busca por informações não está voltada para o botão vermelho da retaliação atômica, mas a um complexo e ainda pouco estudado sistema de tomada de decisões no qual os indivíduos estão sendo substituídos por processos impessoais, como as bolsas de valores. A balança do poder mundial não depende mais exclusivamente de decisões tomadas na Casa Branca ou no Palácio do Povo, em Beijing.

A descoberta do poder chinês na internet assustou os governos ocidentais, em especial os Estados Unidos e a Inglaterra, onde os seguidores da velha Guerra Fria ainda são muito influentes. Se até a queda do Muro de Berlim (1989) , os espiões e cientistas nucleares eram os grandes alvos dos estrategistas soviéticos e norte-americanos, agora todas as atenções se voltam para jovens entre 17 e 30 anos, afaixa etária dos modernos guerreiros cibernéticos, um ramo dos nerds (jovens fanáticos por computação).

Em 2011 foi criado na Inglaterra um projeto chamado Cyber Security Challange (Concurso sobre Segurança Cibernética) destinado a atrair nerds para o campo da Guerra Fria cibernética. Logo na primeira edição, no ano passado, quatro mil jovens de ambos os sexos se inscreveram para a competição, que não chegou a ser divulgada na imprensa. No ano passado, o vencedor foi Jonathan Millican, estudante do primeiro ano de engenharia eletrônica, com 19 anos incompletos.

O julgamento final da versão 2012 Cyber Security Challange deveria ter ocorrido em março, mas teve que ser adiado porque o site do concurso foi crackeado, segundo os britânicos, por cyber jedis chineses. Os prêmios previstos no concurso variam desde bolsas de estudo até inscrição grátis em eventos ligados à segurança cibernética. Não há prêmios em dinheiro, mas segundo o jornal The Guardian, o emprego em empresas do setor é imediato.

São garotos como Jonathan que passaram a ser observados de perto por estrategistas mililtares que acabam de receber plenos poderes do presidente Barack Obama e do governo inglês para desenvolver uma estratégia antichinesa na guerra pelo controle da internet. Segundo a Casa Branca, cerca de 60% das empresas norte-americanas que tiveram seus sites invadidos por crackers acabaram pedindo falência. 

Até agora a principal estratégia do Pentágono era criar muros virtuais (firewall) contra invasões de redes de computadores, mas os especialistas já se deram conta que a defesa passiva é inútil, porque a criatividade dos cyber jedis é quase infinita. Para cada muro criado surgem imediatamente dezenas de opções sobre como derrubá-lo. Por isso a tendência é investir nas ações ofensivas, atacando os centros onde se aglutinam os guerreiros virtuais.

O problema é que a dispersão é enorme nessa área, da mesma forma que o altíssimo índice de privatização das empresas ligadas ao gerenciamento de informações na web complica a ação dos militares, cuja cultura operacional é tradicionalmente centralizadora e vertical. Nos Estados Unidos, de 80% a 90% dos bancos de dados estão em mãos privadas, o que torna extremamente relevante o papel da Google, a megacorporação no setor de informações e a terceira maior empresa privada do mundo no ramo das comunicações. 

A estratégia da Google na Guerra Fria cibernética é fundamental para a balança do poder entre os Estados Unidos e a China, mas também transcendental para nós, que usamos gratuitamente os mecanismos de busca, correio eletrônico, YouTube e dezenas de outros aplicativos desenvolvidos pela empresa para captar nossas preferências e dados pessoais.

[1]Neologismo criado para expressar o ato de identificar códigos, senhas e arquivos protegidos em computadores ou redes de computadores. Os crackers são o oposto dos hackers, que desenvolvem novos softwares.


Extraído do sítio Observatório da Imprensa