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06 agosto 2012

A IMPRENSA BRASILEIRA ENVERGONHA NOSSA DEMOCRACIA - Paulo Cavalcanti

O que dizer de um país, onde 11 famílias detêm o monopólio da "opinião publicada" - sim pois quando eles (os donos dos jornais), declaram que aquilo que está publicado em seus jornais, "é opinião pública" - na verdade, trata-se da opinião exclusiva "deles", que fazem uso da nossa opinião, sem pedir procuração.


O escândalo, envolvendo a revista Veja, com uma quadrilha de contraventores do jogo do bicho, faz de Rupert Murdoch, magnata da mídia inglesa, um escoteiro mirim. No entanto, pirotecnias implementadas, no sentido de blindar Roberto Civita, dono da revista Veja e do Grupo Abril, parece que te surtido resultados, pois até aqui, nada aconteceu.

No dia 08/05/2012 - o jornal "O Globo" da família Marinho (um dos 11 donatários da opinião públicada), em editorial, defendeu Roberto Civita, em editorial sob o título, "Roberto Civita não é Rupert Murdoch" - leia aqui - uma defesa, prá lá de apaixonada, ridícula, e sem fundamentos, porém, ele é o dono da nossa opinião, como nós não temos um jornal para contestá-lo, vale o escrito. Leiam o editorial, para mensurar até onde vai, a cara de pau, e impáfia de quem tem poder de escrever aquilo que bem entende, na certeza da falta de contestação a altura.

Leia, um trecho do editorial apaixonado

" (...) Comparar Civita a Murdoch é tosco exercício de má-fé, pois o jornal inglês invadiu, ele próprio, a privacidade alheia. Quer-se produzir um escândalo de imprensa sobre um contato repórter-fonte. Cada organização jornalística tem códigos, em que as regras sobre este relacionamento - sem o qual não existe notícia - têm destaque, pela sua importância. Como inexiste notícia passada de forma desinteressada, é preciso extremo cuidado principalmente no tratamento de informações vazadas por fontes no anonimato. Até aqui, nenhuma das gravações divulgadas indica que o diretor de "Veja" estivesse a serviço do bicheiro, como afirmam os blogs, ou com ele trocasse favores espúrios. Ao contrário, numa das gravações, o bicheiro se irrita com o fato de municiar o jornalista com informações e dele nada receber em troca..."

O que esperar de uma democracia capenga, onde a imprensa não está à serviço da verdade imparcial? O que esperar de uma democracia, onde ministros do STF, se manifestam fora dos autos em tempo integral, e pela imprensa que manipula a opinião pública? O que esperar de uma democracia, onde o Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, pede a condenação dos réus, porém declara em pleno julgamento do processo do mensalão, que "não existem provas, pois quadrilhas, não deixam rastros" - ou seja, a declaração desconstrói a tese de que "não existe crime perfeito" - ou seja, ninguém comete um crime tão perfeito, a ponto de não deixar prova alguma na cena do referido crime.

O desespero da imprensa, "que é oposição"

O Globo (18/3/2010) publicou a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

"A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo."

A falta de ar, provocada pelas ações inócuas implementadas até aqui, é que, todas as mentiras e factoides desferidos até o momento, não produziu efeito prático e concreto. Observem que em pleno julgamento do mensalão, sai um pesquisa, onde Lula e Dilma, está bombando, numa demonstração de que apesar da "opinião publicada" - a "opinião publica" - tá cagando e andando para essa manipulação toda, referente a criminalização dos 38 réus do mensalão, sem provas, como o próprio Procurador Roberto Gurgel, admite que não existem.

O conluio imprensa, bandidos e justiça

Como pode, uma órgão de imprensa estar metido com quadrilha de bandidos, juntamente com Senador da República (Demóstenes Torres - DEM/GO), e nem o dono da revista Roberto Cívita, nem o jornalista Policarpo Jr, serem convocados à prestar esclarecimentos públicos, sobre as falcatruas que aparecem no vídeo acima?

A imprensa no Brasil, caiu num descrédito tão grande, que a população em geral, sequer vê, lê, ou escuta aquilo que eles publicam. Num quadro preocupante, onde a oposição deixou de existir desde 2003 - uma imprensa que perdeu completamente a credibilidade. Quem sofre com isso, é a combalida democracia, onde tudo virou um angu, parece que tudo virou uma coisa só.

Já publiquei neste blog, opinião de preocupação com relação ao quadro que se apresenta - leia aqui - e assista o vídeo com as 11 famílias que são donas da nossa opinão - onde sem dúvidas, dá sinais, de que estamos bem próximos do advento de grandes mudanças, que não se sabe quais são, daí os motivos da inquietação, pois estamos 24 hs sob ameaça de que "algo está para acontecer", o Brasil esta funcionando há 10 anos, sem oposição no Congresso Nacional. A única iniciativa "capenga" de oposição durante todo esse período, coube às 11 famílias donatárias da "opinião publicada".

Numa democracia plena, é saudável que os poderes funcionem em harmonia, porém o quadro que ora se apresenta é o seguinte: um partido que ganhou o governo mas não ganhou o poder, um Congresso cuja base aliada é um saco de gatos, não passa a menor segurança de governabilidade, uma vez que tudo é decidido no "balcão de negócios" - e finalmente, um judiciário lento, caro e injusto com o cidadão, e de quebra, com ministros e juízes se pronunciando fora dos autos, emitindo opiniões condenatórias sobre processos que correm em segredo de justiça, como se tivesse num boteco tomando cerveja com os amigos.

Pobre democracia essa nossa....

Extraído do Blog do Paulinho

03 agosto 2012

OLIGOPÓLIO FINANCEIRO NO BRASIL - Gilmar Carneiro


Jornal Valor Econômico descobre a roda...

O melhor jornal econômico do Brasil fez uma matéria tão boa sobre a concentração dos bancos que não consegui cortar nem uma linha. Perfeita! O único senão é que o sindicalismo bancário vem alertando este problema há muito tempo e tanto a imprensa como o governo vinham se fazendo de mortos. 

Meu blog vem mostrando estes números há muito tempo. O Brasil tem 136 bancos, mas apenas cinco controlam 80% DE TUDO! Não são apenas os empréstimos. E estes bancos estão sediados em São Paulo, menos os BB e a CEF, que têm sede em Brasilia só por obrigação legal, mas as operações destes dois bancos são preponderantemente em São Paulo. 

A História vem se repetindo: Com o golpe militar e a reforma bancária, o sistema financeiro se fortaleceu em São Paulo; com a redemocratização, vieram Fernando Henrique Cardoso e o neoliberalismo que acabaram com os bancos estaduais e forçaram a incorporação e compra dos bancos regionais; e mesmo com Lula e Dilma, a concentração financeira continua. 

A crise mundial de 2008, que dura e atormenta a Europa e Estados Unidos, foi causada pelos Bancos. Não precisa acabar com eles, precisam apenas ser domesticados. Isto é, colocados sobre controle social e do Estado. Não é estatização, é controle social.

Parabéns ao Jornal! Desculpem a ironia ao dizer que “descobriram a roda...”, mas é que neste clima de “mensalão e de pensamento único”, a gente se surpreende quando vemos a diversidade ser mostrada na nossa imprensa. Parabéns, mas uma vez!

Vejam com carinho e atenção, a boa matéria do jornal Valor:

Cinco bancos têm 80% do crédito (Valor – 02/08/2012)

De cada R$ 100 emprestados no Brasil, R$ 80,34 foram desembolsados por apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander. 

Os números, que levam em conta o estoque de crédito atual, mostram o maior nível de concentração bancária dos últimos dez anos e, provavelmente, desde sempre. Há uma década, as cinco maiores instituições não tinham nem 60% do estoque de crédito do país. De cada R$ 100 desembolsados, eram responsáveis por R$ 58,66, segundo dados do Banco Central elaborados pelo Valor.

Não é apenas nos empréstimos e financiamentos que a predominância do "grupo dos cinco" é crescente. Em ativos totais e depósitos, o fenômeno se repete (ver gráfico na página C8). Mas é no crédito que a concentração costuma provocar mais chiadeira por parte dos tomadores.

Em recente entrevista ao Valor, o presidente de uma grande distribuidora de energia comentou que a quantidade de grandes bancos ficou tão diminuta que as empresas não podem mais se indispor com nenhum deles, principalmente em momentos de turbulência.

Sempre que um banco compra ou se funde com outro, a reclamação das empresas é a mesma. 

Quando se fala em limite de crédito, a regra matemática não funciona: um mais um nunca é igual a dois. A disponibilidade de crédito dada por dois bancos separados não corresponde ao mesmo volume que eles passam a oferecer quando se unem. As empresas também avaliam que o poder de barganha delas em relação ao custo do dinheiro cai.

Desde 2008, não foram poucos - nem pequenos - os casos de fusão e aquisição no setor bancário que colaboraram para a maior concentração de ativos, crédito e depósitos nas mãos dos cinco maiores bancos do país. A largada foi dada quando o Santander assumiu o Real, em 2008. Pouco depois, Itaú e Unibanco fundiram suas operações, criando o maior banco brasileiro. Em seguida, o Banco do Brasil ficou com a Nossa Caixa e, em 2009, ainda comprou metade do Banco Votorantim.

Mais recentemente, em julho, Itaú e BMG se uniram em um novo banco para ofertar crédito consignado. O empréstimo com desconto direto na folha de pagamento era uma das poucas modalidades de crédito de varejo que ainda tinha bancos médios especializados como concorrentes, mas que está cada vez mais ficando nas mãos dos grandes bancos. O Cruzeiro do Sul, por exemplo, está sob intervenção do Banco Central e pode acabar sob o controle de uma instituição do "grupo dos cinco" ou liquidado.

Não são, porém, apenas as fusões e aquisições que explicam a concentração cada vez mais intensa do crédito. Dentro desse "grupo dos cinco", os protagonistas da aglutinação são os bancos públicos, que cresceram principalmente de forma orgânica. Se, em 2002, Banco do Brasil e Caixa eram responsáveis por R$ 25,83 de cada R$ 100 emprestados, hoje eles respondem por R$ 39,08, ou R$ 13,25 a mais, sem se considerar o BNDES. No mesmo período, as três maiores instituições privadas avançaram bem menos juntas, R$ 8,43.

Até o fim do ano, a expectativa é que o quinhão dos bancos públicos cresça ainda mais. Em um ano de baixo crescimento econômico, em que o governo deflagrou uma batalha pela redução dos spreads no Brasil, Caixa e BB seguem crescendo mais do que a média de sistema financeiro, abocanhando - mesmo que temporariamente - fatias de mercado. (ler reportagem na página C8) Ao mesmo tempo, Bradesco e Itaú Unibanco reduziram a previsão de expansão do crédito no ano.

Apesar do rápido fortalecimento do "grupo dos cinco", o Banco Central considera que a concorrência continua em "nível adequado". Pelas métricas da autoridade, que seguem um cálculo internacional (Índice de Herfindahl-Hirschman), o patamar de concentração ainda está na categoria moderada. "O setor segue competitivo, gerando as eficiências que asseguram o seu regular funcionamento e a adequada prestação de serviços aos usuários", afirma a autoridade por meio de uma nota.

Mas é inegável que a autoridade tem lançado mão recentemente de algumas medidas para evitar uma concentração excessiva. O Banco Central cita entre as decisões tomadas para estimular a concorrência bancária a padronização das tarifas cobradas, a portabilidade do crédito e a proibição de assinaturas de contratos de exclusividade na prestação de serviços. Em abril, a autoridade publicou uma circular explicitando que em fusões e aquisições pode exigir que os bancos aceitem determinações no sentido de eliminar efeitos anticoncorrenciais. Na aquisição da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, o BC já chegou a atuar nesse sentido.

O "nível adequado" apontado pelo Banco Central brasileiro, entretanto, provavelmente deixaria muitos americanos de cabelo em pé. Nos Estados Unidos, onde muito se fala dos bancos grandes demais para quebrar - os chamados "too big to fail" -, as cinco maiores instituições financeiras possuíam ativos totais equivalentes a 51% do PIB daquele país em 2007, antes do estouro da crise financeira. Naquele mesmo ano, os ativos dos cinco maiores banco do Brasil representavam 57% do PIB doméstico.

Mas, embora os EUA tenham sido o epicentro da crise e visto uma série de fusões entre instituições de grande porte antes e depois da quebra do Lehman Brothers, a desalavancagem que se sucedeu fez com que os cinco maiores bancos daquele país tivessem, em março, ativos que correspondiam a 56% do PIB de 12 meses até a mesma data, indicando uma pequena elevação ante 2007. 

No Brasil, o aumento da concentração foi muito maior, com a fatia dos ativos do "grupo dos cinco" atingindo 86% do PIB brasileiro, uma alta de quase 30 pontos percentuais.

Leia mais aqui 

* Gilmar Carneiro é Sindicalista, foi presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Secretário Geral da CUT, um dos fundadores e dirigentes do PT, formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.