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20 abril 2013

DOCUMENTOS REVELAM PARTICIPAÇÃO DE FHC E GILMAR MENDES NO 'VALERIODUTO TUCANO'


Documentos reveladores e inéditos sobre a contabilidade do chamado ‘valerioduto tucano‘, que ocorreu durante a campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, constam de matéria assinada pelo jornalista Leandro Fortes, na edição dessa semana da revista Carta Capital. A reportagem mostra que receberam volumosas quantias do esquema, supostamente ilegal, personalidades do mundo político e do judiciário, além de empresas de comunicação, como a Editora Abril, que edita a revista Veja.

Estão na lista o ministro Gilmar Mendes, do STF, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), os ex-senadores Artur Virgílio (PSDB-AM), Jorge Bornhausen (DEM-SC), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Antero Paes de Barros (PSDB-MT), os senadores Delcídio Amaral (PT-MS) e José Agripino Maia (DEM-RN), o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) e os ex-governadores Joaquim Roriz (PMDB) e José Roberto Arruda (ex-DEM), ambos do Distrito Federal, entre outros. Também aparecem figuras de ponta do processo de privatização dos anos FHC, como Elena Landau, Luiz Carlos Mendonça de Barros e José Pimenta da Veiga.

Os documentos, com declarações, planilhas de pagamento e recibos comprobatórios, foram entregues na véspera à Superintendência da Polícia Federal, em Minas Gerais. Estão todos com assinatura reconhecida em cartório do empresário Marcos Valério de Souza – que anos mais tarde apareceria como operador de esquema parecido envolvendo o PT, o suposto “mensalão”, que começa a ser julgado pelo STF no próximo dia 2. A papelada chegou às mãos da PF através do criminalista Dino Miraglia Filho – advogado da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, que seria ligada ao esquema e foi assassinada em um flat de Belo Horizonte em agosto de 2000.

Segundo a revista, Fernando Henrique Cardoso, em parceria com o filho Paulo Henrique Cardoso, teria recebido R$ 573 mil do esquema. A editora Abril, quase R$ 50 mil e Gilmar Mendes, R$ 185 mil.

Extraído do sítio Correio do Brasil

12 abril 2013

O PENSAMENTO DE FHC ANALISADO POR MILLÔR FERNANDES

LIÇÃO PRIMEIRA

De uma coisa ninguém podia me acusar — de ter perdido meu tempo lendo FhC (superlativo de PhD). Achava meu tempo melhor aproveitado lendo o Almanaque da Saúde da Mulher. Mas quando o homem se tornou vosso Presidente, achei que devia ler o Mein Kampf (Minha Luta, em tradução literal) dele, quando lutava bravamente, no Chile, em sua Mercedes (“A mais linda Mercedes azul que vi na minha vida”, segundo o companheiro Weffort, na tevê, quando ainda não sabia que ia ser Ministro), e nós ficávamos aqui, numa boa, papeando descontraidamente com a amável rapaziada do Dops-DOI-CODI.

Quando, afinal, arranjei o tal Opus Magno — Dependência e Desenvolvimento na América Latina — tive que dar a mão à palmatória. O livro é muito melhor do que eu esperava. De deixar o imortal Sir Ney morrer de inveja. Sem qualquer partipri, e sem poder supervalorizar a obra, transcrevo um trecho, apanhado no mais absoluto acaso, para que os leitores babem por si:

“É evidente que a explicação técnica das estruturas de dominação, no caso dos países latino-americanos, implica estabelecer conexões que se dão entre os determinantes internos e externos, mas essas vinculações, em que qualquer hipótese, não devem ser entendidas em termos de uma relação “casual-analítica”, nem muito menos em termos de uma determinação mecânica e imediata do interno pelo externo. Precisamente o conceito de dependência, que mais adiante será examinado, pretende outorgar significado a uma série de fatos e situações que aparecem conjuntamente em um momento dado e busca-se estabelecer, por seu intermédio, as relações que tornam inteligíveis as situações empíricas em função do modo de conexão entre os componentes estruturais internos e externos. Mas o externo, nessa perspectiva, expressa-se também como um modo particular de relação entre grupos e classes sociais de âmbito das nações subdesenvolvidas. É precisamente por isso que tem validez centrar a análise de dependência em sua manifestação interna, posto que o conceito de dependência utiliza-se como um tipo específico de “causal-significante’ — implicações determinadas por um modo de relação historicamente dado e não como conceito meramente “mecânico-causal”, que enfatiza a determinação externa, anterior, que posteriormente produziria ‘conseqüências internas’.”

Concurso – E-mail:

Qualquer leitor que conseguir sintetizar, em duas ou três linhas (210 toques), o que o ociólogo preferido por 9 entre 10 estrelas da ociologia da Sorbonne quis dizer com isso, ganhará um exemplar do outro clássico, já comentado na primeira parte desta obra: Brejal dos Guajas — de José Sarney.

LIÇÃO SEGUNDA

Como sei que todos os leitores ficaram flabbergasted (não sabem o que quer dizer? Dumbfounded, pô!) com a Lição primeira sobre Dependência e Desenvolvimento da América Latina, boto aqui outro trecho — também escolhido absolutamente ao acaso — do Opus Magno de gênio da “profilática hermenêutica consubstancial da infra-estrutura casuística”, perdão, pegou-me o estilo. Se não acreditam que o trecho foi escolhido ao acaso, leiam o livro todo. Vão ver o que é bom!

Estrutura e Processo: Determinações Recíprocas

“Para a análise global do desenvolvimento não é suficiente, entretanto, agregar ao conhecimento das condicionantes estruturais a compreensão dos ‘fatores sociais’, entendidos estes como novas variáveis de tipo estrutural. Para adquirir significação, tal análise requer um duplo esforço de redefinição de perspectivas: por um lado, considerar em sua totalidade as ‘condições históricas particulares’ — econômicas e sociais — subjacentes aos processos de desenvolvimento no plano nacional e no plano externo; por outro, compreender, nas situações estruturais dadas, os objetivos e interesses que dão sentido, orientam ou animam o conflito entre os grupos e classes e os movimentos sociais que ‘põem em marcha’ nas sociedades em desenvolvimento. Requer-se, portanto, e isso é fundamental, uma perspectiva que, ao realçar as mencionadas condições concretas — que são de caráter estrutural — e ao destacar os móveis dos movimentos sociais — objetivos, valores, ideologias —, analise aquelas e estes em suas relações e determinações recíprocas. (…) Isso supõe que a análise ultrapasse a abordagem que se pode chamar de enfoque estrutural, reintegrando-a em uma interpretação feita em termos de ‘processo histórico’ (1). Tal interpretação não significa aceitar o ponto de vista ingênuo, que assinala a importância da seqüência temporal para a explicação científica — origem e desenvolvimento de cada situação social — mas que o devir histórico só se explica por categorias que atribuam significação aos fatos e que, em conseqüência, sejam historicamente referidas.

(1) Ver, especialmente, W. W. Rostow, The Stages of Economic Growth, A Non-Communist Manifest, Cambridge, Cambridge University Press, 1962; Wilbert Moore, Economy and Society, Nova York, Doubleday Co., 1955; Kerr, Dunlop e outros, Industrialism and Industrial Man, Londres, Heinemann, 1962.”

Comentário do Millôr, intimidado:

A todo momento, conhecendo nossa precária capacitação para entender o objetivo e desenvolvimento do seu, de qualquer forma, inalcançável saber, o professor FhC faz uma nota de pata de página. Só uma objeçãozinha, professor. Comprei o seu livro para que o senhor me explicasse sociologia. Se não entendo o que diz, em português tão cristalino, como me remete a esses livros todos? Em inglês! Que o senhor não informa onde estão, como encontrar. E outra coisa, professor, paguei uma nota preta pelo seu tratado, sou um estudante pobre, não tenho mais dinheiro. Além do que, confesso com vergonha, não sei inglês. Olha, não vá se ofender, me dá até a impressão, sem qualquer malícia, que o senhor imita um velho amigo meu, padre que servia na Paróquia de Vigário-Geral, no Rio. Sábio, ele achava inútil tentar explicar melhor os altos desígnios de Deus pra plebe ignara do pequeno burgo e ensinava usando parábolas, epístolas, salmos e encíclicas. E me dizia: “Millôr, meu filho, em Roma, eu como os romanos. Sendo vigário em Vigário-Geral, tenho que ensinar com vigarice”.

LIÇÃO TERCEIRA

Há vezes, e não são poucas, em que FhC atinge níveis insuperáveis. Vejam, pra terminar esta pequena explanação, este pequeno trecho ainda escolhido ao acaso. Eu sei, eu sei — os defensores de FhC, a máfia de beca, dirão que o acaso está contra ele. Mas leiam:
“É oportuno assinalar aqui que a influência dos livros como o de Talcot Parsons, The Social System, Glencoe, The Free Press, 1951, ou o de Roberto K. Merton, Social Theory and Social Structure, Glencoe, The Free press, 1949, desempenharam um papel decisivo na formulação desse tipo de análise do desenvolvimento. Em outros autores enfatizaram-se mais os aspectos psicossociais da passagem do tradicionalismo para o modernismo, como em Everett Hagen, On the Theory of Social Change, Homewood, Dorsey Press, 1962, e David MacClelland, The Achieving Society, Princeton, Van Nostrand, 1961. Por outro lado, Daniel Lemer, em The Passing of Traditional Society: Modernizing the Middle East, Glencoe, The Free Press, 1958, formulou em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento, o enfoque do tradicionalismo e do modernismo como análise dos processos de mudança social”.

Amigos, não é genial? Vou até repetir pra vocês gozarem (no bom sentido) melhor: “formulou (em termos mais gerais, isto é, não especificamente orientados para o problema do desenvolvimento) o enfoque (do tradicionalismo e do modernismo) como análise (dos processos de mudança social)”.

Formulou o enfoque como análise!

É demais! É demais! E sei que o vosso sábio governando, nosso FhC, espécie de Sarney barroco-rococó, poderia ir ainda mais longe.

Poderia analisar a fórmula como enfoque.

Ou enfocar a análise como fórmula.

É evidente que só não o fez em respeito à simplicidade de estilo.

Tópico avulso sobre imodéstia e pequenos disparates do eremita preferido dos Mamonas Assassinas.

Vaidade todos vocês têm, não é mesmo? Mas há vaidades doentias, como as das pessoas capazes de acordar às três da manhã para falar dois minutos num programa de tevê visto por exatamente mais ou menos ninguém. Há vaidades patológicas, como as de Madonas e Reis do Roque, só possíveis em sociedades que criaram multidões patológicas.

Mas há vaidades indescritíveis. Vaidade em estado puro, sem retoque nem disfarce, tão vaidade que o vaidoso nem percebe que tem, pois tudo que infla sua vaidade é para ele coisa absolutamente natural. Quem é supremamente vaidoso, se acha sempre supremamente modesto. Esse ser existe materializado em FhC (superlativo de PhD). Um umbigo delirante.

O que me impressiona é que esse homem, que escreve mal — se aquilo é escrever bem o meu poodle é bicicleta — e fala pessimamente — seu falar é absolutamente vazio, as frases se contradizem entre si, quando uma frase não se contradiz nela mesma, é considerado o maior sociólogo brasileiro.

Nunca vi nada que ele fizesse (Dependência e Desenvolvimento na América Latina, livro que o elevou à glória, é apenas um Brejal dos Guajas, mais acadêmico) e dissesse que não fosse tolice primária. “Também tenho um pé na cozinha”, “(os brasileiros) são todos caipiras”, “(os aposentados) são uns vagabundos”, “(o Congresso) precisa de uma assepsia”, “Ser rico é muito chato”, “Todos os trabalhadores deviam fazer checape”, “Não vou transformar isso (a moratória de Itamar) num fato político”. “Isso (a violência, chamada de Poder Paralelo) é uma anomia”. E por aí vai. Pra não lembrar o vergonhoso passado, quando sentou na cadeira da prefeitura de São Paulo, antes de ser derrotado por Jânio Quadros, segundo ele “um fantasma que não mete mais medo a ninguém”.

Eleito prefeito, no dia seguinte Jânio Quadros desinfetou a cadeira com uma bomba de Flit.

E, sempre que aproxima mais o país do abismo no qual, segundo a retórica política, o Brasil vive, esse FhC (superlativo de PhD) corre à televisão e deita a fala do trono, com a convicção de que, mais do que nunca, foi ele, the king of the black sweetmeat made of coconuts (o rei da cocada preta), quem conduziu o Brasil à salvação definitiva e à glória eterna. E que todos querem ouvi-lo mais uma vez no Hosana e na Aleluia. Haja!

* Artigo de Millôr Fernandes, publicado em 8 de abril de 2010.

Extraído do sítio O Esquerdopata

08 abril 2013

SOFISMAS NEOLIBERAIS - Rodolpho Motta Lima


Sem medo de cometer injustiças, mas sempre no exercício livre da opinião, afirmo que Luís Fernando Veríssimo é o maior e melhor dos cronistas em atividade na mídia nacional, não apenas pelo sabor que imprime ao seu texto, mas também pela visão do mundo que revela, como alguém permanentemente atento à realidade e às suas estranhas – e muitas vezes perversas – contradições.

Estava aqui relendo uma crônica que ele escreveu em 24.03.2000 – lá se vão 13 anos - , intitulada “Silogismo”. Veríssimo tratava, então, de um posicionamento do governo tucano de FHC, que assegurava não poder dar aos trabalhadores um salário-mínimo que corrigisse as perdas de então, porque isso “comprometeria o programa de estabilização do Governo, quebraria a Previdência, inviabilizaria o país”. Era o mantra neoliberal daquela época, que rotulava de irresponsáveis e demagogos quem pensava o contrário.

Veríssimo argumentava, então, com o que denominou “um silogismo bárbaro”: se o salário-mínimo concedido não dava para boa parte da população viver dignamente e se não havia como mudar o panorama (na visão do Governo), uma parcela ponderável do povo estaria condenada “a uma subvida perpétua”, por força de uma política que, subserviente a interesses financeiros internacionais, fundamentava-se na miséria...

Essas e outras visões do pessoal tucano acabaram por desmascarar os milagres que então se apregoavam. Um deles: um “plano real” que era apresentado como produto genuinamente nacional – com direito a heróis e tudo mais - quando, na realidade, era uma necessidade/imposição do mercado globalizado, tanto que, em um passe de mágica, todas as economias de alguma relevância no planeta tiveram então a inflação estabilizada...

Os governos que se seguiram - fruto da saudável decisão popular nas urnas que, quando convém, os demotucanos esquecem - não chegaram a inverter , infelizmente, essa postura de subserviência a um mercado infame em que especuladores, empreiteiros e banqueiros ainda dão as cartas. Conseguiram, no entanto, medidas pontuais que, aqui e ali, estão atuando no sentido de diminuir a perversidade do sistema entre nós, com políticas públicas que apontam para a preocupação com os menos favorecidos. Estão aí as diversas “bolsas” que a direita tanto abomina (“Como podem gastar o meu dinheiro com esse bando de desocupados?”); está aí o sistema de cotas que provoca a ira pouco santa das elites (“Isso está estimulando o preconceito racial !”); estão aí, agora, os direitos concedidos às empregadas domésticas secularmente exploradas (“Mas isso vai provocar muitas demissões e um descontrole no âmbito familiar!”).

Não é preciso ser petista, lulista ou qualquer outro ista para perceber a diferença que existe entre o Brasil de hoje e o de então. E, invariavelmente, quando se tenta estabelecer esse paralelo, surge aquela pergunta orquestrada, para fugir do assunto: “Mas... e o mensalão?”.

A pergunta traz embutida, de modo subliminar, a tentativa de fazer vingar uma tese esquisita, beirando a paranoia: a de que o pessoal que se preocupa com as necessidades populares é essencialmente corrupto... A pergunta desconhece a história desse país, desde as Capitanias hereditárias, desconhece as folclóricas frases do “Roubo mais faço” de próceres paulistas, desconhece a corrupção no regime militar das obras faraônicas, desconhece (ou finge desconhecer) a Privataria tucana, o mensalão mineiro (também tucano); desconhece/esquece a nunca apurada, mas sempre denunciada, compra de votos para reeleição de um Presidente da República (o que equivaleu a quatro anos de poder e de manutenção de interesse econômicos que é fácil adivinhar...).

O perverso silogismo de Veríssimo volta a atacar, agora, sob nova roupagem, mas com os mesmos atores, diante de posturas e medidas governamentais. Se a Presidenta menciona que o mais importante para o país é a preservação e o incremento das conquistas sociais, as cassandras de plantão apontam para o “nervosismo do mercado”, que, “preocupado”, vê nessas palavras o perigo da “volta da inflação”... Uma chantagem, um estelionato ideológico, que a mídia comprometida repete à exaustão...

No momento em que o país atinge o menor nível de desemprego desde que ele é medido, esse dado, ao invés de ser tratado com o louvor que realmente merece, é sutilmente apresentado como “preocupante”, porque inibe a produtividade, vira custo para a indústria em função da valorização do empregado, “freia o PIB”, “trava o crescimento”. Ou seja, o pessoal neoliberal, coerente na sua perversidade, não muda mesmo. Para eles, o bom seria ter sempre à mão uma boa “reserva de mão de obra”, que alguns economistas de plantão a serviço dos exploradores chamam de “estoque”, reduzindo homens a coisas...

Felizmente, do lado de cá , o Veríssimo e sua visão do mundo também não mudam. E, como ele, pensam muitos dos cidadãos que, famosos ou desconhecidos, constituem o povo brasileiro. Se estivesse entre os vivos, Gonzaguinha responderia a esse pessoal que anseia pelo desemprego com os versos da sua composição “Um homem também chora”: “Um homem se humilha / Se castram seu sonho / Seu sonho é sua vida / E vida é trabalho / E sem o seu trabalho / Um homem não tem honra / E sem a sua honra / Se morre, se mata / Não dá pra ser feliz / Não dá pra ser feliz “.

Extraído do sítio Direto da Redação

01 março 2013

FHC SÓ LANÇOU PROGRAMAS SOCIAIS A 4 MESES DA ELEIÇÃO DE 2012 - Eduardo Guimarães


Na última quarta-feira (27), a presidente Dilma Rousseff rebateu afirmação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no sentido de que ela e seu antecessor e padrinho político, Luiz Inácio Lula da Silva, teriam “herdado” e “usurpado” seus projetos e que, por isso, ela seria “ingrata” consigo.

Dilma afirmou que o cadastro único dos programas sociais do governo tucano “não existia” quando Lula chegou ao poder, em 2003. Prontamente, grandes jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro (Folha de São Paulo, Estadão e O Globo) e algumas redes de televisão e sites tomaram partido de FHC corroborando sua afirmação de que o tal cadastro teria sido feito no governo do tucano.

Por falha de sua estratégia de comunicação social, a presidente não explicou bem a questão. E a mídia, muito menos. Assim sendo, este Blog apresenta, a seguir, mais um capítulo da verdadeira história daquele período triste da história do Brasil (1995-2002).

De fato, FHC deixou simulacros de cadastro da pobreza e do programa social Bolsa Família. Contudo, os programas começaram a ganhar alguma materialidade a 4 meses da eleição presidencial de 2002, conforme matéria da Folha de São Paulo naquele ano eleitoral. Abaixo, a matéria.

FOLHA DE SÃO PAULO - 26 de maio de 2002

MARKETING TUCANO

Governo lança na próxima semana o “Cartão Cidadão”, que unifica os programas de transferência de renda

FHC amplia ação social a 4 meses da eleiçãoRAYMUNDO COSTA - DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A pouco mais de quatro meses da eleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso entrega na próxima semana o primeiro “Cartão Cidadão”, por meio do qual serão efetuados os pagamentos dos programas de transferência de renda direta para a população mais pobre.

A longo prazo, a intenção do governo é que todos os usuários de programas de renda mínima carreguem um “Cartão Cidadão” no bolso, algo em torno de 31,7 milhões de pessoas, porque o Planalto quer dar o cartão também para os 6,7 milhões de beneficiários de aposentadorias e pensões rurais.

O “Cartão Cidadão” representa uma espécie de roupa nova para programas em curso.

Trata-se de um cartão magnético, com a logomarca do governo federal, do tipo fornecido pelos bancos. A longo prazo, vão substituir cartões já distribuídos à população, junto com o cadastramento das famílias beneficiadas.

Em período pré-eleitoral, seu lançamento tem um beneficiário: o presidenciável tucano José Serra. Será uma cerimônia deliberadamente simples para não ser confundida com uma ação de campanha.

“Potência social”

Coincidentemente, na última semana Serra disse que o país é uma “potência econômica” e precisa se transformar agora numa “potência social”. Ou seja, o novo mote de campanha do tucano faz eco ao lançamento do novo programa de FHC.

De imediato, o “Cartão Cidadão” será entregue aos usuários de cinco dos 12 programas de transferência direta de renda do governo federal.

São eles o Bolsa-Alimentação, o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), o Bolsa-Escola, o Brasil Jovem e o Vale-Gás, por meio dos quais pretende atender 12,6 milhões de pessoas carentes em 2002. Ano passado – excluído o Vale-Gás, criado neste ano-, o governo gastou R$ 1,8 bilhão com esses programas. Para o atual exercício prevê R$ 3,7 bilhões – ou seja, duas vezes mais.

Sem considerar o Vale-Gás, cujos primeiros depósitos começaram a ser feitos em fevereiro, o aumento da verba programada foi de 50% -de R$ 1,8 bilhão em 2001 para R$ 2,7 bilhões em 2002. “Isso parece mais uma rede de proteção eleitoral do que de proteção social”, ironizou o deputado Agnelo Queiroz (PC do B -DF).

A meta estabelecida ainda está longe de ser atingida. Do total programado para a Bolsa-Alimentação, por exemplo, até agora só 2,23% foram efetivamente pagos. Dos R$ 411,3 milhões previstos para a erradicação do trabalho infantil, apenas R$ 108,4 milhões (26,35%) foram para o bolso das pessoas carentes. O Bolsa-Escola, de longe o programa mais difundido, só liberou 25,84% dos gastos previstos.

Os atuais cartões serão substituídos progressivamente. Na largada, cerca de 4.000.

Além do “Cartão Cidadão”, o governo prepara um Cadastro Único dos Programas Sociais. Já foram cadastradas 1,3 milhão de famílias. A meta é cadastrar 9,3 milhões até o final de agosto.

Em meados de julho, a menos de três meses da eleição, será feito um mutirão para dar nome e sobrenome legal a brasileiros que não têm acesso aos programas sociais por falta de documentos.

Essa é uma situação comum em regiões muito pobres, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e no Norte e no Nordeste do país. “O Pobre do pobre, o que mais necessita. A documentação vai propiciar a inclusão dos excluídos”, diz a secretária de Assistência Social, Wanda Engel.

Além da estabilização da economia, o que dá mais prazer a FHC é falar sobre a transferência de renda aos mais pobres feita em seu governo. Ele e o pré-candidato Serra dizem que o governo gastará, este ano, o equivalente à parcela da União na arrecadação do Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas, estimada em algo em torno de R$ 28,7 bilhões.

Ambos – FHC e Serra – incluem nessa conta os R$ 15,5 bilhões programados para o pagamento de aposentadorias e pensões rurais. Alegam que houve ganho dos aposentados em razão do aumento real do mínimo. Sem os benefícios rurais, mas somando-se o recente Vale-Gás, os R$ 29,4 bilhões caem para R$ 15,1 bilhões.

Além dos cinco programas a serem inicialmente atendidos pelo “Cartão Cidadão” e das aposentadorias, esses R$ 15,1 bi incluem o abono salarial pago a desempregados, bolsas de qualificação, o Seguro-Safra pagos a famílias em situação de risco em áreas de seca e benefícios a idosos e deficientes.

No fundo, o que FHC faz é substituir políticas sociais de caráter temporário por outras de caráter permanente. E as associou diretamente ao governo federal, presente nas agências da Caixa Econômica, que paga os benefícios, e no próprio “Cartão Cidadão” no bolso do eleitor. Fórmula esta que Serra já incorporou à campanha.

O fato é que 2002 terminou sem sequer arranhar as metas estabelecidas. Enquanto hoje (final de 2012) o Bolsa Família paga benefícios no valor de R$ 20 bilhões, em 2002 o governo nem chegou a atingir a meta estimada em R$ 3,7 bilhões. Além disso, o cadastro único tampouco foi feito por FHC após 8 anos no poder. Havia apenas intenção, que igualmente não se materializou.

Os programas sociais de transferência de renda do governo Fernando Henrique Cardoso só começaram a funcionar precariamente e com orçamento irrisório no fim de 2001, penúltimo ano de seu mandato. De janeiro de 1995 até agosto de 2001, o “grande” programa social do governo do PSDB era distribuir algumas cestas básicas a um pequeno contingente de famílias.

Àquela época, este blogueiro acompanhava de perto o que era, então, um problema gigantesco e crônico no país: fome e miséria. Compareci a inúmeros seminários sobre o tema, inclusive no auditório da Folha de São Paulo. A demanda pelos programas de transferência de renda era feita reiteradamente pelo Ipea.

Um dos pesquisadores do Ipea que mais se notabilizou àquela época foi Ricardo Paes de Barros, o PB, que durante o governo FHC deu declaração que causou polêmica quando, reclamando do programa de cestas básicas que vigeu até o final de 2001, afirmou que um programa social de verdade no Brasil seria jogar dinheiro de helicóptero em áreas carentes.

Durante quase sete de seus oito anos no poder, FHC ignorou solenemente as cobranças dos pesquisadores do Ipea para que adotasse o programa do ex-governador petista de Brasília Cristovam Buarque, o Bolsa Escola. O tucano só foi ceder praticamente no último ano de seu governo de 8 anos e, ainda assim, de forma precária.

Abaixo, matéria da Folha de São Paulo de dezembro de 2001 que comprova as afirmações acima.

FOLHA DE SÃO PAULO - 9 de dezembro de 2001

GOVERNO

O Bolsa-Renda Alimentação substitui cestas básicas que eram distribuídas a 1,7 milhão de famílias de cidades pobres

Programa social exclui 960 mil famíliasRANIER BRAGON - DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE

O governo federal deixou 960 mil famílias carentes de fora do programa criado, em caráter provisório, para substituir a distribuição de cestas básicas, que era feita a 1,7 milhão de famílias de municípios pobres do país e que acabou em agosto.

O programa provisório que substituiu as cestas básicas foi denominado Bolsa-Renda Alimentação, com previsão de funcionamento somente em novembro e dezembro deste ano. Em vez da cesta básica, o novo programa dá à família R$ 15, que podem ser sacados por meio de um cartão magnético. Para esse programa, apenas 740 mil famílias das 1,7 milhão que estavam cadastradas no extinto Prodea (Programa de Distribuição de Alimentos) foram inscritas.

Os excluídos do novo programa e a situação precária pela qual o Prodea passou nos últimos meses de existência contrariam declarações feitas no final de 2000 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e por membros do governo, segundo as quais nenhuma das famílias deixaria de receber as cestas até que um programa substituto fosse implantado.

O próprio governo federal admite que 960 mil famílias carentes não foram inscritas no Bolsa Renda-Alimentação. Para o governo, parte destas famílias pode estar recebendo algum outro benefício.

“Se os municípios forem ágeis, até o final de dezembro todas as famílias vão ser enquadradas em algum tipo de programa e, assim, poderemos consertar os desvios”, disse Wanda Engel, coordenadora do Projeto Alvorada, que envolve ações de nove ministérios.

A distribuição de alimentos parou em agosto e, durante o período de três meses entre a extinção do Prodea e o início da Bolsa-Renda Alimentação, o 1,7 milhão de famílias também ficou sem receber nem um nem outro benefício. O fim da distribuição das cestas foi definido pelo governo no ano passado por ele considerá-la assistencial. Neste ano, porém, resolveu-se pela criação do Bolsa-Renda Alimentação até que todo o 1,7 milhão de famílias fosse incluído, de acordo com o perfil de cada uma, nos outros programas sociais do Projeto Alvorada.

O problema é que as 960 mil famílias excluídas do programa substituto à distribuição de cestas básicas não têm garantia alguma de que vão se inserir em algum novo programa federal, já que a idéia do governo é promover um recadastramento geral das famílias carentes. As exigências para fazer parte de outro programa também são diferentes das exigências do Prodea.

Outro problema: existem famílias que, mesmo inseridas no Bolsa-Renda Alimentação, até hoje não receberam os R$ 15.

“A gente come o que tem. Dá primeiro para as crianças e o que sobrar divide para os grandes”, disse Noêmia Maria da Silva Santos, 39, de Bezerros, no agreste de Pernambuco, que no dia 15 de agosto recebeu sua última cesta básica do governo.

Ela está inscrita para receber as duas parcelas de R$ 15 referentes a novembro e dezembro. Mas o dinheiro de novembro, que já deveria ter vindo, ainda não foi entregue (leia texto nesta página).

Na prática, a transição do Prodea para outro benefício vem se mostrando confusa: em Minas Gerais, por exemplo, dos 225 municípios que recebiam as cestas básicas, apenas 165 foram cadastrados no Bolsa-Renda Alimentação (queda de 26,7%). Das 224.974 famílias cadastradas no Prodea, sobraram 149.400 (queda de 36,6%). “Tem prefeito que nem sabe que esse projeto [Prodea” foi extinto”, disse o major Itamar Pacheco, coordenador em Minas do programa.

Segundo ele, a orientação do Ministério da Integração Nacional, que é responsável pelo projeto, foi de corte linear de 25% no número de famílias beneficiadas, durante a transição Prodea-Bolsa, sob o argumento de “falta de recursos orçamentários”.

A Agência Folha ligou aleatoriamente para prefeituras de dez municípios de Minas Gerais que tinham famílias cadastradas no Prodea, mas que foram excluídas do programa substituto: Cantagalo, Paulistas, Coluna, Água Boa, Peçanha, Ervália, Descoberto, Pedra do Anta, Pedra Dourada e Serra Azul de Minas.

Quando o Prodea existia, famílias carentes dessas cidades recebiam do governo federal um total de 11.107 benefícios mensais, entre cestas básicas e Renda Mínima (antecessor do Bolsa-Escola) -8.108 famílias estavam cadastradas no Prodea e 2.998 no Renda Mínima. Hoje, apenas 4.112 famílias recebem benefícios, todos da Bolsa-Escola.

Cinco dos dez municípios ouvidos afirmaram que receberam nos últimos dias -mais de três meses depois do fim total da distribuição de cestas- ofícios do governo informando que o Prodea foi extinto e que as prefeituras deveriam fazer recadastramentos.

Essa parcela da imprensa ligada ao PSDB que adotou a versão de FHC sobre os fatos, tal como o ex-presidente parece ter esquecido o que escreveu. A mesma Folha de São Paulo concordava com a afirmação da presidente Dilma de que o cadastro único e o programa de transferência de renda do governo tucano simplesmente não existiam.

Em matéria de junho de 2002, a três meses da eleição presidencial em que Lula derrotou José Serra, a Folha disse que “Até o final do mandato de FHC, o cartão representará pouco mais do que uma promessa de política social”. Confira, abaixo, a íntegra da matéria em que o jornal reconheceu o que hoje renega.

FOLHA DE SÃO PAULO - 8 de junho de 2002

Cartão embalará projeto de tucano em campanhaDA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O Cartão-Cidadão lançado ontem pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, com a logomarca do governo, embalará um dos principais projetos de campanha do presidenciável tucano José Serra. Até o final do mandato de FHC, o cartão representará pouco mais do que uma promessa de política social.

Eis a idéia: o cartão magnético será entregue a todos os 9,3 milhões de famílias carentes que o governo pretende cadastrar até o fim do ano. Até agora, foram cadastrados 2,5 milhões de famílias. Assim que o cadastro único ficar pronto, o governo terá reunidas num banco de dados informações sobre renda, saúde, educação, trabalho e condição de moradia dos 54 milhões de pobres brasileiros. É ponto de partida dar foco e avaliar as políticas sociais.

Pobres

Serão considerados pobres aqueles com renda familiar per capita abaixo de meio salário mínimo por mês. Por ora, o número de pobres é só uma estimativa a ser confirmada. A renda é um critério maleável, pois boa parte dos pobres não tem renda para ser comprovada.

Para que boa parte dos pobres ainda à margem dessas políticas sociais não fique de mão abanando, o governo criou recentemente o Vale-Gás, benefício de R$ 15 a ser concedido a cada dois meses a todas as famílias cadastradas. Os primeiros pagamentos foram feitos em fevereiro.

Essa será a única política generalizada no combate à pobreza. Os demais programas de transferência direta de renda à população variam de acordo com o perfil da família.

Fica provado, portanto, que esses setores da imprensa que hoje endossam a versão mentirosa de FHC sabem muito bem que seu governo só foi lançar um programa mambembe e eleitoreiro a poucos meses de uma eleição que perderia, entre outros fatores, por ter ignorado o problema social durante os oito anos de seu governo.

Extraído do Blog da Cidadania

27 fevereiro 2013

LULA: "FHC DEVERIA FICAR QUIETO"

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta terça-feira 26 às críticas feitas à presidenta Dilma Rousseff pelo seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso.

Mino Carta e Lula durante o laçamento do livro “O Brasil”. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

“Acho que o FHC deveria no mínimo ficar quieto,” disse Lula no lançamento do livro O Brasil, do diretor de redação de CartaCapital, Mino Carta. “Eu acho que ele não deveria falar. O que ele deveria era contribuir para a Dilma continuar a governar o país bem. Ou seja, deixa ela trabalhar, ela sabe o que faz,” disse Lula.

Fernando Henrique havia dito que Dilma era “ingrata”, “cospe no prato que comeu” e acusou o PT de “usurpar” o projeto político do PSDB. A frase de FHC era uma resposta ao discurso da presidenta na semana anterior.

No aniversário de dez anos do PT no poder, Dilma afirmara que não havia herdado nada dos tucanos na presidência.

No evento, Lula disse que a princípio não responderia a perguntas. “Hoje é o dia do Mino falar,” repetiu ele diversas vezes. Sua presença no local causou alvoroço de pessoas que queriam tirar foto com ele. Depois, porém, Lula falou sobre política.

Rio de Janeiro

A direção nacional do PMDB decidiu nesta terça que não apoiará a campanha de reeleição de Dilma em 2014 caso o PT não abra mão da candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo fluminense. O PMDB quer o atual vice-governador, Luiz Fernando Pezão, como candidato.

Lula foi irônico ao ser perguntado sobre o assunto. “Como é que eu vou saber se eu não acompanho nem a política do estado de São Paulo? Eu, depois que deixei a presidência da República, deixei de acompanhar política de perto,” disse o ex-presidente.

Extraído do sítio CartaCapital

28 janeiro 2013

LULA E DILMA CRIARAM 17 VEZES MAIS EMPREGOS QUE FHC - José Carlos Ruy

Lula e Dilma criaram 17 vezes empregos do que FHC

A mídia conservadora bate no governo pela queda na criação de empregos formais em 2012. Foram 1,3 milhões e eles reclamam! Esqueceram do descalabro vivido sob Fernando Henrique Cardoso!

A memória dos corvos e hienas da mídia é muito curta. Na semana passada, os jornalões conservadores e o panfleto porta-voz da direita mais exaltada, a revista Veja, mal disfarçaram sua satisfação ao noticiar o “mau desempenho” da criação de empregos na economia brasileira em 2012.

Que querem dizer com “mau desempenho”? A revista Veja comentou em sua versão eletrônica que a presidenta Dilma Rousseff e o governo “não conseguiram ter sucesso” ao tentar “alavancar a economia brasileira e o emprego em 2012”. A culpa, diz o panfleto da Editora Abril, foram aquilo que chamou de “diversos atos controversos”, como “anúncios e prorrogações de benefícios fiscais e tributários; mudanças na regulação e na política de investimentos de setores importantes da indústria; ampliação das exigências de conteúdo nacional; e inúmeras medidas de estímulo ao crédito e ao consumo”. Isto é, o oráculo da direita condena o que considera “decisões arbitrárias - sobretudo as que envolviam o protecionismo”. 

Não enxerga que são medidas de governo para enfrentar a grave crise econômica que assola o mundo - não as crises relativamente menos graves enfrentadas na década de 1990, mas a pior debacle econômica desde 1929 e que afeta o coração da economia capitalista. E que se traduzem na ação soberana, necessária, do governo, para defender a economia brasileira e os trabalhadores.

A mídia conservadora não pode enxergar desta maneira. Daí a amnésia que assola seus “analistas”. O Brasil mudou desde 2003, quando Luís Inácio Lula da Silva assumiu a presidência da República, iniciando a série de mandados, continuada por Dilma Rousseff, e que vai mudando o país, para melhor.

O desempenho em relação aos empregos e à renda dos trabalhadores é um excelente exemplo dessa mudança. Desde 2003 foram criados, no Brasil, 16.218.326 empregos formais, com carteira assinada; isso dá uma média mensal de 135 153 empregos, ou 4.505 por dia.

Os dados estão lá, nas estatísticas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, e podem ser consultados pela internet. Não são dados estatísticos, mas cadastrais: o Caged recebe informações sobre todas as admissões e demissões ocorridas no país e contabiliza esses dados que, por isso, estão longe de constituir meras estimativas, sendo o retrato daquilo que ocorreu nas relações de trabalho no país.

Nos oito anos de desgoverno de Fernando Henrique Cardoso, entre 1994 e 2002, o saldo de empregos foi de apenas 780 mil empregos formais. Em oito anos! A média mensal foi de irrisórios oito mil empregos, contra os 135.153 atuais! Ou seja, no período tucano a média mensal de criação de empregos foi 17 vezes menor! Um desempenho esquálido que os “analistas” da imprensa ligada ao Instituto Millenium acham melhor esquecer. 

Sob Fernando Henrique Cardoso houve perda de 1.018.121 empregos durante o primeiro mandato (média mensal de 21.219 vagas fechadas) e abertura de 1.815.088 novos postos de trabalho no segundo mandato (média mensal de 37.814). O saldo final dos oito anos do período tucano foi de 796.967 vagas, com a média mensal irrisória de 8.301 vagas. 

Sob Lula e Dilma, o desemprego caiu e a renda dos trabalhadores cresceu; de cada dez empregos criados, sete foram formais, registrados na carteira de trabalho; na década neoliberal de 90 do século passado, era o oposto: de cada dez empregos criados, apenas três eram formais.

Salários e renda nacional

Outra forma de ver como o desempenho da economia se reverteu, favorecendo os trabalhadores, é comparar a participação dos salários na renda nacional. Com FHC, ela participação diminuiu, empobrecendo o povo e os trabalhadores. No primeiro ano de seu governo, em 1995, os salários representavam 35% do PIB, parcela que diminuiu ano a ano, chegando a 31% em 2002. Perda que fica ainda maior quando se leva em conta que o PIB também diminuiu drasticamente naqueles anos de desgoverno. 

Nas grandes economias capitalistas, lembra o consultor sindical João Guilherme Vargas Neto, 60% ou mais da renda é apropriada sob a forma de salários. No Brasil, em 1960, a participação dos salários chegou a 50% da renda nacional. A forte resistência conservadora enfrentada foi um dos fatores da conspiração que levou ao golpe militar de 1964; sob a ditadura que se seguiu, a participação dos salários caiu rapidamente, de forma contínua, chegando aos 31% do período neoliberal dirigido por Fernando Henrique Cardoso. 

Com Lula e Dilma, apesar da crise mundial iniciada em 2008, a situação se inverteu e os salários recuperaram sua participação na renda nacional; voltaram a 35% em 2010, passando para 43% em 2011.

Além da ação do governo, em sentido oposto ao que pretendem os conservadores da mídia e aos especuladores das finanças, a situação favorável vivida hoje, apesar da grave crise econômica mundial, resultada da luta dos trabalhadores e da conquista da política de valorização real do salário mínimo, que já acumula uma recuperação de (aumento real) 70,49% em relação a 2002, beneficiando mais de 45 milhões de brasileiros cuja renda equivalente a um salário mínimo.

Nivaldo Santana, vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) acrescenta outro dado à análise, baseado em estudos publicados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese): as vitórias acumuladas pelos trabalhadores nas campanhas salariais, repondo perdas inflacionárias e conquistando aumentos reais; “Em 2011”, lembra ele, “94,3% das campanhas acompanhadas pelo Dieese se enquadram nesse universo”.

Ainda há muito o que fazer

Não se pode esconder o fato de que a criação de novos empregos formais diminuiu em 2012, em relação ao ano anterior. No ano passado o saldo foi de 1,3 milhão de empregos novos, contra 1,9 milhão criados em 2011. É de fato o pior resultado desde 2009, quando o saldo foi de 1,296 milhão de vagas.

Não se pode deixar de saldar, contudo, o resultado gigantesco da política econômica do governo e a criação de 1,3 milhão de empregos num mundo que desmorona e conhece taxas superiores a 20% da mão de obra em países ricos da Europa (na Espanha, supera 25%; na Grécia, o desemprego infelicita mais de 50% da juventude). 

Existem críticas a serem feitas à situação brasileira, nas elas dizem respeito a ganhos ainda não alcançados pelos trabalhadores, como lembra o dirigente sindical Nivaldo Santana. Um dos exemplos é a escandalosa rotatividade no trabalho. No Brasil, diz o dirigente da CTB, o tempo médio de emprego era de 3,9 anos em 2009 (dados do Dieese) e o índice de rotatividade chegava a 53,8%, prejudicando o trabalhador, dificultando a organização sindical e drenando grandes recursos do FAT. “Com menos rotatividade”, diz ele, “esses recursos poderiam ter outro tipo de uso, para gerar mais e melhores empregos, como reclama o movimento sindical”.

Ainda há um longo caminho a percorrer para que o Brasil atinja padrões civilizados no seu mercado de trabalho, conclui Nivaldo Santana. E a agenda “defendida pelos centrais sindicais inclui a luta pela redução da jornada de trabalho para quarenta semanais sem redução do salário, medidas contra a rotatividade e a precarização das relações do trabalho, fim do fator previdenciário, etc.”

Mas este é um tema que a mídia conservadora não inclui de maneira favorável em sua pauta. A luta para estas novas conquistas inclui ações e mobilização dos trabalhadores, pressões sobre o governo e os patrões. Esta luta inclui, sobretudo, a derrota da mídia conservadora e seus porta-vozes da especulação financeira e daqueles que, como os golpistas de 1964, encaram o crescimento da participação dos trabalhadores na renda nacional com escândalo e com alarme.

Extraído do sítio Portal Vermelho

23 janeiro 2013

AÉCIO NEVES FARÁ "CARAVANAS DA PRIVATARIA" - Helena Sthephanowitz

Enquanto o ex-presidente Lula planeja fazer Caravanas da Cidadania no Brasil, para elevar o ativismo político o presidenciável tucano Aécio Neves (PSDB-MG) fará viagens defendendo a privatização.

Com mandato de parlamentar pago pelo contribuinte, senador viajará fazendo campanha pela Presidência (Foto: Antônio Cruz. Arquivo Agência Brasil)

Aécio Neves, em vez de exercer seu mandato de senador, pretende viajar pelo Brasil, fazendo conchavos com oligarquias e "resgatando" o programa da Privataria Tucana implementado no governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). Quem paga? O povo que o elegeu para o Senado, já que o senador não abrirá mão de seu salário. Além da imprensa, que dará todo destaque, Aécio terá também espaço nos programas de TV do partido, que serão exibidos em 30 de maio e em 19 de setembro, além dos oito dias de inserções de 5 minutos diários. Como vocês podem notar, a campanha eleitoral 2014 já começou.

O senador tucano será o futuro presidente nacional do PSDB. E já tem agendada, ainda este mês, reunião com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Depois do paulista, Aécio continuará alinhavando ao Sul, ao Norte e ao Nordeste. É objetivo repetir o modelo que o elegeu em 2002 ao governo de Minas, mas, dessa vez, Aécio é o candidato à sucessão de Dilma Rousseff (PT). 

O parlamentar carregará na mala promessas como apoio financeiro dos banqueiros privados, insatisfeitos com Dilma por causa da queda da taxa de juros, e que veem em Aécio a esperança da volta dos juros altos. Carregará também o apoio de investidores internacionais que preferem os brasileiros pagando tarifas altas da conta de luz para remeterem mais lucros para o exterior. Além do apoio das petroleiras internacionais de olho grande no pré-sal e na retomada do projeto de fatiar a Petrobras para vendê-la aos pedaços. Aécio já nomeou o ex-genro de FHC, Zylbersztajn, para a Light, para mantê-lo por perto. 

Além disso, Aécio tem a oferecer às oligarquias políticas encalacradas com operações da Polícia Federal a volta dos anos FHC, com a nomeação de um Geraldo Brindeiro para procurador-geral da República, e "enquadrar" a PF para fazer como nos tempos de FHC, quando faltava até gasolina nas viaturas, para impedir operações que "constrangessem" políticos da base de apoio dos demotucanos, na época. 

Aécio já começou sua caravana da privataria pelo Rio de Janeiro, encontrando-se a equipe econômica de FHC que quebrou o Brasil três vezes. O ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o economista Edmar Bacha, depois de servirem ao banqueiros, com uma política de juros altos, quando estavam no governo, viraram, eles próprios, banqueiros. O ex-ministro Pedro Malan e o economista Edmar Bacha fazem parte do Banco Itaú, que patrocina o Jornal da Globo para William Waack e Sardenberg criticarem a queda na taxa de juros, promovida pela presidenta Dilma.

Extraído do sítio Rede Brasil Atual

15 janeiro 2013

ECONOMIA: QUEM GANHA COM O "TRIPÉ" NEOLIBERAL?


Os oráculos do neoliberalismo e da especulação financeira estão em polvorosa. O tripé desmorona – este é o mantra repetido pelos especialistas dos jornalões contra a orientação econômica da presidenta Dilma Rousseff, do ministro da Fazenda Guido Mantega e do presidente do Banco Central Alexandre Tombini. 

Acusam o governo de tomar medidas que comprometem os fundamentos da política econômica herdada de Fernando Henrique Cardoso, baseada no arrocho fiscal (e na economia que o governo faz para pagar juros, o chamado superávit primário), no câmbio descontrolado, flutuante (no qual o valor do real varia de acordo com os humores do mercado, prejudicando a produção nacional) e no estabelecimento de metas de inflação (baseadas no dogma de que a alta de juros ajuda a combater a elevação dos preços).

A gritaria tomou vulto desde meados do ano passado, e neste início de 2013 cresce ante as medidas anunciadas pelo governo para cumprir a meta fiscal (isto é, para compor o superávit primário) à margem daquele figurino herdado de Fernando Henrique Cardoso, medidas que os sabichões do “mercado” encaram como uma ameaça para “o país”, como dizem. 

Na verdade, o rompimento que vislumbram com as regras introduzidas sob os auspícios do Fundo Monetário Internacional, numa época em que o Brasil e suas autoridades federais andavam de joelhos perante aquela agência internacional, volta-se não contra “o país”, como alegam, mas ameaça os privilégios do capital especulativo, engordado durante décadas por uma política econômica que colocava o país a trabalhar para pagar juros e rendimentos ao grande capital que aplicava em títulos da dívida pública.

Neste sentido, é de louvar a honestidade do economista Rubens Novaes que, em artigo publicado nesta quinta-feira (10), na Folha de S. Paulo, intitulado “É a psicologia, estúpido!”, falou em “mudanças bruscas nas regras do jogo” que, pensa ele, contrapõem ao "risco mercado" o que chamou de “risco governo"; ele apontou “a tradicional colisão entre ‘direitos sociais’ e o direito de propriedade”, confronto que, diz, é “quase sempre desempatado de forma contrária aos interesses do empresariado”. Ele alinhou entre essas “mudanças bruscas” a decantada fragilização do “tripé”.

Novaes foi honesto ao expor com uma clareza rara as opiniões que movem os defensores do neoliberalismo: a defesa de um direito de propriedade absoluto contra os “direitos sociais” – entre aspas, como ele escreveu.

Este é o ponto. O receituário neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Aécio Neves e toda a turma tucana tem este objetivo: defender o direito de propriedade contra os “direitos sociais” que os conservadores consideram exorbitantes. Política que foi a raiz da crise vivida pelo Brasil nas décadas perdidas do domínio do neoliberalismo, a mesma politica de cortes de direitos e arrocho salariais que hoje infelicita os povos da Grécia, Espanha, Portugal e demais europeus assolados pelo desemprego e pelo empobrecimento que dela resultam.

O “tripé” foi feito para isso. A conjunção de responsabilidade fiscal (superávit primário), metas de inflação e câmbio flexível, aumentou o patrimônio dos ricos, no Brasil e no exterior, à custa de quebrar o país, retroceder seu desenvolvimento, empobrecer o povo e humilhar a soberania nacional.

Os oráculos do grande capital se escandalizam quando o governo toma medidas para forçar a queda nas taxas de juros, para manter o valor do real em um nível adequado às necessidades da produção agrícola e industrial brasileira, usam recursos públicos (do orçamento, dos dividendos de estatais ou do Fundo Soberano Brasil) para fomentar o desenvolvimento, criar empregos e melhorar a renda do povo e dos trabalhadores. 

Falam em “deterioração” da macroeconomia mascarando atrás de um biombo de palavras pretensamente técnicas os interesses do grande capital especulativo que é, do ponto de vista produtivo, estéril. Essa é a macroeconomia da miséria, do atraso, do retrocesso e do desemprego. 

O governo da presidenta Dilma tem dado passos no sentido de romper com essa lógica perversa e muito ainda precisa ser feito nessa direção. Efetivamente, é necessário mudar o conjunto da política macroeconômica herdada. Não se compreende por que, completados 10 anos desde o início da série de governos democráticos e patrióticos, o Brasil precise manter como um dogma intocável o superávit primário imposto pelo FMI, e que favorece apenas aos donos do capital especulativo. Para avançar, o Brasil precisa romper com esta herança maldita de uma época em que os gerentões do FMI andavam por Brasília como se fossem autoridades coloniais a impor isto ou aquilo. 

Não será com medidas de defesa unilateral do capital especulativo que as saídas para a crise serão encontradas, como a presidenta Dilma e o ministro Mantega têm insistido em fóruns internacionais, mas com o uso do poder do governo e do Estado para estimular a economia, o crescimento e a criação de empregos e criar um ambiente mais favorável para a realização de reformas estruturais democráticas, único caminho para o país ingressar numa era de desenvolvimento e progresso com valorização do trabalho, distribuição da renda e da riqueza, universalização de direitos e justiça social.

Neste sentido, as lamúrias dos ventríloquos do grande capital especulativo precisam ser respondidas com um veemente ”tripé nunca mais”!

Extraído do sítio Portal Vermelho

09 janeiro 2013

PROCURA-SE UM CANDIDATO PARA ENFRENTAR DILMA - Ricardo Kotscho

Dilma aproveitou suas férias no litoral da Bahia

Na entressafra entre o fim do mensalão e a ameaça do apagão elétrico anunciado todos os dias pela imprensa, que marca este início de 2013, o grande desafio dos jornalistas e dos partidos aliados é encontrar um candidato viável para enfrentar a presidente Dilma Rousseff na sucessão presidencial daqui a dois anos.

O primeiro a tomar a iniciativa foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou com pompa e circunstância Aécio Neves e se apresentou como o tutor da sua candidatura ainda no final do ano passado. Como o ex-governador mineiro refugou num primeiro momento, outros nomes começaram a entrar na dança das especulações e das pesquisas.

Em lugar de Aécio, passou a ganhar espaço o governador pernambucano Eduardo Campos, apontado como um dos vencedores das eleições municipais de 2012, a noiva mais cobiçada tanto pelo governo como pela oposição, embora ele jure fidelidade ao governo Dilma pelo menos até o final deste ano.

Enquanto Dilma e Campos se encontravam para conversar a bordo do litoral baiano em plenas férias, especuladores profissionais voltaram a falar no nome de Marina Silva, a candidata de 20 milhões de votos em 2010, que só tem um problema: não tem partido. Nem parece, pelo menos por enquanto, disposta a criar algum.

Na falta de opções no campo da oposição, na última pesquisa do Datafolha lançaram até o nome do ministro Joaquim Barbosa, o "herói nacional do STF", que alcançou surpreendentes 10% de intenções de votos, mas tem o mesmo problema de Marina: faltam-lhe um partido e disposição para entrar na disputa.

E já que ninguém quer se arriscar a ser a anti-Dilma, pelo menos nas atuais condições da vida real da economia, apesar de todos os problemas que não são poucos, que ainda asseguram à presidente altos índices de popularidade, eis que ressurge em cena o candidato permanente, ele mesmo, José Serra, que havia desaparecido desde a sua última derrota eleitoral em outubro.

No começo da semana, seu nome foi lançado para ser secretário de Saúde de Geraldo Alckmin, primeiro passo para se candidatar a senador, mas o governador logo desmentiu esta possibilidade. Seria pouca areia para o caminhão de Serra, sempre em busca de alçar vôos maiores.

A grande novidade veio no dia seguinte, em reportagem de Catia Seabra, na "Folha": "Segundo aliados, Serra ainda não desistiu do sonho de chegar ao Palácio do Planalto nem que para isso tenha de se filiar a outro partido".

Qual? O recém-criado PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, que chegou a ser apontado como uma opção para Serra, seu antigo aliado, está cada vez mais nos braços da presidente Dilma Rousseff, de quem deve ganhar um ministério.

Quem mais? Claro, sempre sobra o PPS de Roberto Freire, que hoje está entre as bancadas nanicas na Câmara e também não sabe para onde ir na busca por aliança com algum outro partido. "É a união da falta de fome com a vontade de não comer", como diz o ferino jornalista Carlinhos Brickmann.

Sempre em busca de uma boa onda, Roberto Freire revelou à repórter que desde o ano passado vem discutindo com Serra o projeto de criação de outro partido. "Serra ainda continua ativo", garantiu ele.

O presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra, não gostou nada da ameaça de traição de Serra, que para alguns tucanos está apenas querendo valorizar seu passe na renovação da direção nacional do partido, em maio.

Para Guerra, a candidatura de Aécio está consolidada no partido e independe dos rumos que José Serra tomar.

O problema do PSDB e da oposição em geral não se restringe a encontrar alguém para enfrentar Dilma nas eleições, mas onde buscar candidatos competitivos para os palanques estaduais que possam sustentar a campanha presidencial.

A situação está tão difícil que no Rio de Janeiro, por exemplo, segundo maior Estado do país, começaram a pensar em soluções heterodoxas, já que na última campanha municipal seu candidato, Otavio Leite, ficou na rabeira dos nanicos.

Em reunião com Aécio, da qual participaram o ex-presidente FHC e economistas eméritos do partido (Armínio Fraga, Edmar Bacha e Gustavo Franco), chegaram a pensar até no nome de um dos três para empunhar a bandeira tucana no Rio.

Como eles não se animaram, houve um que sugeriu a "importação" de tucanos de outros Estados: Alvaro Dias, do Paraná, e quem diria, até José Serra, de São Paulo.

Por último, lembraram de um nome fora do partido, mas muito popular em certos segmentos da sociedade carioca: o do apresentador de televisão Luciano Hulk. Parece que a reunião terminou por aí. Dá para entender agora porque Aécio resiste tanto ao convite presidencial de FHC. Sem esquecer que Dilma e o PT têm Lula no banco de reservas...

Se o caro leitor tiver alguma sugestão de nome da oposição para desafiar Dilma em 2014, por favor escreva para o Balaio. Os tucanos, os especuladores e a midia aliada agradecem.

Em tempo:

um amigo me avisou agora que na última edição da "Veja", a que está nas bancas, já tem um ministério inteirinho e um programa de governo pronto para quem derrotar Dilma.

Extraído do blog Balaio do Kotscho