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04 junho 2012

A GUERRA CIBERNÉTICA JÁ COMEÇOU - Carlos Castilho



O jornal The New YorkTimes revelou na semana passada que os serviços secretos dos Estados Unidos e de Israel utilizam uma arma cibernética chamada Stuxnet há quase dois anos para infectar computadores iranianos e de outros países árabes vistos com suspeitas pelo Departamento de Estado. A ação teria apoio formal do presidente Barack Obama.

Na sexta feira (1/6), o diário The Washington Post consultou fontes oficiais do Pentágono que confirmaram a informação, acrescentando que a mais recente versão do Stuxnet está sendo usada numa operação denominada Olympic Games (Jogos Olímpicos), que tem como alvo específico o programa nuclear iraniano, que já teria perdido entre duas a seis mil centrifugas usadas para enriquecer urânio.

Pouco antes da publicação da noticia do The New York Times, a empresa de segurança na internet Kaspersky Labs distribuiu a seus clientes um alerta sobre um vírus chamado Flame, que estaria contaminando computadores no Oriente Médio com um poder nunca antes identificado na internet. Segundo a Kaspersky, o Flame é 20 vezes mais poderoso do que o Stuxnet e já teria sido detectado nos territórios palestinos, Sudão, Síria, Líbano, Arábia Saudita e Egito.

Segundo técnicos em segurança virtual contatados pelo site CNET News, especializado em notícias sobre internet, o novo vírus foi desenvolvido especificamente para roubar informações em alvos selecionados, e está ativo há pelo menos cinco anos. O site diz que o vírus é tão sofisticado que somente poderia ser desenvolvido por um órgão governamental ou empresa privada contratada por algum governo. O CNET News menciona um blog israelense chamado Tikun Olam, segundo o qual especialistas de seu país teriam participado da criação do Flame e de um outro vírus denominado Wiper, identificado por especialistas das Nações Unidas e que estaria espionando todo o sistema petrolífero do Irã.

O que mais impressiona é que as noticias publicadas agora mostram que a batalha cibernética já tem pelo menos cinco anos de existência e nós ainda acreditávamos que ela era um misto de ficção cientifica e jogo político. A empresa Kaspersky, que fabrica softwares antivírus, adverte que o Flame usa falhas do sistema operacional Windows 7 para instalar Cavalos de Troia [1] em computadores infestados. A diferença é que geralmente os vírus instalados por Cavalos de Troia funcionam autonomamente enquanto o Flame obedece ordens de um comando externo.

Segundo a empresa, nada impede que o vírus possa se espalhar pelo resto do mundo, o que poderia configurar um novo sistema de monitoramento de redes de computadores em todo o planeta. Com isso, o debate sobre a privacidade online entra em um novo patamar. Não se trata mais de discutir se ela é boa ou ruim, legal ou ilegal. A guerra cibernética já acabou com ela de fato e não nos resta alternativa senão alterar nossos comportamentos para conviver com um mundo onde as paredes são de vidro transparente.

[1] Cavalos de Troia (Trojan Horses) é um jargão cibernético para identificar um programa que se instala no computador para permitir a ação de vírus. Ele abre a porta para a infestação.

Extraído do sítio Observatório da Imprensa

29 maio 2012

ESPECIALISTAS DESCOBREM VÍRUS SOFISTICADO DE CIBERESPIONAGEM



Uma empresa russa criadora de softwares antivírus diz ter descoberto um novo vírus de computador, com potencial destrutivo sem precedentes, que está sendo usado para ciberespionagem.

Milhares de computadores no Oriente Médio foram infectados pelo vírus mais sofisticado já descoberto, conhecido como Flame. A empresa russa Kaspersky Lab, uma das maiores produtoras de softwares antivírus, disse que especialistas descobriram o novo vírus durante uma investigação solicitada pela União Internacional de Telecomunicação (ITU).

O Flame entra para a história como a terceira arma cibernética espalhada em grande escala, junto com os vírus Stuxnet e Duqu. Cinco mil computadores de empresas e instituições de ensino foram infectados, a grande maioria no Irã. Máquinas de Israel, Síria, Sudão e territórios palestinos também foram afetados pelo vírus.

De acordo com a empresa, Flame pode coletar dados, alterar as configurações do computador, ligar o microfone para gravar conversas, fazer capturas de tela e registrar mensagens de bate-papo.

O CERT (Computer Emergency Response Team) do Irã diz que o Flame pode estar ligado aos recentes ciberataques no Teerã, que foram responsáveis por uma grande perda de dados do sistema de alguns computadores.

Mais complexo que o Stuxnet

Especialistas da Kaspersky afirmam estar no estágio inicial da decodificação do vírus. Flame possui 20 vezes mais códigos que o vírus Stuxnet, que em 2010 infectou o programa nuclear iraniano e interrompeu o controle das centrífugas.

Uma agência iraniana de segurança de dados divulgou nesta segunda-feira (28/05) em seu site que o vírus Flame tem uma "ligação próxima" com o Stuxnet. Descoberto há dois anos, o vírus Stuxnet foi desenvolvido para programas industriais, na época uma novidade. O vírus atacou usinas de energia e fábricas de produtos químicos, inclusive na Alemanha.

O Irã responsabilizou os Estados Unidos e Israel pelos ataques do Stuxnet, alegando que o objetivo era sabotar o programa nuclear do país.

De acordo com a Kaspersky Lab, Flame e o Stuxnet parecem infectar as máquinas explorando a mesma falha no sistema operacional do Windows e ambos usam uma forma semelhante de propagação. A empresa não quis dar informação sobre os possíveis criadores do vírus.


Extraído do sítio Deutsche Welle

Ler Também: 
Gazeta Russa : Especialistas russos identificam nova ciberarma
Diário da Rússia: Israel nega autoria do supervírus descoberto pela Karpersky Lab

20 maio 2012

WIKILEAKS DESNUDA A ESPIONAGEM PRIVADA DOS ESTADOS UNIDOS



Wikileaks voltou ao ataque com as revelações na Internet e agora com uma massa de documentos que põem a descoberto as atividades do instituto estadunidense Stratfor, considerado uma agência de serviço secreto na sombra.

O site alternativo começou a publicar nesta semana cinco milhões de mensagens eletrônicas desse centro especializado em análise de estratégias geopolíticas, datados entre julho de 2004 e fins de dezembro passado.

Sob o título "Os arquivos da inteligência global", o Wikileaks deixa ver o funcionamento interno da firma privada e ilustra como construiu e paga uma rede internacional de informantes através de contas em bancos suíços e cartões de crédito.

Muitos de seus provedores são agentes encobertos, trabalham como empregados públicos, pessoal de embaixadas e jornalistas, e recorrem ao suborno e lavagem de dinheiro em busca de evidências confidenciais.

"Os e-mails também demonstram o tráfico de influências nas empresas de inteligência privadas dos Estados Unidos", precisou o portal, enquanto assegurou possuir provas sobre os nexos entre Stratfor com escritórios do governo norte-americano e multinacionais. Nesse ponto, qualificou ao instituto "como um editor de inteligência" que oferece serviços exclusivos a grandes corporações como Dow Química Co. de Bhopal, Lockheed Martin, Northrop Grumman e Raytheon.

Também citou ao Departamento estadunidense de Segurança Nacional, o corpo de Marines e a Agência de Inteligência de Defesa entre os principais assinantes da Stratfor.

Outras das questões internas da companhia que ficarão a nu são seus métodos psicológicos, exemplificado com uma mensagem do diretor executivo do centro, George Friedman, à analista Reva Bhalla na data de 6 de dezembro de 2011.

"Você deve ter o controle dele. Isso implica o controle financeiro, sexual ou psicológico... Assim é como pretendo iniciar nossa conversa em sua fase seguinte ", indica o correio sobre como explorar dados de um informante israelense em relação ao estado de saúde do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O novo material detalha, ademais, as tentativas de Stratfor para desestabilizar o Wikileaks e os ataques de Washington contra seu fundador, Julian Assange, sob detenção domiciliária em Londres desde 2010 por acusações de violação sexual.

Segundo o meio digital, mais de quatro mil e-mails mencionam o jornalista australiano, quem denunciou várias vezes a profundidade política de seu caso pela difusão de 250 mil cabos secretos trocados entre os Estados Unidos e suas embaixadas sobre a preparação de operações de espionagem e atentados terroristas.

STRATFOR, UMA CIA NAS SOMBRAS 

A Stratfor foi fundada em 1996 no Texas por Friedman, cuja trajetória inclui serviços como assessor em temas de segurança de altos oficiais das Forças Armadas, do Colégio de Guerra do Exército estadunidense e da Universidade de Defesa Nacional.

Em ocasiões tem sido chamada como uma "CIA -Agência Central de Inteligência - nas sombras" pelo tipo de investigação e análise que realiza, seus métodos para obter a informação e a quem a proporcionam.

"Como se trata de uma empresa privada, tem um alcance que outros não possuem. Não têm que justificar de onde vem o dinheiro nem quem os comissiona nem para quê", disse a BBC Mundo Richard Weitz, analista de Hudson Institute.

Segundo o especialista, a firma pode receber dinheiro de uma petroleira para empreender um estudo ou, como em Bhopal, Índia, monitorar os movimentos sociais depois do desastre tóxico da fábrica da Dow Chemical/Union Carbide em 1984, com saldo de ao menos meio milhão de afetados.

Também aludiu às atividades de espionagem contra um governo estrangeiro a pedido de algum cliente do Estado.

"Se a CIA precisa informação mas não pode ficar envolvida pela delicadeza da situação - como espiar Israel ou os países da OTAN -, utiliza-se o pessoal da Stratfor para que o façam diretamente", assegurou o especialista em temas de segurança.

Nesse sentido, Weitz falou das amplas redes de informantes que fornecem dados e documentos, muitas vezes roubados de grupos ou governos sob investigação em troca de dinheiro.

Friedman, por sua vez, confirmou que os e-mails publicados pelo Wikileaks pertencem a sua empresa mas advertiu que alguns podem estar "falsificados ou alterados", numa tentativa em minimizar o impacto do escândalo à escala internacional. "Stratfor trabalhou para construir boas fontes em muitos países. Estamos orgulhosos das relações que construímos, que ajudam os analistas a entender melhor os problemas em vários países por meio dos olhos da gente que vive ali", disse.

E ainda, desvinculou o instituto do governo estadunidense e pediu desculpas a seus clientes pelas conseqüências ocasionadas depois das revelações de sua correspondência privada.

O Wikileaks associou-se com mais de 25 ativistas e meios jornalísticos do mundo, entre eles o jornal argentino Página 12, o mexicano La Jornada, o costarriquense La Nación e o italiano La Repubblica para examinar e divulgar os correios nas próximas semanas.

"Os leitores descobrirão o interno da Stratfor, cujo sistema de mensagens classifica as correspondências em categorias como alfa, tática e seguro e nomes em código para as pessoas de especial interesse como os Izzies (membros de Hezbollah), ou Adogg (Mahmoud Ahmadinejad), adiantou o site alternativo.

Hackers do movimento Anonymous precisaram que obtiveram os e-mails no final do ano passado e os entregaram ao Wikileaks para torná-los públicos.


Extraído do sítio Agência Prensa Latina

28 abril 2012

A NOVA GUERRA FRIA, AGORA NA INTERNET - Carlos Castilho



Os Estados Unidos ganharam a Guerra Fria nuclear sem disparar um tiro, mas podem estar perdendo a versão cibernética do conflito pela supremacia mundial. E acredite quem quiser: a nova superpotência virtual é a China, apontada pelos especialistas ocidentais em segurança cibernética como a maior incógnita contemporânea no que se refere a políticas de uso da internet.

Os norte-americanos não admitem publicamente, mas o jornal inglês The Guardian afirmou na série "Batalha pela Internet" que o número de chineses especialistas em crackear [1] computadores e redes virtuais é maior do que o dos engenheiros norte-americanos dedicados ao desenvolvimento de novos programas e equipamentos para computação. Os crackers chineses são conhecidos também como cyber jedis (guerreiros cibernéticos), numa analogia com os guerreiros do bem na série Guerra nas Estrelas.

No fundamental, a nova versão da Guerra Fria é essencialmente uma guerra por informações onde as armas convencionais passaram a um segundo plano, para desespero de toda a multimilionária indústria bélica mundial. Os jedis chineses, em sua esmagadora maioria protegidos pelo governo de Beijing, vasculham o sistema financeiro ocidental, as redes de comunicações privadas e governamentais, descobrem vulnerabilidades em bancos de dados, em complexos de energia e transporte, bem como, é óbvio, nos serviços de inteligência militar.

A grande diferença em relação à Guerra Fria nuclear é que agora a busca por informações não está voltada para o botão vermelho da retaliação atômica, mas a um complexo e ainda pouco estudado sistema de tomada de decisões no qual os indivíduos estão sendo substituídos por processos impessoais, como as bolsas de valores. A balança do poder mundial não depende mais exclusivamente de decisões tomadas na Casa Branca ou no Palácio do Povo, em Beijing.

A descoberta do poder chinês na internet assustou os governos ocidentais, em especial os Estados Unidos e a Inglaterra, onde os seguidores da velha Guerra Fria ainda são muito influentes. Se até a queda do Muro de Berlim (1989) , os espiões e cientistas nucleares eram os grandes alvos dos estrategistas soviéticos e norte-americanos, agora todas as atenções se voltam para jovens entre 17 e 30 anos, afaixa etária dos modernos guerreiros cibernéticos, um ramo dos nerds (jovens fanáticos por computação).

Em 2011 foi criado na Inglaterra um projeto chamado Cyber Security Challange (Concurso sobre Segurança Cibernética) destinado a atrair nerds para o campo da Guerra Fria cibernética. Logo na primeira edição, no ano passado, quatro mil jovens de ambos os sexos se inscreveram para a competição, que não chegou a ser divulgada na imprensa. No ano passado, o vencedor foi Jonathan Millican, estudante do primeiro ano de engenharia eletrônica, com 19 anos incompletos.

O julgamento final da versão 2012 Cyber Security Challange deveria ter ocorrido em março, mas teve que ser adiado porque o site do concurso foi crackeado, segundo os britânicos, por cyber jedis chineses. Os prêmios previstos no concurso variam desde bolsas de estudo até inscrição grátis em eventos ligados à segurança cibernética. Não há prêmios em dinheiro, mas segundo o jornal The Guardian, o emprego em empresas do setor é imediato.

São garotos como Jonathan que passaram a ser observados de perto por estrategistas mililtares que acabam de receber plenos poderes do presidente Barack Obama e do governo inglês para desenvolver uma estratégia antichinesa na guerra pelo controle da internet. Segundo a Casa Branca, cerca de 60% das empresas norte-americanas que tiveram seus sites invadidos por crackers acabaram pedindo falência. 

Até agora a principal estratégia do Pentágono era criar muros virtuais (firewall) contra invasões de redes de computadores, mas os especialistas já se deram conta que a defesa passiva é inútil, porque a criatividade dos cyber jedis é quase infinita. Para cada muro criado surgem imediatamente dezenas de opções sobre como derrubá-lo. Por isso a tendência é investir nas ações ofensivas, atacando os centros onde se aglutinam os guerreiros virtuais.

O problema é que a dispersão é enorme nessa área, da mesma forma que o altíssimo índice de privatização das empresas ligadas ao gerenciamento de informações na web complica a ação dos militares, cuja cultura operacional é tradicionalmente centralizadora e vertical. Nos Estados Unidos, de 80% a 90% dos bancos de dados estão em mãos privadas, o que torna extremamente relevante o papel da Google, a megacorporação no setor de informações e a terceira maior empresa privada do mundo no ramo das comunicações. 

A estratégia da Google na Guerra Fria cibernética é fundamental para a balança do poder entre os Estados Unidos e a China, mas também transcendental para nós, que usamos gratuitamente os mecanismos de busca, correio eletrônico, YouTube e dezenas de outros aplicativos desenvolvidos pela empresa para captar nossas preferências e dados pessoais.

[1]Neologismo criado para expressar o ato de identificar códigos, senhas e arquivos protegidos em computadores ou redes de computadores. Os crackers são o oposto dos hackers, que desenvolvem novos softwares.


Extraído do sítio Observatório da Imprensa

04 fevereiro 2012

ANONYMOUS INTERCEPTARAM SITES DO FBI E DA SCOTLAND YARD

O Anonymous revelou uma gravação de 15 minutos em que aparece uma teleconferência das entidades dedicada a processar os membros de um grupo de piratas da internet



Um grupo de hackers interceptou nesta sexta-feira (03) as páginas do FBI e da Scotland Yard na internet, de acordo com a agência de notícias Associated Press. Segundo a notícia, o Anonymous revelou uma gravação de 15 minutos em que aparece uma teleconferência das entidades dedicada a processar os membros de um grupo de piratas da internet.

A autenticidade da gravação não pôde ser verificada e há suspeitas de que foi editada para retirar os nomes de alguns suspeitos em discussão. Também não foi revelado o modo como os hackers conseguiram gravar a chamada, mas o grupo publicou um e-mail supostamente enviado por um agente do FBI que deu detalhes e uma senha para acessar a ligação.

A Scotland Yard prepara um comunicado a ser divulgado ainda nesta sexta. Em nota, o FBI afirmou que a gravação da teleconferência entre agentes do órgão e da Scotland Yard “foi destinada apenas a policiais e foi obtida ilegalmente”. O departamento está buscando os responsáveis pelo grampo.

Hackers intensificam seus ataques

Nos últimos meses, o grupo Anonymous faz ataques a páginas de governos, instituições financeiras e órgãos públicos de diversos países, inclusive o Brasil. O site do Banco Central brasileiro foi a última vítima da versão brasileira do grupo, nesta sexta-feira (03). Os ataques sucederam uma série de outras ações contra bancos do país esta semana.

Na manhã desta sexta, o grupo colocou no Twitter que o site do BC seria alvo de um ataque de “teste para calibrar as nossas armas”. Logo em seguida, a página não carregava. Pouco depois, voltou a carregar normalmente.

Procurado, o BC ainda não tem uma posição oficial. Desde a segunda-feira o mesmo grupo tem clamado a autoria de ataques a páginas de bancos. Na segunda-feira foi o site do Itaú, e, nos dias seguintes, Bradesco, Banco do Brasil e HSBC sofreram problemas, este último inclusive com sua página global.


Extraído do sítio do Sul21

01 fevereiro 2012

BRASIL ESTÁ ENTRE OS MENOS PREPARADOS PARA ATAQUES DE HACKERS, DIZ ESTUDO

Estudo avalia percepção de especialistas sobre a cibersegurança em 23 países.

O Brasil foi apontado como um dos países menos preparados para ataques cibernéticos em um ranking de 23 nações presente em um recém divulgado estudo produzido pelo centro de pesquisas belga Security Defense Agenda (SDA) e pela empresa de antivírus McAfee.


Dos países analisados pelo estudo, nenhum obteve a nota máxima (5) de total prontidão contra ataques virtuais.

O Brasil teve nota 2,5, ao lado de Índia e Romênia, ficando à frente apenas do México.

Os mais bem-colocados no ranking são Israel, Finlândia e Suécia, com nota 4,5.

"A infraestrutura e tecnologia (de segurança cibernética) na América Latina e Caribe tende a estar desatualizada, e esse ainda é o caso no Brasil", diz o capítulo sobre o país.

"Até agora, a corrupção policial e a falta de legislação para combater crimes cibernéticos constituem o calcanhar de Aquiles do Brasil. Ciberataques contra usuários (de sites de bancos) estão acima da média mundial."

Exemplos de ataques estão ocorrendo nesta semana, quando hackers brasileiros estão alvejando sites de bancos. Na segunda-feira, o site do Itaú ficou indisponível por alguns momentos; nesta terça, o mesmo está acontecendo com o site do Bradesco.

'Hackers em vantagem'

O estudo Cyber Defense Report foi feito a partir de entrevistas com mais de 300 analistas e autoridades em segurança cibernética de governos, empresas, organizações internacionais e da academia, segundo a SDA.

Uma de suas conclusões é de que os hackers estão, em geral, em situação de vantagem, "atacando sistemas com fins de espionagem industrial e política ou para praticar roubos".

Países como China, Itália e Rússia tampouco receberam boas notas no ranking - 3, de um máximo de 5. Estados Unidos, Grã-Bretanha, Espanha, Alemanha e França ficaram com nota 4.

As notas levam em conta a adoção de medidas básicas - como firewalls (dispositivos que protegem contra hackers) adequados e proteção antivírus - e outras mais sofisticadas, como educação e grau de informação do governo.

Para Raj Samani, da McAfee, o ranking é subjetivo, mas é justamente essa sua validade.

"(O ranking) dá a percepção da prontidão (dos países) na opinião de pessoas que entendem e trabalham com cibersegurança diariamente", diz.

As ameaças, é claro, variam de país para país.

No caso do Brasil, Raphael Mandarino, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicações da Presidência da República, diz no estudo que, como o país não está envolvido em guerras, "não vemos o espaço cibernético como um campo de batalhas".

"Nossa cibersegurança foi criada essencialmente para proteger a infraestrutura interna de departamentos, o que faz com que nossa situação seja muito diferente da dos EUA", afirma.

No caso de Israel, porém, a principal ameaça vem de "Estados e de grandes organizações criminosas", afirma ao estudo um conselheiro de segurança do premiê Binyamin Netanyahu, afirmando que o país montou uma força-tarefa para avaliar ameaças virtuais ao abastecimento de água e de energia, por exemplo.

O país foi recentemente alvo de diversos ataques cibernéticos de grande escala, afetando, por exemplo, sites da Bolsa de Valores e de companhias aéreas.
Compartilhar informações

"A infraestrutura e tecnologia (de cibersegurança) pela América Latina e Caribe tende a estar desatualizada, e esse ainda é o caso no Brasil"

Cyber Defense Report

O relatório diz que é necessário aumentar o compartilhamento de informações em nível global para se proteger de ameaças.

"Criminosos cibernéticos se conectam através de distintos países", diz o estudo. "Se são espertos, passam pelos países onde sabem que não existe nenhuma cooperação. Eles estão compartilhando informações - precisamos fazer o mesmo."

As conclusões foram elogiadas por Joss Wright, integrante do Instituto de Internet de Oxford. Mas, em entrevista à BBC, ele faz uma ressalva sobre a viabilidade do compartilhamento de informações.

"São recomendações já feitas nos últimos dez anos", declara Wright. "Adoraria ver o compartilhamento de informações, mas, quando se trata de segurança nacional, existe (entre os países) uma cultura de não compartilhar."


Extraído do sítio da BBC Brasil

14 dezembro 2011

BRASIL SE ARMA CONTRA GUERRA VIRTUAL E CRIA CENTRO ESPECIAL DE DEFESA

Iniciativa do Ministério da Defesa inclui simulações de ataques numa eventual guerra cibernética. Exposição a riscos no Brasil é considerada alta, e país é um dos maiores propagadores de vírus e spams na rede mundial.

Segurança cibernética é pauta para o Ministério da Defesa;
A internet virou assunto de segurança nacional no Brasil. Depois dos Estados Unidos e Alemanha, o país segue a tendência mundial e se prepara para dar vida ao Centro de Defesa Cibernética, que será administrado pelo Exército. Previsto inicialmente para entrar em operação no fim de 2011, a data da inauguração, no entanto, não foi confirmada pelo Ministério da Defesa. Ao que tudo indica, as informações nesse setor são tratadas com o mesmo sigilo que operações militares.

O Brasil quer reunir recursos humanos de excelência para ter armas para lutar numa eventual guerra cibernética. "O governo quer criar uma rede nacional de excelência, integrando iniciativas das universidades, empresas e centros de pesquisa", explica Kalinka Castelo Branco, especialista em segurança na internet da Universidade de São Paulo, USP, uma das parceiras do futuro Centro.

O quão grande é essa ameaça cibernética, a ponto de levar os governos a se equiparem? "Se seu computador, tablet, ou outro equipamento está conectado à internet, existe a possibilidade de um ataque virtual", resume Ascold Szymanskyj, vice-presidente para a América Latina da empresa especializada em segurança digital F-Secure.

E os crackers, definição atualizada de hackers com intenções criminosas, estão prontos para tirar proveito das redes menos protegidas. "Quando esses criminosos detectam que um setor é mais vulnerável, é lá que vão atacar", analisa Szymanskyj.

O governo brasileiro coleciona ataques maliciosos a arquivos secretos: em junho último, o banco de dados do Exército foi invadido e links no Twitter com dados pessoais de quase mil funcionários das Forças Armadas foram divulgados. Outros sites, como o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, também já foram atacados.

Criatividade e crime

Dentro das estatísticas geradas pelo mundo online, o Brasil ocupa uma posição nada honrosa: é um dos maiores produtores de vírus e spams, juntamente com alguns países do Leste Europeu. "Já há alguns anos temos essa triste classificação no mundo", afirma Szymanskyj.

Para a empresa especializada em segurança digital, fundada na Finlândia, alguns comportamentos explicam essa "liderança" ao avesso. "O fato de o brasileiro estar muitas horas conectado influencia. E isso leva a um segundo passo, que é se utilizar da internet para aplicar golpes", complementa Szymanskvj, lembrando que a criatividade da população também é manifestada na criação de vírus virtuais.

Estima-se que, só em 2010, crimes cibernéticos no Brasil geraram custos de 104,8 bilhões de reais – 25,3 bilhões de reais seriam frutos de roubo direto. Um estudo da empresa Norton feito em 24 países publicado recentemente mostrou que 80% dos entrevistados no Brasil já foram vítimas de golpe online, analisou o especialista em segurança virtual Adam Palmer.

Kalinka Castelo Branco aponta que a principal meta do Centro será proteger as informações – porque prever os ataques é praticamente impossível. Isso quer dizer, por exemplo, fazer mais uso da criptografia. Além de reunir e avaliar informações, o serviço criado pelo governo vai tratar incidentes e simular ataques numa eventual guerra cibernética.

Corrida de gato e rato

A diferença no nível de proteção, segundo a F-Secure, está no que cada país pode aplicar em tecnologia. Segundo especialistas em segurança digital, o Brasil se classifica numa situação de risco alto: é uma economia emergente, existe a preocupação em aumentar a proteção cibernética, mas também existe vulnerabilidade. E os crackers aproveitam isso.

"A ideia é que o Brasil esteja preparado para ações maiores como a Copa e as Olimpíadas, que a gente tenha uma rede nacional segura, para que o país não esteja tão exposto", avalia Castelo Branco sobre a importância do Centro de Defesa Cibernética.

A decisão brasileira de aumentar a vigilância online foi saudada. "O terrorismo pode se utilizar dessas invasões. E o governo precisa se preparar, porque essa é uma ameaça muito silenciosa e os perigos são imensos, principalmente porque toda a sociedade é dependente da internet", conclui Szymanskyj.

Para Castelo Branco, a era da guerra cibernética já começou. "Todas as informações, sejam privilegiadas ou não, trafegam pela rede. Qualquer um pode pegar esses dados e fazer qualquer uso deles – são desde sites de pornografia até sites com confecção de bombas. Pode não ter ainda um país atacando o outro, mas as informações estão lá."

Extraído do sítio da Deutsche Welle