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12 abril 2013

DOCUMENTOS REVELAM LIGAÇÃO ENTRE MARIN E A ALA RADICAL DA DITADURA

Abertos para a consulta pública desde 1º de abril, os arquivos do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) começam a trazer à tona as primeiras revelações inconvenientes que relacionam personalidades públicas e políticas à ditadura. A primeira vítima dos documentos militares é o atual presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e do COL (Comitê Organizador Local), José Maria Marin, conforme levantamento dos repórteres Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos, do portal UOL.

Documentos revelam que Marin se aliou a militares para obter vantagens políticas durante a ditadura e tinha conexões com órgãos repressores, como o Dops. Foto: José Cruz/ABr

Segundo a reportagem, os documentos analisados comprovam que Marin teve ligação com a ala mais radical do governo militar, além de possuir conexões com órgãos de vigilância e de repressão e de ter feito elogios ao regime. A fonte das informações são os arquivos do Dops, do SNI (Sistema Nacional de Informação) – ambos órgãos que reuniam as investigações do regime – e da Assembleia Legislativa.

Carreira política

A reportagem lembra que Marin estreou no mundo político com 31 anos, sob o cargo de vereador da cidade de São Paulo, em 1964, pouco antes do golpe militar. Meses depois, o cartola abandonou o partido ao qual era filiado, o PRP (Partido de Representação Popular), para unir-se em 1966 à Arena (Aliança Renovadora Nacional), partido da ditadura.

Este foi o início de sua ascensão sob a tutela e apoio da ala radical da ditadura. Do lado do regime, Marin foi alçado à presidência da Câmara de Vereadores graças a manobras nos bastidores do Ministério da Justiça, cujo titular era Gama e Silva, e de militares, segundo os documentos do SNI. Gama e Silva foi o jurista responsável por redigir o AI-5 (Ato Institucional-nº 5), medida que cassou direitos políticos e instituiu o período mais negro da ditadura no fim de 1968.

Sempre segundo o UOL, a análise dos documentos do SNI descreve os caminhos de Marin na Câmara e o que seus companheiros parlamentares pensavam da atuação do atual dirigente esportivo: “[Marin] É considerado fraco por seus pares. Consta que sua candidatura tem apoio de círculos militares e de elementos ligados ao ministro da Justiça.” E, depois, o organismo analisou seu trabalho à frente da Câmara: “todos os atos de Marin (…) são “sugeridos” pelo esquema que o elegeu presidente da Casa”.

Aliado fiel

Os documentos, tanto no SNI quando no Dops, também mostram que não houve registro de atitude “subversiva” da parte de Marin. O comportamento regrado do político era visto como fidelidade ao regime e, com isso, não demorou para Marin ascender na política durante a ditadura.

Outro movimento político chave para Marin, segundo apurou o UOL, foi a troca de correntes entre os governistas. De acordo com os registros, o presidente da CBF traiu Luis Roberto Alves da Costa, que o levara à presidência da Câmara dos Vereadores, para se aliar ao prefeito biônico Paulo Maluf. Irritado com a traição, Alves da Costa tentou trabalhar contra Marin, sugerindo até a cassação de seu mandato, o que nunca ocorreu.

Os arquivos também mostram que Marin seguiu próximo ao regime nos anos seguintes, tendo participado da posse do general Emilio Garrastazu Médici, que depois virou presidente, no comando do III Exército. 

Morte de Herzog

Já em 1975, o político fez dois discursos pedindo providências sobre a TV Cultura. Ele dizia que algumas reportagens não retratavam corretamente o governo e causavam “intranquilidade” nos lares paulistas. Pouco depois, o jornalista da emissora Vladimir Herzog foi preso e assassinado pelo DOI-Codi, organismo de repressão.

Um ano depois, na Assembleia, Marin elogiou o delegado Sergio Paranhos Fleury, um dos líderes do instrumento de repressão do Dops, onde Herzog morreu. “Não só honra à polícia de São Paulo, como também há muito é motivo de orgulho inclusive à população de São Paulo”, discursou.

Para Marin, os benefícios do golpe eram “indiscutíveis”, não podendo restar dúvida sobre isso.

Com esse discurso, ele se tornou vice-governador pela Arena, em 1978, na chapa encabeçada por seu antigo aliado Paulo Maluf.

Os indícios de sua ligação com aspectos mais truculentos do regime não cessaram como mostra um relatório do CISA (Inteligência da Aeronáutica), de 1980, sobre assalto ao jurista Dalmo Dallari Gama.

Reconhecido defensor da democracia, Dallari foi espancado e acusou um grupo paramilitar de direita como responsável pela ação. Segundo ele, o então vice-governado tinha ligações com a agressão. O político negou e prometeu que o Dops, o órgão acusado de repressão na década de 1970, iria apurar o caso.

Já como governador, após a renúncia de Maluf, Marin passou a ser protegidos por policiais do Dops. O departamento de polícia registrou cada viagem ou participação do político em eventos públicos, como revelam os boletins do órgão. O objetivo era identificar se havia protestos contra o governador e contra o regime.

Questionado pelo UOL Esporte sobre os fatos relatados nos arquivos da ditadura, Marin se negou a falar sobre o assunto. Em texto à Folha de S. Paulo, publicado na quarta-feira 10, afirmou que era do partido do governo, mas que era “sabido por todos (…) que os deputados não tinham o menor poder sobre os órgãos do Estado”. E completou: ”Ninguém deve negar a própria biografia. E a minha vida pública sempre foi (…) pautada pelos princípios republicanos que até hoje me guiam”, disse, afirmando ter aprendido que “liberdade e justiça” devem andar juntas.

O atual presidente da CBF ainda ressaltou que, como governador, extinguiu o Dops de São Paulo.

Extraído do sítio CartaCapital

31 março 2013

MARIN TEM NÃO DE DILMA; PRESSÃO NA CBF AUMENTA


Presidente da CBF queria aproveitar o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que anistia dívidas de clubes de futebol, para enfim ser recebido pela presidente, mas novamente obteve resposta negativa; no auge do regime militar, arenista José Maria Marin discursava a favor do torturador Sérgio Paranhos Fleury, enquanto ela era presa e torturada; presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro quer a renúncia do cargo na CBF; petição na internet ultrapassou meta de 50 mil nomes; pede para sair, Marin!

Alvo de críticas e protestos para que deixe o cargo de presidente da CBF, José Maria Marin recebeu uma nova forma de ataque. E agora da presidente Dilma Rousseff. O cartola, que finalmente esperava ser recebido pela presidente para uma audiência, a fim de discutir o projeto de lei do deputado Vicente Cândido (PT) – que anistia dívidas de clubes em troca de investimentos em esportes olímpicos – recebeu resposta negativa e terá de se contentar em encontrá-la apenas em eventos, como já vinha fazendo.

A informação, publicada na coluna Radar On-Line, de Veja, só atesta que a relação dos dois não é nada além de distante. Marin, que como deputado estadual por São Paulo na década de 70 foi um ferrenho defensor do regime militar, não é visto com bons olhos por Dilma, que foi presa e torturada durante a ditadura. Os dois nunca tiveram um encontro desde que ele assumiu o cargo, em março do ano passado, e desta vez, os áudios divulgados na internet que revelam críticas do dirigente contra o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, certamente foram o estopim para sua moral.

Novo inimigo

Como se já não bastassem os protestos que pedem sua saída da Confederação, Marin ganhou agora mais um inimigo de peso. O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, cobrou sua renúncia, fazendo coro à versão de que ele contribuiu para a prisão do jornalista Vladimir Herzog, que foi torturado e acabou sendo morto no período da ditadura.

"Marin foi um fiel servidor dos militares na ditadura e, pelo que se diz, também delator. Com essas credenciais, não pode continuar no cargo de presidente da CBF", afirmou Damous, segundo o jornalista Felipe Patury, de Época. A acusação ganhou uma petição na internet do filho do jornalista, Ivo Herzog, pedindo para que a CBF não seja presidida por um apoiador do regime militar enquanto o Brasil sedia os maiores eventos de futebol mundiais, a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, em 2013 e 2014.

O abaixo-assinado já reuniu quase 55 mil nomes, superando a meta proposta inicialmente, de 50 mil. Entre os assinantes estão artistas e parlamentares como Chico Buarque, Ana de Hollanda, Chico Alencar, Ivan Valente e Marcelo Freixo. Marin também pode passar ser convocado a prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade para esclarecer suas posições. Afinal, como escreveu Zuenir Ventura, seria irônico um admirador do torturador Sérgio Paranhos dirigir a CBF num país presidido por quem já foi torturada.

Extraído do sítio Brasil 247

01 março 2013

LOUCOS X RAZÃO, O JOGO DO SÉCULO - José Roberto Torero


Kevin Espada morreu. 

Tinha 14 anos e morreu num estádio de futebol. 

Pelo seu olho direito, que via o jogo do seu time, entrou um sinalizador a mais de 300 quilômetros por hora. 

Imagino os amigos de Kevin voltando às aulas e vendo sua cadeira vazia. Imagino sua mãe preparando o café da manhã e colocando, por engano, um prato a mais na mesa. Imagino seu pai entrando no seu quarto e esvaziando gavetas, colocando sapatos em caixas, enrolando uma bandeira de futebol.

Imagino estas tristes cenas, mas sei que na verdade isso é uma perda de tempo. O importante é pensar no futuro. Nada trará Kevin de volta. Mas pode-se impedir que outros garotos morram, e matem. 

O primeiro passo é proibir a entrada de sinalizadores e afins nos estádios, e melhorar a revista na entrada, que é bem relaxada em outros países. 

Mas também é preciso punir. Não apenas para castigar o assassino, que provavelmente não quis matar ninguém (mas matou). Mas para evitar que outras mortes tolas como esta aconteçam.

É preciso punir a ideia de que um clube vale mais que uma vida, a ideia de que o futebol é algo realmente importante. Ele não é. É só um esporte, um negócio. Importante mesmo é a vida, esta coisa frágil, delicada, que um dia certamente vai se acabar, mas que queremos que dure o máximo possível, e não apenas 14 anos.

Regras para os desregrados

O artigo 11 do novo regulamento da Conmebol, aprovado para esta Libertadores, diz que as associações e clubes podem ser punidos por comportamento inadequado da torcida. Já o artigo 18 diz que as punições possíveis são “advertência, repreensão, multa, anulação de jogo, perda de pontos, atuar com portões fechados, proibição de jogar num estádio ou num país e exclusão da competição (presente ou de edições futuras)”. 

Como foi cometido o crime máximo, a pena deve ser máxima. 

E esta punição não é só um castigo para a torcida e para o clube. Mais do que isso, repito, é para prevenir futuros crimes, para evitar futuras mortes. 

A punição é moralizadora. A impunidade é um incentivo à continuidade dos erros. Está aí a política nacional que não me deixa mentir. 

Mas não se pense que a torcida corintiana é a primeira ou a única a levar este tipo de artefato para o estádio. Os inchas do Peñarol, por exemplo, adoram jogar fogos de artifício na torcida adversária. Se este clube já tivesse sido punido, talvez Kevin Espada estivesse vivo. A Conmebol, por burrice, já perdeu muitas chances de educar os torcedores e civilizar a Libertadores. Não pode perder mais esta.

Para mim não interessa se o menor H.A.M., que se apresentou como culpado é realmente o assassino. Talvez seja, talvez não (e a favor desta última hipótese há o fato da feliz coincidência de o garoto ser menor de idade, e de seu advogado insistir na culpa de seu cliente, algo raro, no mínimo). 

Torcidas distorcidas

Para mim interessa a questão esportiva, já que esta é uma coluna sobre esporte. E a morte de Kevin Espada traz as torcidas organizadas de volta ao debate. Elas devem ser proibidas ou não? 

Por uma questão de princípio, sou contra impedir qualquer movimento organizado. Daí acho que elas não devem ser proibidas. Mas elas têm que ter menos importância. As organizadas se mostraram pouco úteis. Eu tinha fé que elas poderiam ser o começo de uma mudança profunda no futebol, mas não foi o que se viu. Elas não pediram transparência de gestão, quase nunca as vi se mobilizando contra a corrupção de seus dirigentes. Parecem ser mais uma massa de manobra, apoiando aqueles que lhes dão ingressos, passagens e carne para churrasco.

Outro fator é que elas afastam o torcedor comum. No final das contas, em vez de contribuírem para o aumento da renda nos estádios por ser um público fiel, as organizadas acabam espantando os desorganizados. A queda do número de torcedores nos estádios não é fruto apenas da diminuição dos lugares. 

Apesar dos problemas gerados pelos torcedores fanáticos, eles vêm sendo glamurizados. Seus sacrifícios insanos são transformados em pauta, seja montar um museu do clube em sua casa, seja gastar o dinheiro que não tem para ver seu time jogar num país distante. Até certa parte da imprensa diz que é poético fazer parte de um bando de loucos. E isso não se aplica só aos corintianos, porque loucos há em qualquer torcida. 

Na verdade, acredito que esta glamurização é muito lucrativa para muita gente. Para os patrocinadores, que veem seus produtos cada vez mais expostos, e para as tevês, que têm cada vez mais espectadores para o futebol (e o aumento das cotas pagas pelas redes é prova disso). 

Aliás, a busca de lucro é que deve ter impedido o Corinthians de desistir da Libertadores em sinal de luto. Há tantos interessados (tevês, patrocinadores e empresários de jogadores) que seria arriscado, financeiramente, tomar uma atitude nobre como esta. Mas será que para o patrocinador é bom ter sua marca associada à morte de um jovem de 14 anos? 

Um estádio de futebol pode ser o lugar mais feliz do mundo. Mas os loucos e os burros podem transformá-lo num cemitério.

Extraído do sítio Carta Maior

20 fevereiro 2013

FIFA CONFIRMA TECNOLOGIA DA LINHA DO GOL NA COPA DE 2014


Entidade abre concorrência para definir sistema ideal, que será usado também na Copa das Confederações deste ano. Objetivo é auxiliar árbitros em lances duvidosos.

Após a realização de extensivos testes, a Fifa confirmou nesta terça-feira (19/02) que a chamada tecnologia da linha do gol (TLG) será utilizada na Copa do Mundo de 2014 e na Copa das Confederações deste ano, no Brasil.

"O objetivo é utilizá-la para ajudar os árbitros, instalando um sistema em cada um dos estádios. Após a correta instalação da mesma, serão realizados testes com a arbitragem antes dos jogos", explica a Fifa em seu website.

O anúncio desta terça-feira já era esperado. Desde a Copa de 2010, quando foi anulado um gol claro do inglês Frank Lampard contra a Alemanha, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, passou a defender o uso de certas tecnologias para auxiliar o árbitro. Em julho passado, a IFAB, órgão da Fifa responsável por definir possíveis mudanças nas regras, aprovou o uso do sistema na linha do gol.

Duas tecnologias foram testadas no Mundial de Clubes do Japão, em dezembro passado. Uma, chamada Hawk-Eye, usa um sistema de câmeras. Outra, GoalRef, utiliza sensores magnéticos nas traves e um chip instalado dentro da bola para realizar a confirmação de um gol. Quando a bola cruza a linha de fundo, um sinal é enviado a um relógio usado pelo árbitro. As duas já foram aprovadas pela Fifa.

Uso de chip na bola é um dos sistemas disponíveis


Como há outras tecnologias disponíveis no mercado, a Fifa abrirá uma concorrência para definir qual empresa fornecerá os sistemas para as duas competições no Brasil. Espera-se que outros dois sistemas, ambos alemães, também entrem na disputa. Um vencedor deverá ser anunciado até abril.

Em princípio, a decisão não torna o uso do sistema obrigatório em competições nacionais. No ano passado, em evento no Rio de Janeiro, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, sugeriu que a tecnologia seria deixada como legado para o Brasil nos 12 estádios da Copa em que for instalada. Os sistemas testados no Japão custam entre 150 mil e 190 mil dólares cada.

Sistemas aprovados

O Hawk-Eye (olho de falcão) é um tecnologia oriunda do tênis e vem da Inglaterra. Até seis câmeras são utilizadas para gravar imagens do jogo. Estas são enviadas para um computador, que avalia a posição da bola e, em caso de gol, envia um sinal para o relógio de pulso do juiz. Um ponto fraco: se um jogador cobrir a bola com o corpo, não é possível gravar a imagem.

O GoalRef tem a decisiva participação do Instituto Frauenhofer de Erlangen, na Alemanha. Nesse sistema é criado um campo magnético na área do gol e outro dentro e ao redor da bola, sempre que ela se aproxima do gol. A criação do campo magnético dentro e ao redor da bola é possível graças a um chip, embutido dentro da bola. A interação entre os dois campos magnéticos é captada por sensores instalados nas traves. Por meio das alterações no campo magnético na área do gol é possível determinar a posição exata da bola. Também nessa tecnologia, um computador envia um sinal para o relógio de pulso do juiz.

Extraído do sítio Deutsche Welle

08 fevereiro 2013

EUROPOL INVESTIGA ESQUEMA DE MANIPULAÇÃO DE JOGOS EM 15 PAÍSES


Investigadores encontraram evidências de que centenas de jogos foram manipulados ao redor do mundo. Quadrilha de apostas com base na Ásia seria responsável pelo esquema.

A Europol (polícia europeia) divulgou nesta segunda-feira (04/01), em Haia, ter descoberto o maior escândalo de apostas do futebol mundial, com manipulações em mais de 680 jogos disputados entre 2008 e 2011.

Estão na lista partidas da Liga dos Campeões, de campeonatos nacionais de ponta da Europa e de eliminatórias da Copa do Mundo e da Eurocopa. "Para nós é certo que este é o maior caso de todos os tempos nesse setor", disse o diretor da Europol, Rob Wainwright.

No total, 425 jogadores, juízes e dirigentes estariam envolvidos. As manipulações teriam acontecido em 15 países e renderam 8 milhões de euros aos criminosos. Uma quadrilha organizada com base na Ásia seria a responsável pelo esquema.

Em torno de 380 jogos foram disputados na Europa, e os demais 300 na África, na Ásia e nas Américas Central e do Sul. "Temos evidências para 150 desses casos, e as operações eram comandadas de Singapura, com propinas de até 100 mil euros por jogo", afirmou o investigador Friedhelm Althans, da polícia de Bochum, na Alemanha.

Wainwright disse que a manipulação alcançou "um nível nunca antes atingido" e que o problema é muito grande. "Isso é só a ponta do iceberg", acrescentou. Nomes de jogadores e clubes não serão revelados enquanto durarem as investigações.

Extraído do sítio Deutsche Welle

07 fevereiro 2013

INFILTRADO ENTRE AS TORCIDAS, EXTREMISMO DE DIREITA AINDA AMEAÇA FUTEBOL ALEMÃO - Ronny Blaschke


Extremistas são uma minoria entre os torcedores alemães, mas ganham espaço entre as torcidas organizadas de forma silenciosa. Para especialista, estádios oferecem clima propício para a xenofobia e o racismo.

Os Aachen Ultras (ACU) sempre se consideraram uma torcida organizada politizada e antirracista. Um grupo que sempre declarou seu amor pelo Alemannia Aachen e também se engajou na luta contra o racismo, o antissemitismo e a homofobia. Isso não agradou alguns torcedores, especialmente a Karlsbande, a "gangue de Karl", uma torcida organizada mais radical e que se descreve como apolítica. Por "apolítica" entenda-se que a Karlsbande está aberta a todos que torcem para o Alemannia, até mesmo neonazistas e bandidos.

Nesse contexto, os Aachen Ultras não eram vistos como defensores dos valores democráticos, mas tidos como extremistas de esquerda e provocadores. Eles foram intimidados por causa de sua postura política, ameaçados, atacados. No estádio e também fora dele, por meses a fio.

A diretoria do Alemannia Aachen, um clube empobrecido que disputa a terceira divisão, sempre negou apoio à causa do ACU. Por fim, determinou sanções contra a Karlsbande, mas não as implementou de forma permanente. Algumas semanas atrás, os Aachen Ultras desistiram. "Não vemos perspectiva alguma em continuar lutando no estádio contra uma estrutura de torcidas de tendência direitista", diz um membro da torcida que deseja permanecer anônimo.

Torcedores do Borussia Dortmund mostram faixas contra extremistas de direita
Ressentimentos florescem

A situação é inédita no futebol alemão. "É triste e chocante que um grupo de jovens dedicados à luta contra a discriminação seja abandonado de tal forma por seu próprio clube e que, decepcionados, decidam parar suas atividades", comenta Patrick Gorschlüter, porta-voz da Aliança de Torcedores Ativos (Baff, na sigla alemã), que luta contra a discriminação há quase 20 anos.

Gorschlüter observa que os extremistas de direita têm se tornado mais agressivos nos últimos tempos. Em Dortmund, torcedores mostraram, com uma grande faixa, sua solidariedade a um grupo neonazista proibido. Em Braunschweig, um grupo antirracista publicou um prospecto comprovando a ligação entre neonazistas e torcedores do time líder da segunda divisão do futebol alemão, o Eintracht. Casos de discriminação foram relatados também em Düsseldorf, Duisburg, Dresden e Kaiserslautern. Em toda parte, o que acontece é que uma minoria enfraquece a maioria.

De acordo com o pesquisador Wilhelm Heitmeyer, padrões depreciativos como racismo, sexismo ou homofobia estão profundamente enraizados na sociedade alemã. Segundo ele, quase 50% da população acredita haver estrangeiros demais vivendo na Alemanha.

"O estádio é o único lugar em que este padrão de depreciação alcança um grande público, sem penalidades", diz Heitmeyer. O culto da masculinidade, a mobilização das massas em um espaço confinado, emoções, patriotismo local e álcool fazem ressentimentos aflorar com mais facilidade no ambiente futebolístico. "Há um esquema amigo-inimigo", argumenta Heitmeyer. "Os torcedores querem delimitar espaço em relação a seus adversários e enfraquecer seus oponentes, também pela discriminação." Esse clima é propício para os ativistas de extrema direita, conclui.

Ação de neonazistas é erroneamente reduzida à pirotecnia em estádios
Disputas políticas

Diferentemente da década de 80 e 90, neonazistas não vão aos estádios empunhando bandeiras e símbolos nazistas, como resultado de padrões modernos de segurança e do trabalho profissional dos clubes com os torcedores. Em vez disso, os extremistas usam códigos e se mantêm discretos. Eles são ativos em bares, trens com torcedores, fóruns de internet. Para muitos meios de comunicação, essa conduta desperta pouco interesse, pois não produz imagens espetaculares para a televisão, com fogos de artifício ou torcedores provocando tumultos.

A consequência é uma percepção distorcida da realidade, de acordo com o cientista social e pesquisador de torcidas Gerd Dembowski, da Universidade de Hannover. "No debate atual sobre segurança no futebol, neonazismo e racismo são apenas uma nota de rodapé, sempre associados à violência e à pirotecnica."

Torcedores alemães organizaram muitos protestos contra as novas medidas de segurança nos estádios impostas pela Federação Alemã de Futebol (DFB) e da Liga Alemã de Futebol (DFL). Segundo o blog alemão publikative.org, especializado em notícias sobre discriminação e neonazismo, também grupos extremistas das cidades de Chemnitz, Halle e Colônia tiveram participação nos protestos para que o número de manifestantes fosse o maior possível.

Dembowski afirma que, assim, grupos antirracistas podem estar perdendo influência junto aos torcedores. Muitos desses grupos se afastaram dos grandes movimentos, muitas vezes por causa de desavenças políticas. Resta saber se, nesta atmosfera carregada, os velhos hooligans de direita voltarão à cena, como o Borussenfront, de Dortmund, ou o Standarte, de Bremen.

Pouco dinheiro para prevenção

Heitmeyer salienta que o extremismo de direita está em constante transformação. Quando estruturas fixas, como o Partido Livre dos Trabalhadores Alemães (FAP), foram proibidas, os neonazistas passaram a se organizar em estruturas menos rígidas, em associações ou em grupos definidos como "nacionalistas autônomos". Mas qual é o papel do futebol nisso tudo?

"Temos que fortalecer as torcidas organizadas que lutam contra a discriminação nos estádios de futebol", opina Michael Gabriel, diretor do Centro de Coordenação de Projetos para Torcidas. Assistentes sociais cuidam de torcedores em mais de 50 entidades dedicadas a jovens, mas o trabalho de prevenção contra o extremismo de direita progride com dificuldade, por causa de falta de financiamento para boa parte dos projetos.

Os Aachen Ultras se despediram das arquibancadas na partida entre o Alemannia e o Viktoria de Colônia. Quase 300 torcedores contrários aos racismo, vindos de toda a Alemanha, estiveram no estádio para mostrar sua solidariedade. Os membros dos Aachen Ultras vão continuar lutando contra discriminação, porém não mais dentro dos estádios. Pelo menos por enquanto.

Extraído do sítio Deutsche Welle

25 janeiro 2013

UEFA DEFINE QUE EURO 2020 SERÁ REALIZADA EM 13 PAÍSES


A Eurocopa de 2020 será espalhada por todo o continente europeu, confirma a Uefa. Em 12 países vão ocorrer três jogos da fase de grupo e uma partida eliminatória. Final e semifinais serão realizadas num 13º estádio.

Treze estádios em 13 países sediarão a Eurocopa de 2020, anunciou a Uefa nesta sexta-feira (25/01), após uma reunião do seu comitê executivo em Nyon, na Suíça. Conforme decidido em dezembro do ano passado, esta será a primeira vez que a competição será realizada em mais de um ou dois países.

Estádios de 12 países vão ser, cada um, palco de três jogos da fase de grupos e de uma partida da fase eliminatória. As duas semifinais e a final serão disputadas num 13º país. "Não queremos incluir apenas uma região, mas sim toda a Europa. De leste a oeste, de norte a sul", destacou o presidente da Uefa, Michel Platini. A Federação Alemã de Futebol (DFB) é uma das que já sinalizou interesse.

Cada uma das 53 federações de futebol europeias poderá candidatar-se duas vezes, uma para ser sede de três jogos da fase de grupos e um da fase eliminatória, e uma segunda para sediar a fase final. Mas apenas uma das candidaturas poderá ser aprovada, resultando na participação de 13 países. O processo de escolha começará em abril e o anúncio das cidades-sede será feito em setembro de 2014.

Extraído do sítio Deutsche Welle

08 janeiro 2013

MESSI, DE NOVO: O MELHOR JOGADOR DO MUNDO


O ano de 2012, no qual Lionel Messi pulverizou recordes, fecha com chave de ouro e, claro, com um novo feito: o argentino é o primeiro a conquistar pela quarta vez a Bola de Ouro da Fifa.

Em noite de premiações e cheia de estrelas, quem brilhou, mais uma vez, foi o craque argentino Lionel Messi. Na cerimônia Bola de Ouro Fifa, realizada em Zurique na noite desta segunda-feira (07/01), o argentino foi coroado pela quarta vez seguida como o melhor jogador do mundo. Um feito inédito e que está atrelado a outros incríveis feitos do jogador do Barcelona em um ano de 2012 espetacular:

– Primeiro jogador a marcar cinco gols em uma só partida na Liga dos Campeões desde 1992, quando a competição deixou de ser chamada Taça dos Clubes Campeões Europeus.

– Com 14 gols na temporada, Messi é, pela quarta vez consecutiva, artilheiro da Liga dos Campeões, feito alcançado somente pelo alemão Gerd Müller.

Os três candidatos a Bola de Ouro 2012: Messi, Cristiano Ronaldo e Iniesta
– O argentino marcou 68 gols em uma temporada européia de futebol (de agosto de 2011 a maio de 2012), superando a marca de Gerd Müller de 67 gols (1997-1993).

– Com 73 gols e 29 assistências na temporada 2011-2012, Lionel Messi conquistou a chuteira de ouro, prêmio dado ao maior artilheiro da Europa.

– Messi marcou 50 gols no campeonato espanhol na temporada 2011-2012, quebrando o recorde da temporada anterior de Cristiano Ronaldo (40 gols).

– Messi tornou-se o maior goleador do Barcelona em clássicos contra o Real Madrid (17). O argentino também é agora o maior artilheiro da história do Barcelona, ultrapassando a lenda César Rodriguez com 234 gols marcados.

– Com a incrível marca de 91 gols, o craque quebrou ainda os recordes de Pelé (número de gols marcados em um ano) e de Gerd Müller (gols marcados em 12 meses).

Lionel Messi venceu a votação com 42% dos votos. Em segundo lugar ficou o português Cristiano Ronaldo, com 24%; e em terceiro, o companheiro de Barcelona Andrés Iniesta, com 11% dos votos.

A votação funciona da seguinte maneira: treinadores e capitães de todas as seleções, além de um jornalista de cada país do mundo, votam em três jogadores. Cada voto tem um peso diferente. O primeiro escolhido recebe cinco pontos, o segundo três pontos e o último apenas um ponto.

Marta e Neymar ficam de mãos vazias

O Brasil esteve bastante presente na cerimônia da Fifa. Teve apresentação de capoeira, Ronaldo Fenômeno apresentando o Fuleco, mascote da próxima Copa do Mundo e até Luis Felipe Scolari anunciando o prêmio para a melhor treinadora do ano.

Ronaldo, o fenômeno, e o mascote da Copa do Mundo de 2014, Fuleco
Concorrendo ao prêmio de melhor jogadora do mundo, a brasileira Marta, recordista com cinco conquistas, não conseguiu repetir a façanha. A norte-americana Abby Wambach foi eleita a melhor jogadora do ano passado, com 21% dos votos. Marta ficou em segundo lugar, com 14%, seguida pela também norte-americana Alex Morgan, com 11%.

O menino prodígio Neymar, vencedor do último Troféu Puskas para o gol mais bonito do ano, não conseguiu o bicampeonato. Em votação popular, Miroslav Stoch, jogador da Eslováquia e do Fenerbahçe da Turquia, venceu a disputa. Além dos dois, ainda concorria ao prêmio o colombiano Radamel Falcao. A curiosidade desta disputa é que em todos os três gols, as assistências foram dadas por jogadores brasileiros. Stoch e Falcao marcaram após cobranças de escanteio de Alex, hoje no Coritiba, e Diego, hoje no Wolfsburg, respectivamente.

Luis Felipe Scolari entregou o troféu de melhor treinador de uma equipe feminina de futebol do ano para a sueca Pia Sundhagen, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos com a seleção feminina dos Estados Unidos. Ela agradeceu a conquista cantando "If not for you", da cantora Olivia Newton John. Concorriam ainda os treinadores Bruno Bini, da França, e Norio Sasaki, do Japão.

Já no quesito melhor treinador de equipes masculinas, não teve para ninguém. Vicente Del Bosque, atual campeão do mundo e europeu de seleções com a Espanha, desbancou o português José Mourinho e o ex-treinador do Barcelona Pep Guardiola.

Assim como já havia feito o presidente da Fifa, Joseph Blatter, na abertura da cerimônia, Del Bosque destacou a coragem do atleta ganês Kevin-Prince Boateng em abandonar o campo devido a ofensas racistas. O técnico espanhol lamentou o fato e teceu críticas ao racismo no futebol.

Bola de Outro é a premiação mais importante do futebol mundial
FifPro XI e outros premiados

Durante a cerimônia foi anunciada também a equipe que representa os 11 melhores jogadores do ano de 2012. Curiosamente, todos os atletas escolhidos jogam no campeonato espanhol e em apenas três clubes distintos. Os escolhidos foram:

Goleiro: Iker Casillas (Real Madrid – Espanha)

Lateral-direito: Dani Alves (Barcelona – Brasil)

Zagueiro: Gerard Piqué (Barcelona – Espanha)

Zagueiro: Sergio Ramos (Real Madrid – Espanha)

Lateral-esquerdo: Marcelo (Real Madrid – Brasil)

Volante: Xabi Alonso (Real Madrid – Espanha)

Meio-campo: Xavi Hernández (Barcelona – Espanha)

Meio-campo: Andrés Iniesta (Barcelona – Espanha)

Atacante – Cristiano Ronaldo (Real Madrid – Portugal)

Atacante: Lionel Messi (Barcelona – Argentina)

Atacante: Radamel Falcao (Atlético de Madrid – Colômbia)

Completaram a noite ainda os troféus entregues à Federação de Futebol do Uzbequistão (FIFA Fair Play) e a lenda do futebol alemão Franz Beckenbauer (FIFA Presidential Award), pelos serviços prestados ao futebol durante toda a sua carreira como jogador, treinador e dirigente.

Extraído do sítio Deutsche Welle

04 janeiro 2013

JOGADORES DO MILAN DEIXAM CAMPO APÓS OFENSAS RACISTAS

Kevin-Prince Boateng, natural de Gana e jogador do Milan, é ofendido por torcedores

Um jogo de futebol entre o Milan e o time da segunda divisão italiana Pro Patria foi suspenso depois que os jogadores deixaram o campo após sofrerem ofensas racistas.

A FIGC (Sigla da federação italiana de futebol) anunciou que uma investigação será realizada sobre o caso.

Parte da torcida do Pro Patria cantou músicas racistas para ofender jogadores de origem africana do Milan.

Aos 25 minutos do primeiro tempo do amistoso, após o início das ofensas, o atleta Kevin-Prince Boateng - que é de Gana e atua no Milan - pegou a bola do jogo e a chutou em direção à torcida.

Em seguida, Boateng retirou sua camisa - ato que foi imitado por outros jogadores.

Organizadores do evento usaram o sistema de som do estádio para pedir que a torcida parasse com as ofensas.

Mais tarde, Boateng escreveu em sua conta no Twitter: "É uma vergonha que coisas como essa ainda aconteçam... Parem com o racismo para sempre".

O presidente da FIGC, Giancarlo Abete, classificou o episódio como "inqualificável e intolerável" por meio de uma nota publicada no site da entidade.

"Temos que reagir com força e sem silêncio para isolar alguns poucos criminosos que transformaram um amistoso em um tumulto que ofende todo o futebol italiano", diz a nota.

Enquanto se retirava do campo, Boateng aplaudiu determinados setores do público que reagiram desaprovando os colegas que estavam na área da arquibancada de onde partiram as ofensas.

A partida foi logo suspensa e o Milan anunciou por meio de seu site que outros jogadores negros do time - M'Baye Niang, Urby Emanuelson e Sulley Muntari - também foram ofendidos.

O técnico do Milan, Massimiliano Allegri, afirmou ter ficado "desapontado" com o episódio. "Precisamos acabar com esses gestos não civilizados. Nos desculpamos com todos os outros torcedores que vieram para ver um belo dia esportivo".

"Prometemos retornar e nos desculpamos com o clube e os jogadores do Pro Patria, mas não poderíamos ter tomado uma atitude diferente".

Massimiliano deu apoio irrestrito á saída de campo dos jogadores do time.

Sinal

"Isso tudo é muito triste, mas nós tivemos que dar um sinal forte. Estamos muito orgulhosos de nossos jogadores por sua decisão", disse à BBC Sport Umberto Gandini, um diretor do Milan.

O episódio provocou reações de outros jogadores e da sociedade civil. Vincent Kompany, o capitão do Manchester City, apoiou a atitude dos jogadores do Milan.

"Eu só posso elogiar a decisão do Milan de deixar a partida".

Piara Powar, diretor da organização FARE (sigla de Futebol Contra o Racismo na Europa) disse que a federação de futebol italiana deve adotar uma ação de força.

"Elogiamos Kevin-Prince Boateng por suas ações e seus colegas de time pelo apoio que deram a ele", disse Powar.

"A Itália, assim como qualquer pais da Europa, tem que lidar com um sério problema de racismo. Esperamos uma ação forte da FIGC", disse.

Extraído do sítio BBC Brasil

Insultos racistas irritam Boateng e Milan abandona amistoso

27 agosto 2012

PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA NA BUNDESLIGA CAI PELA METADE - Antônio Netto


Valorização do real, crise na Europa e interesse de outros mercados por jogadores brasileiros são algumas das explicações para a queda no número de craques oriundos do Brasil no Campeonato Alemão.

A Bundesliga iniciou a temporada 2012/2013, que comemora os seus 50 anos de criação, com um número reduzido de jogadores brasileiros. Este ano, apenas 18 atletas do Brasil atuam em clubes da primeira divisão. Para se ter uma ideia, este número é a metade dos que atuaram, por exemplo, na temporada 2008/2009.

A boa situação da economia brasileira, a crise do euro e o assédio por parte de outros mercados de futebol são algumas das explicações para essa redução, segundo atletas ouvidos pela DW Brasil.

Mercado brasileiro em alta

Ainda há poucos anos os contratos milionários para jogadores de futebol vinham quase exclusivamente da Europa. O sonho de qualquer jogador brasileiro era se destacar numa equipe nacional e logo partir para atuar num grande time europeu. Mas essa perspectiva está mudando.

Se, por um lado, a Europa está sofrendo uma forte crise, que se reflete também nos investimentos e na publicidade no futebol, o Brasil surge como uma das potências econômicas emergentes, capaz de investir e manter os grandes craques no país.

Neymar recusou contratos com times europeus para ficar no Santos
É o caso, por exemplo, de Neymar, que renovou seu contrato com o Santos até 2014, deixando de lado propostas de clubes como Real Madrid, Barcelona e Chelsea.

Nos últimos três anos, os times brasileiros têm criado verdadeiros projetos publicitários, investindo na repatriação de jogadores que atuaram na Europa, como Adriano, Ronaldinho Gaúcho e, no caso mais concreto da Bundesliga, Cícero, que jogava no Wolfsburg e foi para o São Paulo disputar o Brasileirão.

Além disso, com a proximidade da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, os jogadores também têm interesse em mostrar o seu desempenho nos gramados do país – a visibilidade e a boa atuação podem garantir uma vaga na equipe nacional.

Para o lateral Rafinha, que durante cinco anos jogou no Schalke e agora está no Bayern de Munique, a redução no número de jogadores brasileiros no Campeonato Alemão é apenas uma fase. "O real está forte e os jogadores brasileiros acabam ficando caros. Fora isso, o fato é que os brasileiros querem ficar no Brasil e acabam ganhando a mesma coisa ou até mais jogando em seu país e perto dos familiares", afirmou à DW Brasil.

Na Europa, com exceção de grandes equipes que conseguem manter contratos milionários, os times sofrem com a crise e buscam investimentos em outros mercados ou nos jogadores do próprio país.

Para o atacante Grafite, que defendeu o Wolfsburg por quatro anos na Bundesliga, "os alemães não estão investindo pesado e os jogadores do Leste Europeu são opções mais baratas".

Oriente Médio e Ásia

Jogador Grafite trocou o Wolfsburg pelo Al-Ahli, dos Emirados Árabes
A trajetória de Grafite é um exemplo do aquecimento do mercado de futebol do Oriente Médio. Após ajudar o Wolfsburg a ser o campeão alemão em 2009 e de ter sido o artilheiro do campeonato, com 28 gols, o jogador foi contratado no ano passado pelo Al-Ahli, dos Emirados Árabes.

O interesse por jogadores brasileiros também cresce na Ásia. "A China está pagando muito bem, pois estão querendo estabelecer uma liga competitiva. Muitos jogadores estão indo jogar lá. Aqui no Oriente Médio está acontecendo o mesmo no Catar e nos Emirados Árabes", disse Grafite.

O jogador contou ainda que a liga na qual atua investiu em técnicos como Zenga, Quique Flores e Maradona e em jogadores como Trezeguet, Gian e Luiz Gimenes. "Tudo para ajudar o crescimento do futebol no país."

Difícil adaptação

Nem sempre é fácil para um jogador brasileiro deixar o país e se adaptar à vida na Europa. Rafinha, que já está na Alemanha desde 2005 e passou também uma temporada no Campeonato Italiano, lembra que "não é todo mundo que consegue se adaptar a uma nova cultura, nova língua, costumes diferentes e à falta do sol e da família".

Se adaptar ao Oriente Médio é um pouco mais simples, diz Grafite, pois "todo mundo fala inglês e o clima é parecido com o do Brasil".

Para ele, apesar do menor número de jogadores brasileiros na Bundesliga, a presença do futebol verde-amarelo ainda é expressiva na Alemanha.

"A parceria entre Brasil e a Alemanha tem uma tradição muito grande. O Brasil é um mercado importante para a Alemanha e vários jogadores brasileiros tiveram sucesso na Bundesliga. O brasileiro leva um diferencial ao Campeonato Alemão e eles sabem disso. Imagino que o brasileiro sempre será importante e terá destaque na Bundesliga", afirmou Grafite.

Extraído do sítio Deutsche Welle

17 agosto 2012

FILHO SUECO DE GARRINCHA FALA COM ORGULHO DE PAI QUE NÃO CONHECEU - Claudia Varejão Wallin

Ulf soube que era filho de Mané Garrincha aos 8 anos
Único filho homem vivo de Garrincha, o sueco Ulf Lindberg fala com orgulho do pai que nunca viu.

"Não há ninguém como Garrincha", disse Ulf em entrevista por telefone à BBC Brasil de sua casa em Halmstad, no litoral oeste da Suécia. Seu estilo de jogar era e sempre será único", acrescentou ele.

Ulf classificou como uma "catástrofe total" a atuação da seleção brasileira na final da Olimpíada de Londres no sábado, que deu vitória ao México por 2 a 1.

"Fiquei furioso. A seleção jogou constrangedoramente mal. Foi uma catástrofe total. E apesar de Pelé ter dito que Neymar é tão bom quanto (o argentino Lionel) Messi, não foi isso que vimos no gramado", desabafou.

Ulf nasceu de uma aventura amorosa de Garrincha (1933-1983) com uma jovem sueca em 1959, durante uma excursão do Botafogo pela Suécia.

Nesta terça-feira, ele chega a Estocolmo como convidado especial da cerimônia de despedida a Råsunda, a arena em que o pai brilhou na final da Copa de 1958. Na quarta-feira, as seleções de Suécia e Brasil se enfrentam em amistoso.

"Råsunda é um símbolo marcante da história de meu pai e do futebol brasileiro. Mas para mim, o estádio mais importante é o de Umeå (cidade do Norte da Suécia): foi em Umeå que Garrincha foi jogar em 1959 com o Botafogo. E graças a isso eu existo", brinca Ulf.

Adoção

Garrincha foi com o Botafogo e
 com a Seleção para a Suécia.
A mãe o entregou em adoção para uma família sueca de classe média quando ele tinha apenas nove meses de idade. Aos sete anos, veio a revelação: os pais adotivos contaram a ele que seu pai era Mané Garrincha, que encantava multidões nos estádios de futebol.

Mas o encontro de pai e filho nunca aconteceu.

"Lamento muito nunca tê-lo encontrado. Até hoje, muitas vezes me pego pensando em como seria bom poder ter conhecido meu pai. E estar com ele agora, dizer o quanto o admiro. Mas não foi possível. Infelizmente, ele tinha problemas sérios com o álcool. Se não fosse por isso, poderia estar hoje aqui entre nós, comemorando o reencontro com os companheiros de 58", disse Ulf.

Em 1977, ele chegou a ter esperanças de ver o pai: um jornal sueco havia divulgado que Garrincha queria conhecer o filho. Chegou a ser combinado que Ulf viajaria no ano seguinte para a Argentina, na Copa de 1978, para encontrar Garrincha, que faria comentários para um canal de TV.

"Mas a viagem não aconteceu. Meu pai bebia muito, e infelizmente já não estava bem", lembra Ulf. Garrincha faleceu em 20 de janeiro de 1983, vítima de uma infecção generalizada.

Restou ao filho continuar buscando o pai em recortes de jornais, filmes de TV, na internet.

"Uma das minhas manchetes de jornal preferidas sobre meu pai aqui na Suécia, depois de um show de dribles dele em Gotemburgo contra a seleção russa, dizia que ele era um talento extraterrestre: 'De que planeta ele vem?'", conta.

Pelé

'Não há ninguém como Garrincha', diz o filho
A cerimônia de despedida de Råsunda vai ser uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o pai. Ulf aguarda pelo momento de encontrar, pela primeira vez, seu ídolo Pelé:

"Quero perguntar a ele o quanto bom de bola meu pai era. Mas quero saber principalmente como Garrincha era como pessoa. Vai ser bom encontrar também seus outros amigos de 58, e ouvir suas histórias sobre meu pai. Quero ter lembranças positivas dele".

Filho de brasileiro com sueca, ele diz que vai torcer pelas duas seleções no amistoso desta quarta-feira. E revela seus favoritos:

"Neymar faz jogadas inacreditáveis, mas não é o meu jogador preferido. Sempre gostei de Robinho, é uma alegria vê-lo jogar. Mas meu grande favorito é Ronaldinho Gaúcho".

Quiosque de salsichas

Aos 52 anos, divorciado, o filho do célebre campeão mundial de 1958 na Suécia e 1962 no Chile ganha a vida trabalhando em um quiosque de salsichas de Halmstad. Nem Ulf nem os quatro filhos - Jonas, de 25 anos, Martin, de 22, e os gêmeos Hendrik e Linnea, de 14 anos – falam português. Mas a paixão pelo futebol é quase unânime.

"Só o Jonas não joga", diz Ulf, que teve sua tentativa de jogar futebol frustrada por uma doença óssea na adolescência.

Garrincha é o terceiro da direita para a esquerda

Martin sofreu lesões sérias no joelho durante um treino há dois anos e meio, e só recentemente voltou a treinar como meio-campo no Oskarströms, um pequeno clube nos arredores de Halmstad. Apesar da sua gritante semelhança física com o pai, segundo Ulf nem ele nem Martin têm as pernas tortas de Garrincha:

"São só ligeiramente tortas, não são como as de meu pai", diz ele. As lesões de Martin limitam agora sua chance de brilhar no gramado. Ulf aposta nos gêmeos – Hendrik treina no Halmstads, clube de elite local, e Linnea joga no Centern:

"Os dois são bastante talentosos. Marta é a jogadora favorita da Linnea, ela tem verdadeira adoração", conta Ulf.

Mãe

Ulf é o 14º filho reconhecido de Manuel Francisco dos Santos, o Garrincha. No Brasil, já esteve três vezes. Pouco antes da primeira viagem, quando participava de um documentário sueco em 2005, acabou descobrindo que também nunca ia conhecer a mãe biológica: ela falecera meses antes.

Daquela primeira viagem ao Brasil, ficou a lembrança da emoção forte de ter encontrado as irmãs – são dez as filhas de Garrincha, que também teve quatro filhos.

"Naquele momento, ser o filho de Garrincha tornou-se mais real para mim", relembra Ulf, que também visitou o túmulo do pai no distrito de Pau Grande, em Magé (RJ).

A nova viagem ao Brasil já tem data:"Adoro o sol, adoro o calor, adoro os quiosques de Copacabana. Daqui a dois anos estarei lá" – promete, referindo-se à Copa de 2014.

Extraído do sítio BBC Brasil