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31 março 2013

O TERRORISMO DE ESTADO DA ADMINISTRAÇÃO OBAMA - Miguel Urbano Rodrigues


As contradições entre grandes potências e gigantes transnacionais não desapareceram, mas não são já antagónicas. Um imperialismo colectivo substituiu o imperialismo, responsável pelas guerras mundiais do seculo XX. O pólo (e motor) desse novo imperialismo situa-se nos EUA e é ele que, pela sua agressividade e irracionalidade, configura uma ameaça à humanidade.

A crise que a Humanidade enfrenta não tem precedente. Pelas suas características, por ser global e universal, difere das anteriores.

A maioria da Humanidade tem dificuldade em compreender a sua gravidade e dar-lhe combate porque uma monstruosa engrenagem de desinformação transforma a mentira em verdade e o crime em virtude. Utilizando-a como instrumento de uma estratégia de dominação planetária, o sistema de poder dos Estados Unidos tenta – com a cumplicidade dos governos da União Europeia e do Japão - criar sociedades de senhores e escravos de novo tipo, povos robotizados, um mundo que responda aos interesses do grande capital, erigido num valor supremo, quase divinizado.

Para atingir esse objectivo, o imperialismo evoluiu numa metamorfose complexa. As guerras interimperialistas pertencem ao passado. Contradições entre grandes potências e gigantes transnacionais não desapareceram, mas não são já antagónicas.

Um imperialismo colectivo hegemonizado pelos EUA substituiu o imperialismo, responsável pelas guerras mundiais do seculo XX.

O pólo (e motor) desse novo imperialismo situa-se nos EUA e é ele que, pela sua agressividade e irracionalidade, configura uma ameaça à humanidade.

Hoje são os intelectuais progressistas dos EUA os primeiros a denunciar esse perigo que, pelo funcionamento do sistema e a sua tendência exterminista, pode conduzir à extinção da vida na Terra.

Cito entre outros Noam Chomsky, James Petras, Ramsey Clark e o falecido Howard Zinn.

Em entrevista recente à emissora de televisão Russia Today, de Moscovo, o cineasta Oliver Stone e o historiador Peter Kuznik definiram Barack Obama como «lobo disfarçado de cordeiro».

Para Oliver Stone, os EUA são actualmente um Estado Orwelliano. Obama «pegou em todas as mudanças de Bush, introduziu-as no sistema e codificou-as».

Perante uma crise estrutural para a qual não encontra soluções no âmbito da lógica do capital, o imperialismo estado-unidense optou por uma política externa neofascista, promovendo guerras ditas “preventivas” contra povos do Terceiro Mundo para saquear os seus recursos naturais.

Crimes abjectos foram cometidos no Iraque, no Afeganistão, na Líbia. Tribos da Somália e do Iémen são bombardeadas com frequência em guerras não declaradas. A Intervenção militar no Uganda inseriu-se nos planos do Africa Comand que se propõe instalar naquele Continente um exército permanente de 100 000 homens.

No Iraque, na Síria e no Afeganistão, os EUA criaram «esquadrões da morte» inspirados no modelo salvadorenho para assassinar «inimigos» cujos nomes constam de listas elaboradas pela inteligência militar (Chossudovsky, Global Research,4.1.13)

A operação terrorista que visa impor à Síria um governo fantoche está em marcha. O objectivo seguinte será o Irão, único país muçulmano cujo governo não se submete aos ultimatos de Washington. Mas a China é já apresentada como o grande obstáculo à dominação planetária dos EUA. Dois terços do poder aeronaval dos EUA foram concentrados no Extremo Oriente e aquele país está cercado por uma rede de bases militares norte-americanas.

Na reformulação da estratégia do Pentágono, os drones - aviões sem piloto- substituíram os bombardeiros tradicionais. Os melhores pilotos da USAF, instalados diante de maquinas sofisticadas em bases dos EUA, comandam os ataques criminosos desses engenhos contra aldeias do Paquistão e do Afeganistão o próprio presidente Obama quem seleciona em listas que lhe são entregues os inimigos a serem abatidos, supostamente da Al Qaeda ou Talibans. Milhares de camponeses têm sido assassinados pelos drones nessas acções criminosas. O Pentágono lamenta, mas conclui que se trata de «danos colaterais inevitáveis».

Centenas de bases militares dos EUA, instaladas em mais de quinze países, são prova indesmentível da estratégia exterminista do Pentágono.

Um número record de suicídios nas Forças Armadas no ano passado foi interpretado por influentes media como manifestação do mal-estar crescente nelas implantado.

No plano interno os EUA atuam já – a expressão é de Michel Chossudovsky- como um Estado totalitário e policial de fachada democrática.

A Base Militar de Guantánamo permanece aberta como centro de tortura de presos.

Invocando o Espionage Act, a Administração Obama encarcerou sem as levar a tribunal mais cidadãos do que qualquer das anteriores.

O actual governo, segundo Peter Kuznick, intercepta diariamente 1.700.000 mensagens privadas entre emails e chamadas telefónicas. Aproximadamente um milhão de pessoas «com habilitação de segurança máxima» garantem o funcionamento desse aparelho secreto de espionagem.

Em 1946, as quatro potências ocidentais que haviam destruído o III Reich de Hitler julgaram em Nuremberg a 22 dos grandes criminosos de guerra nazis e enforcaram onze deles.

Hoje, transcorridos 66 anos, o presidente dos EUA, responsável pelo cargo que exerce por uma estratégia exterminista e repugnantes crimes contra a Humanidade, é premiado com o Nobel da Paz.

A Historia ensina-nos que os povos oprimidos e agredidos tardam quase sempre a levantar-se contra a tirania. Mas acabam por se insurgir e destruir os sistemas que a impõem.

Essa lei histórica permanece válida.

O capitalismo ainda poderoso, mas ferido de morte, hegemonizado pelo sistema de poder desumanizado do imperialismo estadunidense, será destruído e erradicado da Terra, pátria do homem.

* Comunicação ao Seminário Internacional «Os Partidos e uma Nova Sociedade» do Partido do Trabalho, Cidade do México, Março de 2013.

Extraído do sítio O Diário

22 outubro 2012

POLÍTICA EXTERNA DOS EUA NÃO VAI MUDAR DEPOIS DA ELEIÇÃO - Spencer Kimball


Obama e Romney se esforçam para expor diferenças nas suas propostas para a política externa. Mas o próximo presidente irá encarar uma dura realidade e terá pouca margem de manobra.

Durante a campanha eleitoral, o ex-governador de Massachussets Mitt Romney procurou apresentar uma alternativa à política externa do presidente Barack Obama. Romney anunciou que pretende liderar os Estados Unidos para o próximo "século americano" atuando com "clareza e firmeza" no cenário internacional.

A retórica de Romney mira a parcela do eleitorado que vê os EUA como o país mais importante do mundo, mas que perdeu influência por causa de dez anos de guerra e a pior crise financeira desde a Grande Depressão. Apenas 24% dos americanos dizem que seu país tem hoje um "papel mais importante" como líder mundial do que há uma década, segundo um estudo do Conselho de Chicago sobre Assuntos Globais.

"Quando Obama foi eleito, a avaliação predominante era a de que os Estados Unidos haviam se engajado demais em algumas regiões. Essa avaliação se manifestou claramente na decisão de sair do Iraque", comentou o especialista em política externa americana Stephen Walt, da Kennedy School of Government, na Universidade de Harvard. "Mesmo quando Obama decidiu se engajar ainda mais no Afeganistão, ele deu um prazo."

Durante a intervenção ocidental na Líbia, Obama liderou de forma indireta
Diferenças no tom

Os Estados Unidos, já envolvidos em conflitos em vários regiões do mundo, começaram a agir de forma mais cautelosa durante o governo Obama. Em maio de 2011, durante a guerra civil na Líbia, um assessor do presidente disse à revista New Yorker que ele estava "liderando por trás", ou seja, de forma indireta.

Em outras palavras, Obama apenas criou as condições políticas e logísticas para a ação dos aliados na Otan contra o avanço militar do coronel Muammar Kadafi sobre os rebeldes – sem que Washington tivesse que oficialmente liderar a intervenção.

A declaração foi lenha na fogueira dos conservadores, que rejeitam categoricamente que os Estados Unidos deixem a primazia em questões externas a uma outra nação ou organização. Durante a convenção republicana em Tampa (Flórida), em agosto deste ano, a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice disse, sob aplausos, que "nós não temos escolha, não podemos ser relutantes ao liderar, e não se pode liderar por trás".

"Romney tende a adotar um tom mais triunfalista", diz Walt. "Ele claramente enfatizou seu compromisso com o que a maioria das pessoas chama de excepcionalismo americano, de que os EUA são uma nação diferente, com responsabilidades diferentes, e um conjunto de valores diferente do resto do mundo."

Romney enfatizou seu compromisso com o excepcionalismo americano
"A ameaça interna"

Mas a capacidade de um país afetado por problemas econômicos de liderar um mundo imprevisível e agitado por revoluções é limitada, opina o especialista em política externa americana Josef Braml, do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

"Se Romney vencer, ele também terá de se adaptar à realidade", opina Braml. "Falar costuma ser fácil. Mas se ele de fato for eleito, terá de transformar suas ações em palavras, e aí vai perceber que será confrontado com as mesmas realidades."

Essas realidades não resultam de uma caótica ordem mundial em movimento, mas principalmente das alterações sociais e econômicas internas que dividem os Estados Unidos, diz Braml.

Ele argumenta que o deficit nos gastos das famílias e do governo alcançou um limite insustentável. E que o estímulo econômico e a extensão dos cortes de impostos do governo Bush estão alcançando o limite de sua efetividade. Ao mesmo tempo, o governo está paralisado por causa da briga entre a presidência democrata e uma Câmara dos Deputados dominada por republicanos.

"A maior ameaça aos EUA não é externa, ela vem da fraqueza interna", argumenta Braml. "Quando você olha para a avaliação da segurança nacional, é a mesma coisa. Não estou prevendo o desmoronamento de mais uma superpotência, mas devemos ter cuidado. A ameaça interna é muito importante e limita o espaço para manobras em outros assuntos."

Os EUA procuram reduzir a presença dos militares no Oriente Médio e na Ásia Central
"A discussão política termina à beira d'água"

Estas fraquezas internas – crescimento econômico abaixo do esperado e desemprego em alta – têm sido o foco primário da campanha presidencial e a área que marca as reais diferenças entre os dois candidatos, principalmente nos aspectos política fiscal e sistema de saúde.

Mas como o senador republicano Arthur Vandenberg disse em 1947, no começo da Guerra Fria, sobre a política externa americana: "A discussão política termina à beira d'água" [politics stops at the water's edge, ou seja, as questões políticas internas não devem ultrapassar as fronteiras do país e influenciar a política externa. "À beira d'água" é uma alusão às costas leste e oeste americanas]. Mesmo no país polarizado dos dias atuais, o ditado tem muito de verdade.

"Tanto republicanos como democratas estão comprometidos com a liderança americana no mundo. Eles estão comprometidos com os EUA permanecendo como o país com o maior poderio militar", diz Walt. "Eles estão convencidos de que os EUA precisam se envolver na resolução da maioria dos problemas internacionais. Ninguém fala seriamente sobre uma retirada e muito menos sobre isolamento."

Embora Obama tenha sido caracterizado como progressista pelos dois polos do espectro político na eleição de 2008, ele não fez jus à essa avaliação, dizem especialistas, ao menos nas questões internas. O Prêmio Nobel da Paz ampliou a presença no Afeganistão, aumentou o uso de aviões não tripulados no Iêmen e no Paquistão e procura impor sanções mais duras ao Irã.

"O problema central é que Obama, na verdade, tem conduzido uma política de centro, talvez até mesmo de centro-direita", diz Walt. "Não tem sido uma política externa de esquerda, de forma alguma. E isso deixa pouco espaço para Romney conseguir se diferenciar."

Extraído do sítio Deutsche Welle

29 agosto 2012

O QUE VOCÊ NÃO LEU NOS JORNAIS - Marino Boeira


Todo mundo sabe que o lobby judaico nos Estados Unidos elege o presidente e orienta a política externa norte-americana. Não importa se Democrata ou Republicano, nenhum candidato à Presidência se atreve a contrariar os interesses de Israel. A importância do voto dos judeus americanos é tão decisiva que o candidato republicano Mitt Romney, que é mórmon, foi fazer campanha em Israel. Conseguiu a agradar os israelenses e ofender os palestinos ao chamar Jerusalém de capital de Israel e atribuir às diferenças culturais o motivo de a economia israelense ser mais bem sucedida que a Palestina. Até o moderado Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Palestina, reagiu às declarações de Romney, classificando-as de racistas.

A grande imprensa norte-americana, que costuma jogar às claras na hora de se definir sobre qual partido vai apoiar nas eleições nacionais – Democratas ou Republicanos – talvez até porque os dois sejam muito parecidos – é unânime porém na defesa de Israel e raramente publica noticias que revelem o papel agressivo do país nas relações com os palestinos.

E no Brasil? Você como leitor dos nossos grandes jornais, como O Globo, O Estadão, Folha e ZH, costuma encontrar informações isentas sobre o que acontece no Oriente Médio ou elas refletem também um apoio sistemático à política de Israel com seus vizinhos árabes?

Faça um teste. Leia a noticia a seguir, publicada esta semana pelo site Opera Mundi e veja se você a viu em algum dos grandes jornais brasileiros:

Na ofensiva de 2008 e 2009 contra os palestinos da Faixa de Gaza, o exército de Israel matou 1.400 palestinos em apenas três semanas e teve 13 baixas. Num dos ataques, tanques israelenses destruíram uma casa onde estavam umas 30 pessoas. Com bandeiras brancas, homens , mulheres e crianças saíram para a rua em busca de um novo abrigo, entre elas Riyeh Abu Hajai e sua filha Madja. Soldados israelenses abriram fogo e mataram as duas. Como o caso teve grande repercussão, um tribunal das Forças Armadas de Israel acusou um militar, identificado como Sargento “S” de ser o autor dos disparos. Esta semana, saiu a sentença do tribunal. Ele foi condenado a 45 dias de prisão, pela acusação de ter disparado sem autorização dos seus superiores. Você leu certo: 45 dias e não 45 anos, ou 45 meses. O tribunal considerou que não ficou provada a relação direta en tre os disparos do militar e a morte das palestinas, embora o Sargento “S” tenha admitido que atirou na direção daquelas mulheres.

Outra notícia que você provavelmente não leu, se suas únicas fontes são os jornais brasileiros é sobre o relatório publicado no último domingo pela Breaking the Silence (Quebrando o Silêncio), uma organização de antigos oficiais do Exército de Israel dedicada à divulgação das ações militares nos territórios palestinos ocupados, aparentemente uma fonte que não pode ser acusada de estar a serviço dos palestinos. Mais de 30 ex-soldados contaram como trataram crianças e jovens palestinos durantes as operações militares e prisões entre 2005 e 2011, revelando um padrão de abuso e racismo.

Durante uma madrugada em 2009, todas as casas da cidade palestina Salfit, localizada na Cisjordânia, foram invadidas por soldados israelenses. A ordem do Comando Central era prender todas as pessoas que tivessem de 15 a 50 anos e levá-las para uma escola que havia se tornado provisoriamente um centro de detenção. Isso porque a Agência de Segurança de Israel, que realiza o serviço de segurança interna, queria coletar informações sobre as pedras que eram jogadas contra jipes militares nas estradas e ruas ao redor da cidade. Os militares colocaram vendas e algemas de plástico, muitas vezes apertando-as, nos jovens e adultos. Por sete horas, estes palestinos permaneceram sentados sem poder nem se mexer, sem acesso à água e comida, em um sol escaldante. Eles não sabiam por que estavam lá e nem o que seria feito pelos militares — um dos jovens urinou nas calças. Muitos ficaram com as mãos roxas pela falta de circulação sanguínea e outros com os braços dormentes por conta das algemas. Um dos garotos, de apenas 15 anos, pediu para ir ao banheiro e, antes de ser levado por um soldado, foi espancado ainda no chão.

Esta é apenas uma das histórias desse documento, repleto de descrições de intimidações, humilhações, violência verbal e física e de prisões arbitrárias por parte dos militares israelenses em circunstâncias cotidianas na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

Um depoimento de um sargento de Hebron revela com precisão o que esses militares eram ensinados a pensar sobre os palestinos: “Eles eram vermes e em algum ponto, eu lembro que eu os odiava, odiava eles [palestinos]. Eu era um racista, estava tão zangado com eles pela sua sujeira, sua miséria, a porra toda”,

* Marino Boeira é professor universitário.

Extraído do sítio Sul21

25 abril 2012

HORA DE QUEBRAR O GELO - Iliá Krâmnik

O aquecimento global faz com que as regiões polares da Terra se tornem cada vez mais acessíveis. O Ártico, onde se cruzam os interesses de grandes potências mundiais, vem se transformando em palco de novo confrontos. A probabilidade de um conflito armado na região é pequena, mas o choque de interesses econômicos é bem possível.

Foto: Geofoto

Ainda há pouco, o descobrimento do Ártico, resultante do aquecimento global, interessava apenas aos cientistas e jornalistas.

Entretanto, a região vem chamando a atenção de políticos e militares, motivo pelo qual a imprensa internacional começou a escrever com frequência cada vez maior sobre a hipótese de uma “guerra fria” no Ártico.

Paralelamente, os chefes dos Estados Maiores dos países com costa no Ártico têm feito reuniões sobre a paz e segurança na região.

A mais recente delas, realizada no Canadá nos dias 12 e 13 de abril, teve a participação de dirigentes militares de todas essas nações, inclusive a Rússia.

O pano de fundo do encontro foi a intensificação de atividades militares da Otan e da Rússia na região.
"Por enquanto, os eventuais conflitos no Ártico são apenas objetos de discussão e de jogos eletrônicos, dos quais se destaca o recém-lançado “Nawal Warfare: Arctic Circle”, baseado na hipótese de confronto armado entre a Rússia e a Otan no Ártico."
Em março, a aliança internacional realizou exercícios militares de grande envergadura, chamados de Cold Response, em uma zona entre a Suécia e o Canadá.

Os treinamentos envolvendo 16.300 efetivos terminaram com a morte de cinco soldados noruegueses um acidente com o avião de carga militar C-130J na encosta ocidental do Monte Kebnekaise, no norte da Suécia.

A Rússia não ficou atrás e realizou um treinamento com a 200ª Brigada de Infantaria, nos arredores da cidade de Murmansk, simulando uma guerra na região transpolar.

Os exercícios envolveram carros de combate T-80 equipados com um motor de turbina a gás, portanto, mais adaptados às condições do Ártico, assim como navios da Esquadra do Norte da Marinha russa, aviões e helicópteros da Força Aérea e da Aviação Naval.

Interesses cruzados

Os treinamentos da Otan e da Rússia no Ártico têm o mesmo objetivo. Com o crescente acesso à região, todos os principais atores internacionais querem demonstrar seu potencial de combate e ganhar vantagem nessa batalha psicológica.

Claro que ninguém deseja uma “Guerra Quente”. Mais do que isso, um ator potencialmente forte, os EUA, está com as atenções voltadas para regiões muito longes do Ártico, isto é, Afeganistão, Iraque e China.

Ainda assim, uma exploração ativa dos recursos naturais do Ártico e a iminente exploração da rota do Mar do Norte fará do Ártico uma região muito importante.

A situação nas principais rotas marítimas sempre foi motivo de conflito. Basta ver o Mar Mediterrâneo, a região do Chifre de África ou o Estreito de Malaca. Se o Ártico se tornar outro foco de tensão, disputas não tardarão a surgir.

Desse modo, a Rússia se manifesta disposta a defender seus interesses no Ártico e a ampliar sua infraestrutura nessa região do mundo.

O país pretende instalar pelo menos 20 postos de guarda-fronteira, tanto em ilhas como próximos aos nove centros dos ministérios para as Situações de Emergências e dos Transportes que serão construídos por meio do programa de desenvolvimento da rota do Mar do Norte.

As comunicações com o continente serão mantidas através do sistema de comunicação via satélite “Ártico”.

Os postos de guarda-fronteira formarão o primeiro escalão de defesa dos interesses russos no Ártico. Em caso de necessidade, também contarão com o apoio da Esquadra do Norte e as brigadas árticas do exército russo.

Assim como a Rússia, quase todos os países com costa no Ártico dispõem ou estão criando unidades militares treinadas.


Extraído do sítio Gazeta Russa