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05 março 2013

NAZISMO VOLTA A LEVANTAR A CABEÇA NA EUROPA - Svetlana Andreeva


Em 5 de março de 1933, o partido nazi da Alemanha conseguiu um resultado brilhante nas eleições legislativas – 45%. Este foi o início que permitiu a Adolf Hitler mudar radicalmente o caminho da História mundial.

Hoje, a correlação de forças nos parlamentos europeus faz lembrar cada vez mais a situação existente há 80 anos. Há cada vez mais partidos de direita e de extrema-direita, cujas declarações e ações têm que ser tidas em conta pela maioria.

Nas eleições parlamentares e presidenciais nos países da União Europeia, os partidos de direita têm tido altos resultados.

A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, obteve 18% na primeira volta das eleições presidenciais francesas. Na Grã-Bretanha, o Partido da Independência, conseguiu em média 14% nas eleições locais. Os gregos deram 7% dos votos ao partido de extrema-direita Aurora Dourada nas eleições legislativas antecipadas.

Alguns analistas já comparam a disposição de forças nos parlamentos europeus e também nas ex-repúblicas soviéticas com a República de Weimar.

Por enquanto, os partidos de direita não têm a maioria nos parlamentos europeus mas podem formar coalizões e grupos parlamentares. Tal como há 80 anos, tudo isto acontece numa altura de crise econômica. Foi precisamente a crise que motivou o crescimento das tendências radicais, considera Vladimir Zorin, vice-diretor do Instituto de Etnologia e Antropologia da Academia das Ciências da Rússia:

“A União Europeia não resolve a questão do desenvolvimento equilibrado das várias regiões. Em muitos países, especialmente nos que perderam na Segunda Guerra Mundial, há sentimentos revanchistas. Este revanchismo é o motor do radicalismo e de tentativas de rever a História”.

Hoje, em países como a França, a Finlândia, a Áustria, a Grécia, as forças de direita deram um salto colossal. Elas são apoiadas por 10-15% da população, conforme os países. Estes eleitores, na sua maioria, são jovens e a parte mais ativa da sociedade, diz o vice-presidente do Centro de Comunicações Estratégicas, Dmitri Abzalov:

“A crise europeia levou ao crescimento dos mais diversos partidos radicais. Em grande parte, isso é produto dos padrões duplos em relação à condenação do nazismo. Na Ucrânia e nos países bálticos, o nazismo foi “perdoado” e justificado a nível oficial.

Na França e no Norte da Europa, as hipóteses de partidos radicais de direita terem representação parlamentar aumentaram significativamente, o que era difícil de imaginar há 5 ou 10 anos”.

A crise econômica deu possibilidade às forças políticas de tipo nacionalista de obterem um apoio sério entre a população. A crise também foi a razão do fracasso das ideias de multiculturalismo. Não aconteceu uma interpenetração de culturas e tradições, começou, pelo contrário, uma contraposição entre elas.

Na onda das ideias de direita, cada vez mais populares, começou a erosão do conceito de “nazismo”. Parte dos políticos, apoiados a nível oficial, estão até prontos a rever os resultados da Segunda Guerra Mundial, considera Vladimir Zorin.

“O mundo está no limiar de novas mudanças geopolíticas. Isto tem a ver com os acontecimentos no Norte de África, com o que se passa no mundo árabe. Em muitos lugares, a situação é tensa. Muitos tentam utilizar o nacionalismo e o racismo para resolver os problemas atuais. Isto é muito preocupante e um fator importante de uma destabilização futura. Por isso, todas as forças que defendem a verdade histórica, a continuação do desenvolvimento da Europa e do mundo em geral, devem estar vigilantes”.

A História já mostrou uma vez para onde podem levar as ideias nazistas. Aqueles que tentam construir algo em tão duvidoso fundamento provavelmente não se devem lembrar das palavras de George Santayana: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.

Extraído do sítio Voz da Rússia

26 fevereiro 2013

CAOS POLÍTICO EM ITÁLIA AMEAÇA FAZER REVIVER TENSÃO SOBRE O EURO

El Economista, 26 fevereiro 2013

A derrota do primeiro-ministro cessante, Mario Monti, o candidato preferido da UE, nas eleições legislativas e senatoriais italianas, “põe em causa a política de austeridade de Merkel”, escreve o diário económico espanhol.

Monti, que teve apenas 10,1% dos votos para a Câmara de deputados e 9,1% para o Senado, ficou em quarto lugar, muito atrás das coligações de esquerda e de direita lideradas respetivamente por Pierluigi Bersani e Silvio Berlusconi e do Movimento 5 Estrelas de Beppe Grillo.

Este resultado traz nova incerteza às bolsas europeias e a Wall Street, escreve o jornal.

Extraído do sítio Press Europe

23 fevereiro 2013

RETORNO DE BERLUSCONI AO PODER PREOCUPA BERLIM - Martin Koch


Novamente candidato ao governo na eleição deste domingo, ex-premiê caça votos disparando críticas contra Alemanha. Berlim tenta não mostrar preocupação, mas eleição de empresário pode afetar planos de Merkel.

Para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o próximo encontro com um premiê italiano pode ser um reencontro com um velho, embora impopular, conhecido: Silvio Berlusconi foi, entre 1994 e 2011, quatro vezes primeiro-ministro. E analistas consideram bem possível que ele consiga subir ao posto uma quinta vez.

E ironicamente, justamente Merkel pode acabar contribuindo sem querer para uma vitória eleitoral de Berlusconi. O político e empresário de 76 anos culpa a Alemanha pela má situação econômica de seu país, porque Berlim apoiou de forma decisiva as medidas de austeridade impostas pela União Europeia. É com esta posição que Berlusconi vai à caça de votos.

Sorrisos forçados

A relação entre Merkel e Berlusconi sempre foi curiosa. Ambos pertencem à mesma família de partidos conservadores europeus. Mas sempre que se encontravam, a efusiva cordialidade entre ambos parecia sempre meio deslocada. Como se dois parentes distantes que, na verdade, preferem se evitar, tivessem que abrir no rosto um sorriso forçado para a foto de família. "Os dois não têm relação alguma, eles não conseguem conversar entre si, nem mesmo pessoalmente. E na política isso desempenha um papel importante. E eles também não confiam um no outro", define o cientista político Angelo Bonaffi, ex-diretor do Instituto Cultural Italiano em Berlim.

Bolaffi diz que poucos conseguem resistir a poder midiático de Berlusconi
Na campanha eleitoral, o "cavaliere" ─ como Berlusconi gosta de ser chamado, depois que ganhou uma ordem nacional de cavalaria por "mérito do trabalho" ─, vem fazendo acusações contra a Alemanha, apontando Angela Merkel quase como a única responsável pelo fato de a UE ter imposto à Itália um pacote de austeridade tão duro. Aumentos de impostos, cortes no orçamento, crise econômica, tudo é culpa de Merkel. Ele veicula os ataques populistas em sua rede constituída por várias estações de televisão. Com isso, ele possui um enorme poder manipulador, de acordo com Angelo Bolaffi. "Não há muitas pessoas que tenham conhecimento e tempo suficientes para resistir a isso", ressalta o especialista, em entrevista à DW.

Ex-premiê com poder na mídia

Na avaliação do cientista político, é como um ciclo que se fecha. Pois no início de sua carreira política, Berlusconi também usou seu poder de mídia maciçamente para poder chegar a um cargo político. Ele não acredita que o ex-primeiro-ministro consiga chegar novamente ao poder, mas sublinha que, com os 20% de votos que possivelmente receberá, ele já pode ter um papel importante na formação do novo governo.

Bolaffi lamenta que as relações entre Alemanha e Itália tenham sofrido desgaste no passado recente. Ambos os países foram aliados no início do movimento europeu, mas, desde que Berlusconi se tornou primeiro-ministro pela primeira vez, há quase vinte anos, o relacionamento sofreu abalos. Ele rompeu com a tradição de visitar a Alemanha como um dos primeiros países após a posse. De lá para cá, observa Bolaffi, o relacionamento é "precário". Ele ouve com frequência em seu país que Angela Merkel é a responsável pela má situação econômica da Itália, mas quase não ouve nada sobre as medidas de austeridade se deverem à situação atual e serem o caminho certo para sair da crise. Por isso, na opinião dele, não é de admirar o atual clima desfavorável à Alemanha entre os italianos.

Calma tensa

A coalizão de governo em Berlim não parece se interessar muito pelo fato de a campanha eleitoral italiana estar sendo feita às custas da Alemanha. O ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, disse ao jornal Süddeutsche Zeitung que não vai fazer comentários sobre os ataques contra o país nas campanhas eleitorais italianas. "Obviamente não somos partidários na campanha eleitoral italiana", comentou. "Mas esperamos que o curso pró-europeu e as reformas necessárias continuem. Essa é, certamente, a atitude geral do governo alemão", ponderou.

Na opinião de Langguth, reeleição de Berlusconi pode atrapalhar planos de Merkel
Na opinião do cientista político Gerd Langguth, a chanceler e sua equipe não devem estar tão relaxadas em relação a Roma, como querem fazer parecer. Ele acredita que o resultado das urnas italianas pode lançar uma sombra sobre as eleições alemãs de setembro. "A eleição de Berlusconi poderia ameaçar a reeleição de Angela Merkel, porque poderia ser vista como um fracasso da chanceler em fazer valer sua vontade."

Angelo Bolaffi está convencido que, no final, vai prevalecer, novamente, o que já é comum na política do país: uma batalha cabeça por cabeça entre dois ou três partidos, seguida por complicadas negociações de coalizão. O movimento de protesto Cinco Estrelas, do comediante Beppe Grillo, pode ter uma participação importante, já que pode obter até 20% dos votos. Talvez seja formada uma grande coalizão entre o PdL de Berlusconi e o partido de centro-esquerda PD, de Pier Luigi Bersani, que começou a campanha eleitoral como favorito. "Tudo está em aberto, como é comum na Itália", conclui Bolaffi.

Extraído do sítio Deutsche Welle

23 julho 2012

DE REIS INÚTEIS E DE SEUS VASSALOS - Mauro Santayana

Um dos mais ácidos panfletos da História, contra a monarquia, é o livro de Étienne de la Boétie,Discours de la ServitudeVolontaire. É texto de um adolescente prodígio, que o redigiu antes dos 18 anos, conforme seu amigo maior, e a quem o autor confiou os originais, Michel de Montaigne. Étienne morreu aos 33 anos, e Montaigne não se atreveu a publicar o texto famoso, que ficou conhecido anos depois de sua própria morte. Redigido no século 16, só no século 17 o livro passou a ser editado e a ser lido, assim mesmo com muitas cautelas.

La Boétie, no fabuloso talento prematuro, em que se misturam, ao mesmo tempo, certa ousadia que só a boa fé juvenil autoriza, e fantástica erudição clássica, pergunta-se por que os homens se submetem à vontade de um só, sem que nada, nem na natureza, nem na razão, determine essa submissão.

A monarquia de hoje não é a mesma daqueles séculos, em que os reis, não todos, mas muitos deles, comandavam seus exércitos e corriam todos os riscos nas batalhas, como, entre outros soberanos franceses, fizeram Francisco I e Henrique IV. As famílias reais de nosso tempo estão mais para a comédia do que para a tragédia; mais para a farsa do que para o drama. Luis 16 foi o último dos reis a ter a sua cabeça decapitada. Antes dele, Carlos I da Inglaterra, também conheceu o cepo e a lâmina do carrasco. Os Romanov, dominados por um grande embusteiro, que foi Rapustin, eram de um terceiro tipo, o de retardados mentais, não obstante a crueldade com que reprimiam seu povo, e não foram decapitados, mas fuzilados.

Hoje, os poucos príncipes destronados são meros adornos de festas milionárias. Ninguém se preocupou, nem se preocupa mais, em cortar as cabeças coroadas, porque elas não valem muita coisa, a não ser a despesa que os povos pagam, para que encabecem a lista das celebridades inúteis.

Os escândalos da família real espanhola, que estão na ordem do dia, fermentam novamente a reivindicação republicana na península, oitenta e um anos depois da abdicação de Afonso XIII. O retorno da monarquia foi útil ao processo de normalização espanhola, depois da morte de Franco. Todas as forças políticas aceitaram a fórmula, a fim de evitar nova guerra civil. Cumprido esse papel positivo, a instituição começa a ser um estorvo. O rei, neto de Alfonso XIII, nunca aceitou, em sua alma, o regime democrático e, em fevereiro de 1981, segundo indícios fortes, esteve à frente da conspiração militar contra o governo democrático, que levou à invasão do parlamento pelo tenente-coronel Antonio Tejero Molina. O monarca só interveio, com visível contragosto, pela televisão, depois que a reação dos militares democráticos, no interior dos quartéis, e o pronunciamento dos governos vizinhos inviabilizaram o golpe.

Agora, os escândalos reais se sucedem. Enquanto o governo conservador de Mariano Rajoy corta o orçamento social e a Espanha se submete aos ditados da Alemanha, com o povo em desespero protestando nas ruas, revela-se que as despesas da Casa Real chegam a quase seiscentos milhões de euros, incluídos os gastos com as viagens, a manutenção dos numerosos palácios, a segurança da família do soberano pelas forças armadas e outras despesas indiretas.

A insensibilidade do Rei diante do sofrimento do povo que chega, até mesmo, ao escárnio, em certos momentos, como nas caçadas aos elefantes da África e aos ursos da Romênia, vem retirando a credibilidade de seus súditos. Tanto nos meios intelectuais, quanto entre os trabalhadores espanhóis, começa a adensar-se um movimento para o fim do sistema monárquico e a instauração de uma república democrática.

Ontem, a Espanha foi às ruas, em oitenta cidades, para protestar contra a aprovação de medidas de arrocho contra os trabalhadores, entre elas o fim do 13º salário. Em Madri, os bombeiros e os policiais civis, chegaram a solidalizar-se com os manifestantes, e se opuseram a participar da repressão. Um grupo, com seus capacetes postos, desnudou-se. Um cartaz explicava que o governo os deixara “en pelotas”. O clima era o da véspera de grandes acontecimentos.

As nossas relações com a Espanha monárquica devem ser reavaliadas. Com todas as suas dificuldades atuais, as elites espanholas continuam a tratar-nos como se fôssemos colônia de Madri – o que só fomos, e por acidente histórico, entre 1580 e 1640. Em 1580, depois da morte de D. Sebastião, no norte da África, e de seu sucessor, o Cardeal D. Henrique, o trono de Portugal foi ocupado por Felipe II, tio de D. Sebastião. A coroa só foi recuperada para os portugueses, em 1640, pelo Duque de Bragança.

As grandes virtudes do povo espanhol sempre foram, e continuam a ser, insultadas pela sua anacrônica, cara e ociosa nobreza, por nascimento ou pelo êxito nos negócios. E, ao longo de sua história, talvez a Espanha não tenha tido família real tão insignificante, e tão corrompida como a de agora.

As dificuldades econômicas da Espanha de hoje são o resultado desse espírito de presunçosa superioridade de suas elites. Ao entrar para a Comunidade Econômica Européia, e obter vultosos recursos do grupo, os espanhóis, em lugar de investi-los no interior do país, usaram-nos para adquirir empresas na América Latina, principalmente no Brasil. Era uma nova forma de colonialismo que, apesar do saqueio, manso e “legal” de nossos recursos, principalmente depois da embasbacada regência de Fernando Henrique Cardoso, não serviu ao povo espanhol, embora tenha enriquecido muitos banqueiros.

Agora, o próprio genro do Rei é acusado de agir como criminoso, ao lavar dinheiro mal havido e transferir, só para Luxemburgo, mais de 700.000 euros. Suspeita-se de que muito mais dinheiro não honrado foi remetido para o Exterior. Esse genro, Iñaki Undagarin, recebe mais de um milhão de euros por ano, como conselheiro da Telefónica de Espanha para a América Latina. E na América Latina, quem contribui com mais lucros para a empresa espanhola é exatamente o Brasil.

A nossa postura é de solidariedade para com o povo espanhol. Esse grande povo nada tem a ver com esses señoritos que ainda se imaginam no tempo de Carlos V e de Felipe II. Estar com o povo espanhol é não favorecer aqueles que o oprimem.

Extraído do Blog de Mauro Santayana

09 junho 2012

FEDERAÇÕES APOSTAM EM JOGO LIMPO - Simon Bradley

O lateral-esquerdo da Itália Domenico Criscito protesta durante a primeira rodada do Grupo F da Copa do Mundo 2010 em Nelspruit, na África do Sul (Keystone)

Quais são as chances do campeonato europeu de futebol 2012, organizado em conjunto pela Polônia e pela Ucrânia, atingido por escândalos de doping e de manipulação de resultados por apostadores?

Funcionários da Uefa e de outras federações esportivas internacionais reunidos recentemente na cidade suíça de Neuchâtel disseram que estavam confiantes que a Eurocopa 2012 não seria marcada por escândalos. Mas alguns especialistas dizem que as federações estão "cegas" para a realidade.

A União Europeia de Futebol controla os milhões de apostas realizadas pelas 300 a 400 operadoras credenciadas através de um chamado “sistema de alerta precoce para detectar anomalias nos padrões de apostas”.

Todos os anos, cerca 31.000 partidas são examinadas - 1.900 jogos do campeonato europeu da primeira e segunda divisões de suas 53 federações nacionais. Nos últimos dois anos, foram detectadas cerca de 250 partidas com irregularidades nas apostas; 31 partidas da Eurocopa 2012 serão fiscalizadas.

"Claro que estamos acompanhando o que está acontecendo com muita atenção. Mas a Eurocopa 2012 não é uma competição com alto risco de manipulação de resultados, já que será vista por cerca de 200 milhões de pessoas, que acabam sendo 200 milhões de árbitros", declarou Pierre Cornu, responsável do departamento jurídico da Uefa, em uma mesa redonda sobre manipulação de resultados.

"A manipulação de resultados é um problema sério, mas 99,99% de todos os jogos que você assiste são limpos. O 0,01% é certamente preocupante, mas não devemos ficar muito obcecados."

A Interpol estima que cerca de 300 a 500 bilhões de dólares são apostados por ano no esporte. A proliferação de tecnologias que permitem que as apostas sejam feitas em todos os tipos de eventos esportivos, em todo o mundo, através da internet e de celulares, e o crescimento dos mercados ilegais, principalmente na Ásia, tem intensificado a ameaça de manipulação de jogos.

Apesar do otimismo de Cornu, a UEFA continua preocupada. O presidente da organização, Michel Platini, alertou recentemente que a manipulação de resultados estaria "matando o jogo".

Denis Oswald, membro do conselho executivo do Comitê Olímpico Internacional (o COI, sediado em Lausanne) e especialista em manipulação de resultados, concorda com Cornu: "Com tantas pessoas assistindo, não acho que seja algo provável de acontecer. Se eu quisesse manipular uma partida, não seria no Euro 2012".
"A manipulação de resultados é um problema sério, mas 99,99% de todos os jogos que você assiste são limpos" - Pierre Cornu, Uefa
Risco potencial

Mas Hervé Martin Delpierre, diretor do documentário “Sport, Mafia et Corruption”, que passou 18 meses investigando resultados combinados, acha que há um "risco potencial real" que o Euro 2012 seja alvo de irregularidades.

Segundo o cineasta, Cornu foi "excessivamente otimista", já que o sistema de alerta precoce controla apenas sites credenciados.

"Infelizmente, eles estão cegos com relação a 80 a 90% das apostas realizadas em todo o mundo, principalmente na Ásia", disse Delpierre à swissinfo.ch.

O número de apostadores e de modalidades de apostas explodiu. Há uma estimativa de 15.000 sites de jogos online e agora é possível fazer até 300 tipos diferentes de apostas durante o jogo. Dos cinco minutos antes do final, ao número de escanteios durante o primeiro tempo, até quem marca o primeiro gol.

E a ideia de que apenas jogos de pequeno porte são manipulados é falsa, acrescentou Delpierre.

"Se você falar com o pessoal da Early Warning System GmbH ou da Sportradar, que supervisionam a maioria das apostas na Europa, eles vão te dizer que a Champions League e eliminatórias da Copa do Mundo também estão em risco e que já existem fortes suspeitas", observou.

E jogos eliminatórios da Eurocopa não estão livres de qualquer suspeita. A Uefa está investigando alegações de que a eliminatória entre Noruega e Malta para a Eurocopa de 2008 tenha sido fraudada.

Salários não pagos e corrupção

No entanto, o jornalista investigativo Declan Hill, que tem escrito muito sobre manipulações de resultados, foi mais cauteloso. Segundo Hill, os manipuladores de partidas devem provavelmente estar presentes na Ucrânia e na Polônia, mas ele duvida que eles tenham sucesso.

"Há apenas 16 equipes no torneio, nove das quais têm uma boa chance de ganhar e há também algumas zebras. Mas o mais importante é que a maioria das federações de futebol envolvidas pagam seus jogadores ", disse à swissinfo.ch.

"É 'a' questão que o COI e a Fifa vêm se esquivando. Muitas de suas federações nacionais convocam os jogadores para a Copa do Mundo, por exemplo, sem pagar nada, o que abre a porta para os manipuladores."

Em fevereiro, FIFPro, o sindicato mundial de jogadores profissionais, publicou um levantamento de 3.400 jogadores, principalmente da Europa Oriental, revelando que 12% deles haviam sido abordados para forçar os resultados e 23,6% estavam cientes da manipulação de resultados em sua liga. O sindicato concluiu que havia uma ligação clara entre salários não pagos e corrupção.

Manipuladores asiáticos

Segundo Hill, 60 investigações abertas contra manipuladores de jogos estariam relacionadas a uma gangue de 20 a 30 asiáticos de Cingapura, Malásia, Indonésia e Tailândia, que teriam se aliado a outros grupos criminosos no mundo, em lugares como Alemanha, Finlândia e Itália. Mil dirigentes esportivos e jogadores foram presos e 100 pessoas condenadas, acrescentou.

Na Itália, 50 suspeitos foram presos no ano passado em um enorme escândalo de manipulação revelado por promotores em Cremona, que envolve 22 clubes e 33 jogos. Muitas outras pessoas continuam sob investigação.

O primeiro-ministro italiano Mario Monti sugeriu na semana passada que o futebol italiano fosse suspenso por dois a três anos. O técnico italiano Cesare Prandelli disse que não teria nada contra em retirar sua equipe do Eurocopa deste ano.

Organismos esportivos internacionais dizem que têm uma abordagem de tolerância zero com relação à corrupção no esporte e introduziram uma série de medidas, como linhas de denúncia e programas de prevenção.

Mas sem mais apoio do governo e um quadro jurídico harmonizado, vai ser difícil conter o crescente fenômeno.

"No momento, a manipulação de resultados não é uma prioridade para os governos. É realmente uma luta de longo prazo que é muito mais resistente do que a luta contra o doping, dada a escala do problema, os montantes envolvidos e à complexidade das investigações", declarou na mesa-redonda de Neuchâtel o diretor-geral do COI Christophe De Kepper.

Extraído do sítio Swissinfo.ch

08 junho 2012

PARIS QUER "RESPOSTAS URGENTES" À CRISE ANTES DE FALAR DE UNIÃO POLÍTICA DA EUROPA

Ian Langsdon, EPA
A França pretende que sejam dadas “respostas urgentes” à crise europeia e só depois aceita discutir o aprofundamento da união política. Respondendo às posições de Angela Merkel sobre a matéria, o ministro francês dos Assuntos Europeus disse que “a prioridade não é colocar em marcha uma nova reforma institucional”, um ano e meio depois da entrada em vigor do tratado de Lisboa. A chanceler Alemã tinha defendido na véspera um fortalecimento gradual da união política e fiscal no seio da União Europeia como sendo o melhor caminho para ultrapassar a crise.

“A França é a favor de um aprofundamento” da Europa política, disse o ministro Bernard Cazeneuve, mas “a reforma institucional não pode vir antes das respostas urgentes que são exigidas pela crise”.

O reforço da integração política na Europa “não pode ser encarado sem a adesão dos povos, e essa adesão será impossível enquanto a União Europeia não demonstrado a sua capacidade de encontrar respostas para a crise”, acrescentou o ministro de François Hollande.


Europa uma vez mais dividida na resposta à crise

São cada vez mais os parceiros europeus da Alemanha que pedem ações imediatas para apagar o incendio da crise da dívida, mas nas declarações de quinta-feira, Angela Merkel preferiu focar-se no longo prazo, apelando a uma Europa política reforçada e dando como exemplo uma eleição do Presidente da Comissão Europeia por sufrágio universal. 

« Precisamos de mais Europa (…) de uma união orçamental (…) e temos necessidade, antes de mais, de uma união política. Passo a passo devemos abandonar as competências à Europa” declarou a chanceler alemã, que disse também defender uma União a duas velocidades se alguns países se recusarem a seguir nesta direção. 

Eurobonds: Sim? Não? Quando?

Um dos principais pontos de discórdia entre Paris e Berlim continua a centrar-se na questão das obrigações de dívida europeias ou eurobonds. O ministro francês dos Assuntos Europeus disse que as negociações sobre a mutualização da dívida prosseguem, no sentido de elaborar “um roteiro, ou seja um plano, acompanhado de um calendário, que nos permita rer uma perspetiva clara”, na cimeira europeia que se realiza a 28-29 deste mês

“Hoje em dia, a discussão entre a França e a Alemanha já não é tanto sobre se deve haver obrigações europeias, mas sim qual o momento em que estas devem ser tornadas realidade”, explicou Cazenouve.

“Segundo a França, os eurobonds devem ser uma parte da solução para ultrapassar a crise, e podem também servir de catalisador a um processo de integração das instituições. Segundo a Alemanha, eles só podem vir a existir quando a crise já tiver sido ultrapassada no plano financeiro e orçamental e algumas etapas já tiverem sido cumpridas no plano institucional”, acrescentou. 

Alemanha diz que só empresta o seu "cartão de crédito" a troco de federalismo

Este mesmo problema tinha já sido resumido noutras palavras pelo próprio presidente francês na cimeira europeia informal de 23 de maio:

“A opinião alemã é de considerar as obrigações europeias como um ponto de chegada, isto num cenário otimista, enquanto que, para a nós, os eurobonds são um ponto de partida », disse então François Hollande. 

Já a posição de Berlim sobre os eurobonds foi resumida nas declarações recentes do presidente do Banco Central da Alemanha Jens Weidmann:

“Ninguém confia a outra pessoa o seu cartão de crédito se não tiver possibilidades de controlar as despesas que o outro fará. A mutualização da dívida é uma das faces de uma moeda que na outra face tem o federalismo”, disse o presidente do Bundesbank.


Extraído do sítio RTP

EUROCOPA 2012: ENTRE POLÍTICA E ESPORTE - Stefan Nestler



Críticas à situação dos direitos humanos na Ucrânia, coanfitriã da UEFA Euro 2012, dominaram os jornais na contagem regressiva para o torneio. Espanha e Alemanha são principais favoritas este ano.

É a primeira vez em 36 anos que a Eurocopa volta a se realizar no Leste da Europa. A última vez foi em 1976, quando os melhores times de futebol do continente competiram pelo título na Iugoslávia.

Mas o futebol não é o único tema, quando se fala sobre o torneio da UEFA na Polônia e na Ucrânia. Nos últimos meses, o esporte ficou muitas vezes à sombra da política. A detenção da líder da oposição ucraniana, Yulia Tymoshenko, por alegações de abuso de poder enquanto primeira-ministra, dominou as manchetes dos jornais.

Muitos líderes políticos europeus, entre eles o novo presidente francês, François Hollande, não vão viajar para a Ucrânia em protesto contra as violações dos direitos humanos no país. "Amo futebol, mas o que se passa na Ucrânia é um problema", disse Hollande.

Custos explosivos

Ao entregar a realização da Euro 2012 a um Estado da antiga União Soviética, a União das Federações Europeias de Futebol (UEFA) esperava acelerar a democratização do país. Mas a Ucrânia tornou-se um caso problemático, não só no que diz respeito à política.

A UEFA ameaçou retirar a Eurocopa do país várias vezes, devido à lentidão dos preparativos. Além disso, os custos explodiram. Economistas preveem que a Ucrânia saia do torneio com um saldo negativo de bilhões de euros. As perspectivas para a coanfitriã, a Polônia, são bastante melhores, ainda que tenham diminuído as esperanças de um boom econômico depois da Eurocopa.

Promoção para a Euro em Kharkiv, Ucrânia
Espanha e Alemanha são favoritas

Em nível esportivo, os países anfitriões não estão entre os times favoritos ao título europeu. Tanto a equipe polaca como a ucraniana já ficariam contentes se passassem além da primeira rodada do torneio.

A Espanha e a Alemanha são novamente apontadas como favoritas. A equipe espanhola, atual campeã europeia e mundial, dominou o futebol nos últimos anos e lidera os rankings mundiais com margem de vantagem. Ainda assim, estarão ausentes dois jogadores fundamentais: o zagueiro Carles Puyol e o atacante David Villa não vão poder jogar devido a lesões.

A Alemanha é o time mais jovem da UEFA Euro 2012, com uma média etária de 24,4 anos. A maior parte dos comentadores diz que o time tem mais vantagens que a Espanha – ainda que os últimos jogos de preparação tenham passado outra ideia. "Definitivamente, não creio que haverá falhas", disse o treinador da equipe alemã Joachim Löw. A Alemanha não vence a Eurocopa desde 1996.

Time alemão (de camiseta branca) está entre favoritos
No entanto, uma vitória alemã não será fácil. O time vai enfrentar logo na primeira rodada vários ossos duros de roer: Portugal, Holanda (vice-campeã mundial) e Dinamarca. Muitos olham também para a Holanda como possível vencedora da Euro. Neste segundo grupo de favoritos estão também a França e a Itália. Ambas as equipes se recuperaram do mau desempenho na primeira rodada da Copa do Mundo de 2010. A França está incansável: já não perde há 20 jogos. Também a Inglaterra poderá ter algo a dizer na hora da entrega do título.

O jogo de abertura entre os anfitriões da Polônia e a Grécia transcorrerá esta sexta-feira (08/06) na capital Varsóvia. A final se realiza em 1º de julho em Kiev, capital da Ucrânia. Também haverá jogos em Danzig, Breslau e Posen, na Polônia, bem como em Donetsk, Kharkiv e Lviv na Ucrânia.

Grande dispositivo policial

Ambos os países anfitriões estão bastante preocupados com a questão segurança. A Polônia anunciou controles apertados nas fronteiras. Os hooligans deverão ser interceptados logo à entrada no país. Cerca de 10 mil agentes de segurança estarão de serviço durante a Eurocopa.

A Ucrânia terá 7 mil oficiais vigiando as grandes cidades nos dias dos jogos. O governo em Kiev sublinhou que não haverá qualquer tolerância para infratores violentos.

A organização internacional de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional aponta que as forças de segurança ucranianas ultrapassam com frequência os limites legais, ao intervir mais duramente – não só contra elementos da oposição, mas também contra torcedores de futebol.

Extraído do sítio Deutsche Welle

14 maio 2012

PRESIDENTE GREGO PROPÕE GOVERNO DE TECNOCRATAS PARA EVITAR NOVAS ELEIÇÕES

Lideranças políticas da Grécia se reunem de novo nesta terça para tentar formar um governo de tecnocratas. REUTERS/John Kolesidis/Files

O presidente grego, Carolos Papulias, lançou mão de uma última cartada, para evitar novas eleições em junho, diante do fracasso que os partidos ganhadores enfrentam para formar um governo de coalizao, e afastar a ameaça de saída da zona do euro. A proposta de Papulias é a formação de um governo de tecnocratas, ou seja, de personalidades não políticas que tenham o apoio da maioria no parlamento.

Os líderes de todos os partidos representados no parlamento participam nesta terça-feira de nova reunião para discutir a iniciativa do presidente. Antes Papulias terá um encontro a portas fechadas com o conservador Panos Kammenos, cujo partido nacionalista populista ganhou 33 dos 300 assentos nas últimas eleições do dia 6. Até então ele tinha sido mantido à distância das negociações para formar uma coalizão entre os principais vencedores.

O partido de esquerda radical Syriza, que despontou como segunda força política do país ao rejeitar totalemente as imposições do plano de austeridade, também vai estar no encontro. Apenas o partido comunista extremista KKE e os neonazistas do Amanhecer Dourado não foram convocados.

O governo tecnocrata em discussão terá como tarefa flexibilizar e renegociar a longo prazo as medidas de austeridade drásticas impostas à Grécia em troca de assistência financeira da União Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional.

Mas os líderes da zona do euro já deram a entender que se a Grécia não respeitar escrupulosamente as condições do plano internacional de resgate, ela poderá sair do bloco, mesmo que isso possa desestabilizar a moeda única. A crise grega e também a situação na Espanha fizeram com que as bolsas europeias despencassem nesta segunda-feira.


Extraído do sítio RFI

11 maio 2012

O VENTO MUDOU - José Manuel Pureza

Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa.



Não, não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram com clareza os gregos.

A política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que do novo presidente francês não se ouve a palavra rutura, não é menos certo que no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto orçamental imposto por Angela Merkel. Esse vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neoliberalismo - que o aceita e não quer mais do que "humanizá-lo" - ou tem a coragem de lhe contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra cultura económica e política.

Essa é também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente precoce do pacto orçamental ditado de Berlim - para mais, votando a favor -, retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados estão á vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por palavras mas em atos concretos.

O dogma da ilegalização de tudo quanto não seja neoliberalismo-custe-o-que-custar sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.



A lição dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos "radicais". Como se radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa, um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos para a União.

Pode estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está sempre em aberto.

* José Manuel Pureza é dirigente do Bloco de Esquerda, professor universitário.

Extraído do sítio Esquerda.net

10 maio 2012

COM FIM DE IMUNIDADE, SARKOZY PODERÁ ENFRENTAR JUSTIÇA FRANCESA

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, em cerimônia de comemoração do fim da Segunda Guerra Mundial. REUTERS/Philippe Wojazer


Após deixar a presidência da França, no próximo dia 15 de maio, Nicolas Sarkozy poderá ter de enfrentar vários imbróglios judiciários. A sua imunidade de Chefe de Estado termina no dia 15 de junho e, a partir da data, o então ex-presidente poderá ser convocado como testemunha e até como réu em casos relacionados a financiamentos ilícitos de campanha e corrupção.

As investigações do caso Karachi são um dos principais problemas que Nicolas Sarkozy poderá enfrentar com a Justiça francesa. O juiz responsável pelo caso, Renaud Van Ruymbeke, aguarda por mais detalhes sobre um esquema de corrupção na venda de fragatas e submarinos franceses para o Paquistão nos anos 90. Na época, Sarkozy era ministro do Planejamento do governo de Edouard Balladur, sob a presidência de François Mitterrand.Possivelmente, avalia o jornal Le Monde, Sarkozy será intimiado a depor.

Outro assunto jurídico constrangedor para o futuro ex-presidente envolve suspeitas de financiamento ilegal para a sua campanha presidencial de 2007. Na ocasião, o tesoureiro da campanha, Eric Woerth, teria recebido envelopes com doações não declaradas de Liliane Bettencourt, herdeira do grupo L’Oréal e uma das maiores fortunas da Europa. Além de usar Woerth como intermediário, Sarkozy também é suspeito de ter ido receber pessoalmente as doações em espécie na casa da bilionária.

Ainda sobre recursos opacos de campanha, a Justiça francesa também poderá se interessar pelas denúncias do site Mediapart que publicou um documento assinado pelo ex-chefe dos serviços de informação exterior da Líbia, Mussa Kussa. O documento descreve um acordo para apoiar financeiramente a campanha eleitoral do então candiadto Sarkozy. Investigações preliminares encontraram evidências de grande proximidade entre o empresário líbio Ziad Takieddine e colaboradores próximos de Sarkozy como Claude Guéant (Ministro do Interior), Jean-François Copé (secretário-geral do UMP) e Brice Hortefeux (ex-ministro da Imigração).

Em um depoimento no começo de abril deste ano, Takieddine declarou que tinha "boas relações com o coronel Kadafi" e que mediou a aproximação diplomática da França com a Líbia. Ele também disse que organizou viagens de ministros franceses para encontrar com Muammar Kadafi. Essas denúncias também estão sob a responsabilidade do juiz Renaud Van Ruymbeke.

Em relação às acusações do site Mediapart, Sarkozy decidiu abrir um processo por calúnia e difamação contra o site de jornalismo independente. O presidente francês nega ter recebido dinheiro líbio para a sua campanha e diz que as acusações são “grotescas”.


Extraído do sítio RFI

07 maio 2012

EUROPEUS ABREM OS BRAÇOS PARA FRANÇOIS HOLLANDE

François Hollande se prepara para encontrar os líderes da comunidade internacional. REUTERS/Regis Duvignau


Depois da vitória de François Hollande no segundo turno das eleições presidenciais francesas, diversas vozes reagiram na Europa, parabenizando o socialista e o convidando para encontros estratégicos. Vários líderes do velho continente se disseram dispostos a trabalhar com o novo presidente francês para a retomada do crescimento europeu. 

A chanceler alemã Angela Merkel foi a primeira a telefonar para François Hollande para felicitá-lo e convidá-lo para ir a Berlim. Os dois dirigentes tiveram uma primeira conversa e combinaram de trabalhar juntos em uma relação franco-alemã forte, amistosa e ao serviço da Europa.

A Alemanha será a primeira viagem de François Hollande ao exterior depois de sua posse, prevista para o dia 15 de maio, data do fim do mandato de Nicolas Sarkozy.

O primeiro-ministro David Cameron também conversou com Hollande por telefone, para felicitá-lo pela vitória.

Ainda na Europa, o premiê português Pedro Passos Coelho, que dirige um governo de centro-direita, enviou os votos de sucesso a Hollande pelo mandato que o povo francês acaba de lhe confiar. O chefe de governo acentuou sua vontade de trabalhar com Hollande no plano bilateral e no plano europeu.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também felicitou calorosamente François Hollande, enviando um recado sem ambiguidades: "Temos um objetivo comum: relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável". Barroso afirmou que conta com as convicções e o engajamento pessoal de Hollande para avançar a integração europeia.


Extraído do sítio RFI

SOCIALISTA FRANÇOIS HOLLANDE É O NOVO PRESIDENTE DA FRANÇA



Vitória de Hollande deve repercutir na estratégia europeia de combate à crise da dívida. Sarkozy reconhece responsabilidade pela derrota. Ministro do Exterior da Alemanha saúda presidente eleito.

François Hollande foi eleito o primeiro presidente socialista da França após quase duas décadas. Ele derrotou o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, no segundo turno das presidenciais francesas realizado neste domingo (06/05). Com quase a totalidade das urnas apuradas no final da noite, Hollande vencia com quase 52% dos votos contra pouco mais de 48% de Sarkozy.

"Eu estou orgulhoso por trazer a esperança de volta. Muitas pessoas estavam esperando por este momento há anos. A França escolheu a mudança", disse Hollande no discurso da vitória em Paris. Com a eleição, Hollande, de 57 anos, torna-se o segundo presidente socialista da França desde 1958. Antes, somente François Mitterand esteve à frente do governo francês no período.

Nicolas Sarkozy assumiu a responsabilidade pelo resultado das eleições. Ele pediu para que seus correligionários se mantenham unidos e disse que não vai liderar a direita no parlamento francês. Sarkozy disse que telefonou para Hollande e desejou boa sorte ao novo presidente eleito.

O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, saudou a vitória de Hollande, afirmando que não tem dúvidas que os dois países vão continuar cooperando e vão "superar seus desafios comuns". O líder da oposição alemã, Sigmar Gabriel, do SPD, também saudou a vitória de Hollande, afirmando que é "de crucial importância para a Europa".

O que deve mudar

A expectativa é de que o resultado das eleições tenha impacto direto na maneira como o país vai enfrentar a crise da dívida na zona do euro daqui para frente. O novo presidente também deve determinar quanto tempo os soldados franceses continuarão no Afeganistão e qual será o novo posicionamento militar e diplomático do país nos conflitos mundiais.

A proposta de renegociação do recente pacto fiscal da União Européia é considerado um dos carros-chefes da proposta de Hollande para a zona do euro. O novo líder francês já exigiu da Alemanha "mais solidariedade". Internamente, Hollande ganhou pontos com a promessa de criar 60 mil novos postos de trabalho para professores, revisar em parte a reforma previdenciária iniciada por Sarkozy e adotar um imposto de renda de 75% para milionários.

Sarkozy reconhece culpa na derrota
François Hollande nunca ocupou um cargo ministerial, fez sua carreira política trabalhando para o partido. Em 1988, ao mesmo tempo que Sarkozy, o socialista ingressou na Assembleia Nacional. O programa eleitoral de Hollande, intitulado "60 compromissos com a França", é considerado vago.

Crise que derruba

Nicolas Sarkozy amargura ser o 11º líder europeu a ser retirado do poder pela crise econômica e o segundo presidente da história da França a não conseguir ser reeleito. Na reta final de campanha, o conservador lutava para conquistar votos da extrema-direita e dos centristas.

Hollande, por sua vez, teve o apoio quase unânime de outros líderes de esquerda e foi surpreendido com apoio de última hora do líder centrista François Bayron, que negou aliança a Sarkozy. Bayron criticou a retórica de campanha de Sarkozy, considerando-a muito violenta. Críticos sempre salientaram o "estilo antipático" de Sarkozy, sua alegada proximidade política com os ricos e a inabilidade para reverter a lógica de favorecimento das maiores fortunas francesa em detrimento de um índice de desemprego de quase dois dígitos.

O socialista conquistou a opinião pública com suas críticas em relação às políticas de austeridade econômica que estão sendo implementadas não somente na França, mas em toda a Europa. Hollande também havia derrotado Sarkozy no primeiro turno, no dia 22 de abril, por meio milhão de votos de diferença. Pela primeira vez, um adversário conseguiu mais votos do que o presidente em exercício ainda no primeiro turno das eleições.


Extraído do sítio Deutsche Welle

SOCIALISTA É ELEITO PRESIDENTE DA FRANÇA

Com Hollande, os socialistas voltam ao poder após 31 anos
O socialista François Hollande conquistou uma clara vitória nas eleições presidenciais da França neste domingo, com estimados 52% dos votos.

Após o fechamento das urnas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que telefonou a Hollande para desejar-lhe "boa sorte" no cargo.

Analistas dizem que a votação tem amplas implicações para a zona do euro. Hollande prometeu reformular o acordo sobre a dívida pública nos países membros.

Pouco depois do fechamento das urnas às 20h (15h de Brasília), meios de comunicação franceses publicaram projeções baseadas em resultados parciais que davam ao socialista uma vantagem de quase quatro pontos.

Partidários de Hollande se reuniram na Place de la Bastille em Paris - um ponto de encontro tradicional da esquerda - para comemorar.

Analistas dizem que Hollande foi beneficiado pelos problemas econômicos da França e a impopularidade do presidente Sarkozy.

O candidato socialista prometeu aumentar os impostos sobre as grandes corporações e as pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano.

Ele quer aumentar o salário mínimo, contratar 60 mil professores e diminuir a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos para alguns trabalhadores.

Hollande também pediu a renegociação de um tratado europeu duramente negociado sobre disciplina orçamental, defendido pelo chanceler alemã Angela Merkel e Sarkozy.

Sarkozy

Em discurso neste domingo, Sarkozy disse a partidários que "François Hollande é o presidente da França e ele deve ser respeitado".

O presidente disse que estava "assumindo a responsabilidade pela derrota".

Insinuando sobre o seu futuro, ele disse: "Meu lugar não será mais o mesmo. Minha participação na vida do meu país agora vai ser diferente.".

Durante a campanha, ele disse que iria deixar a política se perdesse a eleição.

Sarkozy, que está no cargo desde 2007, havia prometido reduzir o déficit orçamentário da França por meio de cortes de gastos.

É apenas a segunda vez que um presidente em exercício não é capaz de ganhar a reeleição desde o início da Quinta República da França, em 1958.

O último foi Valery Giscard d'Estaing, que perdeu para o socialista François Mitterrand em 1981. Mitterrand teve dois mandatos no cargo até 1995.

Uma eleição parlamentar está marcada para junho na França. A correspondente da BBC em Paris, Katya Adler, diz que, por causa da derrota de Sarkozy, a extrema direita francesa espera conquistar amplo terreno político no pleito parlamentar.


Extraído do sítio BBC Brasil

01 maio 2012

ALEMÃES VÃO ÀS RUAS CONTRA MOVIMENTOS NEONAZISTAS



O Dia do Trabalho é tradicionalmente conhecido como dia de luta dos sindicatos por questões econômicas e sociais. Este ano, na Alemanha, o 1º de Maio foi marcado também por manifestações contra extremistas de direita.

Milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades da Alemanha nesta terça-feira (01/05), convocadas por sindicatos, iniciativas de esquerda, organizações jovens e igrejas, para protestar contra a marcha dos extremistas de direita do partido NPD.

Em Bonn, segundo os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram das passeatas, missas e ações estudantisem protesto contra a marcha de aproximadamente 200 neonazistas.

A coalizão "Bonn stellt sich quer" ("Bonn se atravessa no caminho", em tradução livre) condenou, porém, a ação da polícia, que utilizou cassetetes, gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o bloqueio pacífico dos manifestantes. A polícia declarou que os opositores dos neonazistas teriam tentado romper uma barreira policial.

Cerca de 10 mil pessoas se reuniram em Bonn para protestar contra marcha de extremistas de direita
Protestos na Baviera

Na cidade bávara de Hof, o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich (CSU), também foi às ruas para se opor à marcha de extremistas de direita. Friedrich caminhou à frente da passeata com cerca de 4 mil participantes pela cidade, seu reduto eleitoral. "A democracia na Alemanha está viva e nós não vamos nos deixar perturbar por extremistas e racistas", disse o político conservador cristão.

Em Hof foi anunciada a presença de 400 neonazistas. Confrontos violentos entre extremistas de direita e de esquerda foram relatados pela polícia, que prendeu manifestantes de ambos os lados.

Não passarão

Em Neubrandenburg, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, cerca de 400 pessoas sentaram-se para formar uma barreira e obrigaram a marcha do NPD, com cerca de 300 participantes, a mudar de rota. "Nós não permitiremos que o Dia do Trabalho seja tomado pelos nazistas", declarou o governador do estado, o social-democrata Erwin Sellering, durante a passeata.

Polícia usou spray de pimenta contra manifestantes antinazistas
O porta-voz da Federação Alemã de Sindicatos (DGB, na sigla em alemão) chamou a estratégia dos neonazistas de "oportunista, por usar as questões sociais do 1º de Maio para satisfazer seus próprios interesses". Mais uma vez, os sindicatos exigiram a proibição do NPD e de redes e irmandades neofascistas.

Na cidade de Wittstock, em Brandemburgo, em uma manifestação espontânea, centenas de pessoas se reuniram para interromper uma demonstração neonazista. Os cidadãos se aglomeraram em um cruzamento ferroviário e bloquearam assim a passeata dos extremistas de direita, que acabaram encerrando a marcha antes do previsto.

Em Neumünster, no estado de Schleswig-Holstein, a polícia deteve cerca de 100 participantes de uma marcha neonazista por transitarem por uma rota não notificada.


Extraído do sítio Deutsche Welle