Mostrando postagens com marcador Rejeição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rejeição. Mostrar todas as postagens

20 outubro 2012

O QUE EXPLICA A REJEIÇÃO DE SERRA? - Altamiro Borges


Na última pesquisa Datafolha, divulgada na quarta-feira, a taxa de rejeição de José Serra voltou a disparar: subiu de 46%, em setembro, para 52%. Isto significa que mais da metade do eleitorado paulistano afirma que “não votaria de jeito nenhum” no candidato do PSDB. Diante destes números, parte da mídia decidiu culpar exclusivamente o atual prefeito da capital, Gilberto Kassab, pelas dificuldades da campanha de Serra. Esta explicação, porém, é unilateral. É como se a mídia serrista ainda tenta-se salvar a imagem do odiado tucano.

A gestão de Kassab realmente é um desastre. Como mentor e líder do recém-criado PSD, o ex-demo se mostrou eficiente – sabe-se lá com que métodos e recursos. Já como prefeito, ele fez uma administração medíocre e excludente. O mesmo Datafolha revela que 42% dos paulistanos consideram sua gestão ruim ou péssima. A rejeição de Serra, porém, supera a reprovação de Kassab. Mesmo com prefeitos mal avaliados, outros candidatos situacionistas pelo país afora conseguiram vencer as eleições já no primeiro turno.

Autoritário, oportunista e ambicioso 

Além do efeito Kassab, portanto, é necessário acrescentar outros elementos para explicar o infortúnio do tucano. De cara, o próprio Serra é um obstáculo. Ele é visto como um político arrogante, autoritário e ambicioso. Nos últimos anos, o eterno candidato já disputou cinco eleições – para prefeito, governador e presidente. Na sua ânsia pelo poder, ele rasgou um documento em que prometia não abandonar a prefeitura de São Paulo, entregou o cargo para a sua criatura, Gilberto Kassab, e traiu os seus eleitores.

Outro fator que ajuda a entender suas dificuldades é a própria situação do PSDB, partido que hegemoniza o estado há quase 20 anos. O próprio FHC, num lapso de sinceridade, reconheceu recentemente que há uma “fadiga de material” e que o eleitorado mostra-se cansado das gestões tucanas. Não é para menos que a sigla corre o risco de perder várias prefeituras no estado – e não apenas a da capital paulista. O PSDB é um partido envelhecido, cupulista e em frangalhos. As bicadas tucanas são cada vez mais sangrentas!

O vampiro ainda não foi enterrado

O ambicioso e truculento José Serra contribui para afundar ainda mais sigla. O PSDB até tentou se renovar com a realização de prévias para definir seu candidato à prefeitura paulistana. Ele abortou a consulta interna, humilhou os quatro pré-candidatos e causou revolta numa parte da militância tucana. Além disso, Serra expressa hoje posições ultraconservadoras, de extrema-direita. Alia-se a notórios fascistóides, como o “pastor” Silas Malafaia, e abraça bandeiras preconceituosas, como a do estimulo ao ódio homofóbico.

Este e outros fatores – e não apenas a reprovação da péssima gestão de Kassab – ajudam a explicar as dificuldades da sua campanha. Uma coisa, porém, é certa. Serra não desiste e nem vacila na utilização dos métodos mais sujos e rasteiros. Nesse sentido, é bom não subestimá-lo. As pesquisas indicam que o eterno candidato do PSDB deverá ser derrotado em 28 de outubro. Mas as pesquisas nunca ganharam eleição e já causaram várias surpresas negativas. O vampiro ainda não foi enterrado!

Extraído do Blog do Miro

16 setembro 2012

SERRA FAZ POUCO DA INTELIGÊNCIA DO ELEITOR PAULISTANO - José Dirceu

Engraçado como o candidato do PSDB, José Serra, sabatinado pela Folha-UOL nesta sexta (14.9), explica os problemas do seu afilhado e sucessor político. Serra vive em outro mundo e não tem humildade para reconhecer sequer a grave situação do trânsito caótico em Sampa e a responsabilidade dele, do governo do Estado e do seu afilhado e sucessor nos graves problemas do transporte coletivo de Sampa. 

Falta com o respeito os eleitores, não tem nenhum compromisso com a realidade da cidade em que vive. É verdade que, como andou usando helicóptero para se movimentar durante a campanha, não teve muitas condições, talvez, para perceber as dificuldades do paulistano comum.

Pois o candidato tucano atribuiu o baixo índice de aprovação do prefeito Gilberto Kassab – ele tem 48% de ruim ou péssimo segundo o Datafolha – a críticas da oposição. Para José, os problemas que o paulistano vive no seu dia a dia, devido a uma administração ausente, se devem à oposição ou à comunicação da prefeitura, que “não funciona”. Desde quando "comunicação bem feita" pode substituir metrô e corredor de ônibus e fazer as pessoas irem mais rápido de casa para o trabalho e vice-versa?

José nega, ainda, que seja “padrinho político de Kassab”. No entanto – é o caso de perguntar – quem deu a Kassab todas as condições para se lançar politicamente, ao aceitá-lo como vice e, ainda, ao deixar a cidade em suas mãos um ano e seis meses depois de ter assumido? Além de tê-lo apoiado na disputa contra Alckmin, do mesmo partido que ele, quando este pleiteou a reeleição?

Sobre o transporte na cidade, disse ser contra o pedágio urbano e o aumento do rodízio: "Você não tem um sistema de transporte à altura. Vai ser um suicídio”. Só esqueceu de completar por que São Paulo não tem um sistema de transporte à altura: porque, entre outras razões, os governos tucanos não construíram praticamente nada de novas linhas de metrô e seu afilhado Kassab abandonou a construção e a manutenção dos corredores de ônibus.

Explicações sem pé nem cabeça sobre a rejeição

Sobre o elevado índice de rejeição, culpou também o PT e a metodologia das pesquisas: para ele, é natural que o eleitorado do PT tenda a rejeitá-lo (mas José está olhando aí os números de uma maneira estranha, pois sua rejeição chega a 46% enquanto que o eleitorado petista, indicam as pesquisas, não chega a este patamar...). 

E, já que os números não lhe são favoráveis, que tal dizer que a metodologia das pesquisas está errada? Pois é isso mesmo: "Esse dado de rejeição não é um dado relevante. Tem que ver a metodologia [dos institutos]", afirmou o tucano.

No Estadão, o humorista Tutty Vasques escreve em sua coluna no Tutty Humor: “Detectada em 38% das intenções de voto em São Paulo, a rejeição a José Serra pode derrota-lo já no primeiro turno”. Mas o humorista ainda favoreceu Serra. Usou o menor índice de rejeição entre os que aparecem nas últimas pesquisas. Há outro, do Datafolha, que é de 46%, e não os 38% do Ibope.

Extraído do Blog do Zé Dirceu