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08 fevereiro 2013

TRABALHO FORÇADO PERSISTE POR FALTA DE SANÇÕES SEVERAS, DIZ OIT - Caroline Sarres

Brasília – O trabalho forçado no mundo ainda é possível porque a maioria dos países não adota sanções suficientemente severas para impedir a prática, diz a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório preparatório para uma reunião sobre o tema, que será realizada neste mês em Genebra, na Suíça.


Na reunião, a OIT discutirá possíveis medidas para complementar as convenções 29, sobre trabalho forçado, e 105, sobre a abolição do trabalho forçado. O Brasil é signatário de ambos os acordos. Atualmente, há quase 21 milhões de pessoas em situação de trabalho escravo, dos quais a maioria são mulheres, tanto crianças quanto adultas (11,4 milhões).

"Ainda que a maioria dos países tenha adotado uma legislação que penaliza o trabalho forçado, a sanção nem sempre é suficientemente severa para ter um efeito dissuasivo, pois, em alguns casos, limita-se a multas ou a penas de prisão demasiado breves", ressalta o relatório. 

Segundo a OIT, a iniciativa privada concentra a maioria dos empregadores de pessoas em situação de trabalho escravo, especialmente nos setores doméstico, da agricultura, da construção, da indústria e do entretenimento. 

Algumas ações no Brasil foram citadas no relatório como exemplo de políticas para combater o trabalho escravo, como os planos de Ação contra o Trabalho Escravo, de 2003 e 2008; as medidas de prevenção e reinserção do trabalhador no mercado; a atuação do Grupo Especial de Inspeção Móvel - as caravanas contra o trabalho escravo - e a abertura de agências de emprego em locais onde há mão de obra escrava. O Bolsa Família também foi citado como forma de combater o trabalho forçado, por tratar de causas estruturais - como a pobreza extrema. 

Atualmente, a pessoa ou empresa que for encontrada empregando mão de obra em situação de trabalho escravo no Brasil deve pagar uma multa, os salários atrasados dos trabalhadores, as indenizações para reparar os dados causados às vítimas e contra danos coletivos causados à sociedade. Ainda tramita no Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Trabalho Escravo, que prevê a expropriação de terras urbanas e rurais onde for comprovado o uso desse tipo de trabalho. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados e precisa passar pelo Senado, o que deve ocorrer ainda neste ano. 

O infrator ainda pode ser incluído na lista suja do Ministério do Trabalho e Emprego, após decisão administrativa sobre o auto de infração lavrado pela fiscalização. Com o nome na lista, o empregador é impedido de ter acesso a crédito em instituições financeiras públicas, como os bancos do Brasil, do Nordeste e da Amazônia, e aos fundos constitucionais de financiamento. O registro na lista suja só é retirado quando, depois de um período de dois anos de monitoramento, não houver reincidência e forem quitadas todas as multas da infração e os débitos trabalhistas e previdenciários.

Extraído do sítio Portal EBC

22 janeiro 2013

DESEMPREGO VAI SUPERAR MARCA DOS 200 MILHÕES DE PESSOAS NO MUNDO EM 2013, PREVÊ OIT


Segundo relatório, número de desempregados em 2012 chegou a 197 milhões. Estimativa para o ano que vem deve bater o recorde de 2009, de 199 milhões. Mais afetados são os jovens, quase um terço dos desempregados no mundo.

O desemprego no mundo vai ultrapassar o patamar dos 202 milhões de pessoas em 2013, estimou a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nesta terça-feira (22/01), em Genebra. Caso a estimativa se confirme, o número baterá o recorde absoluto de 199 milhões de desempregados, registrado em 2009. Depois da queda na taxa de desemprego por dois anos consecutivos, 2012 voltou a apresentar um aumento de 4,2 milhões de pessoas, totalizando 197 milhões de desempregados.

No seu relatório anual sobre as tendências mundiais do emprego, a OIT calcula que, "apesar de uma recuperação moderada do crescimento de produção", esperada para este ano e para o próximo, "a taxa de desemprego deverá aumentar de novo, e o número de desempregados no mundo deverá crescer 5,1 milhões em 2013 e mais três milhões em 2014". Especialistas da OIT acreditam que o crescimento da economia mundial não será forte o suficiente para diminuir a taxa de desemprego.

Em uma entrevista coletiva, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ressaltou que as perspectivas não são boas. "As incoerências políticas, principalmente na zona do euro, abordam os problemas na base do caso a caso", acusou Ryder, responsabilizando os governos europeus pelos resultados negativos nas decisões de investimento, o que reduziu a geração de empregos.

Taxa de desemprego entre os jovens é preocupante

Alarmante também é o alto número de 73,8 milhões de jovens, entre 15 e 24 anos, que estão desempregados. Quase 13% da população jovem do mundo não tem emprego. A tendência é que mais 500 mil jovens estejam desempregados até 2014. A OIT diz que a crise fez aparecer um novo fenômeno, o dos jovens desempregados de longa duração, referente àqueles que ficam desempregos assim que chegam ao mercado de trabalho. Nos países industrializados, pouco mais de um terço dos jovens estão há meio ano ou mais sem emprego.

Para efeito de comparação, o percentual de adultos sem emprego é de 4,5. Quase um terço do total de desempregados no mundo são jovens, sendo que essa faixa etária representa cerca de 25% da população mundial entre as idades de 15 e 64 anos. Ante essa situação, principalmente na Europa, organizações do trabalho preveem que muitos jovens simplesmente deixarão de procurar emprego.

Nesse contexto, a OIT elogiou Alemanha, Suíça e Áustria por terem conseguido manter relativamente baixa a taxa de desemprego entre os jovens. Já nos países mais afetados pela crise europeia, a preocupação é grande. De cada dois jovens, um está desempregado.

Extraído do sítio Deutsche Welle