02 março 2012

O MAIS PREPARADO

Serra mostra-se surpreso ao saber que o nome de nosso país não é mais “Estados Unidos do Brasil”. E pergunta: “Mudou?”. Sim, há 45 anos. Tucanos gostavam de presidente que falava francês, queriam que a Petrobrás mudasse pra Petrobrax e gostariam que nós fôssemos os Estados Unidos… Freud esse danado. Atos falhos ao vivo.


Em entrevista ao jornalista Boris 'Gari' Casoy, o eterno candidato tucano a qualquer cargo José Serra diz que o Brasil se chama Estados Unidos do Brasil e se surpreende ao ser corrigido por Casoy: - Mudou?
Sim, desde 1967 o Brasil é República Federativa do Brasil.

Extraído do sítio Escrevinhador de Rodrigo Vianna

O NOVO COMANDO DE ZERO HORA - Cristina P. Rodrigues

Zero Hora entrou a semana sob nova direção. Depois de menos de quatro anos como diretor de Redação, Ricardo Stefanelli passa o posto para Marta Gleich, uma das diversas mudanças de chefia que o grupo está fazendo. Nesse período, dizem os dados do jornal, a Zero Hora ampliou sua circulação, mas convenhamos que, em termos de qualidade, não avançou muito.

Foi no período de Stefanelli que Zero Hora inaugurou seu novo parque gráfico e investiu em melhorar o jornal impresso, quando diversos veículos no mundo todo já começavam a abandonar o papel para assumir com exclusividade as plataformas digitais. Era o jornal gaúcho priorizando o impresso. Pelo menos era o que parecia, mas depois o grupo lançou seu novo portal. A Zerohora.com foi provavelmente a iniciativa mais acertada deste período, principalmente para um grupo que se propõe grande mas contava apenas com um portal tão pouco funcional como o ClicRBS.

Marta Gleich estava à frente deste projeto, como diretora de Internet do Grupo RBS. Mestre em jornalismo digital, deduz-se competente, aparentemente, e dedicada. Afinal, sempre trabalhou na Zero Hora, desde antes de formada em jornalismo pela UFRGS. Tenho minhas enfáticas restrições com quem se dedica quase 30 anos a uma empresa tipo RBS. Por lidar com informação, sua orientação ideológica influencia fortemente o trabalho de seus funcionários, que precisam estar alinhados para aguentar tanto tempo e ir galgando posições lá dentro, até chegar a diretora de Redação.

Zero Hora passa a ser dirigida por uma funcionária antiga, que tende a aprofundar ainda mais esse viés ideológico com o qual certamente se identifica. Um viés à direita, que criminaliza movimentos sociais, vê manifestações políticas como meros problemas de trânsito, esforça-se há décadas por despolitizar ao máximo seus leitores e compra briga com qualquer governo mais à esquerda que assuma qualquer nível da administração pública no país. Em perfil da nova diretora de Redação feito pelo site Coletiva.net, Marta é chamada de “uma Führer otimista”, apelido concedido pelo colega (já que no Brasil, como sempre pontua Mino Carta, jornalista chama patrão de colega) David Coimbra por seu caráter, digamos, um tanto autoritário. E, bom, vale dizer que ela sentiu-se “lisonjeada” com o apelido.

Stefanelli despediu-se, na edição de domingo, entregando o cargo para ir para Santa Catarina. Parece evidente, com a mudança, que Marta entra para investir no digital, tentar transformar o jornal em referência na área. Isso tudo sem mudar a linha de Zero Hora. Linha que, aliás, começou a ser definida com a grande transformação implementada por Augusto Nunes – aquele mesmo que fica dizendo asneira atrás de asneira nas páginas da revista Veja – na primeira metade dos anos 1990. Foi a grande modernização do jornal e, contraditoriamente, ao mesmo tempo, sua virada à direita.

Desde então, Zero Hora nunca retrocedeu nesses propósitos. A qualidade técnica até pode aumentar. As plataformas de distribuição da notícia, de divulgação, modernizam-se, ampliam-se. Mas, jornalisticamente, o conteúdo perde a cada dia. O bairrismo ufanista só faz aumentar, expondo o ridículo de quem compõe aquelas matérias deturpadas para enfatizar a participação, mesmo que minúscula, de algum gaúcho em qualquer coisa que aconteça em qualquer lugar do mundo. O preconceito, especialmente o de classe, assusta, principalmente porque vai de encontro às transformações por que passa o país, reduzindo a pobreza, incluindo tanta gente num futuro que antes não tinham. A manipulação e o “dois pesos, duas medidas” se tornaram parte da rotina, prática diária. Enfim, o futuro de Zero Hora não parece muito promissor para quem considera qualidade da informação e pluralidade mais importantes do que as plataformas em que elas circulam.

Extraído do blog Somos Andando de Cristina P. Rodrigues

LÍDERES DA UE ASSINAM PACTO FISCAL E FOCAM NO CRESCIMENTO ECONÔMICO - Daphne Grathwohl e Luisa Frey


Cúpula em Bruxelas concentrou-se no desenvolvimento das economias do bloco e em novo acordo de austeridade. Sérvia foi aprovada como candidata à UE, e Herman van Rompuy, reeleito como presidente do Conselho Europeu.

Na cúpula da União Europeia (UE) destas quinta e sexta-feira (02/03), os líderes do bloco assinaram um pacto de austeridade, com o lema "mais disciplina fiscal". O Reino Unido e a República Tcheca ficaram de fora do acordo. A Irlanda convocará um referendo sobre o assunto.

De acordo com o novo pacto fiscal, os países signatários comprometem-se a manter seu déficit orçamentário estrutural – ou seja, o déficit que não leva em conta influências pontuais e de conjuntura – abaixo do limite de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

No caso de transgressão das regras do acordo, mecanismos de punição serão acionados automaticamente. O pacto deverá entrar em vigor até o início de 2013, no mais tardar.

No encontro, os chefes de Estado e de governo da UE concordaram também que economizar não basta. "Os governos precisam promover a competitividade e o crescimento", disse a chanceler federal alemã, Angela Merkel.

Merkel: 'Governos precisam promover a competitividade e o crescimento'
"Pela primeira vez, foi uma reunião não sobre a crise, mas concentrada no crescimento. Discutiram-se reformas estruturais e mais postos de trabalho e o que a Europa precisa fazer para conseguir isso", completou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Para o presidente da Comissão Europeia, seria necessário mudar do "modo crise" para o "modo crescimento". Herman van Rompuy, presidente do Conselho da UE, acrescentou que diversas possibilidades foram discutidas: modernização do sistema de aposentadoria, flexibilização do seguro-desemprego e também a proposta de redução da carga tributária, apresentada por Merkel.

Resgate do euro

A discussão sobre a questão do aumento do fundo de resgate – Mecanismo de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) – foi adiada para meados de março, de acordo com o esperado. O novo pacto fiscal aprovado nesta sexta-feira será associado ao ESM a ser iniciado em julho deste ano. Apenas os países signatários do pacto terão direito à ajuda do fundo de resgate.

O tema Grécia também figurou no encontro. Os ministros das Finanças da zona do euro verificaram que o país está cumprindo os critérios para o próximo pacote de resgate.

"Os chefes de governo da zona do euro apoiam as medidas que a Grécia tomou e a ajuda que a Comissão Europeia prestou para fortalecer a capacidade institucional do país, que inclui a cobrança de impostos", disse Van Rompuy sobre as medidas legislativas decisivas adotadas pelo governo grego nos últimos dias.

O presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, relatou aos chefes de Estado e de governo sobre a sua visita à Grécia nesta semana. O que mais lhe chamou a atenção foi o desemprego de mais de 40% da população jovem. "Se quisermos falar em crescimento e em emprego neste Conselho, precisamos colocar o combate ao desemprego entre os jovens no centro de todas as ações", disse Schulz.

Sérvia e reeleição

Van Rompuy, reeleito para a presidência do Conselho Europeu, supervisionará cúpulas do euro
Nesta quinta-feira, a cúpula da UE aprovou a candidatura – que pouco antes do encontro ainda estava incerta – da Sérvia para ser candidata à admissão na UE. No início desta semana, todos os membros do bloco haviam se declarado a favor do status de candidato do país. Até que o governo romeno apresentou seu veto, exigindo o reconhecimento dos valáquios – uma minoria étnica – como romenos. Porém, antes da reunião, a Romênia retirou suas objeções após assinar com a Sérvia um acordo de proteção para aquela minoria.

"Hoje decidimos conceder o status de candidata à UE à Sérvia. Trata-se de uma conquista notável, um resultado de grandes esforços no de ambos os lados no diálogo entre Belgrado [capital sérvia] e Pristina [capital do Kosovo]", declarou Van Rompuy.

Uma decisão pessoal também fez parte do encontro desta quinta-feira. Van Rompuy foi reeleito como presidente do Conselho Europeu. Ele também supervisionará as cúpulas do euro, nas quais os Estados da zona do euro deverão votar futuramente suas políticas orçamentárias e econômicas conjuntas pelo menos uma vez a cada semestre, como prevê o pacto fiscal assinado em Bruxelas nesta sexta-feira (02/03).

Extraído do sítio da Deutsche Welle

RELATOR ADMITE QUE REFORMA DO CÓDIGO FLORESTAL PROMOVE ANISTIA A DESMATADORES


O relator da reforma do Código Florestal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), admitiu que a proposta promove anistias para quem desmatou ilegalmente e a redução de áreas protegidas em propriedades privadas. O texto deve ser votado na Câmara nas próximas semanas.

“Nas disposições transitórias, vai haver perdas, sim. O que você está chamando de anistia. É anistia”, disse o parlamentar, ao responder a uma pergunta feita em debate ontem, na Câmara. As disposições transitórias são a parte do projeto que trata da legalização de desmatamentos irregulares realizados até 2008.

A reportagem é de Oswaldo Braga de Souza e publicada pelo Instituto Socioambiental – ISA, 01-03-2012.

Piau negou que o projeto poderá estimular novos desmatamentos. Mas fez uma ressalva em relação ao artigo que permite a redução da Reserva Legal, de 80% para 50% da propriedade, em municípios da Amazônia que alcançarem mais de 50% de seu território ocupado por terras indígenas ou unidades de conservação.

“Talvez esse seja um ponto, um dos pontos, na Amazônia, que pode ter alguma coisa em termos de desmatamento. Pode ser”, arriscou.

Defensores do agronegócio e os diversos relatores da matéria sempre negaram que a reforma significaria o perdão a quem desmatou e novos desmatamentos. A questão tornou-se importante porque, na campanha eleitoral, a presidenta Dilma Rousseff comprometeu-se a vetar qualquer dispositivo que implique as duas consequências.

Rio+20

O deputado disse que o governo tem interesse em votar a matéria o quanto antes para evitar a proximidade com a conferência da ONU sobre meio ambiente que acontece em junho, no Rio de Janeiro. “Essa questão da Rio+20, essa é uma posição – vocês vão ver – até de governo. Estamos ouvindo que, por interesse do governo brasileiro, [não interessa] misturar essas duas coisas [Rio+20 e Código Florestal]”.

O governo teme que, caso a votação seja adiada, a posição do País nas discussões internacionais sobre meio ambiente, em especial na conferência, saia enfraquecida. O Brasil poderia ser acusado de promover uma lei que flexibiliza a proteção às florestas enquanto cobra de outros países mais empenho na conservação. Ruralistas receiam que a pressão force a rediscussão do projeto que está hoje na Câmara.

As afirmações de Piau foram feitas no seminário “O Código Florestal e a Ciência: o que os legisladores ainda precisam saber”, promovido pelo Comitê Brasil em Defesa das Florestas.

Um documento da assessoria do deputado obtido pela reportagem do ISA revela que seu parecer deverá resgatar alguns dos maiores retrocessos aprovados pela Câmara, no início do ano passado, e alterados pelo Senado, em dezembro. Trata-se de uma tabela que compara os textos aprovados nas duas casas e a provável nova redação proposta pelo deputado

Segundo o regimento, na nova votação, os deputados terão de optar, em cada um dos artigos, pela versão do Senado ou a original da Câmara. Podem ser feitas apenas emendas de redação.

Vaia

O coordenador da mesa do seminário, professor José Eli da Veiga, da USP (Universidade de São Paulo), inquiriu o deputado se ele estaria disposto a pedir o adiamento da votação. Piau disse que essa decisão seria do presidente da Câmara e assegurou que não tem pressa em apresentar seu parecer.

Pouco depois, irritou-se e foi vaiado. “O senhor não é deputado e está se metendo em coisas que são da Câmara. Quem entende de processo legislativo são os deputados, por favor. Vocês têm o direito, como sociedade, de participar de tudo. Agora, representativos somos nós, os deputados. Nós é que temos voto. Não se metam em coisas que não são suas”, disse o relator.

Apesar disso, respondendo a outra pergunta, Piau concordou que a votação poderia ser adiada para dar mais tempo aos deputados de entender e discutir o assunto. O parlamentar informou que seu parecer estaria pronto provavelmente hoje. Ele vem se reunindo com líderes e bancadas para sondar opiniões e apresentar suas propostas.

Seminário

No seminário, foi lançada uma publicação com artigos de cientistas sobre as consequências do novo Código Florestal. O evento reuniu ainda parlamentares, técnicos, representantes da sociedade civil e do Ministério Público.

A tônica foi de grande descontentamento com a reforma. Os autores da publicação ressaltaram a ausência de embasamento científico e as inúmeras impropriedades conceituais dos textos já votados na Câmara e no Senado.

Eli da Veiga insistiu que o tema tem sido tratado com atropelo no Congresso. “Eu desafio algum deputado a dizer que conhece o projeto do Senado. Ele é um projeto complexo, cujos resultados podem implicar riscos imensos. O que queremos dizer, junto com nossos colegas cientistas, é que numa democracia não se pode votar um assunto dessa importância com esse afogadilho.”

Vários dos palestrantes, incluindo a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reiteraram a opinião de que a bancada ruralista estaria usando a estratégia de carregar nas reivindicações e críticas ao projeto vindo do Senado para desgastar o governo e evitar os vetos da presidenta Dilma. Ainda assim, destacaram a preocupação de que o texto possa ser piorado na sua volta à Câmara.

A GUERRA CAMBIAL É UM SUBPRODUTO DA CRISE DO CAPITALISMO - Umberto Martins*

O Banco Central Europeu (BCE) acaba de despejar mais 529 bilhões de euros no sistema financeiro da União Europeia, em socorro a centenas de bancos abalados pela crise da dívida na região. Os efeitos da iniciativa para a zona do euro são duvidosos e contraditórios. Mas não é difícil avaliar o que significa para a economia mundial. É mais lenha na fogueira da guerra cambial. 


Não é a primeira vez que o recurso é usado. Em dezembro do ano passado, 523 bancos puderam desfrutar da derrama de 489 bilhões de euros feita pelo BCE. O Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) também se valeu do mesmo expediente, através da política designada de relaxamento quantitativo. 

Trilhões para os bancos

A experiência sugere que este tipo de medidas, muito conveniente aos bancos e grandes capitalistas, embora provoque espasmos de euforia nas bolsas, em pouco ou nada contribui para a recuperação do emprego e da produção. No caso da Europa, muito menos, visto que a recessão não se explica apenas pela anarquia dos mercados; é antes uma obra-prima da política neoliberal, ditada pela troika (FMI, BCE e UE), especialmente nos países endividados como Grécia, Portugal, Espanha e Itália, entre outros.

EUA e Europa já injetaram mais de 5 trilhões de dólares no sistema financeiro desde 2008, sem contar as generosas contribuições do erário, também na casa dos trilhões, que resultaram em crises das dívidas dos dois lados do Atlântico. A zona do euro está estagnada, com muitos países em recessão, e uma taxa média de desemprego superior a 10%. Os EUA, onde tudo começou, continuam com elevados índices de desocupação, apesar dos sinais de recuperação. A combinação da expansão monetária com arrocho fiscal não favorece a recuperação.

Efeitos colaterais

Já os efeitos colaterais das emissões realizadas pelos dois maiores bancos centrais do planeta não se restringem às fronteiras do velho continente e dos EUA. São sensíveis e deletérios em quase todo este vasto mundo. Emissões sem lastro na produção têm impacto inflacionário e, no caso, causam forte instabilidade nos mercados de moedas (câmbio). 

Traduzem, efetivamente, uma política deliberada de desvalorização tanto do euro quanto do dólar. 

O excesso de liquidez que resulta da política monetária expansiva é uma arma de destruição em massa na guerra cambial e esta se revela, por consequência, um subproduto da crise mundial do capitalismo e da ordem imperialista hegemonizada pelos EUA. 
Parte significativa dos trilhões liberados para os bancos flui para o exterior sob diversas modalidades de investimento externo. Como de praxe no movimento do capital, este migra em busca do lucro máximo e a oportunidade deste lucro, no momento, não está em casa, onde impera a crise, mas na Ásia e em países emergentes.

Política cambial

O Brasil é uma das vítimas desta migração, mas devemos atribuir parte da culpa ao viés neoliberal da política econômica. O dinheiro tomado a custo zero na Europa e nos EUA ingressa em nosso território para especulação com taxas de juros (que são, lembremos, as mais altas do mundo) e câmbio, entre outras coisas. Os investidores se beneficiam da política de câmbio flutuante e da ampla liberdade concedida ao fluxo de capital estrangeiro. O resultado final disto é a valorização do real e o avanço da desindustrialização da economia nacional. 
A instabilidade dos mercados de câmbio e a guerra cambial refletem os desequilíbrios insustentáveis da ordem (ou desordem) monetária internacional, ainda liderada pelo chamado padrão dólar flexível. Em médio prazo isto coloca a necessidade de uma nova moeda mundial (ou novas moedas), mas esta não é uma questão que se resolve da noite para o dia; tende a se arrastar por longos anos e não é em nada pacífica. Os desequilíbrios são visíveis especialmente nos déficits comercial e em conta corrente dos EUA e União Europeia (esta última apesar do elevado superávit alemão).

A China consegue se proteger do dilúvio de dólares e euros com uma política de câmbio administrado e controle do fluxo de capitais, o que desperta reações irritadas e também cínicas dos imperialistas estadunidenses e europeus. Eles acusam os chineses de manipular o câmbio, mas tratam de obscurecer o fato de que a política monetária expansiva que aplicam conduz à depreciação descarada de suas moedas e é a principal força motriz da guerra cambial.

O Brasil poderia seguir o caminho bem sucedido da China, em vez de permanecer prisioneiro do câmbio flutuante, adotado como um dogma desde a carta aos banqueiros assinada por Lula em junho de 2002, e fazer coro ao império contra os chineses neste tema. As medidas relacionadas ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) são paliativas e claramente insuficientes para fazer frente à guerra cambial, apreciação do real e desindustrialização. 

* Umberto Martins é jornalista.

Extraído do sítio do Portal Vermelho

TEM CARA DE 1964, CHEIRO DE 1964, MAS é 2012... OU NÃO? - Eduardo Guimarães

Além de previsível, por estranho que pareça julgo positiva a nova insubordinação de cerca de cem chefes militares da reserva contra a comandante-em-chefe das Forças Armadas, Dilma Vana Rousseff, que, coincidentemente, é também a presidente da República Federativa do Brasil, eleita em 31 de outubro de 2010 com 55.752.529 votos, os quais contabilizaram 56,05% do total de votos válidos.


Os militares da reserva – que muitos chamam de militares de pijama, mas que adotam discurso grandiloqüente e ameaçador que obriga a duvidar de que sejam só velhinhos mal-humorados – deixam ver que continuam dando tão pouco valor ao voto popular quanto davam há pouco menos de meio século, quando jogaram no lixo outros tantos milhões de votos e puseram o eleito para correr, após o que passaram a impedir que a sociedade expressasse seus desejos políticos devido a que certamente achavam que estes não seriam de seu agrado.

Como na época em que os militares aplicaram seu peculiar conceito de democracia, conceito esse que passava pela nulidade do voto popular, também temos hoje setores da imprensa falando pelos possíveis golpistas, mandando recados ameaçadores a quem a vontade dos brasileiros transmudou em comandante suprema das Forças Armadas.

Um peão que disputa com extensa fila de concorrentes o posto que Carlos Lacerda ocupou um dia, saiu recitando trecho dos Lusíadas em que a personagem de Camões recomenda “cuidado” aos portugueses, e faz isso no mesmo texto em que critica a presidente por ter exigido de cada uma das Forças Armadas que repreenda seus membros inativos e insubordinados.

Este blog vive recebendo comentários iguais. Recentemente, leitor postou que se Dilma tentar aprovar uma lei da mídia os seus amigos militares a derrubarão como derrubaram Jango Goulart. Esse tipo de comentário, neste blog, é freqüente. Alguns dos que postam essas coisas se dizem militares e dão a entender que são da reserva, apesar de que não dão seus nomes.

A diferença desses para o tal colunista é a de que este está ligadão a militares da reserva, aos amigos desses militares na política e, supõe-se – devido à grandiloqüência de suas ameaças –, também aos militares da ativa…

Nesse aspecto, julgo que esse episódio é positivo. Há, na esquerda, uma moçada que não consegue sequer cogitar a hipótese de que hoje os militares ousariam deixar os quartéis para derrubar o governo, fechar o Congresso, estabelecer a censura, prender sem mandado, torturar e assassinar como ocorreu há quase 50 anos e durante os vinte anos seguintes.

Quem está certo, este cinqüentão ultrapassado ou a garotada confiante na força da nossa democracia? Eles que se entendam com o tal colunista que todos sabem que não passa de um boneco de ventríloquo, de forma a descobrirem se a sua ameaça a Dilma é só para contentar idosos preocupados em ter que prestar contas da valentia de há meio século ou se é algo mais.

De qualquer modo, é bom que tenha ocorrido essa insubordinação. Se realmente estivermos em 2012 em vez de em 1964, esses militares terão que baixar a bola, terão que adotar o silêncio a que a opção pela caserna os obriga constitucionalmente. Do contrário… Bem, prefiro nem descrever o contrário.

Neste momento, portanto, há que saber se essas pessoas que o Estado sustenta na aposentadoria podem ou não ser enquadradas nas leis que regem a nação por questionarem a legitimidade do Poder Legislativo para aprovar a Comissão da Verdade e por policiarem as opiniões da superior hierárquica.

De uma coisa podemos estar certos: o desenlace desse episódio revelará se estivemos brincando de democracia no último quarto de século ou se ela é para valer. Se houver o risco de o voto dos brasileiros ser novamente rasgado, pelo menos já iremos escolhendo logo entre lutar ou capitular diante da ditadura até então camuflada, pois é melhor um fim terrível do que um terror sem fim.

DILMA EXIGE PUNIÇÃO A GENERAIS QUE QUESTIONARAM AUTORIDADE DE CELSO AMORIM

A presidente Dilma Rousseff (PT) ficou irritada com uma nova declaração divulgada por militares da reserva. O comunicado, assinado por 98 oficiais, saiu em defesa do manifesto que havia sido lançado pelos clubes das três Forças Armadas com críticas a Dilma e às ministras dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT), e das Mulheres, Eleonora Menicucci (PT).

Presidente considerou novo manifesto uma "afronta" | Roberto Stuckert Filho/PR
Na nota mais recente, batizada de “Alerta à nação”, os oficiais da reserva manifestam apoio ao Clube Militar – que reúne integrantes da ativa e da reserva do Exército – por ter divulgado um texto criticando declarações das duas ministras. “Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”, ataca a nota.

A declaração foi publicada no site “A verdade amordaçada”, mantido pela esposa do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI de São Paulo e acusado de ter torturado diversos presos políticos.

Dilma considerou o texto uma “afronta” e se reuniu na quarta-feira (29) com o ministro da Defesa, Celso Amorim. A presidente determinou que ele conversasse com os comandos das três Forças Armadas e determinasse punições aos oficiais da reserva que assinaram a nota.

Dilma teria cogitado mandar prender um dos generais, mas acabou mudando de ideia. Amorim falou pessoalmente com dois dos comandantes das Forças, e por telefone com o terceiro, e deixou com eles a escolha da punição a ser adotada, segundo o código disciplinar de cada Força. Os códigos disciplinares do Exército, Aeronáutica e Marinha preveem advertências, repreensões, prisão e até o desligamento das Forças, de acordo com a infração.

Nos dois manifestos, os militares da reserva fizeram duras críticas à Comissão da Verdade, órgão que terá sete integrantes escolhidos pela presidente Dilma para investigar, durante dois anos, os crimes praticados pelas ditaduras de Getúlio Vargas (1937-1945) e dos militares (1964-1985). Dilma deve nomear nos próximos dias os integrantes do colegiado.

Extraído do sítio do Sul21

01 março 2012

A INDISPENSÁVEL ENERGIA NUCLEAR - José Inácio Werneck

Bristol (EUA) – O New York Times publicou nesta semana uma carta do físico Zvi J. Doron defendendo a retomada da construção de usinas nucleares nos Estados Unidos e a discussão que em seguida se travou com alguns leitores, alguns dos quais também cientistas.



O autor redarguiu e ficou claro para quem leu que, neste momento em que a humanidade pretende se livrar dos combustíveis fósseis e ao mesmo tempo se depara com a insuficiência de fontes renováveis como a eólica, a hidrelétrica e a solar, não há motivos racionais para a resistência contra novas usinas nucleares.

Permito-me traduzir um trecho de sua carta:

“ Não há dúvida de que usinas nucleares precisam ser construídas com o máximo de segurança. Os projetos modernos incorporam soluções de segurança que, por exemplo, permitem a um reator desligar-se automaticamente e resfriar-se por meio de forças naturais como a da gravidade e de circulação normal, sem necessidade de energia elétrica externa. O desastre de Fukushima não teria acontecido em uma destas usinas”.

Houve gente a favor, gente contra. Em uma réplica geral, Zvi J. Doron concluiu, também com tradução minha:

“O consenso geral é de que queremos um futuro sem combustíveis fósseis. Entretanto, 70% de nossa eletricidade são ainda produzidos por carvão e petróleo e a demanda está crescendo. A lacuna só pode ser preenchida por energia nuclear, além de alternativas como as renováveis”.

“O armazenamento de lixo atômico é um problema meramente politico, não técnico. A população de Nevada não quer o lixo atômico na montanha Yucca da mesma forma que a população de Cape Cod não quer turbinas de vento perto de suas praias”.

Doron diz ser impossível negar as vantagens de fontes alternativas, mas ressalta que as estimativas do governo americano são de que a solar e a eólica produzirão apenas 3,5% das necessidades dos Estados Unidos no ano 2035, subindo muito pouco em relação ao atual patamar de menos de 2,5%.

A grande vantagem da energia nuclear está em não produzir gases do efeito estufa. Se ela pode mesmo ser obtida a um custo razoável e em usinas com novas técnicas de segurança, é inevitável que o mundo terá que utilizá-la em escala maior do que a atual.

Dizem-me que Angra-3 vai afinal ficar pronta em 2015, depois de um atraso de mais de 35 anos, quase 40 (já nem me lembro mais.) Espero que Dilma Rousseff siga mesmo adiante com o projeto, sem dar ouvido aos alarmistas.

Extraído do sítio Direto da Redação

O CRIME ORGANIZADO, CARNAVAL E FUTEBOL - Mauro Santayana


(Carta Maior) - Conhecidos jogadores de futebol, ídolos do público, como Ronaldo e Neymar, defendem o Sr. Ricardo Teixeira das acusações que lhe estão sendo feitas. Para os dois profissionais, o presidente da CBF é um homem excepcional, que prestou grandes serviços ao esporte, e não deve ser afastado de seu cargo. Ao mesmo tempo, diretores de escolas de samba investem contra o governador Sérgio Cabral, que fez declarações contra a participação dos bicheiros no carnaval carioca. Ora, se se confirmarem as denúncias contra Teixeira e seu sogro, João Havelange, eles poderão ser qualificados como participantes de uma forma de crime organizado. E o jogo do bicho, até que haja leis em contrário, é uma atividade criminosa.

Por mais importante seja a alegria do povo, nas arquibancadas dos estádios e das passarelas do carnaval, uma coisa não pode ser confundida com a outra. A corrupção e o jogo do bicho são atividades criminosas, e devem ser investigadas e punidas. O episódio nos conduz a pensar um pouco sobre a tolerância nacional para com os que violam as leis. 

Homens públicos de biografia conhecida se tornam facilitadores de negócios, sob o rótulo genérico de consultores. A atividade de consultores está ligada à especialidade de cada um deles. Um jornalista pode dar consultoria em divulgação de empresas: é sua especialidade. Um engenheiro calculista faz o mesmo, e o mesmo pode fazer um geólogo. Os médicos e advogados são consultores de tempo integral. Mas os lobistas não são consultores: são corretores de negócios – geralmente negócios com o poder público.

Os ídolos do público, jogadores de futebol ou sambistas, vivem em outra dimensão da realidade. Os craques de futebol, principalmente os de hoje, estão afastados da maioria da sociedade. Ganham fortunas, porque, com seu talento, geram fortunas ainda maiores. Fora alguns casos – e Romário é um deles -, distanciam-se das coisas cotidianas e vivem, como é natural, navegando nas nuvens da própria glória. Não deviam, sendo assim, imiscuir-se nas coisas políticas.

É de se recordar a desastrada declaração de Pelé, a de que o povo não sabe votar, feita ainda durante o regime militar. Recorde-se que grande parte de sua carreira coincidiu com o auge da Ditadura, quando um dos presidentes, Garrastazu Médici, se jactava de ser o maior torcedor brasileiro, a ponto de dar palpites sobre o elenco da seleção e receber a corajosa resposta de João Saldanha: “ao presidente cabe escalar o Ministério, e, a mim, escalar o time”.

É velha a tolerância nacional para com os bandidos simpáticos. Durante muitos anos reinou, absoluto, como o maior contrabandista do Rio, o célebre Zico, proprietário do famoso Bar Flórida, da Praça Mauá. O bar era o ponto mais conhecido da boemia carioca, frequentado por prostitutas, marinheiros e malandros. Milionário, Zico era, como todos os sujeitos de sua estirpe, generoso por esperteza, a fim de angariar o apoio de parcelas da população, e financiador de vereadores cariocas. Conta-se que até mesmo Dutra, presidente de sua época, o recebia no Catete. Ao que se sabe, ele nunca foi incomodado pela polícia.

Estamos em uma fase de saneamento moral na atividade política, com a aprovação definitiva da exigência de ficha limpa aos candidatos aos cargos eletivos. Alguns governos estaduais – e o primeiro deles foi o de Minas – já adotaram a exigência e se comprometem a não nomear quem não possa cumpri-la. Seria bom que as escolas de samba não se deixassem governar por notórios bicheiros, e que o futebol voltasse a ser o que foi no passado. Tudo isso é difícil, mas não podemos esmorecer.

WIKILEAKS: EEUU PARTICIPÓ EN GOLPE DE ESTADO EN HONDURAS


La pagina Web WikiLeaks, mediante la publicación de una serie de documentos, señaló el papel fundamental desempeñado por Washington, así como las actividades de la Embajada de EE.UU. en Honduras, en el momento en el que se produjo el golpe de Estado, en 2009, contra Manuel Zelaya.

El primer documento publicado se refiere a las comunicaciones de la Embajada de EE.UU. en Tegucigalpa, capital de Honduras, con Washington, en las que se explicaba las condiciones en las que se encontraba el país latinoamericano.

Según dicho documento, el embajador de EE.UU., Hugo Llornes, informó detalladamente de sus encuentros con algunas autoridades hondureñas, como el alcalde de Tegucigalpa, Ricardo Álvarez, y el expresidente de Honduras Ricardo Maduro.

En 28 de junio de 2009, día en el que tuvo lugar el golpe de Estado, el embajador estadounidense se había reunido con los directores de tres compañías importantes, a saber: Antonio Travel, Emilio Larach y Emin Barjum.

“Las tres personas participantes en la reunión consideraron ilegal este golpe de Estado, pero aceptaron que no había otro remedio que aceptar el gobierno actual y esperar hasta las elecciones de noviembre”, escribió Llornes en su informe a Washington.

Este documento y otros más ponen de relieve que los partidarios del golpe de Estado consideraban a la Embajada de EE.UU., como un centro a través del cual negociar el desarrollo de la política interna.

El segundo documento habla sobre las personas que influyeron en las negociaciones que desembocaron en la firma del Tratado de San José en noviembre de 2009, antes de que tuvieran lugar las elecciones.

Oscar Arias es la pieza fundamental de EE.UU. en este Tratado, tema ampliamente abordado por periodistas, escritores y universitarios.

Tras el golpe de Estado en Honduras de desató una ola de violencia y se vulneraron los derechos humanos. Once corresponsales, que informaban sobre lo que estaba ocurriendo, fueron asesinados.

Através de la lectura de los documentos publicados por WikiLeaks, se puede concluir que Washington planeó el golpe de Estado en Honduras.

* Fonte: HispanTv

Extraído de Midiacrucis's Blog

NAVIOS DO IRÃ E RÚSSIA AO LONGO DO LITORAL DA SÍRIA É MENSAGEM CLARA AOS EUA, DISSE CLÉRIGO IRANIANO - M. K. Bhadrakumar

Soldados russos guardam navio de guerra da mesma nacionalidade no porto sírio de Tartus. Artigo de M. K. Bhadrakumar*, no Asia Times Online. Fonte: Redecastorphoto. Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.



Uma flotilha de navios de guerra iranianos atravessou o Canal de Suez e atracou no porto sírio de Tartus, no sábado. O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse que a missão é mostra da “potência” do Irã, apesar de 30 anos de incansáveis sanções

Toda a 18ª Frota da Marinha do Irã, já atracada em Tartus, participará de exercícios e dará treinamento “às forças navais sírias, nos termos de um acordo assinado há um ano entre Teerã e Damasco”.

Hossein Ebrahimi, clérigo influente e vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Majlis (parlamento) do Irã, declarou:

“A presença de flotilhas do Irã e da Rússia ao longo do litoral da Líbia é mensagem clara contra qualquer possível aventureirismo dos EUA. No caso de os EUA cometerem qualquer erro estratégico na Síria, há real possibilidade de que o Irã, a Rússia e vários outros países imponham resposta esmagadora aos EUA”.

As atividades dos navios de guerra iranianos em Tartus (porto também usado pela Marinha russa) serão observadas de perto pelos países da região – Turquia, Jordânia, Qatar e Arábia Saudita, em especial. Notícias não confirmadas surgidas recentemente dizem que veteranos da Força Qods do Irã (uma unidade especial do Corpo dos Guardas Islâmicos Revolucionários) pode ser enviada à Síria, para auxiliar o governo.

Em termos simples, a mensagem do Irã à Turquia e seus aliados árabes (que estão armando e apoiando a oposição síria) será: “Irmãos, se continuarem a armar os seus, armaremos os nossos”. Há muito assunto aí sobre o qual todos esses países devem refletir, sobretudo as monarquias do petróleo – que se reunirão no próximo domingo, para o primeiro encontro dos “Amigos da Síria”.

Para a Turquia, os navios de guerra iranianos chegaram à Síria em má hora. O jornal israelense Ha'aretz noticiou que o exército sírio capturou 40 agentes da inteligência turca envolvidos em atividades subversivas; e que, ao longo da semana passada, Ankara trabalhou “em intensas negociações” com Damasco, tentando libertá-los. Mas Damasco insiste que, em troca, a Turquia ponha fim à transferência de armas e infiltrações, e, além disso, quer que o Irã seja o mediador. Ha'aretz registrou:

“Oficiais ocidentais temem que a presença militar iraniana, além da ajuda russa, converta a Síria em centro internacional de atrito ainda mais grave que a luta interna na Síria. Temem que uma “parceria” russo-iraniana venha a assumir o controle sobre ações na Síria, o que excluiria a União Europeia e a Turquia (…)” [1]

Tempos de testes

Mas Teerã também está testando as águas. Sob a lei internacional, o Irã tem direito de passagem para seus navios, pelo Mar Vermelho e o Canal de Suez. Mas as equações do Egito para o Irã continuam ambivalentes.

O Egito jamais antes permitiu que navios iranianos cruzassem o Canal de Suez, até fevereiro do ano passado, depois da queda do regime de Hosni Mubarak, quando, indiferente à pressão diplomática dos EUA e aos gritos de ameaça de Israel, o Cairo permitiu a passagem de um destróier. Para Israel, foi “provocação”.

Mas desde então o Egito está em torvelinho, e o entusiasmo inicial para a normalização de relações com Teerã diminuiu muito, com o Egito tornando-se dependente da ajuda financeira da Arábia Saudita e de outras monarquias árabes sunitas do Golfo Persa.

Assim sendo, a permissão para que uma flotilha iraniana inteira passasse por Suez no final de semana significa não só que o Egito começa a movimentar-se na direção de apoiar o Irã, mas também que novas complexidades e imprevisibilidades surgem no caminho das relações entre EUA e Egito.

São tempos de testes para as relações EUA-Egito. Questão potencialmente séria já surgiu com o ataque, pelas autoridades egípcias, a várias dúzias de trabalhadores de organizações não governamentais (ONGs), entre os quais 19 cidadãos norte-americanos. Número ainda não revelado de cidadãos norte-americanos procuraram abrigo na Embaixada dos EUA no Cairo.

O Cairo anunciou no sábado, que 43 dos presos acusados de atividades suspeitas, entre os quais há estrangeiros (norte-americanos, sérvios, alemães, noruegueses, jordanianos e palestinos) e egípcios serão julgados no próximo domingo, 26/2, acusados de “estabelecer filiais não autorizadas de organizações internacionais e de aceitar financiamento estrangeiro para fazer funcionar essas filiais, comportamento que agride a soberania do estado egípcio” [2].

Washington alertou o Cairo de que o ataque às ONGs poderia ferir laços bilaterais e ameaçou cortar a ajuda militar anual que chega a US$1,3 trilhão. Washington sabe que qualquer julgamento público pode expor a escala da interferência dos EUA nos em assuntos internos do Egito. Dez importantes organizações civis norte-americanas que operam no Egito foram invadidas, dentre elas o National Democratic Institute, o International Republican Institute e a Freedom House, que recebem financiamento do governo dos EUA.

O Conselho Supremo das Forças Armadas no Cairo culpa “mãos estrangeiras” pela agitação que não arrefece no Egito. A colorida ministra de Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul-Naga (um dos poucos nomes do regime de Mubarak que não perdeu o lugar que tinha no Gabinete) está chefiando a campanha contra o financiamento estrangeiro para ONGs no Egito. E a Fraternidade Muçulmana ameaçou revisar o tratado de paz entre Egito e Israel, de 1979, caso os EUA cortem a ajuda ao Egito.

Desafio estratégico

Isso dito, Teerã avaliou corretamente o melhor momento para testar as ideias egípcias. A decisão egípcia de permitir a passagem da flotilha iraniana por Suez ajuda a sublinhar a ideia de que o Egito preserva sua autonomia estratégica e que, se assim desejar, poderá reatar relações como Irã. (O ministro das Relações Exteriores do Irã Ali Akbar Salehi elogiou publicamente a decisão do Egito.) Aí há mais que simples “sinal” dirigido a Washington.

Ambas as capitais, Cairo e Teerã, têm chamado a atenção para as extraordinárias mudanças pelas quais o Oriente Médio está passando; e têm dito que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes. A evidência mais espantosa dessas mudanças é que Egito e Irã não têm posições sequer próximas entre si, sobre a crise na Síria; mas, mesmo assim, o Cairo abriu passagem para os navios iranianos, na viagem para Tartus.

Por sua vez, a mensagem mais importante que o Irã está encaminhando hoje é que nem o persistente impasse com os EUA, nem a avalanche de ameaças israelenses conseguiram fazer curvar a espinha dorsal dos iranianos; e não abalaram nem o desejo nem a capacidade do Irã para ajudar seu aliado sírio.

O perigo de confrontação real com os EUA, por causa da Síria, é muito, muito reduzido, de fato; e Teerã não crê que o governo Barack Obama esteja sendo arrastado para uma intervenção à moda líbia, na Síria. Teerã mantém-se bem informada sobre a situação em campo na Síria; e não acredita que o presidente Bashar al-Assad corra qualquer grave perigo.

Contudo, a demonstração de “força” no Mediterrâneo oriental lançará sua sombra sobre a política regional. No sábado, o Hezbollah e o Movimento Amal, em declaração conjunta, reiteraram a aliança com o Irã. Declararam que os eventos na Síria são parte dos “desesperados esforços dos inimigos” para desestabilizar o país, destruir sua unidade nacional e minar o firme apoio que a Síria dá à resistência palestina.

(Seyed Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, disse esse mês que “O Hezbollah recebe do Irã apoio moral, político e financeiro, de todas as formas, desde 1982. Esse apoio honra a República Islâmica”. Disse que “a mais importante vitória árabe” contra Israel, vitória do Hezbollah, não teria sido possível sem o apoio dos iranianos e que também “a Síria teve papel importante naquela vitória”.) [3]

Seja como for, a demonstração de “força” no Mediterrâneo – historicamente “um lago ocidental” – terá ressonâncias também dentro do Irã. Esses gestos apelam ao senso de honra nacional dos iranianos e contribuem para consolidar a opinião pública, o que é especialmente importante para o regime, em momento em que o país aproxima-se de eleições parlamentares crucialmente importantes, em março, nas quais se estima que mude a equação do poder e que a alquimia do Majlis (parlamento) altere-se decisivamente.

Notas dos tradutores

[1] 15/2/2012, Haaretz, em: “Report: U.S. drones flying over Syria to monitor crackdown” (em inglês)

[2] 23/2/2012, Al-Arabiya, em: “Egypt to go ahead with trial of NGO activists on February 26” (em inglês)

[3] 8/2/2012, “Sayyed Nasrallah: ‘O verdadeiro alvo é a Resistência, o apoio do Irã é um orgulho para nós’”, Al-Manar TV, Beirute (em português).

* M.K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de M.K. Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

Extraído do sítio Irã News

DILMA DIZ QUE PAÍSES DESENVOLVIDOS CRIAM TSUNAMI MONETÁRIO AO DESPEJAR RECURSOS NO MERCADO INTERNACIONAL - Yara Aquino

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (1) o “tsunami monetário” provocado pela liberação de recursos na busca de combater a crise financeira em países desenvolvidos. A presidenta criticou também a guerra cambial entre os países.


“Nos preocupamos, sim, com esse tsunami monetário em que os países desenvolvidos que não usam políticas ficais da ampliação da capacidade de investimento para retomar e sair da crise estão metidos e que, literalmente, despejam US$ 4,7 trilhões no mundo ao ampliar [os problemas], de forma muito adversa, perversa para o resto dos países, principalmente os em crescimento, que são os emergentes”, disse.

A presidenta falou também em “canibalização” dos países emergentes, provocada pelas medidas dos países desenvolvidos para sair da crise e em uma “política monetária inconsequente do ponto de vista do que ela produz sobre os mercados monetários”.

Em cerimônia de assinatura de um compromisso para propiciar melhores condições de trabalho a trabalhadores da construção civil, elaborado por centrais sindicais, governo e setores do empresariado, a presidenta falou sobre as condições adversas de concorrência enfrentadas pela indústria brasileira e a guerra cambial. “Hoje, as condições de concorrência são adversas não porque a indústria brasileira não seja produtiva, não porque o trabalhador brasileiro não seja produtivo, mas porque tem uma guerra cambial baseada em uma política monetária expansionista que cria condições desiguais de produção”, disse.

O Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção, assinado hoje, é um conjunto de diretrizes para melhorar as condições de trabalho nos canteiros de obras do país, estabelecendo condições específicas em áreas como saúde, segurança, qualificação profissional, recrutamento e representação sindical no local de trabalho.

Dilma disse ainda que, em 2012, o governo pretende que a taxa de investimento do Brasil ultrapasse, pela primeira vez na década, os 20% do Produto Interno Bruto (PIB).


Extraído do sítio da Agência Brasil

A COMISSÃO DA VERDADE E OS BRASILEIROS - Urariano Mota

Recife (PE) - A mais recente indisciplina de militares reformados contra a Comissão da Verdade, em manifesto onde tentam intimidar com as palavras "a aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo" acende na gente duas observações.


Na primeira delas, chama a atenção que se dirigem mais aos colegas de farda, na ativa, que aos de fora dos quartéis. O que vale dizer, os generais e coronéis reformados clamam por uma quartelada, por um novo golpe de “31 de março”, mais conhecido adiante por revolução de primeiro de abril. Isso é claro porque em mais de um ponto escrevem – ou gritam, à sua maneira de escrever – que não reconhecem autoridade no atual Ministro da Defesa, nas Ministras de Direitos Humanos e de Política para as Mulheres. E, por extensão, desconhecem o poder legítimo da Presidenta Dilma.

Na segunda observação, notamos que eles - os amotinados no manifesto – fazem uma chamada geral, à Nação, aos colegas armados, gritam falar em nome de todos, mas falam em seus próprios, exclusivos e antigos interesses. A saber, quem assim reclama contra a Comissão da Verdade, teme a justiça e a punição por crimes e acobertamento de homicídios cometidos. E não é preciso muito Sherlock Holmes para essa conclusão. Três dos assinantes são ex-torturadores reconhecidos por ex-presos políticos: os coronéis Carlos Alberto Brilhante Ustra, Pedro Moezia de Lima e Carlos Sergio Maia Mondaini.

Deste último, o ex-preso político e jornalista Ivan Seixas conta que “esse torturador, oficial médico psiquiatra, era conhecido na OBAN pelo vulgo de Doutor José. Entre outras proezas gozava nas calças ao ver as companheiras nuas se retorcendo com os choques elétricos aplicados por ele”. Daí podemos entender o tamanho da urgência desses militares reformados contra a volta do conhecimento da História em uma Comissão da Verdade. Invocam os nomes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para melhor abrigo da pessoa criminosa. Mas todos sabemos, por delegação expressa do povo as forças armadas jamais abrigarão ou abrigariam o crime e a perversão. 

Ou viveríamos então em uma democracia sob tutela, onde os comandos militares fingem que não têm poder político, como se fossem pais benevolentes. Seriam crianças, ou incapazes, o poder civil, a República, a Presidenta, os Ministros, o Congresso, a Justiça? Quer esses amotinados desejem ou não, vem chegando a hora do esclarecimento e da recuperação histórica de homens e mulheres, que viveram em condições-limite. Personagens como estes voltarão:

“Odijas Carvalho de Souza (1945-1971)

Odijas foi levado para o Hospital da Polícia Militar de Pernambuco em estado de coma, morrendo dois dias depois, aos 25 anos... ‘No dia 30 de janeiro de 1971 fui acordado cedo por uma grande movimentação. Por volta das 7 horas, Odijas passou diante da cela, conduzido por policiais. Apesar da existência da porta de madeira isolando a sala do corredor, chegaram até nós os gritos de Odijas, os ruídos das pancadas e das perguntas cada vez mais histéricas dos torturadores. Durante esse período, Odijas foi trazido algumas vezes até o banheiro, colocado sob o chuveiro para em seguida retornar ao suplício. Em uma dessas vezes ele chegou até a minha cela e pediu-me uma calça emprestada, porque a parte posterior de suas coxas estava em carne viva. Os torturadores animalizados se excitavam ainda mais, redobrando os golpes exatamente ali”. 

Ou deste jornalista, intelectual, frágil de corpo e gigante de espírito:

“ – Teu nome completo é Mário Alves de Souza Vieira? - Vocês já sabem.

- Você é o secretário-geral do comitê central do PCBR?

- Vocês já sabem.

- Será que você vai dar uma de herói? ...

Horas de espancamentos com cassetetes de borracha, pau-de-arara, choques elétricos, afogamentos. Mário recusou dar a mínima informação e, naquela vivência da agonia, ainda extravasou o temperamento através de respostas desafiadoras e sarcásticas. Impotentes para quebrar a vontade de um homem de físico débil, os algozes o empalaram usando um cassetete de madeira com estrias de aço. A perfuração dos intestinos e, provavelmente, da úlcera duodenal, que suportava há anos, deve ter provocado hemorragia interna”.

Para essas vidas vem de longe um voz coletiva que se ouvirá: presente.

Extraído do sítio Direto da Redação