22 abril 2012

A DIREITA MENTE SOBRE A HISTÓRIA - Alberto Salazar

E, quando é contrariada por ela, pede que seja esquecida.

Na Venezuela, o povo derrotou os golpistas
Com insistência a direita repete a falsa ideia de que quem lembra a história vive no passado. É um grande disparate! Quem desconhece sua história pode interpretar o presente completamente ao contrário do que realmente é, e terá grandes dificuldades para entender o porquê das coisas que presencia no dia a dia.

Os atos que vemos diariamente obedecem a interesses de pessoas, grupos, comunidades, consórcios, empresas ou governos. Há interesse que podem ser opostos a outros, pois aquilo que beneficia a certos setores pode provocar prejuízos para outros. Por exemplo, alguém pode ter interesse em ficar com uma parcela de terra e sustentar que a adquiriu anos atrás. Por sua parte, outro pode afirmar que a mesma terra é sua herança. Os estados resolvem este dilema apelando para um conjunto de regras previamente estabelecidas (leis) e consultando a história. Em algum registro oficial deve existir algum ou alguns documentos, formais e válidos sobre quem é o proprietário atual e quais foram os anteriores. Se isto não ocorre, um engano pode acontecer e a propriedade pode ficar com quem não é realmente seu dono. Esta documentação nada mais é do que um registro da história. Reflete o que ocorreu com aquela região geográfica e seu vínculo com a propriedade.

Não conhecer a história pode resultar em não reconhecer a identidade real. Se desde pequenos somos separados de nossos pais e aqueles que os substituem nos repetem que são nossos país verdadeiros, existem amplas possibilidades de acreditarmos nessa mentira por muito tempo, inclusive pela vida inteira. E não seria a primeira vez que um inimigo de alguém lhe roubar os filhos e os criar como se fossem próprios.

Tomar seus filhos e enganá-los até fazê-los voltar as costas e detestar a seus verdadeiros pais é uma parte do dano feito a alguém. Isto não é imaginário pois no Cone Sul de nosso continente as ditaduras de direita fomentaram seqüestros de crianças e ainda hoje é preciso invocar tribunais para que exijam a aplicação de testes de DNA para resolver este tipo de questão.

Mais grave ainda é fazer um povo esquecer sua história. Pode-se tentar fazê-lo acreditar que defendem valores, ideais e aspirações completamente opostos ao que seus antecessores desejaram para aqueles que hoje ou amanhã o formarão. O povo judeu sabe isto muito bem e os grupos sionistas, que dirigem a nação judia, são os primeiros a defender que não desconheça sua história. Ensinaram a história a seus filhos e até a entrelaçam com os livros sagrados, não históricos, para convencê-los de que Deus lhes deu o âmbito territorial como promessa e que isso justifica o saque pela força de quem se encontra nela. Também nos contam com fervor e interesse a respeito do holocausto produzido pelos nazistas e se aproveitam dessa tragédia para justificar as ações políticas que realizam. Permitirá Hollywood e outros setores midiáticos que a civilização esqueça os judeus assassinados na Segunda Grande Guerra?

Esta é a forma como a direita atua; repete freqüentemente que a história induz a viver de costas para o presente e o futuro, mas se apóia em fatos históricos, frequentemente falsos, para apoiar sua doutrina. Por exemplo, Cuba é mantida isolada do continente americano porque uma condição histórica conhecida como a guerra fria assim o estabeleceu. E embora o conflito frio entre os EUA e a União Soviética (URSS) já não exista, a sanção ainda é mantida. De forma semelhante, o Reino Unido retém o velho colonialismo nas ilhas Malvinas, sob sua peculiar interpretação de fatos passados que dão aos britânicos uma falsa soberania territorial.

E que escrever sobre como os historiadores da direita relatam a revolução francesa? A revolução dos sovietes? Ou de um Guillermo Morón (1) classificando de concubina a bela e valente oficial o exército patriota e independentista Manuela Saénz (2)? Que pensar de um Elías Pino Iturrieta (3) acomodando convenientemente as palavras de Simón Bolívar para contradizer a advertência que nos deixou sobre os Estados Unidos da América?

Acabamos de ver como a direita venezuelana conta o ocorrido em 11, 12 e 13 de abril de 2002 em nosso país. Por acaso não fomos testemunhas de como os golpistas da direita fascista em nosso país mudaram para alterar oi que aconteceu? Não vimos como Capriles Radonski, Leopoldo López, Víctor Manuel García, Enrique Mendoza e muitos outros negar por completo tudo o que fizeram nessa época, mesmo que esteja gravado em vídeos, e esse conteúdo seja repetido diariamente?

Obviamente na mídia da direita a verdade não será repetida; ao contrário, se insistirá na tergiversação. E se descuidarmos, ela será transformada em relato oficial. Logo ela aparecerá em algum texto curto que será gravado na memória coletiva para que ninguém mais se lembre além do que é dito. Por exemplo, dia da raça, embora uma grande quantidade de venezuelanos nunca sabe a que raça se refere tal dia, mas celebram o 12 de outubro.

Por tudo isso sustentamos que é freqüente que a direita minta com a história e se apropria dela quando lhe convém. Mas quando ela lhe nega a razão, apela para o terrível engano de pedir que a página seja virada para não nos ancorarmos no passado. Idiota aquele que caia nessa mentira bruta e deixe de levar em conta plenamente a história. O próprio Cervantes, no Quixote, nos recomendou o contrário, ao escrever: "Historia, mestra do tempo, depósito das ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro...”

Notas do Vermelho
(1) Veterano historiador venezuelano
(2) Revolucionária da independência sul americana, lutou ao lado de Simon Bolivar.
(3) Historiador venezuelano


Extraído do sítio Portal Vermelho

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