Maior conferência da ONU adiou compromissos de desenvolvimento sustentável e ajuda financeira a países pobres. Sociedade civil: "fracasso épico", Dilma: "conferência democrática". Conta da Rio+20 será paga pelo Brasil.
A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável chegou ao fim nesta sexta-feira (22/06), no Rio de Janeiro. Os 188 países representados, 105 deles por chefes de Estado, adotaram o documento final sem alterações importantes. O governo brasileiro elogiou o resultado da Rio+20 e a sociedade civil falou em "fracasso épico".
A presidente Dilma Rousseff fez um discurso de encerramento na plenária. "O Brasil se orgulha de ter organizado a mais participativa e democrática conferência na qual tiveram espaço diversas visões e propostas. Buscamos sempre manter um equilíbrio respeitoso entre as posições de todos os países".
Na visão de Dilma, o documento aprovado, "O futuro que queremos", lança uma agenda importante, que vai orientar o desenvolvimento sustentável. Antes, no entanto, a presidente comentara à imprensa que muitos países não estavam de acordo com a criação de um fundo para financiar ações sustentáveis nas nações mais pobres. "Os países desenvolvidos não querem que isso seja posto na pauta. E nós queremos que seja posto na pauta, mas agora temos de respeitar quem não quer."
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Júbilo dos participantes ao fim da Rio+20 |
"O melhor que se podia conseguir"
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconheceu que a Rio+20 deixou a desejar em relação aos avanços que a Eco92 impulsionou. "É fácil falar que [o documento final da conferência] foi pouco ambicioso. Mas ninguém se sentou à mesa para colocar dinheiro adicional", criticou os países ricos.
Teixeira ironizou ainda a dependência do socorro financeiro que países em crise enfrentam. "É contraditório ver a África do Sul doando dinheiro para o Fundo Monetário Internacional no G20." O país integrante do BRICS situado no continente mais pobre do mundo vai liberar 2 bilhões de dólares para a instituição financeira.
Nikhil Chandavarkar, porta-voz do secretariado da ONU na Rio+20, preferiu dar uma outra resposta sobre essa divisão entre ricos e pobres na mesa de negociações. "Acho que conseguimos ver a complexidade dos hemisférios norte e sul. Até no sul, onde estão os emergentes, cada um tem seus próprios interesses. Isso fez com que o consenso no sul fosse muito difícil", disse em entrevista à DW Brasil, referindo-se ao Grupo dos 77+China, que inclui o Brasil.
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Protesto antinuclear no Rio |
"É o melhor que se podia esperar nesta época", Chandavarkar classificou o resultado da Rio+20, sem citar diretamente a crise financeira que consome a Europa. Mas as regras do jogo agora também são decididas pelos emergentes – apontou como maior ganho. "Acho que a arbitragem se move para o sul. Essa é a grande lição daqui."
O porta-voz mencionou o Brasil, Índia e África do Sul como atores importantes na tomada de decisões no plano internacional. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável chegou ao fim nesta sexta-feira (22/06), no Rio de Janeiro. Os 188 países representados, 105 deles por chefes de Estado, adotaram o documento final sem alterações importantes. O governo brasileiro elogiou o resultado da Rio+20 e a sociedade civil falou em "fracasso épico".
A presidente Dilma Rousseff fez um discurso de encerramento na plenária. "O Brasil se orgulha de ter organizado a mais participativa e democrática conferência na qual tiveram espaço diversas visões e propostas. Buscamos sempre manter um equilíbrio respeitoso entre as posições de todos os países".
Na visão de Dilma, o documento aprovado, "O futuro que queremos", lança uma agenda importante, que vai orientar o desenvolvimento sustentável. Antes, no entanto, a presidente comentara à imprensa que muitos países não estavam de acordo com a criação de um fundo para financiar ações sustentáveis nas nações mais pobres. "Os países desenvolvidos não querem que isso seja posto na pauta. E nós queremos que seja posto na pauta, mas agora temos de respeitar quem não quer."
Críticas pesadas
"A Rio+20 vai ficar como a cúpula do embuste. Eles vieram, falaram, mas não agiram", foi como classificou a conferência Barbara Stocking, da ONG Oxfam, que também criticou a recusa das nações ricas a financiarem os menos desenvolvidos
Kumi Naidoo, da Greenpeace International, disse que a conferência entrará para a história como a "Rio menos20. "Os governos não conseguiram produzir o acordo histórico que precisamos para enfrentar a tempestade de crises que estão por vir: ecológica, econômica e de igualdade".
Até mesmo Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, ouviu as críticas de representantes da sociedade civil brasileira que participaram da paralela Cúpula dos Povos. O sul-coreano recebeu pessoalmente do grupo uma carta que repudia os resultados acordados pelos chefes de Estado.
Balanço de nove dias
A Rio+20 entra para história, pelo menos, na contagem numérica: foi a maior conferência das Nações Unidas já realizada, com 45.381 participantes, a maioria de delegados (12 mil) e membros da sociedade civil (9.856). Milhares de eventos aconteceram simultaneamente na cidade do Rio de Janeiro, durante os nove dias de reuniões, 500 deles só no centro de convenções Riocentro.
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Encontro deixou insatisfações. "Cúpula do embuste"? |
Na mesa de negociação, no entanto, uma das principais expectativas não foi atendida: a criação de metas de desenvolvimento sustentável em diferentes áreas foi adiada, e deve ser formulada até 2015. O documento prevê o estabelecimento de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU e o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que não vai virar uma agência da organização.
Também será criado um mecanismo jurídico dentro da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que deve impor regras para conservação e exploração sustentável dos oceanos. Outro ponto foi a concordância em se desenvolver uma nova maneira de contabilizar a riqueza das nações, que vá além do Produto Interno Bruto (PIB).
"Agora os discursos acabam e o trabalho começa", despediu-se Ban Ki-moon da Rio+20. O secretário-geral agradeceu a dedicação pessoal de Dilma Rousseff ao tema e parabenizou o Brasil por ter sediado o evento. Os custos dos nove dias de reuniões no Riocentro serão assumidos pelo anfitrião. A cifra não foi revelada.
Extraído do sítio Deutsche Welle
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