23 junho 2012

RIO+20 DEIXA MAIS FRUSTRAÇÕES DO QUE LEGADOS - Norma Moura

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável resultou em documento cheio de boas intenções. Mas, como afirma o premiê Dmítri Medvedev, também "não tenho dúvidas de que poderíamos ter feito mais".

Foto: government.ru

O futuro que queremos não será exatamente o que teremos. Pelo menos é o que indicam os resultados preliminares da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, encerrada na sexta-feira (22), no Rio de Janeiro.

Sem especificar responsabilidades e prazos ou apontar fontes de financiamentos para ações que visem o desenvolvimento sustentável, sobretudo nos países em desenvolvimento, o documento final da cúpula, intitulado "O Futuro que Queremos", tem 49 páginas de boas intenções e poucas ações concretas.

Essa é a conclusão quando se ouve o barulho feito pelas organizações não governamentais que participaram do encontro.

Insatisfeitas com vários pontos do documento, elas acusam as autoridades internacionais de terem produzido um acordo acanhado frente aos desafios ambientais do planeta e de usarem a crise financeira mundial como desculpa para boicotar o financiamento de projetos para o desenvolvimento sustentável.

“Foi frustrante”, resumiu a ativista Iara Pietricovsky, representante da Cúpula dos Povos. Discurso dissonante das lideranças mundiais, que defenderam a Conferência como um avanço importante para o debate futuro sobre o meio ambiente.

O secretário-geral da Rio+20, Sha Zukan, defendeu o legado deixado. “Os líderes mundiais fizeram no Rio uma estrutura de ações. Construímos um grande legado sobre o futuro que queremos”.

A polifonia tornou o Riocentro, palco do encontro, em uma Babel moderna, onde diplomatas, políticos e ativistas ambientais não falaram a mesma língua.

O próprio secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, apresentou discursos divergentes em menos de 24 horas.

Na abertura do Segmento de Alto Nível da conferência, criticou o documento produzido com o esforço (hercúleo, diga-se de passagem) da diplomacia brasileira, definindo-o como pouco ambicioso.

No dia seguinte, lembrou-se de que é um representante diplomático, aceitou o diapasão oferecido pelo Itamaraty e afinou seu discurso com o da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

Em documento oficial, avaliou a Rio+20 como uma “base sólida para a promoção do desenvolvimento sustentável”.

Desentendimentos a parte, o fato é que, passados 20 anos da primeira conferência sobre meio ambiente (Rio-92), a sensação que fica é a de que os países ainda não entenderam a urgência em discutirseriamente alternativas para o modelo de desenvolvimento atual.

Futuro incerto

Como palco para a multiplicidade de expressões, a Rio+20 pode até ser considerada um sucesso, como querem nos fazer acreditar as autoridades brasileiras.

Mas como instrumento para salvar o planeta por meio da renovação do compromisso político com o desenvolvimento sustentável, a conversa sai do tom.

Isso porque quando se trata de colocar a mão no bolso, as nações mais ricas demonstram pouca disposição para o sacrifício.

Esse comportamento já era uma tendência antes da conferência. Agora, com a ausência de representantes de países de peso – tanto em termos de economia como de poluição, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a chanceler alemã, Angela Merkel - ele se tornou a tônica dos negociadores na conferência.

Infelizmente, reverter o processo de esgotamento do planeta demanda mais do que discursos e boa vontade. É preciso dinheiro. Muito mais do que os US$ 20 milhões para financiar projetos de energia limpa na África anunciados pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

Se o documento final da Rio+20 “é produto da ambição coletiva dos países que participaram dessa conferência”, como defendeu a presidente Dilma Rousseff, ao encerrar o evento, então os líderes mundiais foram realmente pouco ambiciosos.

Como disse o primeiro-ministro da Rússia, Dmítri Medvedev, também "não tenho dúvida de que todos nós podemos fazer mais.

Em seu pronunciamento na quarta-feira (21), o premiê russo lembrou que esse é um acordo global, com medidas que devem ser assumidas por todos.

“Há apenas uma verdade simples: somente em conjunto e juntos poderemos tornar nosso mundo mais amigável, mais seguro e confortável para a geração atual e as gerações futuras”, afirmou o premiê russo.

Em uma crítica velada a grandes nações, Medvedev garantiu que a Rússia vem mantendo suas responsabilidades, principalmente em relação ao protocolo de Kioto.

Como saldo do que deveria ser a urgência do planeta e vontade política mundial, ficou a criação do Centro Rio+ (Centro Internacional para o Desenvolvimento Sustentável).

Seu objetivo será o de ampliar os diálogos para a sustentabilidade, mas ainda não há data para sua instalação no Campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Também haverá uma espécie de promissória a ser descontada em 2013, para quando os líderes acertaram a retomada das discussões com a criação de um grupo de trabalho que deverá apresentar propostas a serem implementadas após 2015. 

A partir desta data, entrarão em cena os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, nos mesmos moldes dos Objetivos do Milênio.

A esperança é que os países-membros das Nações Unidas consigam, então, implantar em escala mundial uma economia verde que freie a destruição do meio ambiente ao mesmo tempo em que erradique a miséria. Um enorme desafio, seja hoje ou daqui a três anos.

* Norma Moura é jornalista e foi subeditora da sucursal de Brasília do Jornal do Brasil e da editoria de política do Correio Braziliense.


Extraído do sítio Gazeta Russa

RIO+20 BATE RECORDE NUMÉRICO E RESSALTA DIVISÃO ENTRE RICOS E POBRES - Nádia Pontes



Maior conferência da ONU adiou compromissos de desenvolvimento sustentável e ajuda financeira a países pobres. Sociedade civil: "fracasso épico", Dilma: "conferência democrática". Conta da Rio+20 será paga pelo Brasil.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável chegou ao fim nesta sexta-feira (22/06), no Rio de Janeiro. Os 188 países representados, 105 deles por chefes de Estado, adotaram o documento final sem alterações importantes. O governo brasileiro elogiou o resultado da Rio+20 e a sociedade civil falou em "fracasso épico".

A presidente Dilma Rousseff fez um discurso de encerramento na plenária. "O Brasil se orgulha de ter organizado a mais participativa e democrática conferência na qual tiveram espaço diversas visões e propostas. Buscamos sempre manter um equilíbrio respeitoso entre as posições de todos os países".

Na visão de Dilma, o documento aprovado, "O futuro que queremos", lança uma agenda importante, que vai orientar o desenvolvimento sustentável. Antes, no entanto, a presidente comentara à imprensa que muitos países não estavam de acordo com a criação de um fundo para financiar ações sustentáveis nas nações mais pobres. "Os países desenvolvidos não querem que isso seja posto na pauta. E nós queremos que seja posto na pauta, mas agora temos de respeitar quem não quer."

Júbilo dos participantes ao fim da Rio+20
"O melhor que se podia conseguir"

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, reconheceu que a Rio+20 deixou a desejar em relação aos avanços que a Eco92 impulsionou. "É fácil falar que [o documento final da conferência] foi pouco ambicioso. Mas ninguém se sentou à mesa para colocar dinheiro adicional", criticou os países ricos.

Teixeira ironizou ainda a dependência do socorro financeiro que países em crise enfrentam. "É contraditório ver a África do Sul doando dinheiro para o Fundo Monetário Internacional no G20." O país integrante do BRICS situado no continente mais pobre do mundo vai liberar 2 bilhões de dólares para a instituição financeira.

Nikhil Chandavarkar, porta-voz do secretariado da ONU na Rio+20, preferiu dar uma outra resposta sobre essa divisão entre ricos e pobres na mesa de negociações. "Acho que conseguimos ver a complexidade dos hemisférios norte e sul. Até no sul, onde estão os emergentes, cada um tem seus próprios interesses. Isso fez com que o consenso no sul fosse muito difícil", disse em entrevista à DW Brasil, referindo-se ao Grupo dos 77+China, que inclui o Brasil.

Protesto antinuclear no Rio
"É o melhor que se podia esperar nesta época", Chandavarkar classificou o resultado da Rio+20, sem citar diretamente a crise financeira que consome a Europa. Mas as regras do jogo agora também são decididas pelos emergentes – apontou como maior ganho. "Acho que a arbitragem se move para o sul. Essa é a grande lição daqui."

O porta-voz mencionou o Brasil, Índia e África do Sul como atores importantes na tomada de decisões no plano internacional. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável chegou ao fim nesta sexta-feira (22/06), no Rio de Janeiro. Os 188 países representados, 105 deles por chefes de Estado, adotaram o documento final sem alterações importantes. O governo brasileiro elogiou o resultado da Rio+20 e a sociedade civil falou em "fracasso épico".

A presidente Dilma Rousseff fez um discurso de encerramento na plenária. "O Brasil se orgulha de ter organizado a mais participativa e democrática conferência na qual tiveram espaço diversas visões e propostas. Buscamos sempre manter um equilíbrio respeitoso entre as posições de todos os países".

Na visão de Dilma, o documento aprovado, "O futuro que queremos", lança uma agenda importante, que vai orientar o desenvolvimento sustentável. Antes, no entanto, a presidente comentara à imprensa que muitos países não estavam de acordo com a criação de um fundo para financiar ações sustentáveis nas nações mais pobres. "Os países desenvolvidos não querem que isso seja posto na pauta. E nós queremos que seja posto na pauta, mas agora temos de respeitar quem não quer."

Críticas pesadas

"A Rio+20 vai ficar como a cúpula do embuste. Eles vieram, falaram, mas não agiram", foi como classificou a conferência Barbara Stocking, da ONG Oxfam, que também criticou a recusa das nações ricas a financiarem os menos desenvolvidos

Kumi Naidoo, da Greenpeace International, disse que a conferência entrará para a história como a "Rio menos20. "Os governos não conseguiram produzir o acordo histórico que precisamos para enfrentar a tempestade de crises que estão por vir: ecológica, econômica e de igualdade".

Até mesmo Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas, ouviu as críticas de representantes da sociedade civil brasileira que participaram da paralela Cúpula dos Povos. O sul-coreano recebeu pessoalmente do grupo uma carta que repudia os resultados acordados pelos chefes de Estado.

Balanço de nove dias

A Rio+20 entra para história, pelo menos, na contagem numérica: foi a maior conferência das Nações Unidas já realizada, com 45.381 participantes, a maioria de delegados (12 mil) e membros da sociedade civil (9.856). Milhares de eventos aconteceram simultaneamente na cidade do Rio de Janeiro, durante os nove dias de reuniões, 500 deles só no centro de convenções Riocentro.

Encontro deixou insatisfações. "Cúpula do embuste"?
Na mesa de negociação, no entanto, uma das principais expectativas não foi atendida: a criação de metas de desenvolvimento sustentável em diferentes áreas foi adiada, e deve ser formulada até 2015. O documento prevê o estabelecimento de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU e o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que não vai virar uma agência da organização.

Também será criado um mecanismo jurídico dentro da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, que deve impor regras para conservação e exploração sustentável dos oceanos. Outro ponto foi a concordância em se desenvolver uma nova maneira de contabilizar a riqueza das nações, que vá além do Produto Interno Bruto (PIB).

"Agora os discursos acabam e o trabalho começa", despediu-se Ban Ki-moon da Rio+20. O secretário-geral agradeceu a dedicação pessoal de Dilma Rousseff ao tema e parabenizou o Brasil por ter sediado o evento. Os custos dos nove dias de reuniões no Riocentro serão assumidos pelo anfitrião. A cifra não foi revelada.

Extraído do sítio Deutsche Welle

LUGO, O "BISPO DOS POBRES" QUE SE TORNOU "PRESIDENTE SOLITÁRIO" - Marcia Carmo


Chamado de "bispo dos pobres", Fernando Lugo entrou para a história do Paraguai ao enfrentar a cúpula católica para se candidatar e se tornar o primeiro presidente de esquerda do país.

Lugo também fez história ao quebrar a hegemonia de seis décadas do Partido Colorado à frente do poder no Paraguai (incluindo os 35 anos do regime autoritário de Alfredo Stroessner, entre 1954 e 1989).

Na Presidência, perdeu sua base de apoio, enfrentou oposição ferrenha e virou personagem do folclore político, quando vieram à tona os “filhos” do “presidente bispo”.

O conflito agrário que resultou em 18 mortes (entre camponeses e policiais) selou o destino de Lugo, cassado em um processo relâmpago de impeachment.

Em pouco mais de 24 horas, Lugo foi apeado do poder, no que foi chamado de “golpe parlamentar” por analistas e lideranças políticas do Paraguai e da região.

Eleito em abril de 2008, o paraguaio foi um presidente solitário. Governou sem apoio do Congresso e sob a mira de setores empresariais que questionavam sua capacidade de conter demandas reprimidas, como a dos agricultores dos sem-terra.

Sina

Lugo acabou repetindo a sina de outros presidentes paraguaios, que não conseguiram completar seus mandatos ao longo da turbulenta história do país.

Com pouco mais de seis milhões de habitantes, o Paraguai registrou, em sua história recente, vários hiatos de democracia e de estabilidade institucional.

Um deles levou o ex-presidente Raúl Cubas, destituído em 1999, a pedir asilo político no Brasil, onde Stroessner também viveu asilado.

Lugo, um novato na política tradicional, deixou o Palácio de López a apenas oito meses das eleições presidenciais, após perder o apoio decisivo dos liberais, do PLRA (Partido Liberal Radical Autentico), legenda do seu ex-vice e inimigo político, Federico Franco, agora seu sucessor.

Novato

Lugo chegou à Presidência usando seu carisma como religioso. Sua única experiência política até ser lançado pré-candidato em 2006 tinha sido a militância junto a movimentos sociais em sua diocese de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país.

Segundo observadores paraguaios, Lugo “pecou” ao não fazer alianças políticas para tentar “sobreviver” à forte oposição dos congressistas.

Apesar de ter sido derrotado nas urnas, o Partido Colorado tinha a maior parte dos votos no Congresso e a simpatia da maioria dos 300 mil funcionários públicos filiados à legenda.

Quando Lugo foi eleito pela Aliança Patriótica para a Mudança, que incluía partidos da esquerda à direita, um diplomata brasileiro alertou a BBC Brasil sobre os problemas que viriam pela frente.

“Ele terá que ter muita cintura política para governar com este amplo perfil político e sem base própria no Congresso. Vai ser difícil agradar a todos e especialmente no Paraguai”, disse, na ocasião.

Filhos e câncer

Lugo sobreviveu ao cargo mesmo quando surgiram informações, em 2009, de seu primeiro filho, fruto dos tempos em que era bispo.

A notícia provocou comoção entre os paraguaios e virou motivo de deboche e até hit musical. O grupo de cumbia Los Angeles ganhou fama ao cantar que ‘Lugo tem coração, mas não usou condón (camisinha)”.

O então presidente e ex-bispo foi acusado por quatro mulheres de ser pai de seus filhos, mas reconheceu reconheceu a paternidade de apenas duas das quatro crianças.

Na Presidência, Lugo também enfrentou um câncer que o levou várias vezes à São Paulo, onde realizou o tratamento.

Publicamente, Lugo aparecia sozinho e era visto por seus colegas presidentes como um político “tímido e afável”, que mantinha hábitos da cultura paraguaia, como falar em guarani e tomar ‘tereré’ (chimarrão).

Lugo deixa a Presidência de um país que registrou forte crescimento econômico nos últimos (apesar da desaceleração recente), favorecido pelo boom da soja, mas com problemas sociais.

A expectativa é que ele volte para a casa onde morava, no município de Lambaré, na grande Assunção.

Na parede, quando ainda era candidato, Lugo mantinha um quadro com a frase de Paulo Coelho: “O mundo está nas mãos daqueles que têm a coragem de sonhar e de viver seus sonhos”.


Extraído do sítio BBC Brasil

FRANCO ASSUME PRESIDÊNCIA DO PARAGUAI E RESPONDE A ACUSAÇÕES DE GOLPE

Vice-presidente assumiu cargo apenas uma hora e meia após o julgamento de impeachment que cassou o então presidente Lugo.


O novo Presidente paraguaio, Federico Franco, junto dos novos ministros de Relações Exteriores, José Félix Fernández, e do Interior, Carmelo Caballero, durante una conferência de imprensa no Palácio do Governo

Federico Franco, vice-presidente de Fernando Lugo, assumiu nesta sexta-feira (22/06) a Presidência do Paraguai em uma sessão conjunta do Legislativo realizada apenas uma hora e meia após o julgamento de impeachment que cassou o então presidente.

O político, filiado ao Partido Liberal Autêntico Radical de viés conservador, realizou discurso perante os parlamentares no qual garantiu a vigência de princípios democráticos respondendo às acusações de que o processo contra Lugo se tratou de um golpe. “A transição é realizada dentro da ordem constitucional”, afirmou ele.

O novo presidente também garantiu aos governos latino-americanos que "manterá o respeito irrestrito à Constituição e as leis e aos tratados e acordos internacionais, assim como ao cumprimento das obrigações internacionais". 

Em seu discurso, Franco continuou com a tática da oposição de utilizar as mortes em Curuguaty para legitimar o golpe contra Lugo. O político, que sempre entrou em choque com os movimentos sociais de esquerda ligados ao antigo presidente, exigiu justiça pelas mortes dos camponeses sem-terra. 

O novo presidente se direcionou, em seguida, ao Palácio do Governo para ocupar seu novo escritório, onde anunciou sua equipe ministerial que terá integrantes de todas as legendas que apoiaram o impeachment. 

Em sua primeira entrevista coletiva, Franco procurou endereçar os problemas com os líderes vizinhos que não reconheceram seu governo como legítimo. Ele pediu que os governantes "entendem" a situação criada em seu país e aceitem que fará "o maior dos esforços para que isto se normalize".


A situação do Paraguai será discutida na reunião da Cúpula do Mercosul, a se realizar nesta próxima terça-feira (26/06), e na Unasul (União das Nações Sul-Americanas), que está analisando o caso desde quinta-feira (21/06). Em nota nesta sexta-feira (22/06) à tarde, a Unasul afirmou que o impeachment do presidente paraguaio Fernando Lugo é uma “ameaça à ruptura da ordem democrática, ao não respeitar o devido processo”.

O processo de impeachment contra Lugo deverá ser avaliado por ambas as organizações por meio da clausula democrática que estabelece o dever de manter a ordem democrática nos países membros. 

O presidente do Equador, Rafael Correa, qualificou o impeachment de "golpe ilegítimo" e disse que não reconhecerá nenhum outro presidente do Paraguai que não seja Lugo. A presidente argentina, Cristina Kirchner, também nomeou o processo de “golpe de Estado”. "É um ataque definitivo às instituições que reedita situações que acreditávamos absolutamente superadas na América do Sul e na região, em geral", afirmou ela. “A Argentina não vai convalidar [o impeachment].”

O líder venezuelano, Hugo Chávez, classificou o impeachment como uma “farsa” e afirmou que não irá reconhecer o governo de Franco. “O governo venezuelano não reconhece esse ilegal e ilegítimo governo que se instalou em Assunção”, disse ele. A presidente do Brasil, Dilma Roussef, inicialmente manteve o tom de seus colegas sul-americanos, mas depois, moderou "não está decidido nem foi inteiramente discutido" o que fazer diante da questão paraguaia. "E não cabe fazer ameaças neste momento, pois não contribui para a busca de uma solução".

Histórico

Franco assumiu a vice-presidência de Lugo para selar a aliança entre seu partido de viés conservador, o Partido Liberal Radical Autêntico, e a coalizão de centro-esquerda (Aliança Patriótica para a Mudança), que apoiava o antigo presidente.

Desde 2008 quando tomou posse, em diversas ocasiões, Franco discordou da política progressista do antigo presidente e entrou em conflito com diversos movimentos sociais de esquerda. O político, vinculado às elites paraguaias, assumiu posição contrária ao governo de Hugo Chavez, barrando a entrada da Venezuela no Mercosul. 


Extraído do sítio Opera Mundi