01 maio 2012

RUMO AO CONTINENTE LIXO - Ana Fuentes



Um grupo de pesquisadores ambientalistas embarca nesta quarta-feira, 2 de maio, em uma expedição rumo a um depósito de lixo quase cem vezes maior do que a Holanda que flutua no meio do Oceano Pacífico.

Poucos se fala sobre o “sétimo continente”. Trata-se de uma ilha de lixo 97 vezes mais extensa do que a Holanda, que possui cerca de 30 metros de espessura e localiza-se entre o litoral da Califórnia e do Havaí. Pesa cerca de 3,5 milhões de toneladas e se parece muito mais com uma enorme sopa de resíduos porque não é possível caminhar nela.

O oceanógrafo estadunidense Charles Moore a descobriu por acaso em 1999, porque não está perto de nenhuma rota marítima comercial ou turística. Os satélites não podem detectá-la: só pode ser vista a partir das pontes de comando dos barcos. Trata-se de uma das maiores ameaças ecológicas atuais.

Como o depósito está em águas internacionais, ninguém se importa com ele. Para conscientizar a comunidade internacional, nessa quarta-feira, 2 de maio, uma equipe de ambientalistas franceses partirá em uma expedição a partir de San Diego à ilha do lixo.

“Cerca de 80% dos resíduos provêm da terra firme, da população que habita os litorais. Chegam ao mar transportados pelos rios e pelo vento. Trata-se de todo tipo de resíduos que jogamos nos rios ou que provêm do lixo. Desde embalagens de detergente até o casco de um barco naufragado por um tsunami”, explica Alain Dupont. Mergulhador e especialista em travessia marítima, Dupont faz parte da primeira expedição europeia ao “sétimo continente”.

Dupont e seus quatro companheiros (mergulhadores, navegadores experientes e cientistas) têm vários objetivos para essa expedição de um mês. O primeiro: especificar quanto espaço ocupa a placa de lixo e que risco implica. “Os satélites atualmente detectam vários parâmetros como a temperatura da água, a altitude, a salinidade, a pressão ou a cor, por fotometria. No entanto, o plástico se desintegra em partículas de menos de um milímetro de tamanho, que entram em contato com os peixes e plâncton”, aponta Dupont.

O plástico não é biodegradável e geralmente pode levar mais de 100 anos para se decompor. O Greenpeace afirma que a proporção do plástico na área do continente lixo já é seis vezes maior do que a de plâncton. Os animais confundem as partículas de plástico com sua comida, não podem digeri-las e muitos acabam morrendo. Outros acumulam toxinas, prejudicando toda a cadeia alimentar.

Qual é a solução?

Repescar os resíduos é praticamente impossível porque custaria dezenas de milhares de euros. Nenhum governo se preocupa porque as placas estão em águas internacionais e legalmente eles não estão obrigados a isso.

De fato, este não é o único continente de lixo que existe. Há uma placa similar no Oceano Atlântico. Mas as campanhas contra jogar resíduos nas águas se concentram no máximo ao litoral e não ao alto mar.

Dupont insiste que este problema é tão grave como o da mudança climática e acredita ser crucial sensibilizar as novas gerações. “Nosso desafio principal nessa missão será redigir comunicados e informações diariamente, em tempo real, e enviar mensagens e imagens que o público possa seguir em nossa página na internet (em francês) e também via Facebook.”

A expedição foi financiada principalmente pela região da Guiana Francesa e pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais, mas os ambientalistas continuam precisando de patrocinadores. O plano é colaborar com escolas e instituições que se unam ao projeto. Eles também pretendem trabalhar lado a lado com pesquisadores suíços e estadunidenses que investigam o fenômeno dos continentes de lixo.


"Os plásticos que flutuam no oceano ficarão ali para sempre. Está praticamente confirmado que não há como tirá-los de lá. O que é preciso fazer é parar de jogar resíduos no mar para evitar que o fenômeno se amplie", explica Dupont. O problema cresce de forma exponencial. Os cientistas calculam que em 20 anos o sétimo continente será do mesmo tamanho da Europa.

Extraído do sítio RNW

DESEMPREGO DE JOVENS PODE CRIAR GERAÇÃO SEM FUTURO - Jean Michel Berthoud

Fila em frente a um departamento do desemprego na Espanha. (Keystone)
Um grande problema na Europa são os jovens sem trabalho: mais de 20% das pessoas com menos de 25 anos são afetadas pelo problema; na Espanha e na Grécia é quase a metade.

Com apenas pouco mais de 3% de desemprego entre os jovens, a Suíça tem uma das menores taxas da Europa, porém nem todos os problemas estão resolvidos.

"Basicamente vivemos uma boa conjuntura econômica no país. A taxa de ocupação aumentou de forma significativa, tanto antes como depois da crise financeira. E quando o emprego aumenta, os jovens aproveitam de forma geral", afirma Serge Gaillard.

De acordo com o diretor do departamento de emprego na Secretaria de Estado da Economia (Seco, na sigla em alemão) isso é apenas um elemento de curto prazo.

"Em longo prazo o nosso sistema dual de formação profissional, ou seja, a formação paralela nas empresas e nas escolas profissionalizantes, é um dos nossos pontos fortes. Dois terços dos jovens na Suíça entram no mercado de trabalho já com 16 ou 17 anos e combinam a experiência prática com a formação na escola. Esse sistema já comprovou sua eficácia. Países com um sistema dual apresentam geralmente um nível menor de desemprego juvenil."

Nível elevado de acadêmicos 

Para o sociólogo e responsável científico do Censo Federal Jovem (ch-x), Karl Haltiner, também é importante que "a diferença de prestígio na Suíça entre formação profissional e educacional média, ao contrário de outros países no sul da Europa, não é muito grande. Apesar do aumento do número de acadêmicos também na Suíça, estamos ainda distantes da situação italiana, onde a proporção é de 30% de acadêmicos no país", explica Haltiner.

Uma grande parte desses jovens recém-formados precisa entrar no mercado de trabalho que não está preparado para recebê-los nessas dimensões. Eles depois precisam se encaixar em um mercado de trabalho precário em empregos abaixo das suas qualificações, para "pelos menos conseguir se encaixar".

Legislação trabalhista mais flexível 

Haltiner critica a rígida e extensa legislação trabalhista nos países da União Europeia com níveis elevados de desemprego juvenil. "Eles produzem o chamado mercado 'insider-outsider': os que têm um emprego são protegidos pelos sindicatos e praticamente não podem ser demitidos como 'insider'; enquanto isso, os 'outsider, em grande parte jovens no início da carreira profissional, não encontram empregos e são explorados vergonhosamente como estagiários."

O sociólogo ressalta o exemplo da Itália, onde a legislação trabalhista impossibilita demissões em empresas com mais de 15 empregados, mesmo em uma conjuntura econômica ruim. "Assim as empresas ficam poucas dispostas a empregar novas pessoas, pois em uma conjuntura ruim elas não podem se separar deles."

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, tenta atualmente flexibilizar a legislação trabalhista no seu programa de reformas. Porém já sente uma forte oposição por parte dos sindicatos.

Na Espanha a situação é semelhante como na Itália. "Ela é agravada adicionalmente inclusive pelo duro programa de austeridade do governo e o fraco crescimento econômico no sul da Europa."

Há apenas poucos anos a Alemanha conseguiu introduzir leis trabalhistas mais flexíveis, "o que contribuiu para a sua boa conjuntura econômica, com níveis baixos de desemprego e desemprego juvenil", diz Haltiner.

O que fazer? 

Para estabilizar, ou até mesmo diminuir ainda mais o baixo nível de desemprego de jovens na Suíça (3,2% em março de 2012), duas coisas são primordiais para Serge Gaillard do Seco. “Em primeiro lugar uma situação macroeconômica equilibrada, uma economia e oferta de emprego não estagnadas. O segundo fator é o sistema de formação profissional.

Temos que conseguir que o maior número possível de jovens conclua ou uma formação profissional ou o diploma do ensino médio (que possibilita entrar na universidade). Os jovens que não dispõem de nenhuma formação ficam muitas vezes desempregados ou se tornam até dependentes do sistema social", acrescenta Gaillard. "Temos de oferece vagas suficientes na formação profissional."

Para a Europa vale a mesma receita: "Equilíbrio macroeconômico. Esses países têm frequentemente o problema duplo de não serem concorrenciais e ainda estarem altamente endividados. É muito difícil resolver ao mesmo tempo os dois problemas se você está preso a um espaço monetário fixo e não pode desvalorizar a moeda. O segundo é desenvolver cursos profissionalizantes que permitam aos jovens exercer o mais cedo possível uma atividade remunerada."

Melhor integração e comunicação 

"Os jovens que concluíram uma formação profissional têm pouca experiência profissional. Porém a economia a exige, o que se torna um problema para essas pessoas", afirma Claudia Menchini. Ela é chefe da Fundação Diaconis, sediada em Berna, cujo principal objetivo é integrar o mais rápido possível jovens desempregados no mercado de trabalho.

Juntamente com a bagagem profissional, é importante hoje em dia o engajamento na empresa e também aceitação de críticas, lembra. "Para jovens isso é muitas vezes difícil, especialmente se eles vêm de famílias estrangeiras, com baixa formação educacional e que chegam a uma cultura diferente, além de não disporem do suficiente apoio em casa."

Nesse ponto o sociólogo Karl Haltiner dá sua opinião: "É preciso integrar melhor os filhos de estrangeiros na Suíça, especialmente no que diz respeito à educação. É preciso informar melhor os pais sobre as possibilidades de formação profissional no país."

Motivação 

Claudia Menchini presencia muitas vezes a resignação entre os jovens que procuram uma formação profissional. "Especialmente quando seus amigos já encontraram vagas e eles não. É um grande passo sair da escola e entrar no mundo profissional."

Para os que não cumprem todas as exigências do mercado de trabalho, o mesmo círculo vicioso se repete - trabalho, desemprego, ajuda-desemprego, trabalho, desemprego - surge a desesperança, uma impressão de não ter futuro.

Porém Karl Haltiner é mais esperançoso. Como responsável científico do Censo Federal Jovem, ele viu nos últimos quarenta anos da existência da pesquisa, "que os jovens valorizam não apenas a família e os amigos, mas também o trabalho. Eles são extremamente motivados e querem demonstrá-lo, apesar da importância que o embasamento tem hoje em dia para boas perspectivas profissionais. "


Extraído do sítio Swiss.info

ALEMÃES VÃO ÀS RUAS CONTRA MOVIMENTOS NEONAZISTAS



O Dia do Trabalho é tradicionalmente conhecido como dia de luta dos sindicatos por questões econômicas e sociais. Este ano, na Alemanha, o 1º de Maio foi marcado também por manifestações contra extremistas de direita.

Milhares de pessoas foram às ruas em várias cidades da Alemanha nesta terça-feira (01/05), convocadas por sindicatos, iniciativas de esquerda, organizações jovens e igrejas, para protestar contra a marcha dos extremistas de direita do partido NPD.

Em Bonn, segundo os organizadores, cerca de 10 mil pessoas participaram das passeatas, missas e ações estudantisem protesto contra a marcha de aproximadamente 200 neonazistas.

A coalizão "Bonn stellt sich quer" ("Bonn se atravessa no caminho", em tradução livre) condenou, porém, a ação da polícia, que utilizou cassetetes, gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar o bloqueio pacífico dos manifestantes. A polícia declarou que os opositores dos neonazistas teriam tentado romper uma barreira policial.

Cerca de 10 mil pessoas se reuniram em Bonn para protestar contra marcha de extremistas de direita
Protestos na Baviera

Na cidade bávara de Hof, o ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich (CSU), também foi às ruas para se opor à marcha de extremistas de direita. Friedrich caminhou à frente da passeata com cerca de 4 mil participantes pela cidade, seu reduto eleitoral. "A democracia na Alemanha está viva e nós não vamos nos deixar perturbar por extremistas e racistas", disse o político conservador cristão.

Em Hof foi anunciada a presença de 400 neonazistas. Confrontos violentos entre extremistas de direita e de esquerda foram relatados pela polícia, que prendeu manifestantes de ambos os lados.

Não passarão

Em Neubrandenburg, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, cerca de 400 pessoas sentaram-se para formar uma barreira e obrigaram a marcha do NPD, com cerca de 300 participantes, a mudar de rota. "Nós não permitiremos que o Dia do Trabalho seja tomado pelos nazistas", declarou o governador do estado, o social-democrata Erwin Sellering, durante a passeata.

Polícia usou spray de pimenta contra manifestantes antinazistas
O porta-voz da Federação Alemã de Sindicatos (DGB, na sigla em alemão) chamou a estratégia dos neonazistas de "oportunista, por usar as questões sociais do 1º de Maio para satisfazer seus próprios interesses". Mais uma vez, os sindicatos exigiram a proibição do NPD e de redes e irmandades neofascistas.

Na cidade de Wittstock, em Brandemburgo, em uma manifestação espontânea, centenas de pessoas se reuniram para interromper uma demonstração neonazista. Os cidadãos se aglomeraram em um cruzamento ferroviário e bloquearam assim a passeata dos extremistas de direita, que acabaram encerrando a marcha antes do previsto.

Em Neumünster, no estado de Schleswig-Holstein, a polícia deteve cerca de 100 participantes de uma marcha neonazista por transitarem por uma rota não notificada.


Extraído do sítio Deutsche Welle

SITUAÇÃO DO SANEAMENTO NO BRASIL É DRAMÁTICA E NÃO CONDIZ COM CRESCIMENTO ECONÔMICO DO PAÍS, DIZ ESPECIALISTA - Vítor Abdala



Rio de Janeiro – Os indicadores de saneamento no Brasil são “dramáticos” e fazem o país parecer parado no século 19. A avaliação é do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. A organização não governamental realiza estudos e acompanha a situação do saneamento básico no país.

De acordo com o Trata Brasil, os últimos dados disponíveis do Ministério das Cidades, de 2009, mostram que cerca de 55,5% da população brasileira não estão ligados a qualquer rede de esgoto e que somente um terço dos detritos coletados no país é tratado.

“Podemos dizer que a grande maioria do esgoto do país continua indo para os cursos d’água, os rios, as lagoas, os reservatórios e, consequentemente, o oceano. O Brasil parou no século 19. Qualquer indicador que você pegue tem níveis dramáticos, que não têm nenhuma relação com o avanço econômico que o Brasil vem tendo”, disse Carlos.

Para o especialista, o Brasil teve avanços, principalmente com a criação do Ministério das Cidades e com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os progressos, no entanto, ainda são tímidos em relação às necessidades do país.

Segundo ele, atualmente são investidos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano em saneamento no Brasil, quantia inferior à necessária para atingir as metas do governo até 2030 – investimento de R$ 420 milhões pelos próximos 18 anos, o que corresponde a cerca de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com estimativas feitas pelo Ministério das Cidades.

Mesmo com o aumento dos recursos para saneamento básico nos últimos anos, principalmente por causa do PAC, a maioria dos projetos não sai do papel. Um levantamento divulgado no início de abril deste ano pelo Trata Brasil, sobre as 114 principais obras de saneamento da primeira fase do programa, mostra que apenas 7% delas estão prontas. Entre as demais, 32% estavam paralisadas e 23% atrasadas.

“O problema não é a falta de recursos. Os municípios não conseguem tocar as obras. Muitos projetos [apresentados ao PAC] estavam desatualizados e tinham problemas técnicos. Muitas obras não passaram nem na primeira inspeção [do programa]”, informou o especialista.

Para Édison Carlos, os principais entraves ao avanço do saneamento básico no país são a falta de prioridade dada pelos políticos à questão e a falta de interesse da população em cobrar essas obras das autoridades.

O Instituto Trata Brasil participará da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), a Rio+20, mas Édison Carlos é cético em relação aos avanços que poderão ser obtidos.

“Espero estar errado, mas acho que temas como os biocombustíveis, a questão da floresta e o efeito estufa tendem a dominar as discussões. Além disso, o que costuma balizar essas discussões são temas econômicos”.

Extraído do sítio Agência Brasil