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15 setembro 2012

SERRA DEU UMA MEGA-SENA POR MÊS À MÍDIA DEMOTUCANA - Saul Leblon

Na campanha presidencial de 2010, Serra deu R$17,6 milhões por mês ao dispositivo midiático demotucano para veicular publicidade do governo de São Paulo. É como se o tucano transferisse 980 salários mínimos por dia (40 salários por hora), uma Mega-Sena por mês (a deste sábado é de R$ 17 milhões) aos veículos que o apóiam. 

Durante a gestão Serra em SP (2007/2011), o governo do Estado transferiu R$ 608,9 milhões à mídia 'isenta' para comprar espaço publicitário. Significa que Serra, sozinho, repassou aos veículos que formam o dispositivo midiático conservador um valor equivalente a 30% dos gastos totais com publicidade do governo federal no mesmo período. Os valores absolutos foram publicados pela Folha deste sábado.

O auge da generosidade tucana foi no ciclo eleitoral de 2009/2010:R$ 246 milhões. A Globo foi a mais aquinhoada na gestão Serra: R$ 210 milhões, 50% do total destinado a TVs, embora sua fatia na audiência seja declinante no período: caiu de 41% para 38% do total. Serra destinou às TVs religiosas mais recursos do que à TV Cultura, cuja audiência é superior. 

A empresa de publicidade que intermediou a maioria dos contratos, ficando com 20% de comissão - como acontecia com o Valerioduto - foi a 'Lua', cujo proprietário é Rodrigo Gonzales. Rodrigo vem a ser filho do publicitário Luiz Gonzales,o marqueteiro de Serra e Alckmin, que fez a campanha presidencial do tucano em 2010 e comanda a atual, à prefeitura de SP. A agencia Lua também tem a conta publicitária da Dersa e do programa Nota Fiscal Paulista. (valores divulgados pela Folha, 15-09)

Extraído do sítio Carta Maior

03 setembro 2012

AS EXPLICAÇÕES PARA A NOTA DE DILMA - Luis Nassif

Há dois FHCs, o FHC1, intelectual que se esforça por se tornar figura referencial do país; e o FHC2, imediatista, capaz de pequenos atos de mesquinharia. Frequentemente, FHC2 atropela FHC1.

Eleita presidente, Dilma Rousseff entendeu a importância de uma oposição civilizada, programática. Candidato a presidente pelo PSDB, mesmo derrotado José Serra poderia empalmar o comando do PSDB, mantendo o partido no modelo selvagem exibido em 2010. E resolveu apostar em FHC1.

Ao levantar a bola de FHC1, Dilma pretendeu transformá-lo no principal interlocutor da oposição e, ao mesmo tempo, esvaziar a guerra de preconceitos alimentada pelo serrismo.

Não era tarefa fácil, mesmo porque a belicosidade de Serra abriu espaço para um conjunto de políticos e colunistas de estilo virulento, que só conseguiriam se manter à tona em tempos de guerra. Serra inaugurou uma cadeia produtiva do ódio que permitiu a ascensão de inúmeros aventureiros incapazes de solfejar uma nota fora desse compasso. Vide Roberto Freire.

Para quem avança além das manchetes de jornal, estava claro o conflito armado de FHC1 com Serra. Bastou FHC apontar Aécio Neves como candidato potencial do PSDB às próximas eleições para Serra incumbir Marco Antonio Villa de fuzilá-lo.

Ao receber o reconhecimento de Dilma, aplacou sua veia belicista, parecia pacificado com sua biografia permitindo que FHC1 se impusesse sobre FHC2. Seus pronunciamentos deixaram de lado o imediatismo do dia a dia. Estava quase tomando o lugar que, por direito, cabe aos ex-presidentes, de figura referencial e voz crítica do país.

Mas não resistiu a essa invencível guerra de egos com Lula, sua eterna diferença. FHC2 voltou à tona, e tentou se valer do julgamento do "mensalão" para tirar sua casquinha.

Com a Nota Oficial, aparentemente Dilma se deu conta de que a síndrome do escorpião acompanhará FHC pelo restante de sua existência.

Extraído do Blog do Nassif

A ENRASCADA DA CANDIDATURA JOSÉ SERRA - José Dirceu

Na campanha eleitoral de 2010 para presidente da República eram tantas as contradições que o candidato da oposição José Serra apresentava a cada dia que, em certo momento, sua adversária a presidenta Dilma Rousseff chegou a compará-lo a biruta de aeroporto.

Nesta campanha de agora, para prefeito de São Paulo, José começa a enveredar pelo mesmo caminho.As pesquisas indicam que as duas principais causas da rejeição de 43% que ele acumula são o apoio do prefeito da capital, Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB, agora PSD) - cuja administração é desaprovada por 80% dos paulistanos - e o fato dele ter abandonado a Prefeitura em 2006, antes de chegar à metade do mandato.

Até agora José tentava justificar que a renúncia à Prefeitura naquele ano não era problema, porque ele se elegeu governador em seguida com boa votação na capital. Portanto, alegava que o eleitor aprovava o abandono a que ele relegou à prefeitura. Mas, ontem, em uma entrevista ao jornal o Globo, ele mudou a desculpa e diz que sua rejeição decorre da "ideia, explorada pelos adversários, de que deixarei a prefeitura".

José agora põe a culpa por sua rejeição no PT

"Ficam (o PT) dizendo que vou sair de novo. Como eles não têm muito a dizer a meu respeito, ficam batendo na questão da saída da prefeitura, que vou sair de novo para ser candidato a presidente ou a governador", assinala o candidato.

Mas, ele não saiu? Saiu sempre. Não cumpre mandato até o fim. Eleito senador, o mandato dele foi cumprido pelo suplente, Pedro Piva, e ele ficou 8 anos ministro da Saúde e do Planejamento de FHC; disputou a prefeitura quatro vezes e na única que ganhou, renunciou 16 meses depois; governador, saiu oito meses antes do término do mandato para concorrer ao Planalto. Usa todos os cargos, sempre, como trampolim para o próximo.

Com estas declarações e comentários de agora, o candidato tucano a prefeito mostra que não tem nada a dizer. Apenas revela sua total falta de resposta. Principalmente aos 2/3 do eleitorado que, segundo as pesquisas, antecipam que não vão votar nele por desconfiar que ele vai abandonar a prefeitura de novo, caso se eleja, para sair candidato a presidente em 2014.

Errou ao abandonar a prefeitura e sair candidato - em 2006 e agora

A razão para José estar nesta situação, enrascado sem saber o que dizer e sem ter respostas convincentes às críticas, é que ele errou ao sair candidato a governador em 2006 e este ano a prefeito. Agora não sabe o que fazer.

Para se ter uma ideia do tamanho da derrota tucana que se avizinha na maior cidade do país, basta ver a pesquisa Ibope/TV Globo/Estadão divulgada ontem, pela qual, num cenário de 2º turno (e ele está cada vez mais ameaçado de não chegar lá) José teria apenas 27% dos votos. Um desastre para eles.

Nesta entrevista ao O Globo José diz, ainda, que já esperava a entrada do presidente Lula na campanha eleitoral."Sim (esperava). A especialidade do Lula nunca foi governar, mas fazer campanha. Imagina se ele vai perder uma campanha!".

José talvez não se lembre, ou quem sabe repita intencionalmente mesmo, mas esse discurso é o da direita, dos conservadores, desde que o presidente Lula começou a fazer política. Eles é quem dizem que Lula, por ser um operário não podia ou não devia fazer política. Mas fez, ganhou eleições e em seus governos transformou o Brasil.

Extraído do Blog do Zé Dirceu

30 agosto 2012

JOSÉ SERRA VAI SER "CRISTIANIZADO"? - Altamiro Borges


A pesquisa Datafolha divulgada ontem fez ressurgir o fantasma da “cristianização”. Nas eleições presidenciais de 1950, a candidatura do mineiro Cristiano Machado não decolou e ele foi rifado pelo seu próprio partido, o PSD, que em plena campanha passou a apoiar “extraoficialmente” Getúlio Vargas. Daí a origem do termo. Agora pode ocorrer o mesmo com José Serra. A pesquisa acendeu o sinal de alerta. O tucano pode nem ir ao segundo turno. Nos bastidores, alguns “aliados” já falam que ele será “cristianizado”.

Segundo o Datafolha, Serra perdeu cinco pontos na corrida para a prefeitura da capital paulista – de 27% para 22%. Já o “azarão” Celso Russomanno (PRB) enfrentou bem a primeira semana da propaganda na tevê e manteve os seus 31%. Para complicar ainda mais a vida do tucano, o petista Fernando Haddad subiu seis pontos – de 8% para 14%. No outro extremo, o da taxa de rejeição, Serra é o campeão absoluto, com 43% – há uma semana, 38% dos eleitores diziam que não votariam nele de jeito nenhum.

O risco de "vexame" do tucano 

Diante destes índices preocupantes, muitos caciques da oposição demotucana já temem pelo “vexame” do eterno candidato do PSDB. O que parecia impossível, a sua não ida ao segundo turno, agora parece bem provável. Russomanno pode até cair alguns pontos – inclusive sendo alvo das baixarias de Serra –, mas tudo indica que Haddad vai crescer nas intenções de voto. Até Josias de Souza, o blogueiro da Folha, já prevê a possibilidade do segundo turno com Russomanno e Haddad. Em artigo postado na semana passada, ele advertiu:

“Serra passou a conviver com um desafio novo. Precisa provar-se capaz de sobreviver ao primeiro round da disputa. A sua prioridade agora é evitar o fiasco experimentado por Geraldo Alckmin na disputa municipal de 2008. Naquele ano, Alckmin deslizou da liderança nas pesquisas para a derrota no primeiro turno. Passaram à segunda fase Gilberto Kassab (então no DEM) e Marta Suplicy (PT)”. Com a nova pesquisa, o risco do “fiasco” passou a ser ainda maior, atormentando o comando da campanha de Serra.

Kassab e Alckmin

É neste cenário que surgem as perguntas – e as articulações de bastidores. O pragmático Gilberto Kassab, líder de um partido “que não é de esquerda, nem de direita e nem de centro”, vai apostar todas suas fichas no rejeitado Serra? O seu PSD inclusive já foi rotulado de “cupim” por dirigentes do PSDB e é apontado como culpado pelo declínio do tucano. E o governador Geraldo Alckmin, que já foi traído por Serra e não morre de amores por ele, vai se empenhar na campanha? Há fortes indícios de que a “cristianização” está em curso!

Extraído do Blog do Miro

25 agosto 2012

'SOMOS IRMÃOS SIAMESES', DIZ PAULO PRETO - Altamiro Borges


Em seu sítio, o controvertido jornalista Cláudio Humberto divulgou nesta semana uma notinha que explica o desespero do PSDB com o depoimento do famoso Paulo Preto na CPI do Cachoeira, já agendado para 29 de agosto. Segundo revela, o ex-diretor da Dersa e um dos principais “arrecadadores” da campanha tucana em 2010, comentou: “Minha ética é a ética do Serra... Afinal de contas, nós somos como irmãos siameses”. A mensagem foi encarada por muitos com uma ameaça, uma coisa típica dos mafiosos em perigo.

Hoje, na Folha, ele voltou a avisar “aos tucanos que dirá à comissão que seus atos à frente da empresa eram de conhecimento do ex-governador e hoje candidato à prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB). Paulo Preto, como é conhecido, foi convocado pela CPI para esclarecer suspeitas de superfaturamento na obra de ampliação da marginal Tietê. A ampliação era responsabilidade de consórcio liderado pela construtora Delta - empresa da qual o empresário [sic] Carlinhos Cachoeira é sócio oculto, de acordo com a Polícia Federal”.

Dividir as responsabilidades com Serra

Ainda segundo o jornal tucano, “o engenheiro antecipou a interlocutores a disposição de afirmar que Serra era sua ‘bússola’ no Dersa e que, para comprovar, dispõe de documentos assinados por ele. Paulo Preto estaria também disposto a admitir que se valeu do trânsito entre empresários para ajudar a arrecadar, de forma legal, recursos para a campanha de Serra à Presidência, em 2010. Além de se defender das acusações de que é alvo, o engenheiro decidiu dividir a responsabilidade de suas ações com o tucano”.

O depoimento de Paulo Preto – um “líder ferido” que foi largado na estrada, segundo ele mesmo lamentou em 2010 – é visto como um grave risco pelos tucanos paulistas. O curioso é que a sua convocação teve o apoio do líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias, “sob a orientação do senador Aécio Neves, desafeto de José Serra”, segundo intriga da mesma Folha. Paulo Preto falará à CPI um dia depois de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit, outra testemunha que pode complicar a vida do tucano em São Paulo.

Extraído do Blog do Miro

24 agosto 2012

MERVAL E MAINARDI: COM SERRA E OS EUA - Rodrigo Vianna

Mainardi e as colunas a serviço de Serra; o animal ao lado não é Merval Pereira
Não havia muitas dúvidas de que Merval Pereira e Diogo Mainardi fizeram de suas colunas (em “O Globo” e “Veja”) um espaço aberto a serviço de Serra, durante a campanha de 2010.

Mas não se sabia que eles cumpriram também o papel de correia de transmissão entre o serrismo e os EUA.

Textos publicados por Maria Frô e Miguel do Rosário no blog Gonzum mostram as relações estreitas entre os jornalistas e o Consulado dos EUA no Rio. Tudo baseado em telegramas do wikileaks, repassados com exclusividade a um grupo de blogs (entre os quais se encontra esse Escrevinhador).

Aqui, a tradução dos telegramas no blog da Maria Frô:

WikiLeaks
246840/ 2/2/2010 19:13/ 10RIODEJANEIRO32/ Consulate Rio De Janeiro/ NCLASSIFIED//FOR OFFICIAL USE ONLY
Excertos dos itens “não classificados/para uso exclusivamente oficial” do telegrama 10RIODEJANEIRO32.

A íntegra do telegrama não está disponível.

ASSUNTO: Ideias sobre possíveis candidatos a vice-presidente para José Serra

RESUMO. 1. (SBU) Observadores políticos e atores do PSDB no país entendem que há possibilidade de candidato do PSDB à presidência (na dianteira, nas pesquisas de intenção de voto) convidar a candidata Marina Silva, do Partido Verde, para sua chapa, como vice-presidente. Embora pareça pouco provável, nesse ponto, que Marina Silva aceite esse papel, muitos creem que, pelo menos, ela apoiará Serra num eventual segundo turno contra a candidata do PT Dilma Rousseff. Apesar de a hipótese Marina não estar descartada, analistas do PSDB veem, como cenário mais provável, que o governador de Minas Gerais, Aecio Neves (PSDB) venha a completar a chapa com Serra, como candidato à vice-presidência, apesar de Neves já ter declarado publicamente que concorrerá ao Senado. Mas, com a vantagem de Serra encolhendo nas pesquisas recentes, ressurge a especulação de que Serra possa renunciar a favor de Neves como candidato do PSDB. Até aqui, Serra é o candidato mais provável, e muitos dos nossos interlocutores declararam que uma chapa Serra-Neves seria o melhor caminho para Serra enfrentar com chances de sucesso os esforços do presidente para traduzir sua popularidade pessoal em votos para Dilma Rousseff, na sucessão. FIM DO RESUMO.

NO RIO, ANALISTAS DISCUTEM ALTERNATIVAS PARA A VICE-PRESIDÊNCIA

2. (SBU) Em almoço privado dia 12 de janeiro, o importante colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul dos EUA no Rio de Janeiro que a recente coluna [de Mainardi] na qual propõe o nome de Marina Silva como vice-presidente na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, na qual Serra dissera que Marina Silva seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.

Naquela conversa com Mainardi, Serra expôs as mesmas vantagens que, depois, Mainardi listou em sua coluna: a história de vida de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda, que contrabalançariam a atração pessoal que Lula exerce sobre os pobres no Brasil, e poriam Dilma Rouseff (PT) em desvanagem na esquerda, ao mesmo tempo em que ajudariam Serra a superar o peso da associação com o governo de Fernando Henrique Cardoso que Dilma espera usar como ponto de lança de ataque em sua campanha. Apesar disso, Mainardi não acredita que Marina associe-se a Serra, porque está interessada em fixar sua própria credibilidade, concorrendo, ela mesma, à presidência. Mas Mainardi disse que crê – como também Serra – que Marina Silva pode bem vir a apoiar Serra num eventual segundo turno contra Dilma.

3. (SBU) Em plano mais realista, Mainardi disse ao cônsul que o governador de Minas Gerais Aecio Neves dissera a Mainardi, no início desse mês, que Neves permanecia “completamente aberto” à possibilidade de concorrer como candidato a vice, na chapa de José Serra. (Nota: Dia 17/12/2009, Neves declarou oficialmente encerrada a discussão sobre sua pré-candidatura à presidência e mostrou interessem em concorrer como vice-presidente [referido em outro telegrama. FIM DA NOTA).

Apesar das declarações públicas de que concorrerá ao Senado, Mainardi disse que Neves planeja esperar um cenário no qual o PSDB, talvez à altura do mês de março, convide Neves para compor a chapa, com vistas a aumentar a chance do partido contra Dilma. As ambições pessoais de Neves e seu desejo, intimamente ligado àquelas ambições, de não atrapalhar o PSDB nas próximas eleições, levariam Neves a compor a chapa, ao lado de Serra – na opinião de Mainardi.

É a mesma opinião de Merval Pereira, colunista do jornal O Globo, o maior do Rio de Janeiro, que se reuniu com o Cônsul dia 21/1. Pereira disse ao cônsul que tivera uma conversa com Neves na véspera, na qual Neves dissera estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice-presidente, na mesma chapa.

Na opinião de Merval Pereira, uma chapa Serra-Neves venceria. Pereira disse também acreditar que não só Neves aceitará a vice-presidente de Serra, mas, também, que Marina Silva também apoiaria Serra num eventual segundo turno.
(…)

Extraído do sítio Escrevinhador

27 julho 2012

A BLOGOFOBIA DE JOSÉ SERRA - Leandro Fortes

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora. Na campanha eleitoral de 2010, o tucano experimentou, pela primeira vez, o gosto amargo da quebra da hegemonia da mídia que o apóia – toda a velha mídia, incluindo os jornalões, as Organizações Globo e afins. O marco zero desse processo foi a desconstrução imediata, online, da farsa da bolinha de papel na careca do tucano, naquele mesmo ano, talvez a ação mais vexatória da relação imprensa/política desde a edição do debate Collor x Lula, em 1989, pela TV Globo. Aliás, não houvesse a internet, o que restaria do episódio do “atentado” ao candidato tucano seria a versão risível e jornalisticamente degradante do ataque do rolo de fita crepe montado às pressas pelo Jornal Nacional, à custa da inesquecível performance do perito Ricardo Molina.

A blogosfera e as redes sociais são o calcanhar de Aquiles de José Serra, e não é de agora
A repercussão desse desmonte midiático na rede mundial de computadores acendeu o sinal amarelo nas campanhas de marketing do PSDB, mas não o suficiente para se bolar uma solução competente nas hostes tucanas. Desmascarado em 2010, Serra reagiu mal, chamou os blogueiros que lhe faziam oposição de “sujos”, o que, como tudo o mais na internet, virou motivo de piada e gerou um efeito reverso. Ser “sujo” passou a ser um mérito na blogosfera em contraposição aos blogueiros “limpinhos” instalados nos conglomerados de mídia, a replicar como papagaios o discurso e as diatribes dos patrões, todos, aliás, alinhados à campanha de Serra.

Ainda em 2010, Serra tentou montar uma tropa de trolls na internet comandada pelo tucano Eduardo Graeff, ex-secretário-geral do governo Fernando Henrique Cardoso. Este exército de brucutus, organizado de forma primária na rede, foi facilmente desarticulado, primeiro, por uma reportagem de CartaCapital, depois, por uma investigação do Tijolaço.com, blog noticioso, atualmente desativado, do ministro Brizola Neto, do Trabalho.

Desde então, a única estratégia possível para José Serra foi a de desqualificar a atuação da blogosfera a partir da acusação, iniciada por alguns acólitos ainda mantidos por ele nas redações, de que os blogueiros “sujos” são financiados pelo governo do PT para injuriá-lo. Tenta, assim, generalizar para todo o movimento de blogs uma realidade de poucos, pouquíssimos blogueiros que conseguiram montar um esquema comercial minimamente viável e, é preciso que se diga, absolutamente legítimo.

Nos encontros nacionais e regionais de blogueiros dos quais participo, há pelo menos três anos, costumo dar boas risadas com a rapaziada da blogosfera que enfrenta sozinha coronéis da política e o Poder Judiciário sobre essa acusação de financiamento estatal. Como 99% dos chamados blogueiros progressistas (de esquerda, os “sujos”) se bancam pelo próprio bolso, e com muita dificuldade, essa discussão soa não somente surreal, mas intelectualmente desonesta. Isso porque nada é mais financiado por propaganda governamental e estatal do que a velha mídia nacional, esta mesma que perfila incondicionalmente com Serra e para ele produz, não raramente, óbvias reportagens manipuladas. Sem a propaganda oficial do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e da Petrobras, todos esses gigantes que se unem para defender a liberdade de imprensa e expressão nos convescotes do Instituto Millenium estariam mendigando patrocínio de açougues e padarias de bairro para sobreviver.

Como nunca conseguiu quebrar a espinha dorsal da blogosfera e é um fiasco quando atua nas redes sociais, a turma de Serra tenta emplacar, agora, a pecha de “nazista” naqueles que antes chamou de “sujo”. É uma estratégia tão primária que às vezes duvido que tenha sido bolada por adultos.

Um candidato de direita, apoiado pelos setores mais reacionários, homofóbicos, racistas e conservadores da sociedade brasileira a chamar seus opositores de nazistas. Antes fosse só uma piada de mau gosto.


Extraído do sítio CartaCapital

MAS ERENICE NÃO ERA "CULPADA"? - Eduardo Guimarães


A mídia, no mundo inteiro, tem um poder que ninguém deveria ter nas democracias: condenar e absolver quem quiser das acusações que faz ou que, para os políticos “amigos”, tenta desfazer. Agora mesmo, o país está às portas de ver no que vai dar uma dessas feitiçarias midiáticas, a do escândalo do mensalão “do PT”.

Há mais ou menos sete anos que a opinião pública vem sendo induzida pela mídia a acreditar piamente na culpa “inquestionável” dos 38 réus no inquérito do mensalão, o qual vai a julgamento no STF a partir da semana que vem. Muita gente caiu nessa, inclusive pessoas que não são movidas pela má fé da imprensa partidarizada.

Na semana que finda, porém, ainda que a notícia tenha sido dada com extrema discrição, mais um dos integrantes de um governo petista que fora “condenado” pela mídia foi absolvido pela Justiça, gerando perplexidade naqueles que tiveram acesso à notícia mal-divulgada sobre essa absolvição.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou o processo contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra por suposto tráfico de influência, após acatar recomendação do Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi decretada na sexta-feira passada (20) pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal.

Em 2010, no auge da campanha eleitoral em que Dilma Rousseff derrotou José Serra, Erenice – sucessora de Dilma na Casa Civil – fora acusada pela mídia de ter beneficiado parentes em contratações de serviços aéreos para os Correios, estudos para projetos de mobilidade urbana e outorgas de concessão de serviço móvel especializado.

As denúncias contra Erenice, entre outros fatores, ajudaram a levar a eleição presidencial de 2010 para o segundo turno, favorecendo José Serra, que por pouco não sofreu uma derrota ainda maior para alguém como Dilma, que, ao contrário dele, jamais disputara uma eleição na vida.

A indisposição da mídia com Erenice, em particular, fora desencadeada mais de dois anos antes, ainda em 2008, quando também sofrera outra acusação que se esboroou ao ser investigada pela Justiça e pela Polícia Federal.

Naquele início de 2008, a oposição acusara o governo Lula de montar um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O objetivo, de acordo com a oposição, seria constrangê-la na CPI dos Cartões, criada naquele ano para investigar possíveis irregularidades no uso dos cartões corporativos do governo federal.

Não tardou para a mídia comprar a tese tucana. O suposto dossiê, de acordo com reportagem da Folha, foi montado pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff. A oposição e aquele jornal, e posteriormente o resto da mídia, insinuaram que a hoje presidente da República tinha ordenado a Erenice a confecção do dossiê.

Ainda hoje, apesar da primeira absolvição de Erenice, a mídia e a oposição a Dilma tratam aquele caso como se tivesse dado em alguma coisa – continuam repetindo uma acusação que, após ser investigada exaustivamente, mostrou-se mentirosa.

Todavia, nada seria mais contundente e massacrante do que a denúncia eleitoreira que se daria contra Erenice na véspera do primeiro turno da eleição presidencial de 2010, sobre tráfico de influência por Erenice, a qual a Justiça acaba de rechaçar por falta de provas que a imprensa, então, dizia que abundavam.

Em 11 de setembro de 2010, a 3 semanas do primeiro turno da eleição presidencial, justamente em um momento em que as pesquisas davam conta de enorme superioridade de Dilma sobre Serra, a revista Veja acusa o filho de Erenice de fazer “tráfico de influência” usando o cargo da mãe, então ministra da Casa Civil.

A partir dali, todo o noticiário foi sendo construído de forma a garantir à sociedade que Erenice e Dilma eram culpadas das acusações sem provas que a Veja fez e que toda a grande imprensa comprou sem questionar nada. O noticiário não deixava margem para sequer cogitar que a acusação não fosse séria.

Abaixo, algumas capas da Folha – que poderiam ser da Veja, de O Globo, do Estadão etc – que acusaram Erenice de forma tão cabal que não houve outro jeito senão demiti-la, e que servem de amostra de um fato impressionante: de 11 de setembro a 3 de outubro, todo dia Folha, Estadão, Globo e (semanalmente) Veja fustigaram a campanha de Dilma com o caso Erenice até a eleição ir ao segundo turno.

Observação: leia a primeira coluna de capas da Folha e depois a segunda coluna, obedecendo à ordem de datas abaixo de cada capa.



Agora, leitor, dê uma olhada, abaixo, em como saiu a notícia da absolvição de Erenice nesse mesmo jornal.




Não é por outra razão que Erenice Guerra anunciou, após ser absolvida, que estuda processar por danos morais os veículos de comunicação que, segundo afirmou, “promoveram um verdadeiro linchamento público” com objetivo eleitoral.

Essa é uma causa ganha – ou deveria ser, devido ao que prova este post sobre o que fez a mídia na reta final do primeiro turno da campanha eleitoral de 2010. O que se espera, portanto, é que Erenice não esmoreça e leve esse processo até o fim, pois esse tipo de armação continua sendo praticado a cada ano eleitoral pela mídia.

Agora mesmo, isso está acontecendo no que tange ao inquérito do mensalão, que começa a ser julgado pelo STF nos próximos dias. O uso eleitoral do processo está ocorrendo tal qual ocorreu em 2010, conforme se vê acima.

Todavia, assim como em 2010 não deu certo, em 2012 isso pode se repetir. Até porque, caso o STF absolva José Dirceu – e, quando se fala no inquérito do mensalão, fala-se especificamente nele – não apenas o resultado eleitoral que a mídia tucana busca pode ser de novo frustrado, mas essa mídia pode sofrer uma desmoralização muito maior do que a de 2010.


Extraído do Blog da Cidadania

ERENICE INOCENTADA. E A FOLHA E A VEJA? - Altamiro Borges

Numa notinha de 2.158 toques, a Folha noticia hoje que a ex-ministra Erenice Guerra foi inocentada no inquérito que apurou seu envolvimento num suposto esquema de tráfico da influência na Casa Civil. O caso foi arquivado pela Justiça Federal por absoluta falta de provas e a sentença do juiz Vallisney de Souza Oliveira teve o apoio do Ministério Público e a PF, que acompanharam o processo aberto há um ano e sete meses. Em síntese: tratou-se de mais um assassinato de reputação patrocinado pela mídia!

A própria Folha confirma o seu ato irresponsável e criminoso. “Erenice perdeu o cargo de ministra da Casa Civil em 2010, em meio à disputa presidencial. A queda ocorreu no dia em que a Folha revelou que ela recebeu um empresário e o orientou a contratar a consultoria do seu filho para conseguir um empréstimo no BNDES”. O tal “empresário” era Rubnei Quícoli, um notório vigarista que o jornal utilizou como fonte das suas acusações levianas para fabricar um mais um escândalo político.

As razões políticas do escândalo fabricado

O escândalo não teve apenas razões comerciais, não visou apenas aumentar as vendas com base em matérias sensacionalistas. Ele teve conotação política. Visou interferir diretamente nas eleições presidenciais de 2010. Erenice era considerada o braço direito da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ocupou a pasta quando esta deixou o posto para disputar a sucessão. A mesma Folha se jacta, na maior caradura, que “o escândalo tirou votos de Dilma e acabou contribuindo para levar a eleição ao segundo turno”.

Além da Folha, a revista Veja fez da denúncia leviana uma corrosiva peça de campanha eleitoral. Num gesto criminoso, ela obrou a capa terrorista com o título “Caraca, que dinheiro é esse”. A “reporcagem” dizia que pacotes de até R$ 200 mil teriam sido entregues no interior da Casa Civil, então comandada por Erenice Guerra. Tudo a partir de denúncias em off, de fontes anônimas. A revista não apresentou qualquer prova concreta e, na sequência, também se gabou da degola da ex-ministra. Um crime!

Agora, Erenice foi inocentada pela Justiça. E como ficam os assassinos de reputações da Folha e da Veja?

Extraído do Blog do Miro

24 julho 2012

JOSÉ SERRA É O MAIS NOVO ALVO DA CPMI DO CACHOEIRA - Najla Passos

O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo recebeu uma doação milionária da esposa de um empreiteiro com histórico de prática de corrupção e envolvimento com a Delta, empresa apontada como braço da organização criminosa do contraventor Carlinhos Cachoeira. Outros tucanos também estão na berlinda. Há novas denúncias contra o governador de Goiás, Marconi Perillo, e a recomendação da abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Carlos Leréia.


Brasília - O candidato pelo PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, é o mais novo alvo das investigações da CPMI do Cachoeira. Candidato à presidência da república em 2010, ele recebeu uma doação milionária de Ana Maria Baeta Valadares Gontijo, esposa de José Celso Gontijo, acusado de participar do esquema criminoso do contraventor. 

Gontijo é aquele empreiteiro flagrado em vídeo, em 2009, pagando propina para o chamado “mensalão do DEM”, durante o governo do também tucano José Arruda no Distrito Federal. E, nas conversas interceptadas pela Polícia Federal entre membros da quadrilha de Cachoeira, é apontado como o responsável pela entrada da Construtora Delta no Distrito Federal. 

A doação de Ana Maria chamou a atenção da Receita Federal pelo valor recorde: R$ 8,2 milhões. Como a legislação eleitoral só permite que uma pessoa física doe 10% dos seus rendimentos anuais, ela precisaria ter recebido R$ 7 milhões por mês durante 2009. Algo, no mínimo, incomum. Na semana passada, os membros da CPMI já aprovaram a convocação de Gontijo e a do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish. E também a de Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, ex-captador de recursos da campanha de José Serra. 

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), membro da CPMI, acha provável que as investigações sobre o esquema de Cachoeira cheguem ao PSDB nacional. E, segundo ele, nem por mera vontade ou mesmo mérito da CPMI. “Agora surgiu esta possível conexão com o Paulo Petro. E os documentos apareceram sem que nós os tivéssemos buscado”, afirma, se referindo à doação que surpreendeu à Receita. 

Foi Paulo Preto quem assinou a maior parte dos contratos do governo de São Paulo com a Delta, durante as gestões de Geraldo Alkmin e Serra, que totalizam quase R$ 1 bilhão.

Tucanos na berlinda

José Serra não é o único tucano na berlinda. Situação ainda mais incômoda é a do governador de Goiás, Marconi Perillo. Ele não conseguir explicar à CPMI porque Cachoeira foi preso na mansão que vendera poucos meses antes e não convenceu os parlamentares de que sua campanha não foi financiada com o caixa 2 de empresas ligadas à quadrilha.

Agora, para agravar a situação, é acusado de receber propina para liberar pagamentos devidos pelo governo à Delta, construtora ligada à organização criminosa. Conforme as denúncias, o dinheiro teria sido liberado via a venda da sua casa à Cachoeira. “A situação do Perillo está realmente complicada”, avalia Rosinha. 

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) já pediu a reconvocação do governador para depor. No requerimento, ele alega que a venda da casa teria sido feita com sobrepreço de R$ 500, em troca do pagamento de uma dívida de R$ 8,5 milhões do governo com a empreiteira. Em coletiva, na tarde desta quarta (18), o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) disse que o assunto só será definido em meados de agosto, após o recesso parlamentar. E rebateu as críticas do PSDB de que a convocação atendia a interesses eleitoreiros. 

Outro tucano sob a mira da CPMI é o deputado Carlos Leréia (GO), flagrado em ligações comprometedoras com a quadrilha. A corregedoria já recomendou a abertura de processo contra ele por quebra de decoro parlamentar. Segundo o relator da representação, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), há indícios de uma relação muito próxima entre Leréia e Cachoeira, que estava tentando exercer influência no governo de Goiás por meio do deputado.

Extraído do sítio Carta Maior

04 junho 2012

DILMA VEM PARA FAZER HISTÓRIA - Rodolpho Motta Lima


Quem não se lembra da crônica política de dois anos atrás que, diante da iminência da vitória da candidata Dilma Roussef, rotulava-a como inexperiente, pronta para ser engolida, seja pela previsível subserviência ao que seria o seu inventor (Lula) seja pela matreirice corporativista de um congresso formado basicamente por raposas da política, por aproveitadores e fisiológicos? Quem não se recorda do conceito de “pau mandado” que lhe tentaram impingir em relação ao ex-presidente, eminência parda para quem a presidenta eleita apenas esquentaria o lugar para um hipotético retorno do líder petista?

Um mínimo de honestidade dessa turma de críticos, alicerçada nos atos e fatos que vêm marcando o governo Dilma, já deve estar mexendo com determinadas convicções então levantadas, ao menos por parte dos realmente bem intencionados. E não é por acaso que mesmo alguns setores da mídia que se pautam permanentemente pelas tentativas de desestabilizar o poder constituído pelo povo, mesmo esses estão mais cautelosos nas observações e análises sobre as posturas da Presidenta, que hoje desfruta dos mais altos índices de aceitação conferidos nos últimos anos a um mandatário nacional. E então, claro, voltam suas baterias para o Lula, contando com a cumplicidade de alguns golpistas e de muitos figurões da República. ... E elegem o “mensalão” petista (que, diga-se, tem mesmo que ser julgado e, se for o caso, punido) como o nosso mais sério delito de corrupção, esquecendo o seu irmão gêmeo mineiro, a compra de votos para a reeleição, as denúncias da Privataria Tucana e tudo mais que, em nosso país, está se transformando numa cachoeira, ou, se quiserem, numa enxurrada . Mas esse é um outro assunto...

A Presidenta não titubeou no caso dos ministros que se viram envolvidos em denúncias de malversação, tráfico de influência ou coisas do gênero. Com sabedoria de estadista, administrou as crises – que muitos pretendiam avassaladoras – e deixou que o bom senso (ou o rabo preso) dos envolvidos encaminhasse as soluções de afastamento. Recusou o rótulo pejorativo de faxineira, e afirmou-se pela sobriedade e seriedade com que foi equacionando os problemas. Nas substituições que fez, deixou clara uma posição de independência em relação a muitos interesses da sua própria base política de apoio, apostando no técnico contra o político, na eficiência contra a demagogia.

É bem nítido que o nosso sistema político de composições para a malfadada “governabilidade” tem impedido muitas vezes a Presidenta de fazer valer seus propósitos. Mesmo assim, até pelas reações corajosas de Dilma, poucas vezes a sociedade brasileira pôde perceber tão claramente esse jogo espúrio de pressões e contrapressões que ainda marcam o cenário nada republicano de nossa política. 

De qualquer forma, a Presidenta vem impondo sua marca, cada vez mais particular, na condução de assuntos que, embora de interesse de todo o povo brasileiro, são (ou eram) tidos como intocáveis. Um deles: os juros cobrados no sistema bancário. Dilma não economizou críticas – em horário nobre e rede nacional – às exorbitâncias praticadas e não apenas cobrou medidas da rede particular como usou os bancos oficiais como elementos de concorrência, em uma linguagem que o “mercado” certamente entende... 

A criação da Comissão da Verdade , acompanhada da verdadeira profissão de fé da Presidenta, e a transparente Lei do Acesso, são ações que, embora tardias, finalmente surgem agora como irreversíveis conquistas da cidadania, marcas adicionais no perfil de estadista da Presidenta.

Se Dilma não pôde – como queriam os ambientalistas – vetar totalmente o escandaloso Código Florestal aprovado no Congresso, nem por isso cedeu aos ruralistas naquilo que considerou mais relevante para a preservação de nossas florestas e para a afirmação de princípios éticos como o da não anistia aos grandes desmatadores.

São apenas alguns exemplos, dentre muitos , que justificam os números que as repetidas pesquisas estão revelando. Agora mesmo leio nos jornais a publicação, pelos Ministérios da Saúde e da Justiça, de lei que criminaliza a exigência, por parte de entidades de saúde particulares, de cheque-caução para atendimento médico de urgência, tipificando a exigência como crime de omissão de socorro. Sabemos todos da “caixa preta” que envolve esse e outros assuntos ligados aos planos de saúde. 

Evidentemente, nem tudo são ou serão flores no âmbito federal. Há muitos desafios pela frente. Dilma reafirmou em recente pronunciamento que seu compromisso é com o crescimento econômico do país, com inclusão social e sustentabilidade. Lamentavelmente, a permanente tentativa dos nossos partidos de fazer valer a política do “toma lá dá cá” não são práticas que desaparecerão em um repente, por milagre ou por espasmo. Dilma, nesse âmbito, às vezes tem que empenhar-se em dobrar alguns dos seus próprios companheiros de partido...

Mas o caminho da Presidenta, esperamos todos, deve ser o do enfrentamento do fisiologismo reinante. Aproveitando-se dos exitosos índices que o país vem revelando no cenário mundial – que garante aos brasileiros uma relativa tranquilidade em meio à crise geral - penso que está na hora de fazer valer sua merecida popularidade para trocar, gradativamente, o comprometido apoio de políticos discutíveis pelo indiscutível apoio popular. Nas ruas, se for o caso, quando necessário, na velha tradição das grandes causas públicas.

Extraído do sítio Direto da Redação

19 abril 2012

MARKETING DE SERRA PRIVILEGIA IMAGEM DE GENTE "DE BEM" A PROJETOS CONCRETOS - Felipe Blumen

Nas últimas eleições que disputou, o tucano José Serra sempre foi o fiador de si próprio. As suas campanhas sempre venderam a imagem do Serra "do bem", e não a do seu partido e muito menos de um programa de governo. A construção de uma imagem boa de si mesmo tinha por objetivo desconstruir a de seus adversários. A ideia à venda era a de que ele seria o candidato com superioridade técnica e ética sobre os demais.


São Paulo - Nas eleições de 2004, para prefeito; de 2006, para governador; e de 2010, para presidente, José Serra (PSDB) sempre foi o fiador de si próprio: suas campanhas venderam a imagem do Serra “do bem”, e não a do seu partido (com história de oito anos na Presidência, de 1995 a 2002, e quatro mandatos no governo paulista, de 1995 a 2006), e muito menos de um programa de governo. 

A construção de uma imagem boa de si mesmo tinha por objetivo desconstruir a de seus adversários. A ideia à venda era a de que ele seria o candidato com superioridade técnica e ética sobre os demais, em especial sobe os petistas, com quem polarizou em todas essas disputas. Agora, com duas derrotas em campanhas presidenciais e uma “Privataria Tucana” (o livro de Amaury Ribeiro Jr) no currículo, Serra está diante de mais um adversário sem histórico de mandatos eletivos. Alegar que Dilma era inexperiente não funcionou em 2010 e pode não funcionar com Haddad. E os índices de rejeição do pré-candidato não indicam que terá grande facilidades de jogar pedras no telhado alheio.

O que chama atenção nas campanhas de José Serra para a prefeitura em 2004 e para o governo estadual em 2006 – e em certos pontos também para suas campanhas presidenciais – é a convergência de suas palavras e ações para aquilo que o marketing político chama de campanha pessoal, ou seja, uma campanha voltada para a construção da biografia de seu candidato, atentando para, por exemplo, sua relação com a família e seu currículo político e intelectual. Grande exemplo é o slogan usado em 2004, para presidente em 2010 e projetado para este ano que diz “Serra é do bem”. O bordão provoca imediata polarização ao insinuar que os adversários seriam “do mal”.

Analisando debates, entrevistas e programas eleitorais, é possível perceber uma divisão clara em qualquer campanha política entre a “crítica” e a “construção”. Aquela, destinada às falhas da gestão atual ou aos perigos de uma eventual gestão da oposição. Esta, baseada no programa de governo e na biografia do candidato.

O histórico político do candidato tucano, no entanto, revela a preferência pela critica – principalmente às gestões petistas – e pela biografia, relevando eventualmente seu programa de governo.

Em sua última campanha na capital, em 2004, por exemplo, Serra criticava ferrenhamente a gestão da então prefeita Marta Suplicy. Em uma discussão sobre o trânsito da cidade, o tucano chamou a atenção da população para uma série de problemas, como o dito “sucateamento da CET”, a não integração do Bilhete Único com outros municípios do estado – segundo ele, por “razões eleitorais” - e o dinheiro “mal gasto” com a construção dos túneis da Av. Brigadeiro Faria Lima. Perguntado sobre o que prometia fazer para resolver esses problemas, retrucava "Não estou fazendo promessas. Estou assumindo teses e compromissos de trabalho".

Outro ponto em que Serra batia em Marta era o “abandono da saúde” da gestão petista. Criticava a preferência da prefeita por obras de infra-estrutura em detrimento da saúde pública. Mas, no programa de governo disponível em seu site, a menos de uma semana antes do segundo turno, observe-se, não constava plano para a saúde senão a solitária proposta do “Mãe Paulistana”, projeto que visava garantir que “as mulheres que não têm recursos passem a ser tratadas com o respeito, a atenção e a prioridade que precisam e merecem". Na ocasião, até sua concorrente perdeu a paciência. "Eu pergunto de solução e você fala de problema", disse Marta.

Indagado sobre a ausência do plano escrito, o candidato dizia não precisar de um porque suas propostas ficavam bastante claras em suas palavras. Nos discursos, contudo, afirmava: "Nós temos de dar boa educação e boa saúde. Estamos muito longe disso. A educação para preparar para o progresso, e a saúde para dar condições dignas de vida e de trabalho."

A maior parte do esforço tucano se dirigia, no entanto, à construção e manutenção de sua imagem pessoal.

Essa opção se beneficia da própria mudança do debate político, que passou a abordar menos temas e mais personalidades. Exemplo é a campanha presidencial de 2010. Quando entrou em discussão a opinião dos candidatos sobre o aborto as pesquisas revelaram um aumento na intenção de votos em Serra. Católico declarado, o tucano não se incomodou em se deixar ser fotografado em igrejas. Não só na ocasião, mas em todas suas campanhas.

No último debate antes do segundo turno de 2004 na capital, Serra falou de sua infância. Disse que cresceu com São Paulo e agradeceu aos filho e aos “netinhos”, segundo ele, “um ponto de descanso nessa campanha”. "Eu nasci na Móoca”, disse, “em uma família simples e, como a grande maioria dos paulistanos, nunca tive nada de mão beijada. Sempre tive que batalhar muito". No discurso da vitória, o tucano a dedicou à mãe e ao pai, com quem aprendeu “o valor do trabalho”.

Essa imagem de gente “do bem” que faz tanto sucesso em suas campanhas políticas é compartilhada não só pela população assumidamente tucana, mas também por outras parcelas. A título de ilustração, o crescimento de Marta Suplicy nas pesquisas durante as últimas semanas do pleito de 2004 foi fruto, segundo a própria equipe de marketing tucana, da desistência da candidata em tentar desmontar a imagem já formada que a população tem do engenheiro e professor José Serra. 

Não foi sem motivo que o tucano viria a ganhar, em primeiro turno, a eleição para governador em 2006, mesmo após ter prometido dois anos antes que não abandonaria o cargo de prefeito para concorrer a outro. E Serra ainda desponta sempre como candidato mais votado nas regiões centrais de São Paulo, independentemente da eleição e dos rivais.

Extraído do sítio Carta Maior