31 março 2012

OS FUNDILHOS DA UDN - Fernando Brito

O senador Demóstenes Torres seria apenas mais um caso de promiscuidade entre políticos e interesses privados – criminosos ou “apenas” escusos -, somente um dos muitos que a gente sabe que há por aí.


Com bicheiros, com empreiteiros e – os mais sofisticados – com banqueiros e outros “financeiros”.

Seria, não fosse a evidente cumplicidade que se formava entre ele e dirigentes do Judiciário e com a mídia.

Demóstenes era um dos “cavaleiros da moralidade”, incensado pela mídia em geral e, como se sabe agora, com “canais particulares” com o núcleo do que Brizola chamava de “Comando Marrom”, a revista Veja, com a mesma intimidade de quem “quebrava galhos” de Carlinhos Cachoeira.

Ele esteve no centro de quase todas as “ondas moralizadoras” da imprensa desde o início do Governo Lula que, curiosamente, começaram com o caso Waldomiro Diniz – Carlinhos Cachoeira, que agora, sabe-se, era saudado por ele como um “Fala, Professor!”

Demóstenes, porém – o legado refere-se à sua auto-admitida morte política -, deixa uma lição para a política brasileira.

Uma lição que, mesmo sendo ensinada desde os anos 40 pela UDN, ainda não foi completamente absorvida pelo nosso pensamento.

Não é raro, nem é exceção que os cruzados da moralidade tenham, eles próprios, os fundilhos imundos.

E não é raro, nem exceção, que estejam sempre associados às causas mais desumanas, antipovo e antipaís, que se possa conceber.

Demóstenes era assim, ao ponto de dizer que conspurcar, sob convite oficial, a Suprema Corte brasileira, dizendo em seus salões que foram os negros os responsáveis pela escravidão e que as negras, no Brasil escravocrata, consentiam em fazer sexo com seus senhores.

Bem, não dá para dizer que essa visão de “consensualidade” entre escravo e senhor , infelizmente, esteja desentranhada dos nossos tribunais, não é?

Aliás, ela habita, nesta e em outras variantes, a cabeça da elite brasileira. Porque são assim as mentes que concebem uma modernidade onde exista fome, um cosmopolitismo onde existam colônias, um progresso que consuma gente, uma democracia onde exista uma gentalha inferior, que deva ser grata aos luminares que a condenaram, por séculos, ao atraso e à perda de autonomia.

É esse o mundo digno, honesto e ético que apregoam.

O exemplo dos fundilhos de Demóstenes, revelados – e ainda só parcialmente – num golpe do acaso e é eloquente como poucos.

Sigam-lhe os outros estreitos laços, além de Cachoeira, e outros se revelarão tão mal-cheirosos, a menos que a mídia se encarregue, como parece provável, de lançá-lo logo ao mar, como um estorvo.

O que nos ensina Demóstenes, pela enésima vez, é que não há moralidade possível em quem rejeita o primeiro princípio da honradez, que é o de que todos os seres humanos são iguais em direitos e que a política não é um jogo de nobres, mas uma ferramenta do bem e do progresso comuns.

Porque não há imoralidade maior que defender a exclusão, o atraso, a desumanidade.

Extraído do blog Tijolaço, de Brizola Neto

E AS VASSOURAS ANTI-CORRUPÇÃO VARRERAM O PRÓPRIO DONO, DEMÓSTENES TORRES - Jorge Lourenço

A cada dia que passa, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) se enrola mais. Em vias de ser expulso do partido, conforme publica a colunista Anna Ramalho, o político ainda teve mais conversas suas divulgadas na mídia. Desta vez, ficou bem claro que Demóstenes sabia sim das atividades ilícitas do contraventor Carlinhos Cachoeira e, mais grave ainda, dedicou sem mandato a defendê-las. 

Deixa comigo

Numa das conversas gravadas pela Polícia Federal, Demóstenes é flagrado fazendo lobby para Carlinhos Cachoeira junto a um desembargador para agilizar seu processo. Noutra, o senador garante ao contraventor apoio a um projeto de lei para liberar alguns jogos de azar. 

"Se você quiser votar, tudo bem, eu vou atrás", diz Demóstenes. 

Vassouras de protesto anti-corrupção foram compradas pelo Senador Demóstenes Torres (DEM-GO)
Telhado de vidro

Para refrescar a memória: no final do ano passado, o ativismo na web disparou uma série de protestos anti-corrupção pelo Brasil. Num deles, a ONG Rio de Paz espalhou vassouras em Brasília e no Rio de Janeiro para simbolizar a tão desejada limpeza ética dos políticos brasileiros. Advinha quem comprou as vassouras? Demóstenes Torres.


Extraído do sítio do Jornal do Brasil

30 março 2012

HORA DO PLANETA: APAGÃO MUNDIAL ALERTA SOBRE RISCO DO AQUECIMENTO GLOBAL - Rachel Duarte

Todos estão convidados a apagar as luzes de prédios e residências por uma hora neste sábado (31) para alertar o mundo sobre o perigo do aquecimento global. Há cinco anos ocorre a Hora do Planeta, um ato organizado pela entidade não governamental internacional World Wildlife Fund (WWF) e que este ano será registrado pela Estação Espacial Internacional. O astronauta André Kuipers irá capturar imagens da Terra no momento em que 147 países e mais de 5 mil cidades estarão sem luz.

Palácio do Planalto, em Brasília,
aderiu a Hora do Planeta em
 2011. Foto:Divulgação
No Brasil, 24 capitais e outras 125 cidades brasileiras vão apagar as luzes de monumentos, prédios públicos e casas das 20h30min às 21h30min. O Cristo Redentor (Rio), a ponte Hercílio Luz (Florianópolis), ponte Estaiada (SãoPaulo),elevador Lacerda (Salvador), a Torre da Usina do Gasômetro (Porto Alegre) e outros 545 monumentos no país vão ficar com as luzes apagadas. De acordo com a organização do movimento, 259 grupos empresariais brasileiros já acertaram ações e iniciativas relativas à Hora do Planeta. Entre elas, estão a McDonald’s, Grupo Mafre, Submarino (o site de compras), Coca-Cola, Rede Meliá, Rede de Hoteis Sheraton, a empresa de telefonia Vivo, a farmacêutica Boehringer – além, obviamente, das duas empresas patrocinadoras do evento, a TIM e o Pão de Açúcar.

“É um ato válido. Eficiência energética depende de todos nós”, avalia biólogo

Mesmo que não traga impactos ambientais concretos, a Hora do Planeta é um gesto pedagógico importante para uma mudança de cultura em relação ao meio ambiente, acredita o professor do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Paulo Brack. Segundo ele, assim como o Horário Brasileiro de Verão, os reflexos na redução do consumo de energia nesta uma hora sem luz são baixos, mas, podem contribuir para uma busca de coerência entre consumo de energia e ações sustentáveis. “Os nossos discursos tem que ter relação com as nossas práticas. As ações individuais são muito importantes para o conjunto. É uma sinalização de disposição para mudar”, avalia.

Ramiro Furquim/Sul21
Brack acredita que, atos como o deste final de semana são demonstrações de que pequenos gestos podem fazer grandes diferenças na natureza. “Um exemplo são as lojas que vendem eletrodomésticos. Eu passei na frente de uma que tem 50 televisores LCD ligados e nenhuma pessoa passando na frente. Perguntei quantas lojas daquela rede existiam no país. São mais de 100, funcionando 12 horas por dia e consumindo toda esta energia”, ilustra. De acordo com o professor, “a eficiência energética depende de projetos governamentais, mas, da sociedade em geral também”.

A primeira edição da Hora do Planeta foi em março de 2007 como um evento isolado em uma única cidade, Sidney, na Austrália. A quarta edição do movimento bate recorde no Brasil e no mundo. Alguns dos mais conhecidos monumentos mundiais, como as pirâmides do Egito, a Torre Eiffel em Paris, a Acrópole de Atenas e até mesmo a cidade de Las Vegas já ficaram no escuro durante sessenta minutos.

Extraído do sítio Sul21

MEMÓRIAS DE ABRIL E O GOLPE DA INFORMAÇÃO - Mauro Santayana

Historiador da CIA revela como ideias e recursos dos EUA seduziram a imprensa brasileira nos anos 1950 e semearam o golpe. Hoje, ainda, não se pode piscar diante do apetite voraz da direita – a colonizadora e a colonizada. Por Mauro Santayana, para a Revista do Brasil. 

Há 48 anos, quando o Brasil vislumbrava reformas constitucionais necessárias a seu desenvolvimento, os Estados Unidos financiaram e orientaram o golpe militar. E interromperam uma vez mais um projeto nacional proposto em 1930 por Vargas. Os acadêmicos podem construir teses sofisticadas sobre a superioridade dos países nórdicos para explicar o desenvolvimento cultural e econômico da Europa e dos norte-americanos e as dificuldades dos demais povos em acompanhá-los, mas a razão é outra. Com superioridade bélica, desde sempre, impuseram-se como conquistadores do espaço e saqueadores dos bens alheios, os quais lhes permitiram o grande desenvolvimento científico e militar nos séculos 19 e 20 e sua supremacia sobre o resto do mundo.

O golpe de 1964 não se iniciou com a renúncia de Jânio, três anos antes. Podemos ver sua origem mais próxima em 1953. Naquele ano, diante da resistência de Getúlio Vargas, que quis limitar as remessas de lucros e criou a Petrobras e a Eletrobrás para nos dar autonomia energética, a ação “diplomática” dos Estados Unidos cercou o governo. Com o aliciamento de alguns jornalistas e dinheiro vivo distribuído aos grandes barões da imprensa da época, construiu a crise política interna. Entre a lei que criou a Petrobras e a morte de Getúlio, em 24 de agosto, dez meses depois, o Brasil viveu período conturbado igual ao de agosto de 1961 a abril de 1964.


A propósito do projeto de Getúlio, seria importante a tradução e publicação, no Brasil, de um livro no qual essa operação é narrada em detalhes: “The Americanization of Brazil – A Study of US Cold War Diplomacy in The Third World”, 1945-1954. Enfim um estudo sobre a diplomacia americana para o Terceiro Mundo em tempos de Guerra Fria. O autor, Gerald K. Haines, é identificado pela editora SR Books como historiador sênior a serviço da CIA, o que lhe confere toda a credibilidade.

Haines mostra como os donos dos grandes jornais da época foram “convencidos” a combater o monopólio estatal, até mesmo com textos produzidos na própria embaixada, no Rio. E lembra a visita ao Brasil do secretário de Estado Edward Miller, com a missão de pressionar o governo brasileiro a abrir a exploração do petróleo às empresas norte-americanas. O presidente da Standard Oil nos Estados Unidos, Eugene Holman, orientou Miller a nos vender a ideia de que, só assim, o Brasil se desenvolveria. O povo brasileiro foi às ruas e obrigou o Congresso a impor o monopólio.

A domesticação dos meios de informação do Brasil começara ainda no governo Dutra. Os americanos usaram as excelentes relações entre os intelectuais e jornalistas e o embaixador Jefferson Caffery, nos meses em que o Brasil decidira por aliar-se aos Estados Unidos na luta contra o nazifascismo, em benefício de sua expansão neocolonialista. A criação da Petrobras levou os ianques ao paroxismo contra Vargas, e os meios de comunicação acompanhavam a histeria americana. A estatal era vista como empresa feita com o amadorismo irresponsável dos ignorantes. A revista Fortune, citada por Haines, disse que a Petrobras “apenas dança um samba com os problemas básicos do petróleo”.

A morte de Vargas não esmoreceu os grupos que tentaram, em 11 de novembro do ano seguinte, impedir a posse de Juscelino, eleito em 3 de outubro. O golpe de Estado foi frustrado pela ação rápida do general Teixeira Lott. Em 1964, a desorganização das forças populares favoreceu a vitória dos norte-americanos, que voltaram a domesticar a imprensa e o Parlamento e manipularam os chefes militares brasileiros.

Os êxitos do governo atual e a nova arregimentação antinacional contra a Petrobras – agora com o pré-sal – devem mobilizar os trabalhadores que não estão dispostos a viver o que já conhecemos. Sabem que a situação internacional tende para a direita, e não podemos repetir apenas que o povo esmagará os golpistas. É necessário não só exercer a vigilância, mas agir, de forma organizada e já, para promover a unidade nacional em defesa do desenvolvimento de nosso país.

Extraído do sítio Correio do Brasil