01 julho 2012

APOIO À PRESIDENTA E AO GOVERNO: DERROTA PARA A OPOSIÇÃO E PONTO PARA O PT NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS - José Dirceu

Os números de apoio à presidenta e ao governo – o "ótimo" ou "bom" cresceu de 56% para 59% enquanto a presidenta manteve os 77% de aprovação pessoal na pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta sexta (29) – são uma nova derrota para a oposição e mais um ponto a favor do PT nas eleições municipais. Enquanto isso, a oposição parlamentar e partidária se afunda na CPI do Carlos Cachoeira-Marconi. Do seu lado, a ‘coalizão’ oposição/mídia aguarda a cassação do senador Demóstenes Torres, ignorada por uns e outros até o limite do inconcebível. Ao agir dessa forma, a mídia faz de tudo para preservar os tucanos do escândalo de Goiás, onde o crime organizado apadrinhado pelo líder do DEM tomou conta do governo tucano. Resta à oposição midiática apostar no julgamento da AP 470, chamada por eles de mensalão, na esperança de atingir o PT.

Quanto à pesquisa do Ibope, os dados complementares são que para 32% dos entrevistados o governo é "regular" (34% na sondagem anterior), e 8% o classificam como "péssimo" ou "ruim", índice igual ao de abril. A presidenta obtém boa aprovação em todas as faixas de renda, mas no caso das com renda maior a aprovação chega a 84%. Em abril, o resultado geral já era recorde para a avaliação pessoal de Dilma entre as cinco sondagens realizadas desde que chegou à Presidência da República. A confiança dos brasileiros na presidente também já havia saltado de 68% para 72% em abril.

As áreas do governo melhor avaliadas foram combate à fome e à pobreza e meio ambiente. A aprovação da política de juros do governo subiu de 33% para 49%. Luz vermelha para a saúde e a educação. Nesta última, a desaprovação aumentou de 47% para 54% enquanto que as piores avaliações ficaram com saúde e impostos. A pesquisa foi realizada com 2.002 entrevistados entre os dias 16 e 19 de junho, em 141 municípios. O levantamento tem margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

(Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Extraído do Blog do Zé Dirceu

O CENSO REAFIRMA: NO BRASIL, É MAIS FÁCIL SER BRANCO - Leonardo Sakamoto



De tempos em tempos, sai alguma nova pesquisa apontando que negros ganham menos que brancos no Brasil. Quando toco nesse assunto no blog, sempre aparece um gênio que diz algo como “Meu Deus, você não entende nada de política corporativa! Ou acha que seria permitido em uma grande empresa uma pessoa branca ganhar mais que uma negra pela mesma função?”.

O comentário demonstra uma certa incapacidade do leitor de extrapolar o pensamento para além do visível (como uma pessoa que cita o sobrenatural não consegue trabalhar com abstrações? Curioso…) e imaginar que estamos falando de uma média da sociedade.

Somos bombardeados com o mito da democracia racial brasileira, construído para servir a propósitos. Mito que se prova verdadeiro em novelas, minisséries ou alguns programas de TV, normalmente concebidos por brancos, mas que na vida real são tão concretos quanto a curupira, o boto e a mulher de branco.

“Ah, mas o preconceito no Brasil é contra pobre, não contra negro!” A despeito do fato de haver, proporcionalmente, mais negros entre os pobres do que brancos, por conta de uma herança maldita deixada por uma abolição que nunca ocorreu totalmente, a discriminação pelos não-brancos vive saudável por aqui.

Nesta sexta (29), o IBGE divulgou dados demográficos do Censo 2010, mostrando que brancos recebem salários mais altos e têm mais acesso ao estudo do que negros, divididos pelo estudo em pretos e pardos, conforme matéria trazida pelo UOL Notícias. Na região Sudeste, os rendimentos dos brancos é o dobro do que é pago aos pretos. Há mais empregadores entre os brancos (3%) do que entre pretos (0,6%) e pardos (0,9%). Por fim, do total da população, 9,6% são analfabetos. Já, entre os brancos, 5,9%. E entre pardos e pretos, 13% e 14,4% respectivamente. Vale ressaltar que, de acordo com o Censo 2010, os brancos totalizam 47,7% da população, enquanto pretos e pardos correspondem a 50,7%.

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que os homens brancos apresentaram as menores taxas de desemprego em 2005 (6,3%) – número que subia para 8,1% entre os homens negros e para 14,1% entre as mulheres negras. A diferença entre o rendimento médio dos homens brancos e negros havia caído 32,6% entre 1995 e 2005. A causa não foi tanto a melhoria do salário dos negros, que existiu, mas uma piora nos ganhos dos brancos – proporcionalmente, mais acentuada.

Não há uma pesquisa honesta que comprove relação entre capacidade intelectual e cor de pele. Ou alguma razão biológica bisonha que faça alguns preferirem ganhar mais do que outros. A resposta para esse quadro está nas oportunidades a que cada um teve acesso e as barreiras impostas a elas pela cor de pele.

Pretos, pardos e brancos deveriam ser tratados como iguais uma vez que são iguais. Mas, historicamente, a eles não foi dado o mesmo tratamento. Encarar, portanto, pessoas com níveis de direitos diferentes como iguais é manter o nosso bizarro status quo. Não basta cotas em universidades. Temos que avançar para reservas de vagas em cargos da administração pública, no sistema judiciário e em outras instâncias. Não eternamente, mas até conseguirmos corrigir o imenso fosso que separa brancos e negros.

Como gosto sempre de lembrar, o quase ex-senador Demóstenes Torres praticamente afirmou que escravas negras não foram violentadas pelos patrões brancos. Afinal de contas, segundo ele ao criticar as cotas para negros em universidades públicas federais em 2010, “isso se deu de forma muito mais consensual” e “levou o Brasil a ter hoje essa magnífica configuração social”. E que, no dia seguinte à sua libertação, os escravos “eram cidadãos como outro qualquer, com todos os direitos políticos e o mesmo grau de elegibilidade”. Pô, em que mundo ele vive?

O Brasil ainda não foi capaz de garantir que os filhos dos libertos fossem tratados com o respeito que seres humanos e cidadãos mereciam. Herança maldita presente na sociedade que quase equivale, na prática, a um sistema de castas. Alguns até conseguem escapar, mas a maioria das famílias permanece girando em círculos ao longo de gerações. O pior é que a discriminação é sempre do outro, nunca de nós mesmos.

No avião, dia desses: “Não sou preconceituosa, longe disso. Mas não gostaria que minha filha casasse com aquele ‘moreninho’, namorado dela. Não é por mim, sabe, mas os filhos vão sofrer um preconceito muito grande, a família do meu marido não vai entender direito. É complicado…”

Ô se é.

Extraído do Blog do Sakamoto

AGRONEGÓCIOS, MONOPÓLIO DE TERRAS E TRANSGÊNICOS POR DETRÁS DO GOLPE DE ESTADO NO PARAGUAI



Novamente, a América Latina se vê sacudida pelo atropelo da vontade popular, em mãos dos interesses corporativos do agronegócio.

Uma complexa trama na qual milhares de camponeses sem terra veem avançar os grandes produtores brasileiros sobre o Paraguai para plantar soja transgênica, junto à investida contra o governo para introduzir definitivamente os transgênicos em todo o país, terminou em um golpe de Estado "express” no qual os aliados políticos do agronegócio atuaram rapidamente, para destituir ao presidente do país.

As tentativas de destituir ao titular do Servicio Nacional de Calidad y Sanidad Vegetal (Senave), Engenheiro Miguel Lovera, com uma lista de acusações que incluía sua posição "contra a produção agropecuária moderna” por parte da Unión de Gremios de la Producción (UGP) e a tentativa para liberar os transgênicos – que era explícito no ‘tratoraço’ prometido para o dia 25 de junho - deixam às claras a luta para torcer o braço de um governo que, com muitíssimas limitações, havia começado a dialogar com os movimentos camponeses. Mal Lugo foi destituído, a medida de força [tratoraço] impulsionada pelo agronegócio foi suspensa.

A situação da terra e sua distribuição desigual, com 85% das terras – uns 30 milhões de hectares - em mãos de 2% dos proprietários [1], somada à penetração de produtores brasileiros, produz uma tensão permanente na qual a violência parapolicial e por parte das forças públicas é algo cotidiano, e vem acompanhada pela criminalização das lutas camponesas. A matança de Curuguaty, que aconteceu no dia 15 de junho como resultado dessas tensões e a repressão estatal e paraestatal, que culminou com a morte de 6 policiais e 11 camponeses, foram utilizadas para empreender o julgamento político e o golpe institucional.

Desde a Alianza Biodiversidad, condenamos o golpe, que tem recebido o rechaço de todo o povos paraguaio e denunciamos as grandes corporações do agronegócio, com Monsanto e Cargill à cabeça, como responsáveis, junto aos grandes latifundiários locais e os políticos cúmplices, por esse golpe. Estão amplamente demonstrados os vínculos e interesses comuns desses setores [1].

Ao mesmo tempo, partilhamos o apoio político expresso pelos governos de distintos países e pela Unasul ao presidente constitucional Lugo, que constataram a violação de garantias processuais e democráticas por parte do Vice-Presidente, Federico Franco, de dirigentes políticos de diversos partidos e autoridades legislativas. Acompanhamos também as manifestações de repúdio e de solidariedade expressas por inúmeras organizações políticas e movimentos sociais de toda a América Latina.

Acompanhamos ao povo paraguaio em sua resistência e nos comprometemos a sustentar a denúncia de ilegitimidade do atual governo e a apoiar a luta do povo paraguaio e as reivindicações das organizações camponesas e povos indígenas do Paraguai.

Hoje, todos somos Paraguai!

Assinam:

Alianza Biodiversidad
- REDES - Amigos de la Tierra, Uruguay
- GRAIN, Chile, Argentina y México
- ETC Group, México
- Campaña Mundial de las Semilla de Vía Campesina, Chile
- Grupo Semillas, Colombia
- Acción Ecológica, Ecuador
- Red de Coordinación en Biodiversidad de Costa Rica, Costa Rica
- Acción por la Biodiversidad, Argentina
- Sobrevivencia, Paraguay
- Centro Ecológico, Brasil

Nota: [1] Rebelión [Biodiversidad en América Latina] - Contato: Carlos Vicente – info@biodiversidadla.org

Extraído do sítio Adital

ESTADOS UNIDOS ESTÃO SE TORNANDO MUITO PARECIDOS COM A GRÉCIA - Peter Morici

Candidatos fazem fila para entrar numa feira de trabalho em 11 de junho de 2012, em Nova York. 400 chegaram cedo e 1.000 eram esperadas até o fim do dia. (John Moore/Getty Images)
Os norte-americanos devem prestar atenção, os Estados Unidos estão se tornando muito parecidos com a Grécia e poderiam facilmente acabar do mesmo jeito.

Os problemas da Grécia começaram com um setor privado não competitivo instigado por políticas de mercado trabalhistas não realistas e uma moeda única com a Alemanha. As exportações se tornaram muito caras, as indústrias nacionais não podiam competir adequadamente com as importações, o setor privado cresceu muito lentamente e o desemprego aumentou. O desemprego juvenil e o subemprego se tornaram endêmicos.

Nos Estados Unidos, os enormes déficits comerciais em petróleo e com a China estão desacelerando o crescimento, ambos são causados por políticas governamentais. Com mais perfuração em águas profundas e uma melhor utilização do abundante gás natural, os Estados Unidos poderiam reduzir as importações de petróleo pela metade.

Quanto à China, os Estados Unidos poderiam tomar medidas contra a moeda subvalorizada da China e o protecionismo, mas não fazem nada. Consequentemente, o desemprego está emperrado acima de 8% e muitos graduados universitários estão esperando nas mesas ou nos balcões do Starbucks.

Para baixar o desemprego, a Grécia permitiu que os trabalhadores se aposentassem muito jovens e gastou muito em pensões e o governo gastava prodigamente em educação, saúde e outros serviços para criar empregos.

Nos Estados Unidos, os governos estaduais e municipais estão gastando muito na segurança social e pensões de funcionários. Os gastos do governo federal têm aumentado de forma permanente, sob o pretexto de estímulo temporário, para criar empregos no governo e subsidiar um sistema de saúde muito ineficiente. Os estados estão gastando muito em educação ineficiente, sistemas de trânsito e outros serviços e num vertiginoso mandato de assistência médica e benefícios de saúde para funcionários e aposentados.

O déficit federal disparou de 161 bilhões de dólares em 2007 para cerca de 1,3 trilhões e tem estado acima de 1 trilhão por quatro anos. Os Estados Unidos perderam sua valorizada classificação de crédito AAA e sua credibilidade continuará a cair se o enorme déficit federal não for reduzido. O presidente Barack Obama não tem um plano confiável para reduzir o déficit.

Enquanto a dívida federal e estadual se acumulam, a avaliação de crédito dos EUA continuará a ser rebaixada e os investidores permanecerão relutantes em possuir títulos norte-americanos sem receberem taxas de juros mais elevadas.

Como na Grécia, altas taxas de juros sobre a dívida pública conduzirão os governos federal e estadual à insolvência, ou o Federal Reserve terá de imprimir dinheiro para comprar títulos do governo que resultará em hiperinflação. O resultado seria a calamidade, de qualquer forma.

* Peter Morici é economista e professor da Faculdade Smith de Administração da Universidade de Maryland e um colunista amplamente publicado.


Extraído do sítio The Epoch Times