01 março 2012

O CRIME ORGANIZADO, CARNAVAL E FUTEBOL - Mauro Santayana


(Carta Maior) - Conhecidos jogadores de futebol, ídolos do público, como Ronaldo e Neymar, defendem o Sr. Ricardo Teixeira das acusações que lhe estão sendo feitas. Para os dois profissionais, o presidente da CBF é um homem excepcional, que prestou grandes serviços ao esporte, e não deve ser afastado de seu cargo. Ao mesmo tempo, diretores de escolas de samba investem contra o governador Sérgio Cabral, que fez declarações contra a participação dos bicheiros no carnaval carioca. Ora, se se confirmarem as denúncias contra Teixeira e seu sogro, João Havelange, eles poderão ser qualificados como participantes de uma forma de crime organizado. E o jogo do bicho, até que haja leis em contrário, é uma atividade criminosa.

Por mais importante seja a alegria do povo, nas arquibancadas dos estádios e das passarelas do carnaval, uma coisa não pode ser confundida com a outra. A corrupção e o jogo do bicho são atividades criminosas, e devem ser investigadas e punidas. O episódio nos conduz a pensar um pouco sobre a tolerância nacional para com os que violam as leis. 

Homens públicos de biografia conhecida se tornam facilitadores de negócios, sob o rótulo genérico de consultores. A atividade de consultores está ligada à especialidade de cada um deles. Um jornalista pode dar consultoria em divulgação de empresas: é sua especialidade. Um engenheiro calculista faz o mesmo, e o mesmo pode fazer um geólogo. Os médicos e advogados são consultores de tempo integral. Mas os lobistas não são consultores: são corretores de negócios – geralmente negócios com o poder público.

Os ídolos do público, jogadores de futebol ou sambistas, vivem em outra dimensão da realidade. Os craques de futebol, principalmente os de hoje, estão afastados da maioria da sociedade. Ganham fortunas, porque, com seu talento, geram fortunas ainda maiores. Fora alguns casos – e Romário é um deles -, distanciam-se das coisas cotidianas e vivem, como é natural, navegando nas nuvens da própria glória. Não deviam, sendo assim, imiscuir-se nas coisas políticas.

É de se recordar a desastrada declaração de Pelé, a de que o povo não sabe votar, feita ainda durante o regime militar. Recorde-se que grande parte de sua carreira coincidiu com o auge da Ditadura, quando um dos presidentes, Garrastazu Médici, se jactava de ser o maior torcedor brasileiro, a ponto de dar palpites sobre o elenco da seleção e receber a corajosa resposta de João Saldanha: “ao presidente cabe escalar o Ministério, e, a mim, escalar o time”.

É velha a tolerância nacional para com os bandidos simpáticos. Durante muitos anos reinou, absoluto, como o maior contrabandista do Rio, o célebre Zico, proprietário do famoso Bar Flórida, da Praça Mauá. O bar era o ponto mais conhecido da boemia carioca, frequentado por prostitutas, marinheiros e malandros. Milionário, Zico era, como todos os sujeitos de sua estirpe, generoso por esperteza, a fim de angariar o apoio de parcelas da população, e financiador de vereadores cariocas. Conta-se que até mesmo Dutra, presidente de sua época, o recebia no Catete. Ao que se sabe, ele nunca foi incomodado pela polícia.

Estamos em uma fase de saneamento moral na atividade política, com a aprovação definitiva da exigência de ficha limpa aos candidatos aos cargos eletivos. Alguns governos estaduais – e o primeiro deles foi o de Minas – já adotaram a exigência e se comprometem a não nomear quem não possa cumpri-la. Seria bom que as escolas de samba não se deixassem governar por notórios bicheiros, e que o futebol voltasse a ser o que foi no passado. Tudo isso é difícil, mas não podemos esmorecer.

WIKILEAKS: EEUU PARTICIPÓ EN GOLPE DE ESTADO EN HONDURAS


La pagina Web WikiLeaks, mediante la publicación de una serie de documentos, señaló el papel fundamental desempeñado por Washington, así como las actividades de la Embajada de EE.UU. en Honduras, en el momento en el que se produjo el golpe de Estado, en 2009, contra Manuel Zelaya.

El primer documento publicado se refiere a las comunicaciones de la Embajada de EE.UU. en Tegucigalpa, capital de Honduras, con Washington, en las que se explicaba las condiciones en las que se encontraba el país latinoamericano.

Según dicho documento, el embajador de EE.UU., Hugo Llornes, informó detalladamente de sus encuentros con algunas autoridades hondureñas, como el alcalde de Tegucigalpa, Ricardo Álvarez, y el expresidente de Honduras Ricardo Maduro.

En 28 de junio de 2009, día en el que tuvo lugar el golpe de Estado, el embajador estadounidense se había reunido con los directores de tres compañías importantes, a saber: Antonio Travel, Emilio Larach y Emin Barjum.

“Las tres personas participantes en la reunión consideraron ilegal este golpe de Estado, pero aceptaron que no había otro remedio que aceptar el gobierno actual y esperar hasta las elecciones de noviembre”, escribió Llornes en su informe a Washington.

Este documento y otros más ponen de relieve que los partidarios del golpe de Estado consideraban a la Embajada de EE.UU., como un centro a través del cual negociar el desarrollo de la política interna.

El segundo documento habla sobre las personas que influyeron en las negociaciones que desembocaron en la firma del Tratado de San José en noviembre de 2009, antes de que tuvieran lugar las elecciones.

Oscar Arias es la pieza fundamental de EE.UU. en este Tratado, tema ampliamente abordado por periodistas, escritores y universitarios.

Tras el golpe de Estado en Honduras de desató una ola de violencia y se vulneraron los derechos humanos. Once corresponsales, que informaban sobre lo que estaba ocurriendo, fueron asesinados.

Através de la lectura de los documentos publicados por WikiLeaks, se puede concluir que Washington planeó el golpe de Estado en Honduras.

* Fonte: HispanTv

Extraído de Midiacrucis's Blog

NAVIOS DO IRÃ E RÚSSIA AO LONGO DO LITORAL DA SÍRIA É MENSAGEM CLARA AOS EUA, DISSE CLÉRIGO IRANIANO - M. K. Bhadrakumar

Soldados russos guardam navio de guerra da mesma nacionalidade no porto sírio de Tartus. Artigo de M. K. Bhadrakumar*, no Asia Times Online. Fonte: Redecastorphoto. Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu.



Uma flotilha de navios de guerra iranianos atravessou o Canal de Suez e atracou no porto sírio de Tartus, no sábado. O ministro da Defesa do Irã, Ahmad Vahidi, disse que a missão é mostra da “potência” do Irã, apesar de 30 anos de incansáveis sanções

Toda a 18ª Frota da Marinha do Irã, já atracada em Tartus, participará de exercícios e dará treinamento “às forças navais sírias, nos termos de um acordo assinado há um ano entre Teerã e Damasco”.

Hossein Ebrahimi, clérigo influente e vice-presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior do Majlis (parlamento) do Irã, declarou:

“A presença de flotilhas do Irã e da Rússia ao longo do litoral da Líbia é mensagem clara contra qualquer possível aventureirismo dos EUA. No caso de os EUA cometerem qualquer erro estratégico na Síria, há real possibilidade de que o Irã, a Rússia e vários outros países imponham resposta esmagadora aos EUA”.

As atividades dos navios de guerra iranianos em Tartus (porto também usado pela Marinha russa) serão observadas de perto pelos países da região – Turquia, Jordânia, Qatar e Arábia Saudita, em especial. Notícias não confirmadas surgidas recentemente dizem que veteranos da Força Qods do Irã (uma unidade especial do Corpo dos Guardas Islâmicos Revolucionários) pode ser enviada à Síria, para auxiliar o governo.

Em termos simples, a mensagem do Irã à Turquia e seus aliados árabes (que estão armando e apoiando a oposição síria) será: “Irmãos, se continuarem a armar os seus, armaremos os nossos”. Há muito assunto aí sobre o qual todos esses países devem refletir, sobretudo as monarquias do petróleo – que se reunirão no próximo domingo, para o primeiro encontro dos “Amigos da Síria”.

Para a Turquia, os navios de guerra iranianos chegaram à Síria em má hora. O jornal israelense Ha'aretz noticiou que o exército sírio capturou 40 agentes da inteligência turca envolvidos em atividades subversivas; e que, ao longo da semana passada, Ankara trabalhou “em intensas negociações” com Damasco, tentando libertá-los. Mas Damasco insiste que, em troca, a Turquia ponha fim à transferência de armas e infiltrações, e, além disso, quer que o Irã seja o mediador. Ha'aretz registrou:

“Oficiais ocidentais temem que a presença militar iraniana, além da ajuda russa, converta a Síria em centro internacional de atrito ainda mais grave que a luta interna na Síria. Temem que uma “parceria” russo-iraniana venha a assumir o controle sobre ações na Síria, o que excluiria a União Europeia e a Turquia (…)” [1]

Tempos de testes

Mas Teerã também está testando as águas. Sob a lei internacional, o Irã tem direito de passagem para seus navios, pelo Mar Vermelho e o Canal de Suez. Mas as equações do Egito para o Irã continuam ambivalentes.

O Egito jamais antes permitiu que navios iranianos cruzassem o Canal de Suez, até fevereiro do ano passado, depois da queda do regime de Hosni Mubarak, quando, indiferente à pressão diplomática dos EUA e aos gritos de ameaça de Israel, o Cairo permitiu a passagem de um destróier. Para Israel, foi “provocação”.

Mas desde então o Egito está em torvelinho, e o entusiasmo inicial para a normalização de relações com Teerã diminuiu muito, com o Egito tornando-se dependente da ajuda financeira da Arábia Saudita e de outras monarquias árabes sunitas do Golfo Persa.

Assim sendo, a permissão para que uma flotilha iraniana inteira passasse por Suez no final de semana significa não só que o Egito começa a movimentar-se na direção de apoiar o Irã, mas também que novas complexidades e imprevisibilidades surgem no caminho das relações entre EUA e Egito.

São tempos de testes para as relações EUA-Egito. Questão potencialmente séria já surgiu com o ataque, pelas autoridades egípcias, a várias dúzias de trabalhadores de organizações não governamentais (ONGs), entre os quais 19 cidadãos norte-americanos. Número ainda não revelado de cidadãos norte-americanos procuraram abrigo na Embaixada dos EUA no Cairo.

O Cairo anunciou no sábado, que 43 dos presos acusados de atividades suspeitas, entre os quais há estrangeiros (norte-americanos, sérvios, alemães, noruegueses, jordanianos e palestinos) e egípcios serão julgados no próximo domingo, 26/2, acusados de “estabelecer filiais não autorizadas de organizações internacionais e de aceitar financiamento estrangeiro para fazer funcionar essas filiais, comportamento que agride a soberania do estado egípcio” [2].

Washington alertou o Cairo de que o ataque às ONGs poderia ferir laços bilaterais e ameaçou cortar a ajuda militar anual que chega a US$1,3 trilhão. Washington sabe que qualquer julgamento público pode expor a escala da interferência dos EUA nos em assuntos internos do Egito. Dez importantes organizações civis norte-americanas que operam no Egito foram invadidas, dentre elas o National Democratic Institute, o International Republican Institute e a Freedom House, que recebem financiamento do governo dos EUA.

O Conselho Supremo das Forças Armadas no Cairo culpa “mãos estrangeiras” pela agitação que não arrefece no Egito. A colorida ministra de Cooperação Internacional do Egito, Fayza Abul-Naga (um dos poucos nomes do regime de Mubarak que não perdeu o lugar que tinha no Gabinete) está chefiando a campanha contra o financiamento estrangeiro para ONGs no Egito. E a Fraternidade Muçulmana ameaçou revisar o tratado de paz entre Egito e Israel, de 1979, caso os EUA cortem a ajuda ao Egito.

Desafio estratégico

Isso dito, Teerã avaliou corretamente o melhor momento para testar as ideias egípcias. A decisão egípcia de permitir a passagem da flotilha iraniana por Suez ajuda a sublinhar a ideia de que o Egito preserva sua autonomia estratégica e que, se assim desejar, poderá reatar relações como Irã. (O ministro das Relações Exteriores do Irã Ali Akbar Salehi elogiou publicamente a decisão do Egito.) Aí há mais que simples “sinal” dirigido a Washington.

Ambas as capitais, Cairo e Teerã, têm chamado a atenção para as extraordinárias mudanças pelas quais o Oriente Médio está passando; e têm dito que as coisas nunca mais voltarão a ser como antes. A evidência mais espantosa dessas mudanças é que Egito e Irã não têm posições sequer próximas entre si, sobre a crise na Síria; mas, mesmo assim, o Cairo abriu passagem para os navios iranianos, na viagem para Tartus.

Por sua vez, a mensagem mais importante que o Irã está encaminhando hoje é que nem o persistente impasse com os EUA, nem a avalanche de ameaças israelenses conseguiram fazer curvar a espinha dorsal dos iranianos; e não abalaram nem o desejo nem a capacidade do Irã para ajudar seu aliado sírio.

O perigo de confrontação real com os EUA, por causa da Síria, é muito, muito reduzido, de fato; e Teerã não crê que o governo Barack Obama esteja sendo arrastado para uma intervenção à moda líbia, na Síria. Teerã mantém-se bem informada sobre a situação em campo na Síria; e não acredita que o presidente Bashar al-Assad corra qualquer grave perigo.

Contudo, a demonstração de “força” no Mediterrâneo oriental lançará sua sombra sobre a política regional. No sábado, o Hezbollah e o Movimento Amal, em declaração conjunta, reiteraram a aliança com o Irã. Declararam que os eventos na Síria são parte dos “desesperados esforços dos inimigos” para desestabilizar o país, destruir sua unidade nacional e minar o firme apoio que a Síria dá à resistência palestina.

(Seyed Hassan Nasrallah, secretário-geral do Hezbollah, disse esse mês que “O Hezbollah recebe do Irã apoio moral, político e financeiro, de todas as formas, desde 1982. Esse apoio honra a República Islâmica”. Disse que “a mais importante vitória árabe” contra Israel, vitória do Hezbollah, não teria sido possível sem o apoio dos iranianos e que também “a Síria teve papel importante naquela vitória”.) [3]

Seja como for, a demonstração de “força” no Mediterrâneo – historicamente “um lago ocidental” – terá ressonâncias também dentro do Irã. Esses gestos apelam ao senso de honra nacional dos iranianos e contribuem para consolidar a opinião pública, o que é especialmente importante para o regime, em momento em que o país aproxima-se de eleições parlamentares crucialmente importantes, em março, nas quais se estima que mude a equação do poder e que a alquimia do Majlis (parlamento) altere-se decisivamente.

Notas dos tradutores

[1] 15/2/2012, Haaretz, em: “Report: U.S. drones flying over Syria to monitor crackdown” (em inglês)

[2] 23/2/2012, Al-Arabiya, em: “Egypt to go ahead with trial of NGO activists on February 26” (em inglês)

[3] 8/2/2012, “Sayyed Nasrallah: ‘O verdadeiro alvo é a Resistência, o apoio do Irã é um orgulho para nós’”, Al-Manar TV, Beirute (em português).

* M.K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Prestou serviços na União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão e Turquia. É especialista em questões do Afeganistão e Paquistão e escreve sobre temas de energia e segurança para várias publicações, dentre as quais The Hindu, Asia Online e Indian Punchline. É o filho mais velho de M.K. Kumaran (1915–1994), famoso escritor, jornalista, tradutor e militante de Kerala.

Extraído do sítio Irã News

DILMA DIZ QUE PAÍSES DESENVOLVIDOS CRIAM TSUNAMI MONETÁRIO AO DESPEJAR RECURSOS NO MERCADO INTERNACIONAL - Yara Aquino

Brasília – A presidenta Dilma Rousseff criticou hoje (1) o “tsunami monetário” provocado pela liberação de recursos na busca de combater a crise financeira em países desenvolvidos. A presidenta criticou também a guerra cambial entre os países.


“Nos preocupamos, sim, com esse tsunami monetário em que os países desenvolvidos que não usam políticas ficais da ampliação da capacidade de investimento para retomar e sair da crise estão metidos e que, literalmente, despejam US$ 4,7 trilhões no mundo ao ampliar [os problemas], de forma muito adversa, perversa para o resto dos países, principalmente os em crescimento, que são os emergentes”, disse.

A presidenta falou também em “canibalização” dos países emergentes, provocada pelas medidas dos países desenvolvidos para sair da crise e em uma “política monetária inconsequente do ponto de vista do que ela produz sobre os mercados monetários”.

Em cerimônia de assinatura de um compromisso para propiciar melhores condições de trabalho a trabalhadores da construção civil, elaborado por centrais sindicais, governo e setores do empresariado, a presidenta falou sobre as condições adversas de concorrência enfrentadas pela indústria brasileira e a guerra cambial. “Hoje, as condições de concorrência são adversas não porque a indústria brasileira não seja produtiva, não porque o trabalhador brasileiro não seja produtivo, mas porque tem uma guerra cambial baseada em uma política monetária expansionista que cria condições desiguais de produção”, disse.

O Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção, assinado hoje, é um conjunto de diretrizes para melhorar as condições de trabalho nos canteiros de obras do país, estabelecendo condições específicas em áreas como saúde, segurança, qualificação profissional, recrutamento e representação sindical no local de trabalho.

Dilma disse ainda que, em 2012, o governo pretende que a taxa de investimento do Brasil ultrapasse, pela primeira vez na década, os 20% do Produto Interno Bruto (PIB).


Extraído do sítio da Agência Brasil