02 janeiro 2012

ESTADOS UNIDOS E IRÃ MANTÉM ROTA DE CONFRONTO

Após EUA determinarem novas sanções, Irã divulga ter produzido pela primeira vez uma barra de combustível nuclear e afirma que concluiu teste com míssil de fabricação própria no Estreito de Ormuz.

Soldado iraniano toma posição
 no Golfo de Omã
O tom entre os Estados Unidos e o Irã voltou a subir a neste domingo (1º/01), marcado por declarações e anúncios de ambos os lados, sinalizando que o clima de tensão entre os dois países deverá continuar nos próximos dias.

Neste domingo, a agência nuclear iraniana anunciou que seus cientistas pela primeira vez produziram um tubo de combustível atômico, um feito do qual o Ocidente duvidada que fossem capazes. O Irã foi obrigado a produzir esses bastões de urânio porque as sanções internacionais impediram a sua compra nos mercados externos, disse a agência.

O anúncio marca mais um passo nos esforços iranianos de dominar o ciclo de produção de combustível nuclear, desde a exploração do urânio até o seu enriquecimento, e ocorre apesar das ameaças de sanções de países europeus e dos Estados Unidos.

Estes querem que o Irã abandone seu programa nuclear, temendo que o objetivo secreto seja a obtenção de armas atômicas. Os iranianos, porém, afirmam que o programa tem fins exclusivamente pacíficos, como a produção de energia e o tratamento de câncer.

Negociações sem sucesso

Teste de míssil iraniano
realizado em junho passado
No sábado, a República Islâmica havia anunciado estar disposta a retomar os diálogos sobre seu programa nuclear, conduzidos pelas cinco potências com assento permanente no Conselho de Segurança (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França) mais a Alemanha.

O último encontro, em janeiro de 2011, foi realizado em Istambul e, como todos os anteriores, não deu em nada. As Nações Unidas já anunciaram quatro rodadas de sanções ao governo em Teerã, e os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram sanções adicionais.

A Alemanha reagiu com ceticismo à oferta iraniana. Segundo o ministro do Exterior, Guido Westerwelle, o que conta não são anúncios vagos, mas ações concretas e verificáveis. Ele acrescentou que é de interesse do próprio Irã cumprir com suas obrigações internacionais e tornar o seu programa atômico transparente.

Já segundo a União Europeia, novas sanções deverão ser definidas até o final de janeiro, no mais tardar no encontro dos ministros do Exterior da UE, segundo o porta-voz Michael Mann declarou à agência de notícias Reuters.

Míssil no Estreito de Ormuz

Também neste domingo, o vice-comandante da Marinha, Mahmoud Moussavi, anunciou que o país testou um míssil de longo alcance no Estreito de Ormuz, um canal de transporte de vital importância para a indústria do petróleo. O míssil teria sido desenvolvido por cientistas iranianos.

Moussavi também anunciou que, nesta segunda-feira, navios e submarinos iranianos vão executar manobras no Estreito de Ormuz, destinadas ao bloqueio do canal caso a República Islâmica decida dar esse passo. Essa não seria, porém, a intenção do país, afirmou.

O anúncio iraniano ocorreu poucas horas depois de o presidente dos EUA, Barack Obama, assinar uma lei que reforça as sanções norte-americanas ao país asiático, justamente por causa do programa nuclear iraniano. Há poucos dias, o Irã anunciara que bloquearia o Estreito de Ormuz se o Ocidente ameaçasse o país com sanções.

Em resposta às novas sanções, o presidente Mahmud Ahmadinejad declarou que o Irã vai reagir à pressão feitas pelos seus inimigos. “Temos que proteger o povo e a nação da conspiração do inimigo”, afirmou.

Extraído do sítio da Deutsche Welle

01 janeiro 2012

A NOVA FAÇANHA DO WIKILEAKS: IDENTIFICAR AS EMPRESAS QUE VIGIAM O MUNDO

– Ver o mapa Um mundo sob vigilância, elaborado pela Wikileaks - por Ciper


A mais recente revelação da organização dirigida por Julian Assange põe a nu o negócio milionário das empresas de segurança que converteram o seu negócio na nova indústria de espionagem maciça que alimenta sistemas de espionagem governamentais e privados. A última entrega de Wikileaks fornece os nomes das empresas que, em diferentes países, interceptam telefones, rastreiam mensagens de texto, reconstroem a navegação na Internet e identificam inclusive, as vozes de indivíduos sob vigilância. Tudo isso é feito de forma maciça com softwares que são vendidos a governos democráticos e a ditaduras. 

Poderia dizer-se que se trata de um mau filme, mas os sistemas de intercepção maciça fabricados por empresas ocidentais e usados, entre outros objectivos, contra adversários políticos, são mesmo uma realidade. A 1 de Dezembro, Wikileaks começou a publicar um banco de dados de centenas de documentos provenientes de cerca de 160 empresas do sector de vigilância dos cidadãos. 

Em colaboração com Budget Planet et Privacy International, bem como meios de comunicação de seis países – L' ARD na Alemanha, Le Bureau of Investigative Journalism na Grã-Bretanha, The Hindu na Índia, L'Espresso, em Itália, OWMI em França e Washington Post nos EUA, – Wikileaks expõe à luz do dia essa indústria secreta cujo crescimento explodiu após o 11 de Setembro de 2001, representando milhares de milhões de dólares em cada ano. 

Desta vez Wikileaks publicou 287 trabalhos, mas o projecto "Um mundo sob vigilância" está lançado e novas informações serão publicadas esta semana e no próximo ano. 

As empresas internacionais de vigilância estão localizadas nos países que têm as mais refinadas tecnologias. Elas vendem a sua tecnologia a todos os países do mundo. Esta indústria, na prática, não está regulamentada. As agências de espionagem, as forças militares e as autoridades policiais são capazes de interceptar massivamente, sem serem detectadas e no maior segredo, os telefonemas, tomar o controle de computadores, mesmo sem que os fornecedores das redes acesso se apercebam ou façam algo para o impedir. A localização de utentes pode ser seguida passo a passo, se usarem um telefone celular, mesmo se este estiver desligado. 

Os dossiers de "Um Mundo Sob Vigilância" de Wikileasks estão acima do simplismo dos "bons países ocidentais", exportando as suas tecnologias para os "pobres países em vias de desenvolvimento". Empresas ocidentais também vendem um vasto catálogo de equipamento de vigilância para as agências de espionagem orientais. 

Nas histórias clássicas de espiões, as agências de espionagem, tais como MI5, DGSE, colocam sob escuta o telefone de uma ou duas pessoas que interessem. Durante os últimos 10 anos a vigilância em massa tornou-se uma norma. Sociedades de espionagem, como a VASTech, têm secretamente vendido equipamentos que gravam de forma permanente chamadas telefónicas de países inteiros. Outros registam a posição de todos os telemóveis de uma cidade, com uma precisão de 50 metros. Sistemas capazes de afectar a integridade de pessoas numa população civil que usa Facebook, ou que tem um smartphone estão à venda neste mercado de espionagem. 

VENDA DE FERRAMENTAS DE VIGILÂNCIA A DITADORES 

Durante a primavera árabe, quando os cidadãos derrubaram ditadores no Egipto e Líbia encontraram câmaras de escuta onde, com equipes britânicas da Gamma, os franceses da Amesys, os sul-africanos da VASTech ou os chineses de ZTE, seguiam os seus mais pequenos movimentos on-line e por telefone. 

Empresas de espionagem, tais como SS 8 nos Estados Unidos, Hacking Team na Itália e VUPEN na França, fabricam vírus (Troianos) que invadem computadores e telefones (incluindo iPhones, Blackberry e Android), assumindo o seu controle e gravação de todos os seus usos, movimentos e até mesmo imagens e sons da sala onde os usuários estão. Outras sociedades, como a Phoenexia da República Checa, colaboram com os militares para criar ferramentas para análise de voz. Elas identificam os indivíduos e determinam o seu sexo, idade e nível de stress e, assim, seguem-nos através de suas "faixas vocais." Blue Coat nos EUA e Ipoque na Alemanha, vendem as suas ferramentas aos governos de países como China e Irão para impedir os seus dissidentes de se organizar pala Internet. 

Trovicor uma subsidiária da Nokia Siemens Networks, forneceu ao governo do Bahrein tecnologia de escuta que lhe permitiu seguir a pista do defensor dos direitos humanos Abdul Ghani Al Khanjar. Foram mostrados detalhes de conversas a partir do seu telefone pessoal, que datam de antes de ter sido interrogado e espancado durante o inverno de 2010 e 2011. 

EMPRESAS DE VIGILANCIA PARTILHAM AS SUAS BASES COM ESTADOS 

Em Junho de 2011, o NSA inaugurou um sítio no deserto de Utah para o armazenamento para sempre de terabytes das bases de dados tanto americanas como estrangeiras, a fim de poder analisá-las em anos futuros. Toda a operação teve um custo de US$1,5 mil milhões. 

As empresas de telecomunicações estão dispostas a revelar as suas bases de dados dos seus clientes às autoridades de qualquer país. Os principais noticiários mostraram como, durante os confrontos em Agosto na Grã-Bretanha, a Research In Motion (RIM), que comercializa as Blackberry, propôs ao governo identificar os seus clientes. RIM tem estado envolvido em negociações semelhantes com os governos da Índia, Líbano, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, propondo-lhes compartilhar as suas bases de dados extraídas do sistema de mensagens do Blackberry. 

TRANSFORMAR AS BASES DE DADOS EM ARMAS PARA MATAR INOCENTES 

Existem muitas empresas que comercializam actualmente software de análise de bases de dados, transformando-os em poderosas ferramentas utilizadas por militares e agências de espionagem. Por exemplo, em bases militares dos EUA, pilotos da Força Aérea usam um joystick e um monitor de vídeo para pilotar os "Predator", aviões não tripulados durante as missões de vigilância no Médio Oriente e Ásia Central. Estas bases de dados estão acessíveis aos membros da CIA que se servem delas para lançar mísseis "Hellfire", sobre os seus alvos. 

Os representantes da CIA têm adquirido software que lhes permite instantaneamente correlacionar os sinais de telefone com faixas vocais para determinar a identidade e a localização de um indivíduo. A empresa Intelligence Integration Systems Inc. (IISI), sediada no Estado de Massachusetts (EUA), vende software para esse fim – "análise com base na posição",– chamado "Geospatial Toolkit". Outra empresa, a Netezza, também de Massachusetts, que comprou este software com o objectivo de analisar o seu funcionamento, vendeu uma versão modificada à CIA, destinada a equipar aviões pilotados remotamente. 

A IISI, que diz ter o seu software uma margem de erro de 12 metros, processou a Netezza para impedir a utilização deste software. O criador da sociedade IISI, Rich Zimmerman, disse a um tribunal que ficou "chocado e surpreso com o fato de que a CIA teria um plano para matar pessoas com o meu software, que nem funciona." 

UM MUNDO ORWELLIANO 

Em todo o mundo fornecedores mundiais de instrumentos de vigilância em massa ajudam as agências de espionagem a espiar os cidadãos e os "grupos de interesse" em larga escala. 

COMO NAVEGAR PELOS DOCUMENTOS DE "UM MUNDO SOB VIGILÂNCIA? 

O projecto " Um mundo sob Vigilância " da Wikileaks revela, até ao pormenor, as empresas que estão fazendo milhares de milhões na venda de sistemas refinados de vigilância para os governos, ignorando as leis de exportação e ignorando de forma sobranceira que os regimes a quem vendem são ditaduras que não respeitam os direitos humanos. 

Para pesquisar estes documentos, clique no local escolhido no mapa na esquerda da página para obter a lista por tipo, empresa, data ou palavra-chave. 


Extraído do sítio Resistir.info

CUIDADO: CUBA SOB A ÓTICA DA GLOBO


Cuba3 150x150 Cuidado: Cuba sob a ótica da Globo

Essa semana o Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens sobre Cuba. Só a proposta já é desconfortável. A grande mídia brasileira voltando seus olhos para a nação socialista. É no mínimo estranho!

O primeiro capítulo da reportagem mostrou sob a ótica de uma única cidadã, que diga-se de passagem morava nos Estados Unidos (aquele do embargo econômico) as condições de vida na ilha. Primeira questão: como uma reportagem que se propõe séria julga o todo pela experiência de UM cidadão?

O segundo fator incômodo da reportagem foi a ironia jornalística. Ao tratar sobre a medicina de Cuba, mundialmente reconhecida, a dita cidadã relatou que para conseguir atendimento médico no país, precisa dar presente aos médicos, afirmação que foi tomada como verdade sem nenhum tipo de averiguação e agora milhões de pessoas estão realmente acreditando nisso! A pergunta que se faz é: será que é isso mesmo? Vejamos:

foto em: nicolebengiveno.com
De acordo com o Relatório do IDH - Índice de Desenvolvimento Humano 2011, da Organização das Nações Unidas (baixe aqui!) A expectativa de vida na ilha é de 79 anos, relativamente alta para quem não tem assistência médica, certo? O IDH do país ocupa o 51 lugar, que de acordo com a ONU é considerado elevado, o Brasil amarga em 84. Sobre a questão de igualdade entre os gêneros, Cuba é tida como a sociedade mais igualitária da América Latina em termos de gênero. A média de filhos está em menos de dois por mulher, com 100% dos partos assistidos, e o acesso aos métodos contraceptivos é considerado fácil!

A desnutrição infantil está na casa dos 4% e a taxa de mortalidade infantil é de 6 para cada 1000 crianças nascidas vivas, na Noruega, primeiro IDH do planeta, essa proporção é de 3/1000 e nos EUA de 8/1000. Estudos sobre educação indicam que na ilha existe uma proporção de um mestre para cada 42 habitantes, o que sugere que a população, por mais pobre que seja, tem acesso à educação. De acordo com o relatório, a população com Ensino Médio chega a quase 80%.

As imagens da série de reportagem nos fazem imaginar um país fantasma, sem vida, com um governo altamente repressor. A proposta aqui não é indicar a ilha como o paraíso perdido, mas relativizar e questionar o jornalismo feito pela Globo. Olhares atentos verão que as coisas não são tanto como a Rede Globo pinta. No segundo episódio da série vimos casas bem cuidadas e pessoas elegantes dando entrevista. O que a série não destaca é que o problema do aspecto fantasmagórico da ilha está muito mais relacionado ao embargo econômico liderado pelos EUA do que no regime comunista. Pelo contrário, afirmam que a economia do país está destruída e sugerem que a culpa é do modelo social. E mais, que Raul Castro está abrindo a economia cubana dando a esperança do povo viver o sonho capitalista! Oi? Esse tipo de reportagem demonstra amadorismo e falta de responsabilidade da emissora em se basear em “achismos” na formação da opinião pública!

imagem em: thecommune.co.uk
Há quem diga que os dados dos relatórios da ONU, por serem enviados pelos próprios países, podem ser manipulados, tudo bem, talvez até possam, mas com todas as fragilidades da ONU, creio que os índices dela sejam mais confiáveis que os de uma universidade estadunidense, tendo em vista que os EUA são os principais interessados em implodir o regime cubano.

É isso, não podia deixar o ano virar sem publicar esse artigo. Que em 2012 a prudência jornalística nasça da rede Globo! Hasta la revolución!

Extraído do sítio Colcha de Ideias

LÍDERES EUROPEUS ALERTAM PARA 2012 DIFÍCIL

Líderes europeus alertaram, em suas mensagens de ano novo na televisão, que 2012 será difícil no continente, com muitos economistas prevendo uma recessão.

Angela Merkel falou sobre dificuldades da Europa, em sua mensagem de ano novo
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a Europa está passando pelo seu "mais duro teste em décadas", mas que a região está ficando cada vez mais unida diante da crise da dívida pública.

"O próximo ano [2012] será sem dúvida mais difícil do que 2011", disse Merkel, em um pronunciamento na televisão alemã.

"O caminho para superar isso [a crise da dívida] continua longo e não sem obstáculos, mas ao final deste caminho a Europa emergirá mais forte da crise do que quando entrou."

Ela também defendeu o euro, afirmando que a moeda facilitou "a vida cotidiana e tornou nossa economia mais forte".

Orçamento francês

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a crise ainda não acabou, e que é necessário fazer reformas estruturais para que a economia volte a crescer.

"Eu sei que a vida de muitos de vocês, já testada por dois anos difíceis, foi testada mais uma vez", disse Sarkozy, em sua mensagem de fim de ano na televisão.

"Vocês estão terminando o ano mais preocupados com vocês mesmos e seus filhos."

O presidente francês, que tentará se reeleger neste ano, prometeu não fazer mais cortes orçamentários. Recentemente o governo da França anunciou mais cortes, para tentar restaurar a confiança do mercado nos títulos da dívida do país, que tiveram sua classificação rebaixada por algumas agências de risco.

"O que era para ser feito foi feito pelo governo", disse Sarkozy, sobre os cortes orçamentários.

Sarkozy e Merkel reunirão-se neste mês para discutir um plano fiscal para a Europa.

'Sacrifícios' na Itália

O presidente italiano, Giorgio Napolitano, pediu que o povo do seu país faça mais sacrifícios para evitar o "colapso financeiro da Itália", que é a terceira maior economia da Europa.

"Sacrifícios são necessários para garantir o futuro das pessoas jovens, este é o nosso objetivo, e é um compromisso que não podemos evitar", disse Napolitano.

"Estes sacrifícios não serão em vão, especialmente se a economia voltar a crescer."

O premiê grego, Lucas Papademos, também alertou para um 2012 difícil em seu pronunciamento de ano novo.

"Nós temos que continuar nossos esforços com determinação, para que os sacrifícios feitos até agora não sejam em vão", disse ele.

Nos últimos meses, a economia europeia parou de crescer, depois que vários governos começaram programas de cortes de gastos públicos.

As dificuldades cresceram quando o custo de tomada de empréstimos subiu fortemente em alguns dos maiores países da União Europeia, como Itália e Espanha.

Há temores de uma nova crise de crédito mundial, já que muitos bancos estão expostos à dívida pública italiana.

Em uma pesquisa feita pela BBC, 25 de 27 economistas consultados disseram acreditar que a Europa voltará à recessão em 2012.


Extraído do sítio da BBC Brasil