29 dezembro 2011

A PRIVATIZAÇÃO DO DINHEIRO

A dívida pública mundial cresceu duas vezes e meia nos últimos 10 anos. Trouxe desenvolvimento humano? Não. Mas fez da banca privada a dona do dinheiro. Veja como... Compreenda a dívida pública européia em poucos minutos:


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Uma explicação concisa dos mecanismos de criação e crescimento da dívida pública europeia.

BANCOS EUROPEUS EMTRE A ABUNDÂNCIA E A DESCONFIANÇA

Dias depois do Banco Central Europeu ter feito o maior empréstimo a mais de 500 bancos para aumentar a liquidez, esta semana há outro recorde em Frankfurt: é que em vez de emprestarem o dinheiro entre si, os bancos optaram por depositá-lo no próprio BCE, que nunca teve um balanço tão rico como neste fim de ano.

Os banqueiros preferem guardar o dinheiro no BCE do que pôr a economia a mexer. Foto Ninette Luz/Flickr
Os depósitos 'overnight' (de um dia para o outro) têm uma remuneração muito baixa, de 0,25%. Mas os bancos europeus, que na semana passada recolheram 489 mil milhões à taxa de 1% a três anos, preferem deixá-lo em segurança no Banco Central Europeu do que fazer circular o dinheiro entre eles, financiar a economia ou comprar títulos da dívida dos Estados.

Esta quarta-feira, foi revelado o montante destes depósitos "overnight", que atingiu 452 mil milhões de euros, pulverizando o recorde da véspera que era de 412 mil milhões. Por seu lado, o Banco Central Europeu emitiu um comunicado a anunciar que nunca como agora teve um balanço tão recheado: 2,73 biliões de euros, subindo 10% numa semana graças ao mega-empréstimo à banca da zona euro.

Para esta quinta-feira está marcado um novo teste ao efeito do empréstimo do BCE à banca, quando forem leiloados os títulos da dívida italiana de longo prazo. Na véspera ocorreu a primeira fase do leilão, para 9 mil milhões de dívida a seis meses. A Itália conseguiu pagar 3,25%, ou seja, metade do juro do que no anterior leilão de 25 de novembro.

BCE engorda os bancos: será que estes “ajudam” os Estados?

Para os 523 bancos que acorreram esta quarta-feira à operação especial de financiamento do Banco Central Europeu a uma taxa de juro de 1%, o Natal chegou mais cedo. O resultado foi um empréstimo recordista de 489 mil milhões de euros.

Foto saikofish/Flickr
Os bancos europeus financiaram-se quarta-feira com um total de 489 mil milhões de euros postos à disposição pelo Banco Central Europeu ao lançar um empréstimo inédito a três anos com montante ilimitado e a juros de um por cento. De acordo com a imprensa económica europeia, este foi o caminho defendido pelo directório franco-alemão na sequência do Conselho Europeu de 9 de Dezembro: ajudar os bancos tentando que estes financiem os Estados mais endividados em melhores condições do que as impostas pelos mercados financeiros.

A grande dúvida agora, depois do “sucesso” da operação, como foi anunciado genericamente, é saber se os bancos que acorreram ao leilão promovido pelo BCE, a quase totalidade das entidades da Zona Euro, seguirão o caminho que Merkel e Sarkozy idealizaram para atacar a crise das dívidas: permitir aos Estados aceder a dinheiro mais barato e abrir aos agentes económicos a possibilidade de conseguirem empréstimos para saírem da estagnação e recessão para onde foram empurrados como uma das mais evidentes consequências da política de austeridade.

Os analistas citados pela imprensa consideravam a operação um êxito se ultrapassasse os 200 mil milhões de euros, pelo que a verba atingida terá superado as expectativas.

Fontes da presidência francesa citadas pelo Le Monde consideram que os Estados fica agora em condições de recorrer aos bancos para colocar as suas obrigações soberanas que têm sido alvo de especulação constante pelos mercados financeiros. Em teoria, os Estados podem contrair empréstimos a um por cento para os colocar em títulos de dívida proporcionando rendimentos muito atractivos, o que desencorajaria a especulação.

O BCE não pode, pelo seu estatuto, financiar os Estados da Zona Euro. Esta operação é uma tentativa para o fazer através de empréstimos que atraiam a banca e a mobilizem nesta direcção.

As dúvidas do êxito da estratégia residem, segundo os analistas citados pela imprensa, no comportamento que os bancos vão assumir através dos seus critérios de prioridades. Quanto aos mercados financeira, para já, não reagiram com entusiasmo especial à medida, que em teoria pode atacar o monopólio da actividade especulativa sobre as dívidas soberanas.

Dizem os analistas que os bancos tendem, em primeiro lugar, a reforçar os capitais próprios devido à medidas recentes que os obrigam a fazê-lo. Deverão também reembolsar cerca de 230 mil milhões de euros de obrigações que se vencem até ao final do primeiro trimestre do próximo ano.

Extraído do Sítio Esquerda.net

28 dezembro 2011

ÁSIA ORIENTAL ACOMPANHA ATENTA A SUCESSÃO NA CORÉIA DO NORTE - Rodion Ebbighausen

Enquanto os norte-coreanos celebram o funeral do ditador Kim Jong Il, os países vizinhos acompanham tensos a transição de poder no país comunista. O risco da instabilidade existe, lembram especialistas.

Cortejo fúnebre do ditador Kim Jon Il
em Pyongyang
Enquanto os norte-coreanos celebram o funeral do ditador Kim Jong Il, os países vizinhos acompanham tensos a transição de poder no país comunista. O risco da instabilidade existe, lembram especialistas.

A morte do ditador norte-coreano Kim Jong Il foi mantida em sigilo durante dois dias. Nem mesmo o serviço secreto sul-coreano suspeitou de alguma coisa. Isso mostra o quão pequeno é o volume de informações que vaza das barreiras hermeticamente fechadas da Coreia do Norte.

"Tudo é possível e as coisas são difíceis de serem previstas", diz o especialista Hanns Günther Hilpert, do Instituto Alemão de Relações Internacionais e Segurança (SWP, na sigla em alemão), sobre o futuro do governo norte-coreano.

Kim Jong Un é o "grande sucessor"

Certo é que Kim Jong Un é o nome indicado para suceder Kim Jong Il. Logo após a morte do pai, ele foi apontado pela mídia como seu "grande sucessor". No sábado passado (24/12), foi também nomeado "comandante supremo" das Forças Armadas.

Kim Jong Un encontra apoio na família, sobretudo de sua tia Kim Kyong Hui, que é membro do Politburo, e de seu tio Jang Song Thaek, que dirige o departamento administrativo do partido do governo, supervisiona o serviço secreto e é vice-presidente da Comissão Nacional da Defesa.

O filho e sucessor Kim Jong Un acompanha o
cortejo fúnebre
A China, por sua vez, na condição de vizinho mais poderoso do país, parece estar de acordo com a sucessão, afirmam os especialistas. O pesquisador Patrick Köllner, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga), sediado em Hamburgo, lembra: "A China já manifestou sua aprovação frente à tomada do poder por Kim Jong Un".

Mas isso não significa que a questão do poder na Coreia do Norte esteja finalmente esclarecida. "A sucessão de Kim Jong Il por Kim Jong Un já foi conduzida, mas não pode ser considerada de forma alguma como algo implementado", completa Köllner.

Principalmente a juventude é um empecilho a que Kim Jong Un consolide a sua ascensão ao poder, já que tanto a idade quanto a experiência são quesitos importantes para um líder na sociedade norte-coreana.

Divergências nos círculos internos de poder

Lutas pelo poder nos círculos internos do governo tornam a situação ainda mais difícil. Há duas facções: a primeira defende reformas econômicas seguindo o modelo chinês; a outra se opõe amplamente a essas reformas.

Os defensores das reformas econômicas encontram-se, contudo, já há alguns anos em posição de minoria, constata Köllner. Uma oposição que possa ser levada a sério não existe no país. "Quem, na Coreia do Norte, se opõe à família Kim, não tem chances de sobrevivência", diz Hilpert, do SWP.

Militares norte-coreanos durante o cortejo
 fúnebre
Em meio a todas as divergências, o regime norte-coreano aposta na continuidade política, visando, entre outros, a manutenção do programa nuclear, já que as armas atômicas são consideradas meios eficazes para assustar os países ocidentais. "No fim, as lideranças permanecem num mesmo barco. Mesmo que nem todos remem na mesma direção, é comum a todos o interesse pela perpetuação do regime", relata Köllner.

Irritação entre vizinhos

Os países vizinhos, principalmente a Coreia do Sul, observam a situação política na Coreia do Norte com tensão e grande preocupação. A relação entre as duas Coreias ficará nebulosa por algum tempo, avaliam os especialistas, até porque o presidente da Coreia do Sul, Lee Myung Bak, mantém uma linha dura frente à Coreia do Norte.

Segundo Köllner, não há nenhum canal aberto de diálogo entre os dois países. "As relações estão totalmente suspensas. Só espero novos impulsos neste sentido depois que o mandato de Lee Myung Bak chegar ao fim, em 2013", diz Köllner.

Patrulhamento de fronteiras entre as duas
Coreias: tensão há décadas
Nem mesmo a visita de duas delegações sul-coreanas a Pyongyang, para o funeral de Kim Jong Il, que começou nesta quarta-feira (28/12), contribui para mudar algo nesta situação.

Segundo declarações oficiais, as visitas das duas delegações ao país são de natureza privada, tendo sido lideradas pela viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae Jung, defensor de uma política de aproximação com a Coreia do Norte, e também por Hyun Jeong Eun, presidente do grupo Hyundai, que mantém relações comerciais com o país comunista. Outras visitas de condolência além dessas duas não foram permitidas pelo governo norte-coreano.

China: "proteção da Coreia do Norte"

O especialista Hilpert diz ver na China a grande protetora da Coreia do Norte. Pequim, segundo ele, apoia o regime norte-coreano por temer uma avalanche de refugiados, que poderiam levar a uma instabilidade nas províncias ao norte da China, nas quais também vivem minorias coreanas.

"A consequência a médio prazo de uma derrocada da Coreia do Norte poderia ser a reunificação do país, sob a égide capitalista pró-americana. Neste caso, tropas norte-americanas poderiam ficar estacionadas na fronteira com a China – a pior de todas as hipóteses, sob a perspectiva chinesa", completa Hilpert.

A consolidação do poder na Coreia do Norte sobrepõe-se a todos os outros temas, fazendo com que questões de política externa sejam dominadas pela definição de posições na política interna. "Questões de sucessão em regimes autoritários são basicamente períodos com risco de grande instabilidade. De forma que as energias, no momento, voltam-se muito para dentro", analisa Hilpert.

Ele compara o atual clima político no Sudeste Asiático à calmaria que antecede a tempestade, mesmo que ninguém possa realmente dizer se e quando a tempestade vai, de fato, começar.

Extraído do sítio da Deutsche Welle

MESMO COMO 6ª ECONOMIA, BRASIL CONTINUA POBRE, DIZ ECONOMISTA DA UNCTAD - Mário Camera

O Brasil continuará sendo um país pobre, mesmo com a previsão de que a sua economia vai ultrapassar a britânica como 6ª maior do mundo, segundo o economista Joerg Mayer, da Divisão de Globalização e Desenvolvimento Estratégico da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD, sigla em inglês).

"O país ganha um pouco de prestígio, mas, como a população brasileira é muito numerosa, a renda média é muito mais baixa", disse o economista à BBC Brasil. "Mesmo como sexta economia mundial, o Brasil continua pobre", afirmou.

Agnès Bénassy-Quéré, diretora do Centro de Pesquisas Prospectivas e de Informações Internacionais, em Paris, também relativiza as projeções divulgadas nesta semana. "É preciso muita precaução", disse a economista à BBC Brasil.

"O Brasil apresenta um crescimento fulgurante, pois os cálculos são feitos em dólar, que tem se desvalorizado nos últimos anos. Não é possível dizer que esses números são definitivos", afirmou a economista.

Para Bénassy-Quéré, o excesso de valor do real é o fator principal para a economia brasileira ultrapassar a da Grã-Bretanha. "A moeda brasileira valorizou-se muito nos últimos anos, enquanto a libra esterlina sofreu uma forte desvalorização. Isso faz uma diferença enorme."

Assim como o representante da UNCTAD, a economista francesa acredita que o cálculo mais realista para mostrar a situação da economia brasileira atualmente deveria basear-se no PIB per capita.

"O PIB per capita do Brasil representa apenas 25% do americano", diz Bénassy-Quéré. "Nas projeções que fizemos, em 2050 o PIB per capita brasileiro alcançará apenas 45% do nível registrado nos EUA."

Maré alta

Apesar da dificuldades, ambos acreditam que o crescimento da economia ajudará a melhorar os índices sociais brasileiros a longo prazo. "Na maré alta, todos os barcos sobem", afirma Bénassy-Quéré. Para ela, o momento é de investir em setores estratégicos para o desenvolvimento da sociedade brasileira.

"É preciso adotar medidas políticas que mudem dois pontos essenciais: a educação e a poupança", diz a economista.

"Se pegarmos o nível de educação no Brasil, vemos que ele é muito baixo, com menos de 10% da população ativa com um diploma universitário. Isso situa o país muito abaixo de China, Índia e Rússia, por exemplo."

Sobre o risco de inflação devido ao forte crescimento da economia - destacado constantemente pelo Banco Central na hora de aumentar as taxas de juros -, Mayer afirma que basta uma política salarial atrelada à produtividade.

"Se os salários aumentam junto com a produção e não por causa da demanda, é possível controlar a inflação sem mexer nas taxas de juros", explica o economista.

As projeções de que o Brasil deve ultrapassar a Grã-Bretanha como 6ª economia mundial foram feitas pelo Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios (CEBR, na sigla em inglês), com sede na Grã-Bretanha.

A previsão, que já havia sido feita por outras entidades, só poderão ser confirmadas nos primeiros meses de 2012, quando ambos os países divulgarão o resultado do crescimento de suas economias.

Extraído do sítio da BBC Brasil