01 dezembro 2011

ENCHENTES URBANAS: MAIS UMA VEZ CULPAR A NATUREZA? - Álvaro Rodrigues dos Santos

Começaram em sua natural abundância as chuvas que desde priscas eras incidem no sudeste brasileiro nos meses de novembro a março. E já as cidades da região sofrem com novas enchentes. Diga-se de passagem, enchentes a cada ano mais frequentes, de maior intensidade e atingindo locais em que nunca haviam antes ocorrido. E, também como rotina conhecida, certamente nossas autoridades públicas responsáveis já estarão preparando seus discursos plenos de grandes obras e serviços executados, polpudas verbas alocadas e, como não poderia deixar de ser, fartas explicações lançando a culpa às chuvas, à Natureza, ao aquecimento global, a Deus e, pasmem, às costas da própria população que, mal-educada, estaria jogando lixo nas ruas.

Não há hoje mais a menor dúvida sobre quais sejam a causas principais das enchentes urbanas, e que estão na base de uma cultura técnica urbanística desde há muito equivocada: a impermeabilização generalizada da cidade, o excesso de canalização de cursos d’água e a exposição de solos à erosão, com consequente assoreamento das drenagens por sedimentos.

Esse quadro determina o que podemos chamar a equação das enchentes urbanas:“Volumes crescentemente maiores de água, em tempos sucessivamente menores, sendo escoados para drenagens naturais e construídas progressivamente incapazes de lhes dar vazão”.

Frente a isso não há outra alternativa, é indispensável romper radicalmente com a velha cultura técnica, o que significa que, ao lado das medidas estruturais de ampliação das calhas de nossos principais rios, deva-se recuperar a capacidade da cidade em reter as águas de chuva: disseminação de bosques florestados, reservatórios domésticos e empresariais de acumulação e infiltração de águas de chuva, calçadas, sarjetas, pátios, pavimentos drenantes, e tantos outros eficientes expedientes. Concomitantemente, coibir por todos os meios a erosão e o consequente assoreamento das drenagens.

Mas um essencial primeiro passo deve definitivamente ser dado por nossas administrações municipais, sem o que desqualifica-se qualquer prognóstico mais otimista: tomar a mínima, elementar e cristalina decisão de PARAR DE ERRAR. Incrivelmente, diante de todas as repetidas tragédias, nossas cidades continuam a se expandir praticando os mesmos erros que estão na origem causal das enchentes, impermeabilizando o solo, canalizando seus córregos e provocando erosão. Apesar de todas as repetidas tragédias, de todas as repetidas cobranças da sociedade, apesar de todas as insistentes proposições do meio técnico e, especialmente, apesar de todas as emocionais promessas de nossas autoridades, o fato real é que esse ano estamos em piores condições de enfrentar as enchentes do que no ano anterior. E esta será a tendência para os anos que se seguem caso uma completa inversão de atitudes e ações não aconteça. Em particular, a situação atual da RMSP é, sob essa abordagem, dramática

* Geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br) - Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia. Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos” e “Cubatão”. Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente. Membro do Conselho de Desenvolvimento das Cidades da Fecomércio. Articulista do Portal EcoDebate

Extraído do sítio Ecodebate

ÍNDIA: UM BRIC ENTRE A CHINA E OS EUA - MK Venu*

A atividade econômica está indiscutivelmente mudando na direção das economias emergentes. Nos últimos 50 anos do século 20, as economias ocidentais se uniram por liderar o processo de crescimento. Agora, ocorre uma mudança de paradigma.

A índia comercializa mais com China, mas busca EUA para temas de segurança
A atividade econômica está indiscutivelmente mudando na direção das economias emergentes. Nos últimos 50 anos do século 20, as economias ocidentais se uniram por liderar o processo de crescimento. Agora, ocorre uma mudança de paradigma.

Goldman Sachs, a instituição que cunhou o acrônimo Brics para definir Brasil, Rússia, Índia e China como um agrupamento formidável, diz que em 2050 o bloco (que agora inclui a África do Sul) superará o PIB de todas as economias desenvolvidas combinadas, incluindo a do Japão.

A Índia já começou a produzir mais PIB adicional do que a Alemanha, e a China contribui mais para o incremento da economia mundial do que os Estados Unidos.

No último encontro do G20, países europeus pediram a ajuda de Índia e China para lidar com a crise financeira. Há 30 anos, isso seria inimaginável, mas agora parece inevitável.

Comércio

O comércio é a maior cola que une culturas diferentes. Portanto, é natural países como China, Índia, Rússia e Brasil se agruparem.

Dois dos países dos Brics, Índia e China, são grandes importadores de energia; e outros dois, Rússia e Brasil, são grandes exportadores de recursos.

A Rússia tem enormes reservas de petróleo, e o Brasil é rico em diversos minerais, incluindo minério de ferro.

Portanto, esses importadores e exportadores de recursos não têm alternativa além de se unirem para alimentar seus processos de crescimento.

Índia e China ainda têm uma interdependência única, a Índia sendo uma potência em serviços e a China no setor manufatureiro.

Nos últimos 15 anos, o comércio da Índia com os EUA e o Japão esteve quase estagnado, mas as trocas com a China dobram a cada quatro anos e devem chegar a US$ 100 bilhões em 2013.

Nos próximos cinco anos, a Índia terá que produzir 1.000.000 MW de energia, e 20% de todo o equipamento energético é comprado da China.

'Coopetição'

Mas o quanto os integrantes dos Brics estariam imunes a tensões políticas entre si?

É claro que existem tensões, já que o agrupamento não foi algo planejado por governos; é um movimento produzido pelas forças do mercado e a globalização.

Índia e China são vistas como duas economias que competem na região, mas ao mesmo tempo são forçadas a cooperarem em vários fóruns.

Índia e China enfrentam muitos
problemas parecidos
Elas trabalharam juntas em plataformas internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e temas como mudanças climáticas.

Índia e China enfrentam desafios mais ou menos similares, portanto tendem a chegar unidas na hora de negociar com o mundo desenvolvido.

É por isso que seu relacionamento é geralmente caracterizado pelo termo Coopetição, uma mescla de competição e cooperação.

O dilema dos EUA

Impulsionados pelo comércio, muitos países vêm unindo forças econômicas com a Índia e a China, mas são também dependentes dos EUA para temas de segurança. Isso está levando a uma nova realidade geopolítica no mundo.

Da mesma forma que muitos países dos Brics constroem parcerias comerciais entre si, eles estão se associando a economias emergentes do leste, como Coreia do Sul, Indonésia, Vietnã e até mesmo Japão.

Mas esses países menores buscam os EUA para a liderança de um novo arranjo de segurança na região do Indo-Pacífico.

Para a Índia também, seu comércio com a China ultrapassou o com os EUA há dois anos, mas, no contexto da cooperação nuclear e em temas de segurança nos oceanos Índico e Pacífico, ela se vira para os Estados Unidos.

É nesta região, afinal, que existem as rotas mais importantes do comércio energético, de vários produtos e de serviços.

De Wall Street para a Ásia


"É claro que existem tensões, já que o agrupamento (Brics) não foi algo planejado por governos; é um movimento produzido pelas forças do mercado e a globalização. Índia e China são vistas como duas economias que competem na região, mas ao mesmo tempo são forçadas a cooperarem em vários fóruns." MK Venu

Os países dos Brics têm quase 40% da população mundial e quase 25% do PIB do mundo em uma base PPC (Paridade do Poder de Compra).

Demograficamente, enquanto as populações de Europa e América vão envelhecer nas próximas décadas, estes mercados emergentes vão ter uma fatia crescente de consumidores.

Certamente Índia e China vão começar a dominar mercados financeiros globais em um futuro próximo.

Como resultado, o mecanismo de descoberta de preços (processo de determinação do preço de um bem no mercado através das interações entre compradores e vendedores) de commodities, petróleo, metais e minerais, que atualmente acontece em Wall Street, acontecerá na Ásia. E isso será uma grande mudança.

Mas, para isso acontecer, índia e China vão ter que se tornar economias mais abertas e precisam introduzir conversibilidade da conta de capitais para facilitar transações de bens financeiros em faixas determinadas por mercados.

Elas também vão precisar desenvolver instituições financeiras fortes que posam facilitar essa mudança na economia global.

* MK Venu é Editor do 'Financial Express', de Nova Déli


Extraído do sítio da BBC Brasil

EUA E ISRAEL ISOLADOS EM VOTAÇÕES SOBRE QUESTÃO PALESTINA

Nações Unidas, 1 dez (Prensa Latina) A Assembleia Geral da ONU voltou a deixar isolado a um reduzido sexteto liderado por Estados Unidos e Israel que votou contra seis resoluções sobre temas relacionados com o povo palestino e o Oriente Médio.

Em todas as votações, Washington e Tel Aviv só foram acompanhados por Canadá e os pequenos Estados de Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru e Palau, ainda que em três delas se somasse Austrália e em uma Nova Zelândia.

A solidão desse reduzido grupo ficou em evidência ontem quando o máximo órgão de Nações Unidas submeteu à votação os projetos acordados há várias semanas em nível de comissão sobre a questão palestina e o conflito do Oriente Médio.

Os seis aliados votaram contra os documentos intitulados Comitê para o exercício dos direitos inalienáveis do povo palestino e Divisão da secretaria dos direitos dos palestinos.

Os outros textos que recusaram foram Programa especial de informação sobre a questão de Palestina do departamento de informação pública da ONU, Arranjo pacífico da questão de palestina, Golã sírio e Jerusalém.

Austrália acompanhou ao sexteto nas três primeiras votações, mas absteve-se nas duas seguintes e votou em favor da última.

Por América Latina não se registraram votos contrários em nenhum dos seis projetos apresentados, ainda que sim algumas abstenções: Panamá (em quatro deles), Honduras (três) e Colômbia, Peru e Haiti (dois em cada um).

As votações tiveram lugar no segundo e último dia de um debate desenvolvido pela Assembleia Geral sobre o tema da questão palestina e em uma sessão consagrada à situação no Oriente Médio.

Durante as discussões escutaram-se numerosas expressões de condenação a Israel por continuar a construção de assentamentos de colonos judeus nos territórios ocupados e de apoio à causa do povo palestino.

Esse respaldo foi abrumador com respeito à petição de rendimento do novo Estado Palestino como membro pleno da ONU, solicitação apresentada em setembro passado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abas.

Extraído do sítio Prensa Latina

POLÍTICA ECONÔMICA DOS ÚLTIMOS ANOS PROTEGE BRASIL DA CRISE INTERNACIONAL, DIZ LAGARDE - Luciene Cruz e Welton Máximo

Brasília – Como resultado da política econômica dos últimos anos, o Brasil é um dos países mais preparados para enfrentar o agravamento da crise internacional, disse hoje (1º) a diretora gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Em entrevista à imprensa junto com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ela declarou que o Brasil está protegido pelos fundamentos macroeconômicos.

Mantega e Lagarde.
“Nenhum país pode estar totalmente imune à crise, mas alguns estão mais bem preparados que outros. Na nossa visão [do FMI], o Brasil está mais protegido do que qualquer outro país por causa da força do mercado interno e de boas políticas financeiras e macroeconômicas”, destacou.

Para Lagarde, os três pilares que regem a política econômica brasileira desde o fim da década de 1990 – metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal – garantem a robustez do país neste momento de turbulências econômicas internacionais. “O Brasil passou por um histórico de crises e reconstrução e hoje tem um sistema financeiro capitalizado e uma economia sólida”, disse.

No encontro, foi discutida a situação econômica internacional e eventuais aportes que os países terão de fazer ao FMI para ampliar a capacidade de o Fundo ajudar países em dificuldade. O ministro da Fazenda ressaltou que esta foi a primeira vez que um dirigente do FMI vem ao Brasil pedir recursos, apesar de as negociações com os países emergentes se estenderem há meses.

“Desta vez, o FMI não veio trazer dinheiro, mas pedir dinheiro para o Brasil emprestar a países avançados. Prefiro ser credor a devedor”, destacou Mantega. Apesar de ter se comprometido a ajudar o FMI, o ministro defendeu que o aporte seja feito por meio de acordos diretos entre o Fundo e o país. Ele, no entanto, não especificou o montante que o Brasil pode emprestar.

Pela manhã, Lagarde encontrou-se com a presidenta Dilma Rousseff. Ela almoçou com Mantega e, no momento, está reunida com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Extraído do sítio da Agência Brasil