07 maio 2012

ROBERTO FREIRE VIRA ALVO DE CHACOTAS NO TWITTER APÓS ACREDITAR EM PEGADINHA VIRTUAL

Deputado levou a sério informação que dava conta de mudança em cédulas, que trariam a inscrição "Lula Seja Louvado" | Foto: Bruno Alencastro/Sul21
O deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) foi alvo de chacotas e piadinhas durante toda a tarde desta segunda-feira (7). Isso porque ele cometeu uma tremenda gafe ao tomar como verdade uma informação ficcional, publicada pelo site G17, que satiriza os grandes portais de notícia da internet. O texto, acompanhado de uma imagem de uma cédula de real, afirmava que a presidente Dilma Rousseff havia determinado que a frase “Deus seja louvado” fosse substituída nas cédulas por “Lula seja louvado”. A mensagem ainda reproduzia a suposta fala de Dilma, que teria dito: “Nem Deus, nem Zeus, nem Goku, nem Galileu. Coloquem o nome do Lula”. O deputado acreditou na pegadinha e distribuiu comentários furiosos em seu perfil no Twitter. Os demais usuários da rede não deixaram a gafe passar em branco e fizeram uma série de comentários absurdos sobre a possibilidade de endeusamento do ex-presidente Lula, tanto que a hashtag #lulasejalouvado foi a mais comentada nesta segunda. Percebendo que havia se enganado, Roberto Freire ficou ainda mais irritado e culpou o governo federal pela notícia falsa. “O pior é que em função do desmantelo e imoralidade dos tempos lulodilmistas, tal estapafúrdia noticia tem ares de verdade”, comentou.

Extraído do sítio Sul21

VETA, DILMA! - Montserrat Martins


Corajosa, ao estampar na capa “Veta, Dilma!” a revista “Isto É” faz o oposto da “Veja”, que jamais correu o risco de desagradar possíveis anunciantes. A diferença entre duas revistas nacionais de grande circulação vai além do natural interesse que desperta a mídia, também é uma metáfora de dois modos de pensar sobre negócios, de dois modos opostos de empreendedorismo. Ambas são empresas e visam lucros, mas fazem apostas diferentes. Corajoso é o empresário que acredita na inteligência do seu público e que este apoiará líderes sensatos, que pensam no melhor para toda a coletividade. Conservador, em contraste, é o que acredita que o mundo não muda e aposta apenas no lucro imediato e em ficar sempre bem com os que hoje detém o poder econômico.

Não vamos explicar aqui a descaracterização do Código Florestal, pelo que se apela à Presidenta que vete as mudanças que favorecem os desmatadores. Vamos direto aos interesses em jogo, o agronegócio festejando e os ambientalistas sofrendo a perda das leis que protegiam nosso patrimônio natural. A questão é: será que os grandes empresários rurais teriam que, necessariamente, comemorar o afrouxamento da legislação ambiental ? Pois se a ciência estiver certa – e está – não haverá o que comemorar, com a piora das condições climáticas e dos regimes de chuvas nos próximos anos, em decorrência do próprio desmatamento. Traduzindo em números, isso significa lucros agora, prejuízos depois. Empresários rurais esclarecidos, portanto, deveriam estar tão preocupados quanto os ambientalistas com esse tipo de questão.

Décadas atrás ficou famosa a declaração de um presidente da FIESP, segundo o qual milhares de empresários deixariam o país caso Lula ganhasse as eleições, o que não aconteceu naquele pleito, mas mais adiante, sem que a “profecia” se realizasse. O governo em nome “dos trabalhadores” não levou à falência de ninguém, ao contrário, a ponto de ser hoje acusado como complacente com lucros exorbitantes. Se décadas atrás “trabalhadores” era o termo que metia medo nos negócios, hoje é o termo “ambientalista” que é visto como inimigo dos lucros. As ciências econômicas, aparentemente, ainda não incluem os cálculos dos prejuízos sobre a devastação do ambiente natural – como se pudesse haver economia sem ele.

* Montserrat Martins, Colunista do Portal EcoDebate, é Psiquiatra.


Extraído do sítio Eco Debate

JAPÃO DESATIVA TODAS AS CENTRAIS NUCLEARES DO PAÍS - Ulrike Mast-Kirschning



Após catástrofe nuclear de Fukushima, o Japão desligou da rede seu último reator. Governo diz que se trata de manutenção de rotina e plantas serão reativadas em breve. Greenpeace vê chance para energia sustentável.

"Todas as luzes estão acesas, não está escuro. Tudo está normal no Japão", disse Hisayo Takada, de Tóquio, um dia antes de a última das 54 usinas nucleares do país ser desligada da rede . "E isso não vai mudar no dia 5 de maio", apostou a ativista do Greenpeace.

A usina de Tomaria (foto), localizada na ilha de Hokkaido, foi então desativada. Oficialmente, para manutenção de rotina. Segundo funcionários, porém, é na verdade para melhorar a segurança na planta.

As exigências de segurança foram aumentadas significativamente pelo governo desde a explosão na central nuclear de Fukushima Daiichi, na sequência de um forte terremoto e de um tsunami que atingiu a costa leste do Japão. Na época, foi liberada uma grande quantidade de radioatividade na região.

Quatro reatores de Fukushima nunca mais serão ligados à rede elétrica. Segundo informou a operadora Tepco, eles foram riscados da lista. Mesmo dois reatores menos danificados foram desativados permanentemente.

Explosão em Fukushima em março de 2011 foi maior catástrofe nuclear da história do Japão
Até agora nenhum apagão

Ao todo, 15 centrais nucleares avariadas foram desativadas. Todas as outras foram desligadas para manutenção. Especialmente no interior deve haver escassez de energia, informou o governo japonês.

"A maioria das pessoas não acredita nisso", diz a ativista do Greenpeace, Hisayo Takada. "Metade da energia que abastecia o oeste do Japão vinha de centrais nucleares", disse ela. Atualmente não há qualquer reator ativo na região e, até agora, não há registros de apagão.

Os japoneses temem, entretanto, que possam ocorrer problemas nos meses mais quentes do verão, julho e agosto. É quando os condicionadores de ar são ligados, principalmente na capital, Tóquio, e a demanda por energia aumenta.

"Tivemos experiência com isso no verão passado", contrapõe a ambientalista. No ano passado, Tóquio conseguiu economizar até 80% de energia no horário de pico. Já naquela época havia poucos reatores da Tepco em operação. Levando em conta todo o verão, o consumo de energia foi reduzido em 40%.

Cidadãos em Tóquio protestam contra energia atômica
Oportunidade para fontes alternativas

No entanto, o governo japonês insiste que as centrais nucleares serão reativadas assim que possível. A planta de Oii, de propriedade da Kansai Electric Power, na cidade de Fukui, a oeste do país, estaria adequadamente protegida contra desastres nucleares, declarou já em abril o ministro japonês do Comércio Yukio Edano. Até agora as autoridades locais não aprovaram o retorno das operações na usina, e ainda não há data para o reator ser religado à rede. As negociações sobre a reativação devem continuar na próxima semana.

Enquanto isso já foram realizadas duas audiências públicas no local, diz a ativista do Greenpeace. Para os cidadãos, muitas questões de segurança teriam ficado em aberto, no caso de a região ser atingida por um terremoto. "É um grande desafio para o Japão seguir adiante sem suas 54 centrais nucleares, mas esta também é uma grande oportunidade", acredita Hisayo. "Nós podemos poupar energia, oferecer mais incentivos para reduzir o consumo e investir mais em fontes de energia renovável."

Extraído do sítio Deutsche Welle

EUROPEUS ABREM OS BRAÇOS PARA FRANÇOIS HOLLANDE

François Hollande se prepara para encontrar os líderes da comunidade internacional. REUTERS/Regis Duvignau


Depois da vitória de François Hollande no segundo turno das eleições presidenciais francesas, diversas vozes reagiram na Europa, parabenizando o socialista e o convidando para encontros estratégicos. Vários líderes do velho continente se disseram dispostos a trabalhar com o novo presidente francês para a retomada do crescimento europeu. 

A chanceler alemã Angela Merkel foi a primeira a telefonar para François Hollande para felicitá-lo e convidá-lo para ir a Berlim. Os dois dirigentes tiveram uma primeira conversa e combinaram de trabalhar juntos em uma relação franco-alemã forte, amistosa e ao serviço da Europa.

A Alemanha será a primeira viagem de François Hollande ao exterior depois de sua posse, prevista para o dia 15 de maio, data do fim do mandato de Nicolas Sarkozy.

O primeiro-ministro David Cameron também conversou com Hollande por telefone, para felicitá-lo pela vitória.

Ainda na Europa, o premiê português Pedro Passos Coelho, que dirige um governo de centro-direita, enviou os votos de sucesso a Hollande pelo mandato que o povo francês acaba de lhe confiar. O chefe de governo acentuou sua vontade de trabalhar com Hollande no plano bilateral e no plano europeu.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, também felicitou calorosamente François Hollande, enviando um recado sem ambiguidades: "Temos um objetivo comum: relançar a economia europeia para gerar um crescimento durável". Barroso afirmou que conta com as convicções e o engajamento pessoal de Hollande para avançar a integração europeia.


Extraído do sítio RFI

MÍDIA OCULTA NEGÓCIOS DE SERRA E KASSAB COM ESQUEMA CACHOEIRA - Eduardo Guimarães

Esta matéria precisa ser lida não apenas pelos parlamentares membros da CPI do Cachoeira, mas por toda a classe política, sobretudo por aqueles políticos que estão do lado oposto ao que estão os grandes meios de comunicação, o lado governista.

De sexta-feira para cá, falei ao telefone com dois políticos governistas de grande expressão. Ambos, sem combinarem nada entre si, relataram-me que enxergam risco concreto de parte dos governistas na CPI se unir à oposição para aliviar a barra da mídia nas investigações.

Um político governista que integra a CPI (como suplente) e que pode agir nesse sentido é o senador Delcídio Amaral (PT-MS), outro é o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Ambos trabalham, junto à oposição, para blindar a mídia.

Mas não são apenas os membros governistas da CPI que deveriam atentar para este texto, mas toda a classe política, pois político algum pode ter certeza de que estará sempre do lado que a mídia apóia.

Vejam o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que já foi do PSDB carioca e que esteve entre os mais contundentes acusadores do PT durante o escândalo do “mensalão”. Hoje, está no PMDB, é aliado do governador Sérgio Cabral e deixou de receber os favores que a mídia lhe fazia quando estava do lado que ela considera “certo”.

Uma imprensa partidarizada, uma imprensa que escolhe um lado e trabalha por ele não é ruim apenas para a classe política, mas, também, para a democracia e para a sociedade como um todo.

Nesse aspecto, fato recentíssimo comprova, sem deixar dúvidas, que a grande imprensa não passa de um poder discricionário que não hesita até em cometer crimes, como é bem provável que fique caracterizado na televisão neste domingo (6/5) à noite… Mas essa é outra história.

Vamos aos fatos. Matéria da revista IstoÉ desta semana se constitui em uma bomba atômica jornalística, política e institucional, apesar de que boa parte do que a revista revela não é novidade. Matéria da jornalista Conceição Lemes, do site Viomundo, antecipara que a empreiteira Delta fez a festa também em São Paulo.

Todavia, a matéria da IstoÉ vai ainda mais longe. Além de mostrar os contratos suspeitos da empreiteira com o governo do Estado e com a prefeitura de São Paulo durante as gestões José Serra e Gilberto Kassab, mostra escutas da Operação Monte Carlo que incriminam os dois políticos.

Por muito, muito, mas muito menos do que aparece na matéria da IstoÉ contra Serra e Kassab, o governador de Brasília, Agnelo Queiróz, esteve sob bombardeio de toda grande mídia ao longo de semanas. A matéria da revista, que saiu neste fim de semana, até agora não teve destaque em lugar algum da grande mídia, e foi citada de passagem e discretamente em alguns raros veículos.

O Jornal Nacional, por exemplo, um dos que mais atacaram e continuam atacando Agnelo, não disse uma vírgula sobre os gravíssimos indícios que pesam contra os dois políticos paulistas. Não apareceu nada na televisão ou nos jornais impressos neste fim de semana.

A exceção foi uma notinha curta na versão do jornal O Estado de São Paulo na internet e uma matéria mais completa no portal IG. Ambas, porém, publicadas com grande discrição.

A despeito disso, o envolvimento dos políticos paulistas no caso é tão grave que já está sob escrutínio da CPI do Cachoeira e do Ministério Público. Leia, abaixo, a nota da Agência Estado.

Laço de Cachoeira com Serra é investigado pelo MP, diz revista

Gravações apontariam que a Delta foi favorecida nas obras de ampliação da Marginal do Tietê

Agência Estado

O Ministério Público de São Paulo e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o contraventor Carlinhos Cachoeira investigam um possível favorecimento do grupo do bicheiro em São Paulo, na gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e durante o mandato de José Serra (PSDB) no governo do Estado (2007-2010) e na prefeitura paulistana (2004-2006).

De acordo com reportagem da revista IstoÉ na edição desta semana, a suspeita é que a construtora Delta, que seria o braço operacional de Cachoeira, teria sido favorecida com a ampliação do número de contratos durante essas administrações.

A IstoÉ afirma que os parlamentares que compõem a CPI tiveram acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho de 2011 e janeiro deste ano. Segundo a revista, as gravações apontam que a construtora Delta foi favorecida em contratos de obras de ampliação da Marginal do Tietê, na cidade de São Paulo, e na prestação de serviços de varredura de lixo na capital, que somariam mais de R$ 2 bilhões.

Nas gravações, às quais a revista afirma ter tido acesso, pessoas próximas de Cachoeira fazem referências a adequações de editais e contratos para que a Delta fosse beneficiada.

Na última quarta-feira, o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para apurar a existência de irregularidades nas licitações, superfaturamento e conluio entre

Em depoimento para a revista, o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) diz que a apuração sobre os contratos da Delta pode revelar um “caixa 2″ do PSDB em São Paulo. Já o líder tucano, Álvaro Dias, argumenta que os contratos devem ser verificados com o intuito de apontar se os valores pagos foram justos.

Estou certo de que boa parte dos leitores se surpreendeu, pois a discrição midiática em torno do caso deve estar mantendo muita gente absolutamente alheia a um escândalo dessa proporção apesar de que o procedimento investigativo do Ministério Público não é de hoje.

Tudo o que há contra os governadores Agnelo Queiróz, Sergio Cabral e Marconi Perillo está presente contra Serra e Kassab nas escutas da Operação Monte Carlo. Não existe justificativa para a mídia não citar os dois ao relacionar políticos envolvidos, mas há uma explicação que nem precisa ser escrita.

Apesar disso, no sábado à tarde surgiu a esperança de que pode estar chegando o Waterloo desse comportamento criminoso da mídia. Este blogueiro e alguns outros fizeram bombar no Twitter a hashtag #VejaPodreNoAr, que, em questão de uma hora, foi parar nos Trending Topics Brasil.

Sugere-se que o leitor fique atento à televisão neste domingo à noite, e não me refiro à Globo. É só o que posso dizer neste momento.

Só digo aos políticos que estão sendo beneficiados por essa máfia midiática que deveriam refletir que nenhum deles sabe quando poderá não estar mais do lado que goza da simpatia midiática. Aos prejudicados que ainda ajudam essa máfia, não adianta dizer nada.

Extraído do Blog da Cidadania

SOCIALISTA FRANÇOIS HOLLANDE É O NOVO PRESIDENTE DA FRANÇA



Vitória de Hollande deve repercutir na estratégia europeia de combate à crise da dívida. Sarkozy reconhece responsabilidade pela derrota. Ministro do Exterior da Alemanha saúda presidente eleito.

François Hollande foi eleito o primeiro presidente socialista da França após quase duas décadas. Ele derrotou o candidato à reeleição, Nicolas Sarkozy, no segundo turno das presidenciais francesas realizado neste domingo (06/05). Com quase a totalidade das urnas apuradas no final da noite, Hollande vencia com quase 52% dos votos contra pouco mais de 48% de Sarkozy.

"Eu estou orgulhoso por trazer a esperança de volta. Muitas pessoas estavam esperando por este momento há anos. A França escolheu a mudança", disse Hollande no discurso da vitória em Paris. Com a eleição, Hollande, de 57 anos, torna-se o segundo presidente socialista da França desde 1958. Antes, somente François Mitterand esteve à frente do governo francês no período.

Nicolas Sarkozy assumiu a responsabilidade pelo resultado das eleições. Ele pediu para que seus correligionários se mantenham unidos e disse que não vai liderar a direita no parlamento francês. Sarkozy disse que telefonou para Hollande e desejou boa sorte ao novo presidente eleito.

O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, saudou a vitória de Hollande, afirmando que não tem dúvidas que os dois países vão continuar cooperando e vão "superar seus desafios comuns". O líder da oposição alemã, Sigmar Gabriel, do SPD, também saudou a vitória de Hollande, afirmando que é "de crucial importância para a Europa".

O que deve mudar

A expectativa é de que o resultado das eleições tenha impacto direto na maneira como o país vai enfrentar a crise da dívida na zona do euro daqui para frente. O novo presidente também deve determinar quanto tempo os soldados franceses continuarão no Afeganistão e qual será o novo posicionamento militar e diplomático do país nos conflitos mundiais.

A proposta de renegociação do recente pacto fiscal da União Européia é considerado um dos carros-chefes da proposta de Hollande para a zona do euro. O novo líder francês já exigiu da Alemanha "mais solidariedade". Internamente, Hollande ganhou pontos com a promessa de criar 60 mil novos postos de trabalho para professores, revisar em parte a reforma previdenciária iniciada por Sarkozy e adotar um imposto de renda de 75% para milionários.

Sarkozy reconhece culpa na derrota
François Hollande nunca ocupou um cargo ministerial, fez sua carreira política trabalhando para o partido. Em 1988, ao mesmo tempo que Sarkozy, o socialista ingressou na Assembleia Nacional. O programa eleitoral de Hollande, intitulado "60 compromissos com a França", é considerado vago.

Crise que derruba

Nicolas Sarkozy amargura ser o 11º líder europeu a ser retirado do poder pela crise econômica e o segundo presidente da história da França a não conseguir ser reeleito. Na reta final de campanha, o conservador lutava para conquistar votos da extrema-direita e dos centristas.

Hollande, por sua vez, teve o apoio quase unânime de outros líderes de esquerda e foi surpreendido com apoio de última hora do líder centrista François Bayron, que negou aliança a Sarkozy. Bayron criticou a retórica de campanha de Sarkozy, considerando-a muito violenta. Críticos sempre salientaram o "estilo antipático" de Sarkozy, sua alegada proximidade política com os ricos e a inabilidade para reverter a lógica de favorecimento das maiores fortunas francesa em detrimento de um índice de desemprego de quase dois dígitos.

O socialista conquistou a opinião pública com suas críticas em relação às políticas de austeridade econômica que estão sendo implementadas não somente na França, mas em toda a Europa. Hollande também havia derrotado Sarkozy no primeiro turno, no dia 22 de abril, por meio milhão de votos de diferença. Pela primeira vez, um adversário conseguiu mais votos do que o presidente em exercício ainda no primeiro turno das eleições.


Extraído do sítio Deutsche Welle

DOMINGO ESPETACULAR MOSTRA A INFLUÊNCIA DE CARLINHOS CACHOEIRA SOBRE A REVISTA VEJA

O jornalístico da Record teve acesso às gravações de telefonemas entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso acusado por 15 crimes de contravenção, o diretor da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, e mostra o esquema em que o contraventor controlava o que seria publicado na principal revista da editora Abril. 

Os documentos a que o Domingo Espetacular teve acesso com exclusividade trazem provas de que as informações trocadas entre Cachoeira e o diretor da Veja resultaram ao menos em cinco capas da revista de maior circulação do país. 

As gravações registram ainda que a influência esbarra em outras esferas do poder, como na pressão para demissão da cúpula do Ministério dos Transportes, que havia se desentendido com um dos aliados do contraventor, a construtora Delta. Por meio do que Cachoeira passava para ser publicado na Veja, vários funcionários do ministério foram afastados. 

Cachoeira se orgulha de “plantar” notícias na Veja em benefício próprio e sabe até quando determinadas matérias sairão. 

Veja a transcrição de alguns trechos dos diálogos.


A revista ainda não se manifestou com clareza em relação ao caso. O diretor de redação da Veja, Eurípedes Alcântara, publicou na Internet artigo sem citar nomes em que afirma que “ter um corrupto como informante não nos corrompe”. 

A reportagem do Domingo Espetacular ouviu especialistas, que registraram grave problema ético no tipo de jornalismo praticado pela Veja diante de tantas ligações criminosas.

O professor Laurindo Leal Filho, da USP, avalia que o controle da publicação não pode ser da fonte.

— O jornalista pode e deve falar com qualquer tipo de fonte desde que tenha o controle sobre a publicação e a matéria que ele está fazendo. Quando ele oferece à fonte o controle (...), ele rompe os limites éticos.

O presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroder, critica o envolvimento da Veja no escândalo do Cachoeira.

— Nesse caso, houve uma relação promíscua muito intensa, unilateral.

O deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) acredita que a CPI do Cachoeira, que começou os trabalhos na semana passada em Brasília, deve convocar não apenas o jornalista Policarpo Júnior, mas também o responsável pela editora que publica Veja, Roberto Civita.

— Na minha opinião, ele é o principal responsável. Ele é o dono dessa revista, e ele operou com vontade.

Assista à reportagem abaixo:


Extraído do sítio R7

SOCIALISTA É ELEITO PRESIDENTE DA FRANÇA

Com Hollande, os socialistas voltam ao poder após 31 anos
O socialista François Hollande conquistou uma clara vitória nas eleições presidenciais da França neste domingo, com estimados 52% dos votos.

Após o fechamento das urnas, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que telefonou a Hollande para desejar-lhe "boa sorte" no cargo.

Analistas dizem que a votação tem amplas implicações para a zona do euro. Hollande prometeu reformular o acordo sobre a dívida pública nos países membros.

Pouco depois do fechamento das urnas às 20h (15h de Brasília), meios de comunicação franceses publicaram projeções baseadas em resultados parciais que davam ao socialista uma vantagem de quase quatro pontos.

Partidários de Hollande se reuniram na Place de la Bastille em Paris - um ponto de encontro tradicional da esquerda - para comemorar.

Analistas dizem que Hollande foi beneficiado pelos problemas econômicos da França e a impopularidade do presidente Sarkozy.

O candidato socialista prometeu aumentar os impostos sobre as grandes corporações e as pessoas que ganham mais de 1 milhão de euros por ano.

Ele quer aumentar o salário mínimo, contratar 60 mil professores e diminuir a idade de aposentadoria de 62 para 60 anos para alguns trabalhadores.

Hollande também pediu a renegociação de um tratado europeu duramente negociado sobre disciplina orçamental, defendido pelo chanceler alemã Angela Merkel e Sarkozy.

Sarkozy

Em discurso neste domingo, Sarkozy disse a partidários que "François Hollande é o presidente da França e ele deve ser respeitado".

O presidente disse que estava "assumindo a responsabilidade pela derrota".

Insinuando sobre o seu futuro, ele disse: "Meu lugar não será mais o mesmo. Minha participação na vida do meu país agora vai ser diferente.".

Durante a campanha, ele disse que iria deixar a política se perdesse a eleição.

Sarkozy, que está no cargo desde 2007, havia prometido reduzir o déficit orçamentário da França por meio de cortes de gastos.

É apenas a segunda vez que um presidente em exercício não é capaz de ganhar a reeleição desde o início da Quinta República da França, em 1958.

O último foi Valery Giscard d'Estaing, que perdeu para o socialista François Mitterrand em 1981. Mitterrand teve dois mandatos no cargo até 1995.

Uma eleição parlamentar está marcada para junho na França. A correspondente da BBC em Paris, Katya Adler, diz que, por causa da derrota de Sarkozy, a extrema direita francesa espera conquistar amplo terreno político no pleito parlamentar.


Extraído do sítio BBC Brasil

05 maio 2012

A INCÓGNITA DE LULA - Marcos Coimbra



De uns anos para cá, o sistema político brasileiro passou a funcionar com um elemento adicional de imprevisibilidade. E de grande importância, pois deriva do modo como atua seu principal personagem. 
Até então, todo mundo achava que conseguia entender Lula muito bem. Havia quem se considerasse Ph.D na matéria, capaz de decifrar cada um de seus gestos à luz do que fizera no passado.

Quem, por exemplo, era versado nas minúcias da vida sindical paulista nos anos 1970 explicava o que ele fazia com base naquelas experiências. Se isso, era porque tinha acontecido aquilo; se o oposto, porque assim ocorrera em um dia determinado.

Tendíamos a avaliar que o Lula do movimento sindical era basicamente o mesmo do presente. Com um ajuste aqui, outro acolá — e as mudanças inevitáveis da idade —, sua persona política tinha sido ali formada e estava pronta.

Um exemplo do quanto mudou é seu papel na CPI do Cachoeira. Tudo que ele fez foi surpreendente — para amigos e inimigos.

A hipótese de que queria lançar uma cortina de fumaça no julgamento do mensalão é pueril. Equivale a imaginar que os ministros do Supremo Tribunal Federal são tão voláteis nas convicções que modificariam seus votos porque o deputado fulano — ou o governador sicrano — estão enrolados nos negócios do bicheiro.

Conhecendo como conhece o STF — e tendo indicado vários de seus integrantes —, ninguém precisaria dizer a Lula que a CPI poderia acabar tendo o efeito inverso, se fosse feita somente para atrapalhá-lo.

Outros que se creem entendidos em Lula interpretaram sua disposição de viabilizar a CPI como uma clássica forma de defesa: partir para o ataque, sem aguardar a investida do adversário. Seria uma tentativa de se proteger do desgaste que o julgamento do mensalão lhe traria que teria levado o PT a apoiá-la.

Quem elabora essas fantasias não deve conhecer a imagem que Lula tem hoje.

Não há nada de parecido em nossa história política: um governante que terminou seu mandato como uma quase unanimidade, com a aprovação de mais de 80% da população. Nenhum dos antecessores, nesta ou nas Repúblicas anteriores, chegou perto disso.

Nas pesquisas atuais, 85% das pessoas dizem ter dele opinião “ótima” ou “boa”. Seu governo é, em retrospecto, o melhor que o Brasil já teve para cerca de 75% dos entrevistados. Superou seus antecessores em tudo — incluindo no combate à corrupção — para proporções parecidas.

Se fosse candidato em 2014, teria algo próximo a 70% dos votos, independentemente dos oponentes (o que não quer dizer que Dilma não seria, também, favorita, se a eleição acontecesse hoje).

Quem tem uma imagem dessas precisa de biombos? Precisa usar a CPI do Cachoeira para se esconder? De quê? De coisas conhecidas há anos?

Mas a criação da CPI não é, nem de perto, o gesto mais surpreendente do Lula dos últimos anos. Alguém duvida que foi a concepção e estruturação da candidatura de Dilma — mulher, técnica, recém-filiada ao PT?

Um lance de alto risco político e que deu certo. Tão certo que criou, para seu partido, um cenário altamente favorável, em que pode permanecer no poder por mais muitos anos.

E agora, com o lançamento da candidatura de Fernando Haddad? Que ninguém imaginava, apostando que o PT paulista faria como os tucanos, colocando suas fichas em nomes conhecidos? E se isso der certo também?

Até onde irá a capacidade de Lula fazer o inesperado? De deixar seus adversários perplexos, tentando antecipar a próxima novidade, o próximo coelho que vai tirar da cartola?

Difícil dizer. Mas o certo é que, com um Lula assim no centro de nossa vida política, ela fica mais interessante. E bem menos previsível.

Extraído do sítio Portal Clipping MP

HIDROPONIA: CONHEÇA OS PÓS E CONTRA NESSE TIPO DE CULTIVO - Nanda Melonio

A hidroponia é o cultivo de vegetais sem a utilização do solo, apenas com água associada aos elementos nutritivos, essenciais para o bom desenvolvimento das plantas. Foto: Invernaderos Inisa
Se durante um almoço em família alguma criança curiosa perguntar de onde vêm as verduras, frutas e hortaliças que estão na mesa, a resposta automática é que são plantadas na terra, certo? Nem sempre. Existem outras formas de cultivo, e uma das que vêm ganhando destaque é a hidroponia, quando as plantas não crescem fixadas ao solo, e sim na água. Neste caso, os nutrientes que elas necessitam para se desenvolver são dissolvidos na água que passa por suas raízes.

A hidroponia também pode ser auxiliada pelo uso de outros substratos como: cascalho, areia, vermiculita, perlita, lã de rocha, serragem, casca de árvore, etc., aos quais são adicionados uma solução de nutrientes contendo elementos essenciais para o desenvolvimento da planta.

Atualmente, a alface é a espécie mais cultivada, mas também pode-se plantar couve, melão, rúcula, brócolis, berinjela, tomate, arroz, morango, feijão-vagem, salsa, repolho, agrião, trigo, pepino, pimentão, forrageiras para alimentação animal, mudas de árvores e plantas ornamentais.

A técnica é uma alternativa bastante utilizada em países como Holanda, França, Estados Unidos e Japão, que apresentam condições adversas de clima, área e solo. No Brasil, a região Sudeste – especialmente o estado de São Paulo – concentra a principal produção hidropônica, mas o processo também é usado em outros estados e regiões do país. Além da comercialização com fins alimentícios, a hidroponia também é muito utilizada para estudo da potencialidade das plantas e alimentação animal.

O processo de hidroponia apresenta várias vantagens em relação às formas de cultivo tradicionais, como: crescimento mais rápido; maior produtividade; aumento da proteção contra doenças, pragas e insetos nas plantas; economia de água de até 70% em comparação à agricultura tradicional; possibilidade de plantio fora de época e rápido retorno econômico; assim como menores riscos perante as adversidades climáticas.

Na hidroponia, a planta não entra em contato com o solo e recebe os sais minerais que precisa em proporção equilibrada, dissolvidos em água. O resultado é uma planta mais forte e sadia, com qualidade nutricional e sabor equivalente aos vegetais produzidos nas práticas tradicionais de cultivo.

Mas o maior atrativo do sistema hidropônico é a isenção de resíduos agrotóxicos. Ao utilizar a hidroponia, o agricultor também evita a degradação dos solos e a agressão ao ambiente, além de economizar, pois reduz o uso de produtos químicos e a preocupação com a desinfestação de áreas para o plantio. 

Dentre as desvantagens, está o alto custo inicial do processo, devido à necessidade de terraplenagens, construção de estufas, mesas, bancadas, sistemas hidráulicos e elétricos. Os equipamentos utilizados nas culturas hidropônicas devem ser mais sofisticados e precisos que os do cultivo no solo, o que torna sua aquisição, instalação e manutenção bem mais caras. 

A grande dependência de energia elétrica exige gastos com prevenção tanto à sua falta quanto à falta de água. Qualquer falha ou erro de manejo pode acarretar um prejuízo bem maior e mais grave do que na agricultura tradicional, pois o sistema hidropônico é muito mais vulnerável.

Além disso, para que o negócio seja lucrativo, é necessário bastante conhecimento técnico e fisiológico: o agricultor precisa ficar atento à escolha das espécies de plantas mais adequadas, ao uso de recipientes apropriados e à aplicação correta de fertilizantes e materiais básicos para se obter sucesso com o cultivo hidropônico.


Extraído do sítio O Eco

04 maio 2012

ESQUERDA TEM DE SER HUMILDE E IR ALÉM DO ECONOMICISMO, SUGERE TARSO GENRO - Maurício Hashizume



Convidado a falar sobre “o futuro da democracia”, no Observatório das Crises e Alternativas, em Portugal, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, sustentou que é preciso uma análise mais modesta da realidade, visto que as crises têm servido muito menos como oportunidades de avanços na garantia de direitos e mais para recuos (como a fragilização do Estado Social na Europa). A reportagem é de Maurício Hashizume, direto de Lisboa.

Lisboa – Primeiro conferencista a contribuir com reflexões sobre os problemas e desafios da atualidade na esteira do recém-criado Observatório das Crises e Alternativas, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), sugeriu a adoção de uma postura de humildade por parte das forças políticas reunidas em torno da esquerda, sem deixar de lado a perspectiva da ousadia.

Convidado a discorrer sobre “o futuro da democracia”, Genro - que foi ministro da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) – sustentou que é preciso uma análise mais modesta da realidade, visto que as crises têm servido muito menos como oportunidades de avanços na garantia de direitos e muito mais para recuos (como na fragilização em curso do Estado Social em países da Europa). 

Essa conduta humilde, de acordo com o governador gaúcho, passa pelo reconhecimento da capacidade do capitalismo de captar as classes populares, impondo padrões de modo de vida em escala global, bem como do poder da banca financeira, que determina os rumos de Estados e suprime soberanias. Diante disso, o pensamento de esquerda, analisa, precisa assumir o desafio de se expandir para além das visões economicistas e positivistas, todas elas fundadas no paradigma da razão iluminista, e incorporar conceitos mais ligados às subjetividades como “capital cultural” e “violência simbólica”.

A partir de um quadro mais amplo que agrega e valoriza outros aspectos historicamente desvalorizados como os da cultura, o petista destacou processos de “constitucionalismo transformador” como os que estão em curso na Bolívia e no Equador, e declarou seguir vislumbrando a possibilidade de um “redescobrimento da utopia democrática”.

Os efeitos da reestruturação produtiva no mundo do trabalho são uma evidência da mudança de cenário que colocam desafios adicionais à esquerda, realçou o governador. Nesse contexto, a “ética da descartabilidade” se impôs sobre a “ética do trabalho fabril”, gerando novos tipos de subemprego. Subordinados nas relações de trabalho e na esfera da vida privada, os trabalhadores se vêem cada vez mais “espremidos”. A própria distinção entre trabalho e lazer, emendou o ex-ministro, já não é mais a mesma.

Para enfrentar o poder de atração do capitalismo dinamizado por inovações tecnológicas, Genro realçou a relevância do papel de um Estado com “políticas de desenvolvimento que apontem para um novo contrato social”, ou seja, que não permaneça estático em suas instituições “clássicas”. Por meio de novos mecanismos democráticos instalados nas “fendas no sistema”, lutas sociais associadas a políticas públicas podem instaurar, na visão do governador, uma lógica de “operação interdependente com soberania” como contraponto à dominação dos mercados.

Na avaliação do petista - que também já foi prefeito de Porto Alegre por duas vezes (inclusive quando das primeiras edições do Fórum Social Mundial) -, pressões sociais combinadas com políticas de governo viabilizaram a emergência de novos sujeitos sociais (por meio do crescimento com priorização de investimentos produtivos e redução das desigualdades), antes completamente excluídos, que vêm tornando a questão democrática ainda mais importante para o país. Nesse sentido, o sistema político “atrasado, oligárquico e financeirizado” constitui, para ele, um problema para o desenvolvimento do país. 

“Se não houver avanços em termos de contrapontos democráticos num período histórico determinado, a grande probabilidade é de retrocesso”, projetou. Apesar de conquistas - como o aumento expressivo de jovens não apenas alfabetizados, mas com acesso ao ensino superior, bem como na redução da taxa de mortalidade infantil -, o futuro do país, assinalou Genro, continua “totalmente indeterminado”. “Não tenho arrogância [com relação aos rumos do Brasil]”, emendou. Dependerá da consolidação, segundo ele, de um “bloco policlassista” que seja capaz de se opor à tutela do capital financeiro globalizado. 

Como contribuições práticas ao exercício da democracia, o governador do Rio Grande Sul anunciou a adoção de um sistema amplo e combinado de participação social cidadã em âmbito estadual que integrará diferentes mecanismos como as assembléias abertas deliberativas de orçamento participativo com meios de interface digital e a intervenção de conselhos setoriais. Além disso, citou o envio de um projeto à Assembleia Legislativa para criação de uma empresa pública sob controle social de um conselho cidadão que será responsável pela fiscalização e acompanhamento dos pedágios em rodovias que cruzam o Estado.

Ações locais, regionais e nacionais à parte, o fortalecimento do contraponto às máximas mercantis também dependem de ações em escala global, complementou Genro. Nesse âmbito, ele afirmou que segue sendo favorável à regulação financeira por meio de instrumentos como a Taxa Tobin, que prevê a tributação das transações do mercado financeiro. “Mas quando se terá potência política para isso? É difícil saber”, respondeu.

A construção de um programa mínimo de enfrentamento da crise pela esquerda também foi cogitado pelo governador. Uma plataforma única que possa unir distintos setores – que leve em conta as características sociais, políticas, econômicas e culturais de cada país e região - poderia, na opinião de Genro, ajudar a dar início a um processo de mudança.


Extraído do sítio Carta Maior

DENÚNCIA QUE VEJA NÃO FEZ ERA A QUE MAIS VALIA A PENA FAZER - Eduardo Guimarães


Impressiona a ingenuidade alegada pelos seguintes atores: Demóstenes Torres, Marconi Perillo e Policarpo Júnior/Veja. Todos esses alegam que “não sabiam” das atividades criminosas de Carlinhos Cachoeira. Todavia, o que a Polícia Federal vem revelando sobre as atividades criminosas do bicheiro, sua influência imensa nas instituições de Estado, tornam inexplicável a alegada ignorância desses atores.

Tudo fica ainda mais grave quando há um jornalista e um meio de comunicação que se dizem especializados em denunciar corrupção e que criticaram Lula e Dilma incessantemente por dizerem que não sabiam de corrupção no governo federal que em grande parte jamais foi comprovada.

Pergunta: com tanta expertise que Veja diz ter para desvendar corrupção, não é inverossímil que não tenha enxergado a maior matéria sobre o tema na última década? E ao dizer maior matéria, é pela dimensão da corrupção e pela fartura de provas.

A alegação de defensores da Veja de que as escutas da PF comprovariam “apenas” uma relação íntima entre “Poli” e Cachoeira agrava ainda mais a situação da revista porque essa relação entre o criminoso e ela, que alega ser campeã no combate à corrupção, permitiria que soubesse dos crimes que agora diz que desconhecia. Mas o que transparece é que estes foram acobertados para que Veja fosse informada de outros supostos crimes dos políticos aos quais se opõe.

Avaliando tudo que Veja e Demóstenes, ao menos, denunciaram contra adversários políticos sob informações de Cachoeira, pode-se concluir que muito pouco resultou em alguma coisa. O que resultou de reportagens como aquela que acusou José Dirceu de ter montado um “governo paralelo” em um hotel de Brasília? Algum ministro que a Veja “derrubou” no ano passado teve alguma coisa comprovada contra si no nível do que foi comprovado contra Cachoeira?

Ainda no caso dos ministros demitidos, onde estão as comprovações de que as denúncias que Cachoeira informou à Veja procediam? No caso do contraventor, a descoberta pela Polícia Federal do que os “investigadores” Demóstenes Torres e Policarpo Jr. não enxergaram resultou em prisão imediata dos envolvidos, ou seja, o que a Veja, seu editor e o senador “não sabiam” levou o bicheiro e dezenas de outros para a cadeia rapidamente.

Veja e Demóstenes tiveram nas mãos a chave para desmontar um esquema de corrupção imenso, mas trocaram tudo isso por denúncias inconclusivas contra adversários políticos. Fizeram vistas grossas para esquema de corrupção que espanta pela dimensão e gravidade. A grande reportagem investigativa que a Veja poderia ter feito, não fez. No mínimo, essas pessoas e a revista têm que explicar por quê.


Extraído do Blog da Cidadania

SAMUEL WAINER E A CPI DA VEJA - Ana Flávia Marx

A operação Monte Carlo que deflagrou a CPI de Carlinhos Cachoeira evidenciou o que muita gente já sabia: o laço da revista Veja através de seu editor-chefe de Brasília, Policarpo Junior, é muito mais estreito do que mera relação com uma fonte.

Não é a primeira vez que um órgão da imprensa pode ser investigado nos trabalhos de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Aliás, a primeira CPI brasileira teve como objeto principal o jornal Última Hora do jornalista Samuel Wainer.

Obviamente, por motivos adversos ao de Veja, a Resolução da Câmara dos Deputados nº. 313, de 1953 buscava incriminar Samuel Wainer por dumping, de obter empréstimos do Banco do Brasil – que não era privilégio somente seu – e de não ser brasileiro.

Fúria golpista

Samuel foi o primeiro a adjetivar esses grupos como “Imprensa Golpista” ou “Sindicato da Mentira” e denunciou em negrito e letras garrafais o plano de golpe ao governo de Getúlio Vargas.

Ele também incomodava os tubarões da mídia com o sucesso editorial do jornal e por conseguir furar o cerco midiático. Até o surgimento de seu jornal, o mercado de jornal impresso era dominado pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, que dominava o mercado na base antipopular; O Correio do Povo, da família Caldas; O Estado de S. Paulo, da família Mesquita. O Correio da Manhã, A Tarde, da família Simões; e o Jornal do Comércio, da família Queirós Lima.

Segundo o Anuário Brasileiro de Imprensa (1950-57) e o Anuário de Imprensa, Rádio e Televisão (1958-60), a tiragem do jornal sobressaiu de 70 mil exemplares em 1952 para 117 mil em 1960, à medida que a Tribuna da Imprensa tombou de 25 para 18 mil, A Notícia de 130 para 56 mil e o Diário da Noite, do famoso Assis Chateaubriand, foi de 129 para 40 mil.

O sucesso de Ultima Hora feria interesses políticos e econômicos dos adversários de Vargas. A reação não tardou. A conspiração do silêncio seria quebrada, mas com resultados funestos para Ultima Hora, pois contra ele se uniram todos esses interesses que se sentiram ameaçados na maior campanha que se tem notícia na história da imprensa.

O objetivo do velho PIG era claro: desestabilizar o governo de Getúlio Vargas e para isso intensificaram sua atuação na primeira CPI da história do país.

Desafio à Veja

Qual será o posicionamento da revista Veja se tiver sua participação confirmada na CPI de Carlinhos Cachoeira? Vale a pena contrastar com a posição de Samuel Wainer e desafiá-la?

Em um cenário de extrema polarização na CPI do jornal Última Hora, que durou mais de dois anos, Samuel Wainer fez dela palco de defesa de um projeto nacional desenvolvimento e tratou logo de expor as questões essenciais de que se tratava aquele inquérito.

Uma dessas questões era a regulamentação da mídia brasileira. O jornalista em seu primeiro depoimento à CPI disse que a responsabilização da atividade jornalística devia ser regra e não exceção. “(...) Ainda nisso, estamos servindo tão somente à causa da boa imprensa, aquela que não vive do escândalo nem da venda do silêncio, nem das ligações inconfessáveis”.

Para a revista Veja, a possibilidade de depor na CPI de Carlinhos Cachoeira é um “verdadeiro atentado à liberdade de expressão” e que fortalece assim, o discurso anti-imprensa. Defensiva ou tergiversação?

O alvo deles é o Brasil

Outra questão essencial era o ataque ao país. Wainer respondeu na edição 1.333 de seu jornal, que sua defesa não era pessoal ou do jornal Última Hora e, sim a defesa do Brasil, do povo e da economia. “Estou defendendo o futuro, contra a cobiça dos interesses monopolistas internacionais – o que de resto constitui o centro de toda essa onda conspirativa contra as nossas instituições democráticas”.

Em outro editorial, o jornalista continua: “Pois o alvo dos atiradores é outro, é o Brasil, exatamente quando o nosso país se encontra em ponto de transformar-se de nação de economia semi-colonial em nação de economia industrial (...)”, esclarece Samuel Wainer.

Para o jornalista o centro do inquérito e o objetivo da imprensa golpista era a disputa entre “um Brasil jovem, contra o Brasil que queria fazer-se velho e impedir os prósperos ventos da conjuntura nacional”, alertou novamente.

Terá a Veja coragem para defender o seu projeto de nação no microfone da CPI do Carlinhos Cachoeira?

Deixa o Brasil trabalhar

Para o editor do jornal, a imprensa golpista fazia uma crítica sobre a economia e a recente exploração do petróleo infundada e sem base real. No artigo, “O Brasil quer trabalhar”, o jornal dizia que a únbica coisa que o povo brasileiro reclamava naquele período era de trabalhar em paz.

A situação atual do país não é muito diferente. Enquanto o país alcança o patamar de sexta economia mundial, no curso de uma crise econômica do capital, falta base real para a crítica apresentada pelo PIG sobre a situação política nacional.

Porém o fundo dessa crítica rasa é há muito tempo conhecida, como foi anunciada pelo jornal Última Hora, em artigo de Samuel Wainer, intitulado “O Partido do Pessimismo”.

“Eles não acreditam em Brasil, em povo brasileiro, em capacidade brasileira, em democracia brasileira, em capitais brasileiros. Sofrem um fascínio absoluto do que é estrangeiro e operam eficientemente, pertinazmente, convictamente, à base de um pessimismo irrecuperável (...). Eles trabalham contra o Brasil, e proclamam isso como um mérito, como única saída, como a solução natural”.

Último questionamento: Terá a Veja capacidade de mostrar ao povo brasileiro suas relações sombrias?

Extraído do Blog do Miro