17 abril 2012

CONDENAR DIRCEU E MATAR A CPI. É O QUE A GLOBO QUER - Paulo Henrique Amorim


O jornal nacional desta terça-feira não plagiou a Veja nem o porta-voz do Carlinhos Cachoeira.

E deixou bem claro o que quer.

Matar a CPI da Veja.

Como ?

Fazer de conta que a CPI da Veja é uma reivindicação do ACM Neto e do Alvaro Dias e que o Governo Dilma está acuado.

Tão acuado que o PT pretende desistir da CPI.

É o que uma das “reportagens” do jn dá a entender.

(Se até o FHC quer a CPI, como o Ali Kamel insiste nisso ? E por que o jn omitiu essa adesão do FHC à CPI ? Censurou o FHC, Kamel ? E por que o Ali Kamel fingiu que não viu que a Hillary disse que a Dilma é um exemplo de luta contra a corrupção ?)

Uma das formas de a Globo acuar o Governo é transformar o PAC da Dilma no centro do escândalo, através da empreiteira Delta.

A Delta e, não, o Demóstenes se tornou o centro da atenção do jornal nacional (sem a ajuda da Veja).

Vamos ver se a Delta faz com a Dilma o que faz com o tucano que governa (ainda) Goiás. 

Vamos ver.

(Por falar nisso, cadê o Demóstenes, que sumiu do PiG (*) ?)

A outra obsessão do jornal nacional dos filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome próprio – e seu Ratzinger, o Ali Kamel, é antecipar o julgamento do Dirceu no mensalão – que ainda está por provar-se, como diz o Mino Carta.

A obsessão se demonstra com a pressão para que o Supremo julgue logo o Dirceu.

Na verdade, é a necessidade imperiosa de o Supremo condenar logo o Dirceu.

Condenar, antes de as vísceras tucanas e demostianas aparecerem à luz do sol.

Condenar o Dirceu (e o Lula e a Dilma) e a gente sai dessa, de fininho.

E até o Policarpo, o Leréia, o Perillo a nossa turma cai fora.

O Conversa Afiada até desconfia que seria melhor, mesmo, como sugere o Vander, o Supremo julgar o mensalão.

Quem não pode julgar, porém, é o PiG (*).

A entrevista do Ministro Ayres Britto no jornal nacional não muda uma virgula do que ele disse no domingo ao mesmo Globo, quando o Globo tentou votar por ele.

Se puder, ele vota o mensalão este ano, ao mesmo tempo em que se desenrola a eleição, ele diz.

Se puder.

Mas, a Globo e o Merval querem que dê tempo de o Peluso condenar o Dirceu.

Não porque estejam preocupados com a Justiça ou a lisura do pleito.

Porque a imediata condenação do Dirceu esvaziaria a CPI da Veja.

A Globo quer matar o Dirceu para salvar a Veja.

E ao salvar a Veja, salva a si própria.

O resto é o luar de Paquetá, diria o Nelson Rodrigues.


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista. 

Extraído do sítio Conversa Afiada

91 PETISTAS ASSINAM CPI QUE O PT NÃO QUERIA - Luiz Carlos Azenha


A ideia, o tempo todo, era fazer de conta que o PT não queria a CPI. A foto acima, que ilustra o site do Estadão, faz parecer que a iniciativa foi daqueles que se serviram, o tempo todo, do esquema Cachoeira. Brilhante!

Toda a bancada do PT no Senado assina CPI que o PT não queria [título original deste post]

Não tem texto para esta nossa “reportagem”.

A piada é por conta do que se leu nos jornais nos últimos dias.

Divirtam-se com os absurdos publicados, clicando logo abaixo:





Agora, para a realidade:


17 de abril de 2012, 20h35m EUGÊNIA LOPES – Agência Estado

Os partidos na Câmara do Deputados acabaram de juntar 272 assinaturas de deputados para a CPI do Cachoeira. Eles estão se dirigindo, neste terça à noite, para a mesa do Congresso, para protocolar, junto com o Senado, o pedido de abertura da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar as operações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Até agora, são 78 assinaturas de deputados do PT; 46 do PMDB; 50 do PSDB; 16 do PR; 25 do PSB; 11 do PCdoB; 27 do DEM; 10 do PPS; 6 do PV e 3 do PSOL. Faltam entregar assinaturas o PDT, o PSD e o PP. Mais cedo, o líder do PT no senado, Walter Pinheiro (BA), informou que já existem 60 assinaturas de senadores para a CPI. Para a criação da CPI são necessárias 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado.


Extraído do sítio Viomundo de Luiz Carlos Azenha

CPI DO CACHOEIRA CONSEGUE APOIOS PARA SER INSTALADA - Mário Coelho e Fábio Góis

A CPMI do Cachoeira investigará o senador Demóstenes Torres e outros políticos, entre parlamentares e governadores, denunciados como envolvidos com o esquema de exploração ilegal de jogo do bicheiro Carlinhos Cachoeira

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Carlinhos Cachoeira montou um amplo leque de apoio político ao seu esquema de jogo ilegal. Foto: Roosevelt Pinheiro/Senado

Líderes partidários da base aliada e da oposição protocolaram na noite desta terça-feira (17) o requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Deputados e senadores conseguiram mais de 400 assinaturas na Câmara e do Senado. As assinaturas ainda serão checadas pelas secretarias Geral da Mesas Diretoras das duas Casas.

Na Câmara, os líderes contabilizaram 340 assinaturas. O número, que não é o oficial, tem no PT o partido com o maior número de apoios: 78. Depois vem PSDB (50), PMDB (46), DEM (27), PSB (25), PSD (24), PDT (23), PR (16), PP (13), PCdoB (11), PPS (10), PV (6), Psol (3) e PMN (2). Até o momento, não entregaram as listas o PSC e o PTB. No entanto, o líder petebista na Câmara, Jovair Arantes (GO), acusado de envolvimento com o bicheiro Cachoeira, assinou um dos requerimentos.

Participaram da entrega das listas da Câmara deputados da base e da oposição. Os líderes do PT, Jilmar Tatto (SP), do PSDB, Bruno Araújo (PE), do DEM, ACM Neto (BA), do PDT, André Figueiredo (CE), do PR, Lincoln Portela (MG), e do Psol, Chico Alencar (RJ). Eles se encontraram na Secretaria Geral da Mesa para reunir os requerimentos. De lá, foram para a Mesa Diretora do Senado.

O número mínimo exigido para a instalação de uma CPI é de um terço dos membros de cada Casa legislativa (27 senadores e 171 deputados). No início da noite, o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), reuniu 67 assinaturas de apoio à CPMI – dos quais 25 dos membros do bloco de apoio ao governo (PT, PCdoB, PSB, PDT e PRB), sete do bloco da maioria (PMDB, PP e PV), 13 do bloco “União e Força” (PTB, PR e PSC) e 14 do bloco da minoria (PSDB e DEM). Randolfe Rodrigues (Psol-AP) também.

Trâmite

Depois de o requerimento ser protocolado, a Secretaria Geral da Mesa de cada Casa vai conferir as assinaturas. O passo seguinte, então, é a leitura do requerimento em uma sessão do Congresso. Quando isso acontecer, a CPMI será criada. De acordo com a secretária-geral do Senado, Cláudia Lyra, deputados e senadores têm até a meia-noite do dia em que o requerimento for lido para retirar ou apresentar apoio à investigação.

Para a leitura ocorrer, uma sessão do Congresso deve ser marcada. Existe a expectativa de que uma extraordinária ocorra na quinta-feira (20). Como o presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), anunciou hoje uma licença médica de 15 dias após ser submetido a uma angioplastia e colocação de um stent, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), terá a missão de chamar uma sessão.

Extraído do sítio Congresso em Foco

"VEJA" PARECE JAPONÊS PERDIDO NO MATO - Rodrigo Vianna

"Veja" lembra os pobres japoneses:
guerra (fria) acabou?
Meu médico recomendou dieta. E evitar estresse. Por isso, abstive-me da leitura de ”Veja” no fim-de-semana. Foi um erro. Era chance de desopilar o fígado. Até pelo humor.

Recebo dos leitores, desde sábado, trechos da “reportagem”. Na abertura de um dos parágrafos, parece haver uma metáfora colossal sobre “formigas e feromônios”. Deve ter sido obrada pelos mesmos editores que acreditaram no “Boimate” – piada de primeiro de abril publicada pela revista dos Civita, como se fosse pesquisa séria…

Mas a melhor frase estava logo na abertura: ”Josef Stalin, o ditador soviético ídolo de muitos petistas…”

Hehe.

Os feromônios da Guerra Fria atraem “Veja” até Stálin. É incontrolável. Curioso. Nos anos 90, dizia-se que os esquerdistas que seguiam falando em socialismo não percebiam um fato óbvio: “a Guerra Fria acabou”. O mantra servia pra tudo: “deixa de falar em desigualdade, a Guerra Fria acabou”; ou “não critica o capitalismo, a Guerra Fria acabou”.

Mas a Guerra Fria não acabou para a “Veja”. Stálin ainda é ditador. E ídolo dos petistas… A União Soviética serviu como fantasma durante muitos anos. Agora, a direita precisa reciclar seus fantasmas.

Em que planeta vive a turma da “Veja”. O PT pode ser criticado por muitos motivos. A frouxidão ideológica dos últimos anos é um problema muito mais sério do que o ”apego” a figuras como Stálin ou qualquer outro líder dos velhos tempos da Guerra Fria. 

Há outros trechos do texto - escrito por alguém que transita do medo à raiva, indistintamente – que nos remetem ao glorioso blog do profesor Hariovaldo (anticomunista imaginário que, na segunda década do século XXI, enxerga comunistas anda mais imaginários numa grande conspiração contra os valores ocidentais).

A “Veja” também faz humor. Sem querer. A “Veja” lembra um pouco aqueles japoneses que, anos depois de encerrada a Segunda Guerra, ainda se escondem no meio do mato, nas ilhas mais remotas do Pacífico. Acham que a guerra não acabou. Não importa o que se diga, seguirão combatendo.

Os japoneses que não acreditam no fim da guerra são figuras patéticas, dignas de pena. Mas, com a arma na mão, podem se tornar perigosos. Parece ser o caso da “Veja”. Até quando?

Bob Civita alimentou um bando de tresloucados, durante 10 ou 15 anos. E agora não sabe o que fazer com eles. Seguirão fazendo esse discurso obtuso pra assustar certa classe média. Mas até pra isso é preciso mais categoria. 

Stálin era um homem de ferro, cruel e implacável com os opositores. Teria enviado ao México um agente soviético para matar o rival Trotsky – velho bolchevique exilado pelos stalinistas. Trostsky morreu com um golpe de picareta na cabeça. Terrível.

No caso de “Veja”, a picareta não está fora, mas dentro das cabeças. Jornalistas tresloucados seguem a destruir a reputação daquela que já foi uma revista até importante para a defesa da democracia no Brasil. Isso nos anos 70.

A picaretagem e os banhos de Cachoeira levaram “Veja” para o buraco. E podem conduzir Bob Civita para o depoimento na CPI.


Extraído do sítio Escrevinhador

AGORA PODE, DENIS? - João Brandt


O filósofo gaúcho Denis Rosenfield é conhecido por ser boneco de ventríloquo da direita brasileira. Seus artigos em grandes jornais costumam tornar públicas posições dos setores conservadores, em especial as dos donos da mídia. No final de março, ele surpreendeu seus leitores com um artigo em que defendia a regulação dos meios de comunicação. 

Como assim? Aquele que sempre igualou regulação à censura agora resolveu mudar de ideia? Veja bem, ele faz uma diferenciação. O que pode é regulação de infraestrutura, de concentração de meios etc. Nada de regulação de conteúdo. Essa expressão continua sendo proibida, coisa de liberticida, daqueles que não têm respeito pela liberdade de expressão. 

Mas qual o recado que ele quer passar? São dois. O primeiro é equivalente àquela bandeira verde que passa no fundo do grid de largada da Fórmula 1. Os grandes meios de comunicação estão “dispostos” a fazer o debate público sobre o tema da regulação e dão sinal verde para que o governo o inicie. O segundo é que existem tabus que não podem ser quebrados. Eles “não autorizam” o debate sobre regulação de conteúdo. Acontece que não há como traçar políticas que busquem alcançar pluralismo e diversidade sem passar por regulação de conteúdo. Não é à toa que Reino Unido, França e Portugal, entre vários outros países, têm fortes políticas neste campo. A regulação não se opõe à liberdade; ao contrário, ela garante a liberdade para mais atores. A Constituição Brasileira trata disso no artigo 220 e 221, e não dá para deixar esse tema de fora. 

Já passou da hora de o Ministério das Comunicações pautar o debate sobre um novo marco regulatório, mas isso precisa ser feito sem tabus. Não combina com o debate sobre liberdade de expressão tentar interditar uma parte da discussão. De sua parte, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação vai realizar um seminário no dia 4 de maio, em São Paulo, para discutir uma campanha sobre liberdade de expressão e o novo marco regulatório. Fica aqui o convite para todas as entidades da sociedade civil interessadas em se envolver. Lá certamente os temas poderão ser discutidos sem tabus. 


Extraído do sítio Brasil de Fato

QUANDO A MÍDIA VESTE A CAMISA DE UMA MULTINACIONAL PETROLEIRA - Oscar Guisoni

A nacionalização da companhia petroleira YPF provocou uma histeria belicista na maioria da imprensa espanhola, que inclui a proliferação de comentários depreciativos sobre os argentinos, sua presidenta e o peronismo chamados de "fascista”, "indigenista" “ladrão”, "besta parda" e “terrorista”, entre outras coisas. A grande imprensa espanhola, incluindo o supostamente progressista El País, transformou-se na grande defensora da Repsol. 



Madri - A nacionalização da companhia petroleira YPF, realizada pela presidenta argentina Cristina Kirchner, conseguiu mobilizar a imprensa espanhola que transformou o caso em uma espécie de “causa bélica” de inéditas proporções, que inclui a proliferação de comentários depreciativos sobre os argentinos e uma série de lugares comuns sobre o movimento político que governa em Buenos Aires, ao qual acusam de “peronismo fascista”, “ladrão”, “espoliador” e “terrorista”, entre outras coisas. Ao tropeço de certa imprensa de direita que no sábado dava como certo que a Argentina não nacionalizaria a empresa, soma-se um coro de colunistas em diversos programas de rádio e televisão que pede ao governo que aplique sanções urgentes como represália.

Para entender melhor qual é o clima é preciso recorrer aos humoristas. Forges, o reconhecido chargista do jornal El País, resumiu essa situação com uma charge extraordinária na qual aparecem alguns homens de casaco azul (uma óbvia alusão ao Partido Popular, no governo) e óculos escuros de mafiosos gritando freneticamente, enquanto dois cidadãos observam a cena e um afirma: “Algo está ocorrendo quando se confunde petroleira com pátria” – ao que o outro responde com um lacônico “sim”. O semanário humorista “El Jueves” foi ainda mais longe e destacou: “Argentinos: primeiro roubam tua noiva e depois não querem te dar seu petróleo de presente”.

Mas a imprensa séria foi a que se transformou, sem dúvida, na grande defensora da causa Repsol, quase sem exceções. O ultraconservador matutino La Razón labuzou de petróleo negro sua capa para ressaltar em letras catastróficas: “A guerra suja de Kirchner”. Ao mesmo tempo, seu correspondente em Buenos Aires, Ángel Sastre, escreveu artigo intitulado “A viúva negra e as hienas peronistas”, no qual não economizou adjetivos para qualificar a presidenta Cristina Fernández, chamando-a de “besta parda” enquanto fala de sua “malévola” conversão em um monstro pior que Evo Morales e Hugo Chávez. Cristina é descrita como uma presidenta rodeada de “pistoleiros” como o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, e por “larápios corruptos de primeira ordem que manejam as províncias como senhores feudais”, numa alusão aos governadores peronistas que governam as chamadas províncias petroleiras que supostamente teriam se atirado “sobre a Repsol como hienas”. O mesmo jornal, no sábado passado, havia destacado em manchete “O governo fala duro com Kirchner”, em alusão às ameaças do chanceler García Margallo ao governo argentino antes da nacionalização.

O supostamente progressista El País não foi menos belicoso e, em um editorial intitulado “Espólio consumado”, acusa a Argentina de ir “mais além da ruptura circunstancial da segurança jurídica pressuposta em um país democrático” para terminar concluindo que “a expropriação da YPF é uma fuga para a frente que coloca a Argentina à margem da comunidade econômica internacional”. O monarquista ABC vai ainda mais longe, afirmando com grandes letras na capa: “Espoliação”, título acompanhado de uma foto de Cristina Kirchner gritando. Em suas páginas internas pode-se ler uma coluna do diplomata Javier Rupérez que fala “desta incômoda, mal educada, imprevisível e insolente Argentina que o casal Kirchner configurou segundo sua imagem e semelhança”, enquanto outro colunista, Tomás Cuesta, situa a “Argentina em um lugar de destaque no hit-parade dos estados piratas, entre Somália e Venezuela”.

Mas o prêmio máximo vai sem dúvida para o irritado Federico Jímenez Losantos, colunista do diário conservador El Mundo e da rádio COPE, propriedade da Igreja Católica. Segundo Losantos, Cristina Kirchner, a quem chama de “senhora por trás de um botox” e “chefe do bando” tem “essa coisa indigenista cultivada pelos montoneros”. Jiménez Losantos acredita que “os peronistas são um perigo público e privado” que pertencem a “um partido fascista” e seu líder é uma “montonera militante da extrema esquerda terrorista dos anos 70; o pior do pior”. O ministro da Indústria, José Manuel Soria, contribuiu para esse clima ríspido acusando os argentinos de ser “gente pouco confiável”, tratando de dissimular seu equivocado otimismo quando no fim de semana afirmou que o processo de nacionalização havia sido bloqueado e que o governo argentino havia revisado sua decisão ante à decidida pressão espanhola.

A única exceção a esse coro guerreiro, que incluiu vozes contra a Argentina desde o PP no governo até o Partido Socialista na oposição, foram os deputados da Esquerda Unida que consideraram vergonhoso que o governo defendesse desse modo os interesses de uma empresa privada enquanto pouco ou nada faz para defender o estado de bem-estar social que afeta todos os cidadãos. E o jornal de esquerda Público, que publicou algumas colunas de opinião analisando o comportamento bélico dos outros meios de comunicação, como a do catedrático Juan Torres López, que afirmou: “a única maneira de entender as razões que provocam o furor com que o governo espanhol, os meios de comunicação e tantos cronistas de toda laia defendem a Repsol não pode ser outra que comprovar a ampla relação de ex-autoridades do Estado, incluindo atuais ministros, que já estiveram em sua direção, as milhares de páginas e horas de publicidade da empresa que financia esses meios e quem sabe que outro tipo de influências mais inconfessáveis e inconfessadas”.


Extraído do sítio Carta Maior

A GRANDE MÍDIA PROCUROU NA SEMANA QUE PASSOU REORGANIZAR AS FORÇAS DA OPOSIÇÃO - Elói Pietá*


A semana que passou foi quente. Novos lances específicos ocorreram dentro da permanente disputa na atualidade brasileira sobre quem vai predominar na direção da vida e do pensamento nacional: ou a pequena elite rica ou a maioria da população. A primeira tem grande presença nas instituições públicas e profundas raízes ideológicas na sociedade, se vincula às elites do capitalismo internacional, tem uma mídia poderosa. A segunda está bem representada hoje no Poder Executivo nacional, tem boa presença no Congresso e nos poderes locais, dispõe de movimentos organizados e militância com forte atuação na disputa econômica, política e ideológica. 

Na frente de batalha econômica, o governo e o capital financeiro continuaram na semana passada seu jogo de braço, onde o lado do governo quer a queda dos juros cobrados pelos bancos. Na frente de batalha política, a grande mídia privada comandou um movimento da oposição para sair da defensiva no caso Demóstenes & Cachoeira e ir para o ataque.

Quando veio à luz o elo entre o senador e o chefe da organização criminosa, o DEM quis se livrar logo de seu líder, e do assunto. O PSDB ficou perplexo. A grande mídia privada partiu em auxílio do DEM tentando embaralhar a cena com notícias negativas sobre o PT. A ação do lado governista resultou na viabilização de uma CPMI, que o campo adversário não teve como recusar, sob pena de desacreditar seu discurso moralizante já abalado pela descoberta do verdadeiro Demóstenes.

A grande mídia procurou na semana que passou reorganizar as forças da oposição. Municiada pela turma do Demóstenes, mirou no governo petista do Distrito Federal, e na empresa Delta, que toca muitas obras federais. Secundarizou os fatos e os personagens centrais do caso Demóstenes & Cachoeira. Buscou diluir o DEM e o PSDB no que seria um pluripartidário ‘partido da corrupção’. Abriu campanha dizendo que a CPMI é para desviar a atenção do mensalão. Tentou atemorizar o governo e os partidos governistas, sugerindo um clima de arrependimento por terem permitido a CPMI, do tipo ‘o governo está indo tão bem, que pena vir uma CPMI para perturbar’.

Na verdade, quem tem muito a temer com os desdobramentos do caso Demóstenes & Cachoeira é a oposição e a grande mídia privada. Em particular o DEM, que se recolhe gravemente ferido pelo caso Demóstenes, antes o fora pelo caso Arruda, à espera de quem será o próximo. Ou o PSDB, preocupado com as relações entre o governador de Goiás e Cachoeira. Ou a revista Veja, que foge e teme. Na semana anterior sua capa destacava um assunto de 2 mil anos (o santo sudário). A desta semana traz um assunto de sete anos atrás (o mensalão). Ela trata com polidez seus velhos parceiros de jornalismo, Demóstenes e o bando de Cachoeira, e investe com superagressividade contra o PT.

A oposição agora tem arranhada sua credibilidade pela dúvida sobre quantos falsos moralistas como Demóstenes há entre eles. Esta é uma excepcional oportunidade de reafirmar à sociedade que o PT, o governo Dilma, muitos aliados, e os movimentos sociais, querem moralizar os costumes políticos, inegável aspiração popular. Os governos Lula e Dilma já fizeram muito neste sentido, especialmente com o impulso e a liberdade de investigação dadas à Polícia Federal e à CGU, com a autonomia reconhecida da Procuradoria Geral da República e do Ministério Público Federal, inéditas em relação a governos anteriores. Agora dá para fazer mais. Que tal uma reforma, por exemplo, que tire do setor privado o financiamento da política?

A grande mídia e a oposição divergem da atual condução da economia essencialmente vinculada à distribuição da renda; da forma como se ampliam os direitos democráticos do povo com respeito aos movimentos sociais; da política internacional soberana que se pratica. E o país está indo muito bem nisso. Se virem quebrado o monopólio que pretenderam ter da bandeira contra a corrupção, vão perder mais terreno na grande luta de poder que se trava na atualidade brasileira. É o que temem.

* Elói Pietá, secretário geral nacional do PT.

Extraído do sítio do Partido dos Trabalhadores

HOTEL NACIONAL: AS DIGITAIS DE CARLINHOS CACHOEIRA NO RIO DE JANEIRO - Jorge Lourenço

Um empresário ligado ao contraventor Carlinhos Cachoeira e ao senador Demóstenes Torres (sem partido) teria usado o esquema do grupo para se beneficiar no leilão do Hotel Nacional, um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer em São Conrado, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Desativada desde 1995, a construção foi leiloada pelo Ministério da Fazenda através da Superintendência de Seguros Privados (Susep) em 2009. Naquela ocasião, o empresário Marcelo Limírio arrematou o hotel por R$ 84,9 milhões, R$ 33 milhões a menos do que o lance inicial do leilão anterior, no qual não houve lance. 

Projetado por Oscar Niemeyer, Hotel Nacional está desativado desde 1995
Principal acionista individual do grupo Hypermarcas, Marcelo Limírio é sócio direto tanto de Carlinhos Cachoeira quanto de Demóstenes. O contraventor e o empresário são sócios pela empresa ICF, responsável por fornecer testes para laboratórios. Entre eles, está o Vitapan, que pertence a Cachoeira. Já o senador Demóstenes é sócio de Limírio numa universidade em Contagem, Minas Gerais. 

Denominada "Nova Faculdade", a instituição de ensino é dividida entre três cotistas, dois dos quais são Limírio (60% do empreendimento) e Demóstenes (20%). O empresário foi até bem generoso com o senador, deixando que ele parcelasse em 25 vezes o investimento de R$ 200 mil na empresa. Com campanha financiada por Limírio, Vergílio não assinou pedido de CPI para investigar Cachoeira

A proximidade de Limírio com Cachoeira e Demóstenes coloca outro político na roda: o deputado federal Armando Vergílio (PSD-GO). Ele era o superintendente da Susep em 2009, mesmo ano no qual o órgão leiloou o Hotel Nacional por duas vezes, baixando seu preço de R$ 118 milhões para R$ 84 milhões em função da falta de compradores na primeira tentativa de venda. Meses após a venda, Vergílio deixaria a Susep para se candidatar à Câmara Federal e um dos seus principais doadores foi a SS Comércio de Cosméticos, que contribuiu com R$ 100 mil através de uma doação eletrônica. Coincidentemente, a SS pertence ao grupo Hypermarcas, a mesma do qual Limírio é o principal acionista. Vergílio concorreu pelo cargo de deputado federal justamente no estado no qual a quadrilha de Cachoeira exercia maior controle: Goiás.

Contrato da "Nova Faculdade" revela relação de Demóstenes com Marcelo Limírio
Além das digitais de Limírio, a lista de doadores de Armando Vergílio revela nomes curiosos. Ex-superintendente de um órgão cujo objetivo é controlar e fiscalizar o mercado de seguro, previdência privada aberta e capitalização, o deputado federal recebeu uma série de doações que atuam na área. Entre seus principais doadores estão a Porto Seguro (R$300 mil), Banco Pottencial (R$ 200 mil), Itaú Unibanco (R$ 100 mil), Liderança Capitalização (R$ 100 mil) e GPS Corretora de Seguros (R$ 100 mil). Como era integrante do PMN na época das eleições, Vergílio ainda recebeu, através do comitê financeiro único do partido, doações da Alvorada Cartões (R$ 200 mil) e Liderança Capitalização (R$ 200 mil). No total, o deputado federal recebeu R$ 1,2 milhão em recursos de empresas da mesma área que ele fiscalizava nos tempos de Susep. 

Aliança política

Antes da eclosão das denúncias da Operação Monte Carlo, o senador Demóstenes Torres era um dos favoritos para disputar a prefeitura de Goiânia. No entanto, uma possível ida para o Supremo Tribunal Federal, cogitada algumas semanas antes da revelação de suas ligações com Cachoeira, afastava essa possibilidade. Nesse momento, um dos nomes ventilados para a disputa foi o de Armando Vergílio, que recebeu o sinal verde do senador para a candidatura, segundo jornais locais. Em contrapartida, Vergílio foi um dos poucos deputados que não assinaram o pedido de abertura da CPI de Cachoeira.

Extraído do sítio Jornal do Brasil

16 abril 2012

MARCO MAIA RASGOU O "CORTINÃO" - Fernando Brito



A nota do presidente da Câmara, Marco Maia, por mais que a imprensa a esteja escondendo, acaba de reduzir praticamente a zero a possibilidade de abafarem-se as ligações entre Carlinhos Cachoeira e as campanhas de mídia que se desenvolveram (ou se desenvolvem, melhor dizendo) contra os governos Lula e Dilma.

Aliás, não é outra a razão de terem mandado sua nota pública para “a Sibéria do esquecimento”. Não a publicam.

Porque é o primeiro e mais forte gesto de oposição a uma estratégia perversa que, com um roteiro fácil de adivinhar, vinha sendo seguido pelos jornalões.

Tão fácil que foi antecipado aqui, há dias:


Cabe hoje a Ricardo Noblat assumir que a CPI do Cachoeira não é uma imposição da dimensão do escândalo, mas uma conspiração perversa para encobrir o caso do “mensalão” e, pasmem, desestabilizar o Governo Dilma.

Conspiração de Lula e de José Dirceu, claro.

Folha, Estadão e O Globo, no final de semana, tiveram a mesma ideia, claro que casualmente.

Imprensar o novo presidente do STF, Carlos Ayres Brito, contra a parede, para colocar o caso do “Mensalão” sumariamente em julgamento.

Aliás, de preferência, um julgamento também sumário.

Que independa de provas, de contraditório. Afinal, o STM – Supremo Tribunal da Mídia – já condenou aquele que quer condenar: José Dirceu. Os outros 37 acusados nenhuma importância tem.

Porque a estratégia é simples: se Dirceu era o homem de confiança de Lula, condená-lo é condenar seu chefe.

Mas, aos 45 minutos do segundo tempo, apareceu a ligação entre Cachoeira e o centro da campanha de acusações contra o governo Lula. Apareceu a cumplicidade entre o bicheiro e o centro do “Comando Marrom”, a Veja.

Num movimento de manada, foram todos correr atrás de uma improvável proteção: a da presidente Dilma.

Eles, que “adoram” a Presidenta – todos recordam como provaram isso na campanha, não é? – estão preocupadíssimos com os efeitos que a CPI possa causar a seu governo… Chegam a psicografar diálogos privados entre a Presidenta e Lula, onde ela suplicaria para que o “malvado” não deixasse a CPI sair.

Só um completo pateta pode acreditar nessa história. Claro que Lula e Dilma podem ter visões diversas sobre o timing político, mas é muito mais evidente que Dilma sabe que tudo que atinge o ex-presidente a atinge e vice-versa, porque ambos são protagonistas e alicerces de um único processo de transformação da vida brasileira.

Mas o “Comando Marrom” julga o caráter das pessoas pelas suas próprias deformidades. Vive num mundo de troca de vantagens e privilégios, onde o heroi de hoje é o lixo de amanhã. Não foram a Veja e a Globo que tiraram Fernando Collor do anonimato e fizeram dele presidente da República, para depois lançarem-no à vala, acusado dos mesmos esquemas que o envolviam antes, quando era um simples oligarca local?

Marco Maia furou este balão.

A CPI sai e não esconderá as ligações entre Cachoeira e a Veja.

Não é uma cortina de fumaça, mas o fim de uma cortina de fumaça com que se encobria objetivos políticos inconfessáveis.

Se houve ou não o “mensalão”, cabe ao Supremo, livremente, julgar. Mas à CPI cabe, agora, revelar o submundo de promiscuidade entre a Veja e um bandido.

O Brasil está na iminência de tornar-se uma República.

Extraído do Blog Tijolaço

A VEJA ACHA QUE TODO MUNDO É TROUXA - Marco Antônio Araújo


“Com a CPI que investiga o contraventor Carlos Cachoeira e o senador Demóstenes Torres a caminho, a revista Veja lança uma desesperada ofensiva para tentar desviar a atenção dos crimes cometidos por eles no que foi o maior escândalo de corrupção da história brasileira.”

Só troquei os nomes, mas o parágrafo acima é a abertura da reportagem de capa desta semana da publicação da Editora Abril.

Desesperados, em pânico, os responsáveis pela relação promíscua e suspeitosa que se abateu sobre o tal veículo de comunicação tentam criar uma cortina de fumaça para encobrir o que todos os cidadãos esclarecidos já sabem: a Veja agiu como porta-voz da oposição, e para isso se serviu do que há de pior no mundo da corrupção e da arapongagem neste país.

No caudaloso editorial travestido de reportagem, o semanário inverte todos os sinais para bancar a tese de que investigar as maracutaias do DEM e o envolvimento da Veja com esse pessoal barra pesada é um truque do PT para abafar o julgamento do chamado Mensalão, em curso no Supremo Tribunal Federal.

Perdeu a compostura. Primeiro, porque em nenhum momento a “reportagem” deixa claro para o leitor que a Veja está sendo associada a esse esquema, tanto que será convocada, na figura do seu maior expoente, o Sr. Roberto Civita, a prestar esclarecimentos diante da CPI do Cachoeira.

Covardemente, a Veja dá a entender que diversos jornalistas estão sendo chamados a depor. Seria mais uma ofensiva “stalinista” do governo Dilma contra a liberdade de expressão. Balela. Quem está sob grave suspeição é apenas o panfleto semanal da elite branca deste País. Eles que se virem, não venham com essa conversa furada.

Todos queremos que o Mensalão seja julgado de forma rápida e rigorosa. Ladrão é ladrão, independentemente da filiação partidária. Mas que uma nova casa caiu, ah, caiu.

Agora faz sentido todo o espaço que a revista deu para as bravatas do Demóstenes, todas as “informações privilegiadas” a que tiveram acesso. Na verdade, veicularam as teses que interessavam aos bandidos do lado de lá, se é que me entendem.

Porrada em todos. Ponto final. Nem PT, nem Mensalão, nem DEM, nem Cachoeira. Chega de artimanhas e hipocrisia. Quem viver, verá que de bandidos o Brasil está bem servido. Se há mocinhos nessa história, não sou eu quem vai apontar. Basta não sermos tratados como trouxas. Já é um grande avanço.

Extraído do Blog O Provocador

"É INACEITÁVEL OUTRA CÚPULA DAS AMÉRICAS SEM CUBA" - José Antonio Román

Na abertura da Cúpula das Américas, realizada na cidade de Cartagena, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu que fosse deixada para trás a teimosia ideológica na questão cubana e que fosse superado um “anacronismo da guerra fria”. Além disso, afirmou que uma nova reunião de cúpula da região sem a presença de Cuba seria inaceitável. Os governos dos EUA e do Canadá, que se opuseram à presença de Cuba na reunião, acabaram isolados. Artigo de José Antonio Román, publicado em La Jornada.



Cartagena - Após inaugurar a sexta Cúpula das Américas, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu que fosse deixada para trás a teimosia ideológica na questão cubana e que fosse superado um “anacronismo da guerra fria”. Além disso, afirmou que uma nova reunião de cúpula da região sem a presença de Cuba seria inaceitável. E, da mesma forma, seria inaceitável uma nova cúpula com um Haiti prostrado na pobreza extrema.

Diante da maioria dos mandatários da região, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro ministro canadense Stephe Harper, que se opuseram à presença de Cuba neste encontro continental, Santos ecoou, assim, a controvérsia surgida na véspera entre os chanceleres, que não chegaram a um acordo sobre o documento final da cúpula. Os dois países da América do Norte rejeitaram incluir no texto a necessidade de incorporar Cuba em futuras reuniões.

Sem nunca citar os Estados Unidos, o presidente anfitrião pediu aos países do continente para que deixassem para trás os paradigmas do passado, criassem pontes e fossem criativos para superar as dificuldades do hemisfério, entre elas a situação de Cuba. O isolamento, o embargo, a indiferença, o olhar para outro lado, já demonstraram sua ineficácia, acrescentou.

Santos sustentou ainda que no mundo de hoje não se justifica esse caminho, que não passa de um “anacronismo que nos mantém presos à era de uma guerra fria superada há várias décadas”. É hora, defendeu, de superar a paralisia provocada pela teimosia ideológica e de buscar consensos mínimos para que esse processo de mudança que também está ocorrendo na ilha chegue a um bom termo, pelo bem do povo cubano.

Para o presidente colombiano, é inaceitável que Cuba não participe da próxima Cúpula das Américas. Não podemos também chegar à próxima cúpula invocando um espírito hemisférico se antes não somos capazes de contribuir, coletivamente, para que o Haiti entre com vigor na senda do crescimento e da superação da pobreza extrema, acrescentou. Ele pediu ainda que em vez de impulsionar agendas próprias, os países do hemisfério, que queiram ajudar, façam sua a agenda do próprio governo haitiano, que conhece melhor do que ninguém as necessidades de seu povo. “Tem faltado o mais importante nos gestos de boa vontade para ajudar o Haiti: conhecer o que quer e o que realmente precisa o povo haitiano”.

A cúpula continente iniciou com a cantora colombiana Shakira, que cantou o hino nacional de seu país diante de um auditório repleto, onde estavam os 31 presidentes da região, no centro de convenções desta histórica cidade cercada de muralhas. Além do de Cuba, somente os presidentes da Venezuela, Nicarágua e Equador, por diferentes motivos, não participaram do encontro.

Também participaram da sessão de abertura o secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, e a secretária executiva da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, que fizeram um balanço da situação na região e concordaram que não deve haver mais países excluídos.

Insulza, sem mencionar expressamente o caso cubano, defendeu o fim das exclusões e destacou os avanços democráticos que a região vive hoje, além dos aportes e da vitalidade que está transformando os países latino-americanos em uma fortaleza econômica desconhecida até agora. Para o secretário geral da OEA, existem grandes diferenças regionais, mas assinalou que essas diferenças devem ser reconhecidas de modo solidário. A melhor solução, defendeu, é ter diálogo, cooperação e tolerância. Enquanto isso, a funcionária da Cepal afirmou que o progresso e o bem estar dos povos do continente americano constituem uma responsabilidade entre Canadá, Estados Unidos, América latina e Caribe. Ela insistiu que a cooperação é essencial para cumprir uma agenda de desenvolvimento econômico com igualdade, daí a importância da constituição da comunidade dos estados americanos e do Caribe, porque isso mudou a forma de nos relacionarmos.


Extraído do sítio Carta Maior

ARGENTINA RETOMA CONTROLE PÚBLICO DO GÁS E PETRÓLEO

O governo argentino encaminhou nesta segunda-feira projeto de lei ao Congresso Nacional estabelecendo a expropriação de 51% das ações da espanhola Repsol na YPF, sendo que o Estado ficará com 26,01% do total e as províncias produtoras com 24,99%. Segundo a presidenta Cristina Fernández de Kirchner, o objetivo prioritário do projeto é "a conquista do autoabastecimento de hidrocarbonetos e a exploração, industrialização, transporte e comercialização”.



Buenos Aires - Por meio de um projeto de lei enviado ao Congresso, que hoje mesmo entrará na Câmara Alta, o Executivo estabelece como “objetivo prioritário a conquista do autoabastecimento de hidrocarbonetos e a exploração, industrialização, transporte e comercialização” dos mesmos, cria o Conselho Federal de Hidrocarburetos e remove a totalidade dos diretores e síndicos titulares e suplentes da empresa. 

Cristina Kirchner afirmou que se “prosseguisse a política de esvaziamento, de falta de produção e de exploração, nos tornaríamos um país inviável, por políticas empresariais e não por falta de recursos, já que somos o terceiro país no mundo, depois da China e dos EUA, em reservas de gás”. Ela acrescentou que, no ano passado foi a primeira vez em 17 anos que a Argentina teve que importar gás e petróleo.

No mesmo ato, Cristina Fernández de Kirchner confirmou que mediante um Decreto de Necessidade e Urgência o ministro de Planificação, Julio De Vido, foi designado interventor da companhia, e será acompanhado pelo vice-ministro da Economia, Axel Kicillof, que se ocupará dos “aspectos econômicos e financeiros da gestão”. Após denunciar que, apesar de ter reduzido a produção, a YPF Repsol havia duplicado suas receitas no último exercício e de questionar a necessidade de importar combustíveis para manter a produção agrícola, pecuária e industrial, Cristina advertiu que ninguém espere grosserias de sua parte em resposta às ofensas que a medida anunciada hoje possa provocar. 

E afirmou: “sou uma chefe de Estado, não uma ‘patotera’: trata-se de uma política de recuperação da soberania”. O projeto original contempla também que as ações expropriadas não poderão ser vendidas sem a autorização do Parlamento, que necessitará de dois terços dos votos de seus membros para sua alienação, “a mesma maioria exigida para modificar a Constituição”.

Ao fazer uso da palavra, a presidenta afirmou que apresentou o projeto para a recuperação da soberania de hidrocarbonetos porque “somos quase o único país do mundo que não maneja os seus recursos naturais”, e assinalou que, desde 1999 até 2011, “o lucro líquido da YPF foi de 16,45 bilhões de dólares, e que a empresa distribuiu dividendos de 13,246 bilhões de dólares. “O problema foi a desnacionalização”, acrescentou.

Além disso, a mandatária disse que o modelo escolhido para o futuro da YPF “não é o da estatização”, mas sim “o da recuperação da soberania e do controle dos hidrocarbonetos”. “Durante muitos anos, em distintos setores da economia administrados pelo Estado, aplicou-se um critério partidário, que seguiu dando argumento aqueles que defendem que o Estado era inútil e que o setor privado podia manejar recursos do Estado”.

Referindo-se às possíveis repercussões que a iniciativa possa ter na Espanha, CFK assegurou: “Esta presidenta não vai responder a nenhuma ameaça, não vai retrucar nenhuma grosseria, não vai fazer eco a frases insolentes nem à falta de respeito, porque represento os argentinos, sou uma chefa de Estado, não uma patotera”. Perguntou, além disso, se alguém havia escutado ela reclamando algo da Espanha acerca do “escandaloso esvaziamento da Aerolíneas Argentinas”, e lembrou “como eram defendidos os empresários espanhóis que agora estão sendo processados na Espanha, entre outras coisas, por fraudes cometidas contra o Imposto de Renda”.

Mais adiante, Cristina esclareceu que “não temos problemas com o lucro, mas sim espero que eles sejam reinvestidos no país: tenham a certeza que se acompanharem o país vamos seguir trabalhando lado a lado”.

O projeto estabelece a expropriação de 51% das ações da Repsol na YPF, sendo que o Estado ficará com 26,01% do total e as províncias produtoras com 24,99%. O texto encaminhado ao Senado estabelece a necessidade de garantir o desenvolvimento econômico e o crescimento equitativo e sustentável das províncias e que o Executivo “arbitrará as medidas necessárias para o cumprimento dos objetivos estabelecidos com o concurso dos estados provinciais e do capital público e privado, nacional e internacional”.

No Salão das Mulheres, a Presidente esteve acompanhada pelo vice-presidente, Amado Boudou, pelo presidente da Câmara de Deputados, Julián Dominguez, pelo chefe de gabinete, Juan Manuel Abal Medina, pelos ministros de Planejamento, Julio De Vido, do Interior, Florencio Randazzo, da Indústria, Débora Giorgi, e pela maioria dos governadores do país.


Extraído do sítio Carta Maior

MAS O POLICARPO É O DONO DA VEJA? - Fernando Brito

O site Brasil 247 diz que a Veja cogita lançar seu editor Policarpo Júnior à cachoeira. Ou ao Cachoeira, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, com quem Policarpo mantinha intensas relações.

“Acostumada a provocar CPI's, a revista Veja está prestes a se tornar protagonista de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Congresso Nacional. Tudo em função das estreitas ligações entre o redator-chefe da revista, Policarpo Júnior, e o contraventor Carlinhos Cachoeira. Os dois trocaram mais de 200 telefonemas no último ano. Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Cachoeira se vangloriou de ter repassado diversos furos de reportagem ao jornalista – muitos deles, fruto de grampos ilegais. Num outro diálogo, o bicheiro deu ordens a um assessor para que buscasse Policarpo no “aeroporto pequeno”, num indício de que talvez tenha mandado um avião particular buscá-lo.

Por essas e, possivelmente, outras contidas nas duas centenas de diálogos gravados entre Policarpo e Cachoeira, segundo o 247, ”nesta sexta-feira, discutiu-se na Abril se a melhor saída não seria o afastamento de Policarpo – ainda que temporário – para tentar estancar o problema.”

É duvidoso que tome este caminho, ao menos por enquanto. A Veja deste final de semana é a prova de que, embora pouco sustentável, o caminho da revista será o mesmo que seus comandados da mídia já vinha experimentando ao longo da semana.

Como não dava para, como na edição anterior, escapar de novo pela tangente, a conversa da cortina de fumaça foi a saída.

Ainda não tive acesso ao conteúdo, mas já sei que a revista “culpa” Lula – como também se adiantou aqui – pelo escândalo, como se o ex-presidente fosse o mentor de uma investigação que – não é, Dr. Gurgel? – está parada há tanto tempo.

E o Estadão “psicografa” o conteúdo de uma conversa privada entre Lula e Dilma, na qual, claro, a presidente pediria ao “malvado” Lula que não fizesse isso, não…

Dá para compreender o ridículo da estratégia da mídia conservadora?

Se não há nenhuma ligação entre Cachoeira, Demóstenes, seus agentes na imprensa e o dito “mensalão”, em que este poderia ser “cortina de fumaça”?

Em que um homem recém saído de uma dolorosa e massacrante terapia de câncer, cujos passos e encontros têm sido públicos e fartamente divulgados, poderia estar conspirando contra os fatos? Sim, porque nem com uma Polícia Federal tucana e com os radinhos Nextel fajutos que o Cachoeira achava serem à prova de grampo, isso poderia estar acontecendo…

Mas Veja tem lá sua razão. Há mesmo uma cortina de fumaça.

É a dos que não querem que se investigue – ou já antecipam uma desqualificação da CPI – os subterrâneos das conspirações da oposição contra os dois governos Lula e, agora, o governo Dilma.

E essa vai aparecer, porque é impossível separar a atuação de Cachoeira e suas pressões da sua ligação, da sua associação íntima com a Veja – que é uma espécie de quartel-general do “Comando Marrom” .

Nela, Policarpo Júnior era apenas o elo, porque por mais poder interno que tivesse, não tem autonomia para conduzir, por anos a fio, a linha assumida pela revista, embora a ela se prestasse a servir com indizível prazer.

A cortina de fumaça está mesmo lá.

O elo Policarpo conduz ao comando deste sistema de mídia que domina o país.

Talvez aí, de verdade, esteja a verdade da profecia de Carlinhos Cachoeira, na frase em que disse que, com o material que por oito anos “plantou” na Veja, estava limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil”.

Sim,o bicheiro talvez termine por fazer isso.

Cachoeira pode mesmo levar a Veja de roldão.

Extraído do Blog Tijolaço, de Brizola Neto

ESTUDO ANALISA ARTICULAÇÃO DE EMPRESÁRIOS PRÓ-GOLPE DE 64 - Marco Aurélio Weissheimer

Governador Ildo Meneghetti recebe ditador Castelo Branco, no aeroporto Salgado Filho, em maio de 1964 (Memória da Ditadura no RS/Reprodução)
Dissertação de Mestrado defendida na PUC-RS por Thiago Aguiar de Moraes analisa a articulação de empresários gaúchos em torno do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais do Rio Grande do Sul (IPES) e da revista "Democracia e Emprêsa" e a tentativa de construir um “consenso intra-classe”, iniciativa que contribuirá para a eclosão do golpe de 1964 no Estado. O IPESUL era uma das seções regionais dos Institutos de Pesquisa e Estudos Sociais (IPÊS) centrais, localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo, que desencadearam uma campanha de desestabilização do governo de João Goulart a partir de 1961 e contribuíram para a sua deposição. Artigo de Marco Aurélio Weissheimer.

Porto Alegre - “Entreguemos a emprêsa ao povo antes que o comunista a entregue ao Estado”: os discursos da fração “vanguardista” da classe empresarial gaúcha na revista “Democracia e Emprêsa” do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais do Rio Grande do Sul (1962-1971). Esse é o tema da dissertação de mestrado em História defendida recentemente por Thiago Aguiar de Moraes na PUC-RS, sob orientação do professor Helder Volmar Gordim da Silveira.

A dissertação analisa a articulação de empresários gaúchos e a tentativa de construir um “consenso intra-classe”, iniciativa que contribuirá para a eclosão do golpe de 1964 no Rio Grande do Sul. Conforme Thiago de Moraes assinala na introdução, o IPESUL era uma das seções regionais dos Institutos de Pesquisa e Estudos Sociais (IPÊS) centrais, localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Os diversos IPÊS, formados por civis e militares, desencadearam uma campanha de desestabilização do governo de João Goulart a partir de 1961 e contribuíram para a sua deposição. Em 1964, muitos ipesianos ocuparam cargos de alto escalão no aparato estatal”. A dissertação também registra a relação entre esse grupo de empresários e a Igreja Católica no Estado.

O IPESUL foi criado em março de 1962 com o objetivo de “difundir a ideia da humanização do trabalho, harmonia entre empregador e empregado e democratização do capital da empresa para os trabalhadores”. O instituto começou a publicar, em 1962, uma revista mensal chamada Democracia e Empresa que circulou até 1971 (em 1970 mudou seu nome para “Desenvolvimento e Empresa”). Neste período foram publicadas 43 edições com um total de 571 artigos. A publicação tinha como objetivo “difundir uma nova mentalidade empresarial para que fosse possível defender a democracia contra o comunismo”. Isso era feito também por meio da produção e distribuição de críticas ao governo de João Goulart e seus apoiadores.

A dissertação mostra como “o IPESUL participou ativamente da conspiração golpista pela deposição de João Goulart e continuou atuando durante a ditadura civil-militar”.

A criação do IPESUL e seus fundadores

Apresentamos a seguir um resumo da investigação histórica de Thiago de Moraes, na parte relativa à criação do instituto e aos seus principais fundadores.

O IPESUL foi criado no dia 23 de março de 1962, no Salão de Reuniões da Associação Comercial de Porto Alegre, localizada no 6º andar do Palácio do Comércio, em uma assembleia presidida por Antonio Jacob Renner. A entidade foi fundada com um Conselho Orientador, formado pelos sócios fundadores, e tinha 29 pessoas, em grande parte empresários importantes na economia do Rio Grande do Sul. Havia representantes de cada uma das principais forças econômicas do estado naquele momento. Alguns dos principais eram:

Álvaro Coelho Borges: era presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) e da Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA). Fez parte de empresas como a Moinhos Rio-grandenses S.A., a Bunge & Born, a Fundição Minuano S. A., a José Berta S. A. Export. e Import., e a Comercial Técnica Export. e Import. Foi uma das principais lideranças do instituto.

Antônio Saint-Pastous de Freitas: Médico e pecuarista, foi membro da Academia Nacional de Medicina e reitor da Universidade do Rio Grande do Sul, futura Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 1943-44. Foi presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) de 1961-1963.

Carlos Osório Lopes: foi pioneiro da área de radiologia no Brasil, fundador do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) em 1948 118 e criador do consultório de radiologia CROL, em Porto Alegre.

Paulo Barbosa Lessa: Foi diretor e professor da Faculdade de Direito da PUCRS a partir de 1964 e livre docente da Faculdade de Direito da UFRGS. Além disso, tornou-se desembargador do Tribunal de Justiça em 1966. Suas relações com os meios de comunicação de massa provavelmente auxiliaram o IPESUL a cumprir seus objetivos.

Fábio Araújo Santos: presidente da J. H. Santos S/A Comércio e Indústria, empresa de seu pai onde já trabalhava. Foi presidente da Federasul e da ACPA de 1963 a 1970. Santos foi apoiador de primeira hora da ditadura civil-militar, e teria explicado tal apoio dizendo que “Não estávamos à beira do caos. Já tínhamos entrado nele”.

Donald Charles Bird: nasceu em 1913 nos Estados Unidos e formou-se em Direito. Foi diretor vice-presidente da Joaquim Oliveira S. A. e atuou no Conselho Administrativo da Granja Quatro Irmãos, Ferragem Americana S. A. e Imobiliária Real. Também foi Delegado da Associação Brasileira de Supermercados e Diretor da ACPA. Bird teria vindo para a América Latina para realizar contra-espionagem contra alemães nazistas no Sul na Segunda Guerra, assim como muitos outros agentes do FBI, enviados para embaixadas dos EUA na América Latina, trabalhando secretamente. Bird casou-se com uma gaúcha e se estabeleceu em Porto Alegre, criando o primeiro supermercado do Rio Grande do Sul, o Real, em 1953.

Antônio Jacob Renner: fundou em 1912 a A. J. Renner & Cia., fábrica de vestuário, tornando-se um dos empresários de maior sucesso e com a maior indústria de fiação e tecelagem do Rio Grande do Sul. Foi deputado estadual em 1935, membro do Conselho Consultor do Estado do RS e do Centro de Indústria Fabril do RS134, além de participar ativamente da vida política do estado dos anos 1930 aos 1960. O Centro de Indústria Fabril, criado em 1930, deu origem à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

Paulo D’Arrigo Vellinho: é um dos poucos fundadores do IPESUL vivos. Formou-se em Química Industrial na UFRGS, especializou-se em Administração de Empresas e foi presidente da Springer. Foi presidente da FIERGS (1971-1974) e vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de 1976-1980. Atualmente, integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Rio Grande do Sul e o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social nacional.

Kurt Weissheimer: foi o primeiro presidente da Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural do Estado do Rio Grande do Sul (ASCAR) em 1955, que oferecia crédito para pequenos produtores. Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural e diretor do Banco Agrícola Mercantil. Também foi diretor da FARSUL na gestão de Antônio Saint Pastous de Freitas (1961-1963).

“Utilidade pública” e “Operação Limpeza”

Em 1963, o IPESUL foi declarado de utilidade pública pelo governador Ildo Meneghetti, do Partido Social Democrático (PSD). Este decreto tem um significado político importante na época, uma vez que o instituo era anticomunista e sustentava posições contrárias ao governo de João Goulart. O grupo tinha ligações com os oficiais do III Exército que tiveram participação ativa no golpe. Segundo René Dreifuss (em “1964, A Conquista do Estado”), em meados de 1963, no Rio Grande do Sul, os golpistas podiam contar com dois terços dos oficiais do III Exército, com a Polícia Civil e com a Força Pública.

O Coronel [Peracchi] Barcellos agiu ativamente na subversão das forças policiais do Rio Grande do Sul. O general da reserva Armando Cattani estava encarregado da organização dos proprietários de terras nas zonas rurais em unidades paramilitares, que agiriam como um grupo coordenado na época do golpe. O plano teve o apoio total de Ildo Meneghetti, que era ligado à FARSUL e ao IPESUL.

Logo após o golpe começou uma “Operação Limpeza”, onde muitas pessoas consideradas de esquerda, de políticos a militantes, tiveram seus mandatos cassados, foram presos e, como é o caso de alguns professores da UFRGS e da PUCRS, expurgados. Nesta fase, um membro do IPESUL assumiu papel importante. Com a abertura da Comissão Especial de Investigação Sumária da UFRGS, foi necessário que cada unidade acadêmica indicasse um representante para compor a Comissão, que seria responsável pelos expurgos. A Faculdade de Arquitetura se recusou a indicar um nome e Amadeu Fagundes da Rocha acabou sendo escolhido. Amadeu Fagundes da Rocha Freitas era engenheiro e foi diretor do IPESUL de 1965 a 1966.

Em todo esse processo, a revista “Democracia e Emprêsa” desempenhou um papel de articulador do discurso ideológico que deu sustentação ao golpe, com um forte tom anticomunista e defendendo a ideia de que o Brasil precisava de uma “nova democracia renovada” compatível com a “tradição católica” do povo brasileiro, de sua cordialidade, harmonia entre classes e da aversão ao conflito. A dissertação de Thiago de Moraes traz testemunhos, documentos e análises preciosas sobre esse período sombrio da história do Rio Grande do Sul e do Brasil.

Extraído do sítio Carta Maior