12 março 2012

OS FANTASMAS DO PASSADO VISITAM A VENEZUELA - Emir Sader

A América Latina foi a região do mundo que teve mais governos neoliberais e nas suas modalidades mais radicais. Praticamente nenhum país foi poupado desses governos – com exceção de Cuba – que devastaram os direitos sociais, o potencial de desenvolvimento econômico, a soberania nacional, os Estados latino-americanos.

O neoliberalismo começou pela extrema direita – com Pinochet e sua ditadura -, mas depois se alastrou para correntes originariamente nacionalistas – como o PRI mexicano e o peronismo de Carlos Menem. Para posteriormente ser incorporado por partidos social democratas – como o Partido Socialista do Chile, a Ação Democrática da Venezuela, o PSDB do Brasil.


Todos foram ao governo e colocaram em prática políticas neoliberais muito similares: privatização do patrimônio publico, abertura das economias ao mercado externo, desarticulação dos Estados em favor da centralidade dos mercados, alienação das soberanias nacionais, expropriação dos direitos sociais, precarização das relações de trabalho. Todos tem em comum outro traço: todos fracassaram estrepitosamente, saíram do governo expulsos pelo povo, não puderam eleger seus sucessores e vários deles foram processados, condenados e presos; alguns outros fugiram dos seus países.

Entre tantas consequências negativas, promoveram a degeneração das democracias, mediante o poder do dinheiro, que corrompeu os sistemas políticos. São uma geração de políticos fracassados, que buscaram seu exemplo nos socialistas espanhóis.

A direita latino-americana, tendo fracassado, não tem hoje o que propor. Fizeram o que se haviam proposto e levaram nossos países à ruina. À falta de propostas, a direita retoma bandeiras da guerra fria, se articula em torno dos monopólios privados da mídia, lançam mão de personagens fracassados como os únicos apoios que lhes restam.

Convidados por um banco privado, três desses personagens foram a Venezuela, não se sabe bem fazer o quê. Quem sabe, sentindo falta do seu amigo Carlos Andres Perez, vão transmitir as experiências frustradas que tiveram e que os levaram à derrota e à debacle dos seus países. Basta que Felipe Gonzalez conte como na Espanha eles aplicaram brutal pacote econômico antipopular e entregaram o governo à direita, com uma economia desfeita, desemprego juvenil de 49%, com um retrocesso recorde da economia. Gonzalez pode recordar como, há 10 anos, apoiou o golpe militar contra Hugo Chavez.

Ricardo Lagos pode contar como os governos socialistas chilenos não saíram do modelo herdado de Pinochet e finalmente foram derrotados e entregaram a presidencia a um mandatário neo-pinochetista.

FHC teria que convencer o candidato da direita venezuelana, que deveria reivindicar sua figura e não a de Lula. Deveria explicar por que Lula é o presidente mais popular da história do Brasil, enquanto que ele é o político com maior rejeição. Deveria explicar ao candidato da direita de lá que seu partido e seu governo são os parentes mais próximos deles e que Lula certamente apoia a Hugo Chavez.

Grotesca a imagem dessa caravana dos derrotados, de um passado que não volta mais, viajando para levar uma palavra de desesperança ao candidato da direita venezuelana. Não é um bom augúrio para a oposição a Hugo Chavez.

Extraído do sítio da Carta Maior

EMBRAPA A SERVIÇO DA MONSANTO E DAS TRANSNACIONAIS? - Gilvander Luis Moreira*

Em tempos de Campanha da Fraternidade sobre saúde pública – CF/2012 -, a EMBRAPA pediu liberação do herbicida Glifosato também para a cultura da mandioca.


Em tempos de Campanha da Fraternidade sobre saúde pública – CF/2012 -, a EMBRAPA pediu liberação do herbicida Glifosato também para a cultura da mandioca. Essa é uma lamentável notícia que exige, no mínimo, sete breves comentários. 

1 - A EMBRAPA é uma das empresas públicas que mais recebem dinheiro das transnacionais para investimento em pesquisas, melhor dizendo, aperfeiçoamento tecnológico na produção agropecuária. Um ditado popular diz: "quem paga a banda, escolhe a música", ou seja, grande parte das pesquisas feitas pela EMBRAPA no último período tem sido para beneficiar as grandes empresas do ramo de agrotóxicos, como a própria MONSANTO que no ano de 2010 passou para a EMBRAPA nada menos que R$ 5,9 milhões para investir em pesquisas para os próximos 3 anos (2011, 2012 e 2013). Leia aqui

2- O Glifosato é um herbicida sistêmico não seletivo, ou seja, mata qualquer tipo de planta, exceto aquelas geneticamente modificadas para resistir ao glifosato, como é o caso das plantas (soja, por exemplo) com a marca RR (Roundup Ready), produzida pela MONSANTO. Um dos agrotóxicos mais vendidos pela Monsanto no país é o Roundup, que tem como principal ingrediente o glifosato. 

3 - O uso massivo do glifosato tem provocado a aparição de resistência por parte de algumas plantas, levando a um aumento progressivo das doses usadas, e assim a uma desvitalização e perda de fertilidade da terra, afinal o herbicida elimina também, bactérias que são indispensáveis à regeneração do solo e manutenção de sua fertilidade. Este processo faz com que a cada dia aumente o uso de fertilizantes químicos, que alimentam as plantas e não fertilizam a terra, aumentando ainda mais o ciclo vicioso. Só no ano passado (2011), as importações brasileiras de fertilizantes (20,7 milhões de toneladas) somaram um gasto de 9,1 bilhões de dólares. Quem está mesmo ficando com os lucros e quem está ficando com os prejuízos? 

4 - Rubens Onofre Nodari, agrônomo, mestre em Fitotecnia e doutor pela University Of California At Davis, professor na UFSC, afirma que além dos problemas no meio ambiente, o glifosato traz problemas à saúde pública, como o aumento da incidência de certos tipos de câncer e alterações do feto por via placentária. Reduz a produção de progesterona e afeta a mortalidade de células placentárias atuando como disruptor endócrino, ou seja, ele aciona genes errados, no momento errado, no órgão errado. O glifosato também causa, por exemplo, diminuição da produção de espermas, conforme vimos em experimentos feitos em ratos, ou produz espermas anormais. No caso do sistema endócrino, ele pode, por exemplo, inibir algumas enzimas. Ele vai alterar os hormônios que entram na regulação da expressão gênica. 

5 - Desta forma vemos que a EMBRAPA, criada no início da década 70 do século XX, em plena ditadura, pelo então presidente Médici (que já fazia parte das estruturas criadas para dar suporte à imposição da chamada "Revolução verde", agricultura altamente mecanizada, que por sua vez impôs sobre a agricultura o lixo da 2ª Grande Guerra, incluindo, além de máquinas pesadas, armas químicas que foram transformadas em agrotóxicos) segue ainda hoje cumprindo o papel de criar condições para o avanço do Capital na agricultura, na qual umas poucas empresas lucram, melhor dizendo, furtam, e o conjunto da sociedade fica com os problemas gerados, sejam eles sociais, ambientais e até mesmo econômicos. Injustamente é a estrutura do Estado, que se diz Democrático de Direito, atuando em favor do Agronegócio e consequentemente em favor do beneficio das empresas transnacionais que dominam a produção e comercialização de agrotóxicos. 

6 - Vamos deixar o Brasil se tornar a maior lixeira tóxica do mundo? O Brasil já é o campeão mundial no uso e consumo de agrotóxico. Confira o Filme-documentário “O Veneno está na mesa”, do diretor Sílvio Tendler. Por esse motivo, o deputado federal Padre João (do PT) está travando uma batalha na Câmara Federal contra o uso de agrotóxicos.

7 – É inadmissível que a EMPRAPA continue com projetos de melhoramento na produção agropecuária que fortalecem os projetos das empresas transnacionais, agridem o meio ambiente e adoecem o povo brasileiro. A coluna mestra da EMBRAPA deve ser pesquisar nas áreas de agricultura familiar, com adubação orgânica. A EMBRAPA precisa assimilar em todas suas pesquisas o paradigma da Agroecologia. Só assim estará contribuindo para que a saúde se difunda por todo Brasil. 

Enfim, quase todos os venenos devem ser proibidos. O uso deles só é tolerável como exceção e não como regra geral, o que lamentavelmente vem acontecendo. Roundup e muitos outros agrotóxicos são desenvolvidos para matar, não fazem parte da ética da vida. Há uma aliança macabra não confessada entre o agronegócio e a indústria farmacêutica. Produz-se alimentos envenenados para adoecer as pessoas e, assim, jogá-las nas garras da indústria farmacêutica que é a segunda que mais lucra, melhor dizendo, furta - após a indústria bélica. Em nome da Campanha da Fraternidade sobre Saúde Pública repudiamos a liberação do glifosato para a mandioca e todos os seus derivados. 

* Frei Gilvander é padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor Teologia Bíblica; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.brwww.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

Extraído do sítio Brasil de Fato

CHARGE QUE SATIRIZA LEI ANTIABORTO NOS EUA SOFRE BOICOTE DE JORNAIS - Pablo Uchoa

Para os leitores desatentos, é apenas uma tirinha em quadrinhos no jornal diário.

Trudeau alega que ignorar a polêmica seria 'má prática da comédia'
Entretanto, nem todas as publicações que veiculam a série Doonesbury nos EUA gostaram da abordagem satírica que o autor, Garry Trudeau, fez da lei antiaborto que está em vigor no Texas e em tramitação no Estado da Virgínia.

Uma das charges mostra uma jovem na recepção de um consultório médico. Ela pergunta se é ali que se faz ultrassom – exame que, segundo a lei proposta, seria necessário antes de um aborto.

"É a primeira vez que você encerra uma gravidez?", pergunta a recepcionista. "Então precisa preencher este formulário e esperar na sala da vergonha."

"Na o quê?", surpreende-se a jovem. Ao que a recepcionista responde: "Um deputado estadual de meia-idade vai falar com você em um instante".

Em outra tira prevista para sair nos jornais nesta semana, uma mulher vai a uma clínica médica no Texas buscar contraceptivos. É recebida por um deputado estadual que lhe pergunta: "Seus pais sabem que você é uma vadia?"
Retórica antiaborto

Os cartuns de Trudeau satirizam a retórica antiaborto que tem sido adotada em nível estadual e federal por deputados e senadores do Partido Republicano.

Uma legislação do Texas requer que as mulheres que desejarem fazer abortos precisam antes passar por um exame ultrassom. A ideia, que está sendo discutida também na Virgínia, é fazer as mães reconsiderarem a sua decisão ao mostrar detalhes do feto.

Assinada em 2010 pelo governador do Texas e ex-pré-candidato republicano à Presidência, Rick Perry, a lei requer que os médicos mostrem e descrevam as imagens para as mães, e as façam ouvir as batidas do coração do feto.

As mulheres podem se recusar a ver ou ouvir o ultrassom, mas não as palavras do médico. A legislação está sendo contestada na Justiça por uma junta de médicos que acusa o governo de transformar a categoria em mensageiros ideológicos.

Na Virgínia, o debate esquentou depois que médicos apontaram para o "detalhe" de que exames na fase inicial da gravidez só podem ser realizados através de um instrumento similar a uma varinha – o que levou entidades de defesa dos direitos reprodutivos a qualificarem a lei de "estupro de Estado".

Em outra recente polêmica relativa à questão do planejamento familiar, conservadores criticaram uma instrução do Departamento (Ministério) da Saúde americano para que os planos de saúde cubram medicamentos contraceptivos.

Uma síntese desta crítica foi dada pelo apresentador de rádio Rush Limbaurgh, cujo programa tem uma audiência de 15 milhões de ouvintes em todo o país.

Discordando de uma estudante universitária que defendia a medida no seu programa, Limbaugh disse que a estudante, Sandra Fluke, queria que os contribuintes pagassem para que ela faça sexo.

"O que faz isso dela? Isso faz dela uma vadia, certo? Isso faz dela uma prostituta", disse Limbaugh.

Lenha na fogueira

A declaração do apresentador foi um tiro no pé: o presidente Barack Obama ligou para o celular da estudante e procurou capitalizar politicamente o fato. Até mesmo os porta-vozes republicanos, incluindo todos os pré-candidatos, condenaram a declaração de Limbaugh.

Entretanto, todos os pré-candidatos republicanos mantêm posições firmes contra o aborto, e mesmo contra outras medidas de planejamento familiar. Opiniões compartilhadas por seu eleitorado, sobretudo nos Estados mais conservadores.


As tirinhas de Trudeau alimentaram a polêmica, fazendo muitos jornais não se arriscarem a perder leitores conservadores com a publicação da sátira.

"Sentimos que o conteúdo (da tira Donnesbury) era demais para os leitores da nossa página de quadrinhos, voltada a família", expressou à agência AP um dos editores do diário Kansas City Star.

O Oregonian, de Portland, afirmou que Trudeau "ultrapassou a linha do bom gosto e do humor com uma série sobre o aborto usando linguagem gráfica e imagens inapropriadas para nossa página de quadrinhos".

Sue Rush, editora do sindicato que publica a tira, Universal Click, disse que, não sabe "quantos jornais deram ou não deram" a tira, mas que entre 30 e 40 publicações pediram quadrinhos alternativos.

É apenas a segunda vez nos mais de 40 anos da Doonesbury, publicada em 1,4 mil jornais em todo o mundo, que seu autor sofreu tanta objeção a seu trabalho. A primeira, em 1985, também tratava do mesmo tema: aborto.

"Ignorar (a polêmica) seria má prática da comédia", disse Trudeau ao jornal Washington Post, que optou por dar a tira. "Pensei que os direitos reprodutivos eram um assunto resolvido."

Extraído do sítio da BBC Brasil

MAIORIA DOS ESTADOS DESCUMPRE PISO NACIONAL DO MAGISTÉRIO, MOSTRA LEVANTAMENTO DE SINDICATOS - Amanda Cieglinski

Brasília – Levantamento divulgado hoje (12) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) aponta que 17 estados não cumprem o valor do piso nacional do magistério, definido em R$ 1.451 para 2012. Os dados foram repassados por sindicatos da categoria em cada unidade da Federação.



De acordo com a pesquisa, apenas São Paulo, Pernambuco, o Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Goiás e o Distrito Federal pagam aos seus professores o piso nacional definido por lei. Aprovada em 2008, a Lei do Piso estabeleceu uma remuneração mínima que deve ser paga aos professores com formação em nível médio e que atuam em escola pública com jornada semanal de 40 horas.

Os dados dos sindicatos contradizem as informações divulgadas pelas secretarias de Educação. Levantamento feito pela Agência Brasil, com informações repassadas pelos governos estaduais, aponta um número menor de estados que ainda não cumprem o valor do piso para 2012: nove ao total.

Uma das divergências entre a categoria e os governos estaduais é o entendimento do conceito de piso. De acordo com a lei, o valor do piso refere-se apenas ao vencimento inicial e não pode incluir na conta outras gratificações que compõem a remuneração total. Segundo os sindicatos, algumas secretarias de Educação estão divulgando valores que não se referem ao piso, mas à remuneração total.

A CNTE também identificou, no levantamento, quais estados cumprem outro dispositivo da Lei do Piso que determina que um terço da jornada do professor deverá ser reservada para atividades extraclasse. Isso significa que o profissional teria que cumprir apenas 66% da sua carga horária em sala de aula. O restante do tempo seria dedicado a atividades como planejamento de aulas, correção de provas e cursos de formação.

Segundo a entidade, 18 estados ainda descumprem essa determinação. Apenas o Acre, Amapá, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, a Paraíba, Rondônia, Sergipe seguem a regra sobre a reserva de jornada para atividades extraclasse.

Extraído do sítio da Agência Brasil

RICARDO TEIXEIRA DEIXA A CBF PARA MARIN, UM FANTASMA DA DITADURA - Renato Rovai

A saída de Ricardo Teixeira da presidência da CBF é uma daquelas boas notícias que merecem um brinde. Mas sua renúncia pode ser o começo do fim de uma era, mas ainda não é o fim.


Quem assume é o vice do genro de Havelange, o ex-governador de São Paulo José Maria Marin. Um político que sempre atuou nas sombras do conservadorismo. Sempre se oferecendo para o cargo de vice.

Marin é aquele senhor que recentemente pegou uma medalha “emprestada” na final da Copa São Paulo e a colocou no bolso. Se um menino pobre que sempre sonhou em ter uma medalha viesse a fazer o mesmo numa loja de departamento de esporte seria preso em flagrante.


Mas voltando à trajetória de Marin. Ele era vice de Paulo Maluf quando este foi eleito governador biônico, em 1978. Era um vice insosso e que de repente por conta da ambição de Paulo Maluf em se tornar presidente da República, virou governador por uma meia dúzia de meses.

Nas eleições para deputados, prefeitos, vereadores e governadores de 1982, Maluf decidiu renunciar o governo de São Paulo para se candidatar a deputado federal. Sua intenção era construir sua candidatura a presidente por dentro do Congresso, onde aconteciam as eleições presidenciais. No regime militar eram os Congressistas que elegiam o presidente. E, em geral, o candidato do partido do regime (naqueles dia PDS, que substituíra a Arena) em tese venceria porque tinha maioria dos votos. Mas a operação não deu certo. Maluf derrotou o candidato do presidente Figueiredo nas prévias internas, o coronel Mário Andreazza, mas rachou seu partido.

E ali surgiria uma sigla que viria a fazer história no país, o PFL, liderado por Antônio Carlos Magalhães, de saudosa memória, e pelo vice-presidente do país à época, o mineiro Aureliano Chaves.

Evidente que as enormes manifestações de rua, em 1984, contribuíram para que parte do PDS pulasse do barco e fechasse um acordo com o PMDB para que ao invés de Ulysses Guimarães, o candidato da oposição fosse Tancredo Neves, mais conservador e por isso mais confiável para parte dos que apoiavam o regime ditatorial.

Ou seja, José Maria Marin foi um homem da ditadura.

E era uma pessoa da confiança de Paulo Maluf.

Pelo jeito também é da confiança de Ricardo Teixeira, que decidiu renunciar a CBF em seu favor.

Não é possível que um homem com essa história de vida seja apenas um “emprestador” de medalhas.

Mesmo aos 80 anos de idade, Marin tem um currículo que não nos dá o direito de achar ao assumir a CBF vai usar toda a sua experiência para uma boa causa.

A notícia da renúncia de Ricardo Teixeira é boa, mas a entrada na cena principal do futebol brasileiro de Marin é demasiadamente pesada para quem imaginara que certos fantasmas já tinham abandonado o casarão Brasil.

Extraído do Blog do Rovai, de Renato Rovai

MIGRANTES ILEGAIS VOLTANDO AO MÉXICO SUPERAM OS QUE VÃO PARA OS EUA, DIZ ESTUDO - Alberto Nájar

Pela primeira vez em 40 anos, existem mais mexicanos em condição de ilegalidade deixando os Estados Unidos e voltando ao México do que fazendo o caminho contrário, rumo ao vizinho mais desenvolvido.

Crise americana e clima hostil a imigrantes seriam motivos para inversão do fluxo
Segundo dados do instituto Pew Hispanic Center, em 2010, menos de 100 mil mexicanos cruzaram ilegalmente a fronteira para os EUA ou violaram as condições de seus vistos para se estabelecer no país.

Já o número de imigrantes mexicanos em condição de ilegalidade nos EUA caiu de 7 milhões em 2007 para 6 milhões em 2011, de acordo com a entidade.

O instituto afirma que muitos foram deportados, enquanto outros não encontram emprego. Já um número grande de mexicanos estaria fugindo da atmosfera hostil aos estrangeiros que existe em algumas regiões dos EUA.

O grupo de estudos calcula que 4 milhões de mexicanos em condição de ilegalidade voltaram do país vizinho desde 2007.

Os dados foram apresentados pelo pesquisador do Centro Pew Jeffrey Passel, que disse que ocorreu uma "inversão" do fluxo migratório mexicano.

Além do medo da deportação, outros fatores podem estar influenciando a mudança do fluxo. Em 2001, o setor americano da construção, que emprega muitos mexicanos, passou por graves problemas econômicos.

"As condições econômicas e sociais e de pressão política nos EUA são tão fortes que o incentivo para a volta é alto", diz o especialista em imigração René Zenteno.

Crise nos EUA

Muitos imigrantes em situação ilegal voltam ao México
A crise de 2008 teve impacto profundo nos empregadores que usavam imigrantes em condição de ilegalidade. Logo depois, muitos Estados aprovaram leis que endureciam as restrições para os estrangeiros que não tinham os documentos em dia.

A leve melhora na situação econômica mexicana é outro fator apontado.

Não está clara a influência do endurecimento da política migratória na redução do fluxo.

"Não sabemos se é a economia ou o aumento da vigilância. Suspeito que as duas coisas", diz Passel.

O auge da migração mexicana aos EUA foi em meados da década de 1990, quando anualmente cerca de meio milhão de pessoas deixava o país.


Extraído do sítio da BBC Brasil

10 março 2012

'É UMA GUERRA CIVIL", DIZ FUNDADOR DO MÉDICOS SEM FRONTEIRAS SOBRE CAOS NA SÍRIA

De acordo com Jacques Bérès, que já atuou em diversas zonas de conflito, situação no país é "catastrófica".

cirurgião francês, Jacques Bérès, de 71 anos, sempre presente em zonas de conflito ao redor do mundo, esteve há menos de 15 dias na cidade síria de Homs, a 35 quilômetros da fronteira com o Líbano, lá onde oficialmente nenhuma grande ONG envia equipes humanitária atualmente. Sitiado há semanas, o terceiro maior município do país é alvo de intensos bombardeios e ataques terrestres durante a ofensiva das forças do presidente sírio, Bashar Al-Assad, contra o movimento de contestação armado que quer a sua queda do governo.

Bérès, em coletiva em Paris: "Bashar al-Assad tem a chave para a abertura de corredores humanitários" - Médicos Sem Fonteiras/Divulgação
Homs se tornou um símbolo da resistência do Exército Livre da Síria (FSA, na sigla em inglês), ao longo da guerra civil que começou em março de 2011 e se agrava a cada dia. De volta à Paris a menos de duas semanas, o cofundador do Médicos sem Fronteiras enfrenta uma verdadeira maratona midiática para denunciar os horrores dos quais foi testemunha. Leia a entrevista concedida ao Opera Mundi:

Opera Mundi - Há uma guerra civil na Síria?
Jacques Bérès – Sim, é uma guerra civil. Não era no início, foi um massacre, a repressão de manifestações pacíficas durante meses. Quando as pessoas são mortas simplesmente por sacudirem cartazes, é melhor pensar em se defender. Um dia, se torna uma guerra civil.

OM – Como o Sr. conseguiu entrar na Síria?
JB – A primeira linha do estatuto do Médicos sem Fronteiras diz que nosso objetivo médico é ir onde outros não podem. Hoje em dia, isso não acontece mais. Tive a sorte de ter sido adotado por duas ONGs: a União das Associações Muçulmanas de Seine-Saint-Denis, (UAM-93), [jovem associação muçulmana que trabalha pela defesa da religião na França, mas desenvolve ações humanitárias em lugares como Faixa de Gaza e Líbia] e a França-Síria Democracia [associação laica que defende a intervenção militar estrangeira na Síria].

Se não temos visto, somos clandestinos e considerados como um “espião norte-americano”. Por isso, é melhor ser enviado por ONGs. É uma espécie de cobertura moral, além da cobertura financeira. Caso eu seja condenado por espionagem, ao menos terei papeis que dizem que não é bem assim e que há pessoas que pensam que se trata de uma operação humanitária. É muito importante.

OM - Recebemos informações da situação na Síria apenas através das agências de notícias internacionais. Qual o cenário que o Sr. encontrou em Homs?
JB - Me lembrou Grozni, na Chechênia. O mesmo tamanho de cidades, a mistura de populações urbanas e rurais e a falta de abrigos anti-bomba. A situação humanitária é catastrófica. Nós atendemos feridos muito graves e em grande quantidade. Há combatentes do Exército Livre da Síria, mas são minoria. A maioria é formada por civis, que estão sendo massacrados. Idosos, homens, mulheres e crianças que são bombardeados intensamente.

É ele, Assad, que tem a chave para a abertura de corredores humanitários, mesmo que seja o mínimo a ser feito. Não é uma solução, é apenas o início do começo de uma solução. A evacuação de feridos foi possível durante certo tempo, para outros distritos de Homs e de lá para o Líbano, mas ultimamente se tornou completamente impossível.

Refugiados dos bombardeios na Síria se juntam às centenas de compatriotas que foram para o Líbano - EFE
Há muitos mortos. Eu tenho todas as razões para pensar que os números de mortos anunciados pela ONU são claramente inferiores à realidade. Os mortos anunciados só são considerados como tais depois de terem identidade reconhecida e serem anunciados na mesquita. Entre os desaparecidos, entre os que estão soterrados entre escombros e os que não tiveram identidade identificada, há com certeza um coeficiente a mais.

OM - A logística da operação foi feita por essas duas associações francesas que garantiram sua entrada e saída do país através do Líbano. Quais foram as condições de atendimento médico encontradas?
JB - Acampamento hospitalar improvisado no nível mais elementar. Precisei me mudar duas vezes, pois fomos vítimas de bombardeios. Estive em uma pequena escola abandonada e em uma casa privada. Nada disso é prático ou conveniente para fazer um hospital. Os doentes têm que chegar por algum lugar e a entrada nunca é o maior cômodo de uma casa.

Depois de colocar quatro pessoas de um lado e quatro de outra, você não pode mais sair dali. É quase impossível tratar feridos da cabeça ou do tronco, nos concentramos em feridos dos membros e abdômen e em alguns casos da associação membros e abdômen. Há também os familiares, que ficam em um espaço proibido; falta água e eletricidade. Eu era apenas um elemento suplementar, tive a sorte de ter sido autorizado a me introduzir em uma estrutura de médicos e cirurgiões sírios que correram o risco de ter um estrangeiro trabalhando com eles.

Os humanitaristas não são bem vindos. O Croissant Rouge Syrien [braço árabe da organização humanitária Cruz Vermelha] sim. Ouvi falar que é suspeito de colaboração com o regime, mas isso não diz respeito só à Síria, é quase uma tradição em vários países do mundo que a presidência do Croissant Rouge vá para a mulher do presidente da República, a mulher do primeiro-ministro, à tia dele.

OM - Quem são os combatentes que o Sr. viu e cuidou?
JB - Os combatentes vêm da população civil. Eles são mais jovens e têm armas para se proteger, mas não tão poderosas quanto as do regime. Têm uma taxa de mortos e feridos que é inaceitável para qualquer exército. Os combatentes são majoritariamente desertores do exército de Assad com suas armas. Inclusive, vi algumas poucas deserções em Homs.

A moral é elevada, eles são corajosos e heróicos, o que não quer dizer que depois venham a fazer a mais bela democracia do mundo. Eu não tenho opinião sobre o regime político que farão depois.


Extraído do sítio Opera Mundi

09 março 2012

MIRO: MANIPULAÇÃO E INTRIGA NA MORTE DE HERZOG - Brizola Neto

O deputado Miro Teixeira, do PDT, obteve e divulgou no site Lei dos Homens uma foto e uma carta que mostram que o “suicídio” do jornalista Vladimir Herzog, nos cárceres do DOI-Codi paulista, além de uma manipulação grosseira serviu, também, para intrigas e disputas de poder dentro do aparelho repressivo da ditadura.


Na foto, fica evidente a montagem da cena. O ponto onde o cinto que alegadamente teria produzido o enforcamento estava fixado numa altura inferior à estatura do jornalista, mas havia, além de uma cadeira – que já aparece na foto oficialmente divulgada - barras de grade a uma altura bem superior, o que certamente seria usado por alguém que tivesse a intenção de se suicidar.

Mas é a carta que comprova que o assassinato de Herzog serviu para a disputa que se travava nos porões do regime. Nela, o general Newton Cruz, à época chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações, encaminha ao chefe do SNI, o futuro presidente João Baptista Figueiredo, um panfleto que usava esta foto – jamais publicada nos jornais e, portanto, obtida diretamente dos registros dos procedimentos internos da repressão sobre o caso – onde ele, Cruz, é chamado de “traidor” e “cachaceiro”, além de “convidado” a enforcar-se também.

Newton Cruz afirma que o fato da foto ter sido retirada da documentação secreta, “até prova em contrário, o meu detrator ou os meus detratores pertencem ao CIE (Centro de Informações do Exército, órgão criado por Costa e Silva para fazer o trabalho mais “sujo”) ou – e ele acrescenta à mão, provavelmente para não dar conhecimento ao datilógrafo – da própria Agência Central do SNI, que ele chefiava.

Ao encaminhar o panfleto com a reprodução da foto não divulgada, Cruz tem o cuidado de assinalar a rubrica (ilegível) do responsável pela montagem do inquérito, dando a entender que seu nome tinha alguma significação especial.

É esse tipo de crime que o nosso Supremo Tribunal Federal considerou fora de possibilidades de uma investigação criminal. Mas que, em boa hora, as iniciativas do Ministério Público e, sobretudo, a Comissão da Verdade vão ter a missão de aclarar, em toda a sua brutalidade e crueza, ante os olhos do povo brasileiro.

Extraído do sítio Tijolaço de Brizola Neto

LIÇÕES DE FUKUSHIMA, UM ANO DEPOIS - Greenpeace

No dia seis de março, a organização Greenpeace apresentou, na Espanha, um relatório sobre as lições de Fukushima, onde defende que o terremoto e o tsunami não foram as causas principais do acidente nuclear da planta de Fukushima Daiichi, na costa leste do Japão, há um ano. O documento enfatiza as responsabilidades políticas e técnicas do governo japonês e da empresa responsável pela usina, um assunto que vem se mantendo em segundo plano nos meios de comunicação ocidentais.



No povoado de Kabawata, que tem um índice de radioatividade 22 vezes acima do normal, ainda permanecem alguns moradores. Em zonas com índices entre 52 e 238 vezes acima do normal, os habitantes talvez nunca regressem a suas casas. Para algumas das famílias afetadas foi oferecida uma compensação única de 1.043 dólares. Os advogados da Tokyo Electric Power Co. (TEPCO) pretendem que a empresa também não cumpra com sua obrigação de fazer frente aos custos da descontaminação argumentando que a radiação, como a busca de soluções, é agora responsabilidade dos donos das terras e não da empresa. 

No dia seis de março, a organização Greenpeace apresentou, na Espanha, o relatório: Las lecciones de Fukushima, onde defende que o terremoto e o tsunami não foram as causas principais do acidente nuclear da planta de Fukushima Daiichi, na costa leste do Japão, há um ano. É de destacar que o documento enfatiza as responsabilidades políticas do governo japonês, um assunto que vem se mantendo em segundo plano nos meios de comunicação ocidentais, algo que alguns autores do Eurasian Hub puderam constatar na prática naqueles dias.



As razões de tal atitude são várias. Em primeiro lugar, de forma destacada, interessava ressaltar que a catástrofe era “natural” e imprevisível, esfriando desta maneira o debate político sobre a problemática da energia nuclear. 

Relacionado a isso, foram visíveis os esforços dos meios de comunicação para dissociar a tragédia de Chernobil da de Fukushima, relato do qual se obteriam rendimentos importantes. Dessa forma, ficava salvo o clichê sobre a suposta fiabilidade da tecnologia ocidental sobre a soviético-russa ou outros países emergentes. Ao mesmo tempo, se preservava a imagem do governo ou sistema político japonês, livrando-o da polêmica, o que contribuiria também para manter afastado o debate sobre os países “responsáveis” e “irresponsáveis” na hora de manter e impulsionar programas de energia nuclear. Isso em um momento no qual a pressão sobre o Irã crescia ruidosamente.

Em tal contexto, o relatório Greenpeace sobre Fukushima se investe de especial interesse, porque foge do tratamento politicamente correto de uma catástrofe realmente devastadora.

A seguir, incluímos o resumo das conclusões que o leitor pode encontrar na página do Greenpeace, lembrando que ali também se pode acessar o link: Fukushima, nunca mais e a publicação, gratuita (em.pdf): As lições de Fukushima. Para concluir, na mesma página se pode visitar a exposição: Shadowlands, com fotografias de Robert Knoth e entrevistas de Antoinette de Jong.

Conclusões do relatório do Greenpeace



A principal conclusão do Greenpeace sobre este desastre nuclear é que ele poderia se repetir em qualquer central nuclear no mundo, o que põe em situação de risco milhões de pessoas, levando em conta que um acidente nuclear aconteceu aproximadamente a cada sete anos, em média.

O Greenpeace conclui que as três razões principais do acidente nuclear são:

1. - Um reator vulnerável - o desenho. Durante décadas foram sendo conhecidas, no Japão e a nível internacional, as vulnerabilidades do desenho do reator de água em ebulição Mark I (BWR, suas siglas em inglês). Mesmo assim foram ignoradas de forma reiterada as advertências.

2. - Uma regulamentação fraca - o Governo e a gestão. Foram toleradas manobras de encobrimento da companhia proprietária, TEPCO, que em 2006 admitiu ter falsificado relatórios sobre a água de refrigeração e, apesar disso, a Agência de Segurança Nuclear e Industrial (NISA, na sigla em inglês) concedeu à empresa autorização para estender a vida dos reatores de Fukushima Daiichi dez anos mais.

3. - Erros sistemáticos na avaliação - a segurança nuclear. A TEPCO e a NISA sabiam que a zona da central nuclear poderia sofrer o impacto de um tsunami de mais de dez metros. Mesmo assim, a central só estava desenhada para suportar tsunamis de até 5,7 metros.

Entretanto, do relatório As lições de Fukushima se obtém três conclusões importantes:

1. – Os riscos reais eram conhecidos, mas as autoridades japonesas e os operadores da planta de Fukushima deram pouca importância e se omitiram.

2. - Os planos de emergência nuclear e evacuação para a proteção das pessoas fracassou totalmente, apesar de o Japão ser um dos países melhor preparado do mundo para a gestão de catástrofes.

3. - Os contribuintes pagarão a maior parte dos custos. O Japão é um dos três países nos quais, por lei, o operador da central nuclear é responsável pela totalidade dos custos de um desastre nuclear, mas os regimes de responsabilidade e indenização da lei são insuficientes. Para sobreviver, as pessoas afetadas terão de buscar seus próprios recursos.

Cifras sobre Fukushima

Alguns dos dados que surgem do relatório As lições de Fukushima são, por exemplo:

- No Japão foi necessário deslocar 150.000 pessoas; 

- Existem 28 milhões de metros cúbicos de solo contaminado por substâncias radioativas; 

- O Japão terá que assumir o custo total do desastre (de 520 a 650 bilhões de dólares), uma cifra que se aproxima do custo da crise bancária das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos; 

- Apenas dois reatores nucleares se mantém operando, dos 54 que existem, contra as pressões do Governo e da indústria nuclear, sem que por isso sofram nenhum problema de abastecimento.

Fonte: 

COMO O GOLDMAN SACHS AJUDOU A QUEBRAR A GRÉCIA - Eduardo Febbro

O Goldman Sachs encheu seus cofres com 600 milhões de euros quando ajudou a Grécia a maquiar suas contas a fim de que este país preenchesse os requisitos para ingressar na zona do euro, a moeda única europeia. O resultado da operação foi uma gigantesca fraude que fez do suposto salvador, no caso o Goldman Sachs, o operador da derrocada da Grécia e de boa parte da Europa. Mario Draghi, atual presidente do BC Europeu, na época, era vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa. O artigo é de Eduardo Febbro.



Paris - Há empresas que roubam para o império para o qual trabalham. A Goldman Sachs é uma delas. O banco de negócios norteamericano encheu seus cofres com um botim de 600 milhões de euros (800 milhões de dólares) quando ajudou a Grécia a maquiar suas contas a fim de que este país preenchesse os requisitos para ingressar na zona do euro, a moeda única europeia. 

A informação não é nova mas, até agora, se desconheciam os detalhes mais profundos do mecanismo pelo qual o Goldman Sachs enganou todos os governos europeus que participavam da criação da moeda única. O porta estandarte da oligarquia financeira operou protegido por sólidas cumplicidades no seio das instituições bancárias europeias e dentro do poder político, que fez tudo o que esteve ao seu alcance para impedir as investigações.

Dois dos protagonistas desta mega fraude falaram pela primeira vez sobre as transações encobertas mediante as quais Atenas escondeu o tamanho de sua dívida. Trata-se de Christoforos Sardelis, chefe do escritório de gestão da dívida grega entre 1999 e 2004, e de Spyros Papanicolaou, o homem que o substituiu-o até 2012. 

O resultado da operação foi uma gigantesca fraude que fez do suposto salvador, no caso o Goldman Sachs, o operador da derrocada da Grécia e de boa parte da Europa. Levando-se em conta somente os bancos franceses, a aventura grega custou 7 bilhões de euros : o BNP Paribas perdeu 3,2 bilhões, o Crédit Agricole, 1,3 bilhões, a Société Générale, 892 milhões, o BPCE, 921 milhões e o Crédit Mutuel, 359 milhões. Esse foi o custo só para o sistema bancário francês: os povos pagaram e pagarão em sacrifícios e privações muito mais do que isso.

A operação financeira foi astuta. O Tratado de Maastricht, da União Europeia, fixava requisitos rígidos para integrar o euro : nenhum membro da zona euro podia ter uma dívida superior a 60% do PIB e os déficitis públicos não podiam superar os 3%. Em junho de 2000, para ocultar o peso gigantesco da dívida grega que era de 103% de seu PIB e obter assim a qualificação da Grécia para entrar no euro, Goldman Sachs bolou um plano: transportou a dívida grega de uma moeda a outra. 

A transação consistiu em mudar a dívida que estava cotizada em dólares e em yens para euros, mas com base em uma taxa de câmbio fictícia. Assim se reduziu o endividamento grego e, com isso, a Grécia respeitou os critérios fixados pelo Tratado de Maastricht para ingressar no euro. Um detalhe complicou a maquiagem: o Goldman Sachs estabeleceu um contrato com a Grécia mediante o qual dissimulou o acerto sob a forma do que se conhece como um SWAP, um contrato de câmbio para que os fluxos financeiros que equivale a uma espécie de crédito.

Esse esquema fraudulento fez com que, na base dos chamados «produtos derivados» implicados na operação, em apenas quatro anos a dívida que a Grécia contraiu com o Goldman Sachs passasse de 2,8 bilhões de euros para 5,1 bilhões. Dois jornalistas da agência Bloomberg, Nick Dunbar e Elisa Martinuzii, realiazaram uma paciente investigação ao término da qual desnudaram ester obscuro mecanismo. 

Segundo explicou aos jornalistras o chefe do escritório de gestão da dívida grega entre 1999 e 2004, Christoforos Sardelis, neste momento a arquitetura da proposta do Goldman Sachs escapou de suas mãos. Logo em seguida, disse Sardelis, os atentados de 11 de setembro e uma má decisão dos bancos plantou a semente do desastre atual. A conclusão da investigação é contundente: Grécia e Goldman Sachs hipotecaram o futuro do povo grego e acionaram uma boma relógio que, 10 anos mais tarde, explodiria nas mãos da sociedade.

Em matéria de grandes fraudes organizados por bancos de investimento a impunidade é a regra. Ninguém foi nem será condenado. Christoforos Sardelis afirmou que o acordo com o Goldman Sachs é uma história muito sexy dentre dois pecadores. O Goldman Sachs obteve apetitosos lucros nesta operação truculenta. No entanto, o banco de negócios norteamericano afirma em sua defesa que não fez nada de ilegal, que tudo o que foi realizado respeitava ao pé da letra as diretrizes do Eurostat, o organismo europeu de estatísticas. 

O Eurostat, por sua vez, alega que só tomou conhecimento em 2010 dos níveis de endividamento grego. A defesa parece pobre porque as primeiras denúncias sobre a maquiagem das contas gregas e o papel desempenhado pelo Goldman Sachs datam de 2003.

Em um informe de 2004, o Eurostat escreveu: « falsificação generalizada dos dados sobre o déficit e a dívida por parte das autoridades gregas». Graças à cumplicidade do organismo financeiro norteamericano e de várias instâncias e personalidades europeias, a Grécia pode dissimular durante vários anos o « pacote » escondido de sua dívida. Em 2010, Jean Claude Trichet, então presidente do Banco Central Europeu (BCE), se negou a entregar os documentos requeridos para conhecer a amplitude da verdade.

No meio a esta grande mentira, há um personagem que hoje é central: trata-se de Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu e grande partidário de terminar de uma vez por todas com o modelo social europeu. Draghi é um homem do Goldman Sachs. Entre 2002 e 2005 foi vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa e, por conseguinte, estava ao par da falsificação de dados sobre as finanças públicas da Grécia. Foi o seu próprio banco que estruturou a falsificação.

O liberalismo premia muito bem seus soldados. Durante dois anos, o Banco Central Europeu e os lobbys políticos usaram todos os truques possíveis para proteger Draghi e não permitir que fossem realizadas auditorias em torno das irregularidades cometidas na Grécia. As comissões do Parlamento europeu designadas para investigar esta mega fraude se chocaram sistematicamente contra as redes que protegiam o segredo. 

O desenlace final desta cumplicidade entre as oligarquias financeiras é conhecido por todos: quase um continente submerso na crise da dívida, a Grécia, estropiada e de joelhos, recessão, demissões massivas, perda de poder aquisitivo para os trabalhadores, reestruturações, sacrifícios dos benefícios sociai, planos de ajuste e miséria. Enquanto isso, os 600 milhões que o Goldman Sachs ganhou com esta fraude seguiram dando frutos na aposta suicida que o capital faz em benefício próprio contra a humanidade.


Extraído do sítio da Carta Maior

REVELA WIKILEAKS QUE TROPAS DA OTAN OPERAM DENTRO DA SÍRIA

Damasco, 9 mar (Prensa Latina) Revelações recentes do portal Wikileaks sobre a presença na Síria de militares da OTAN coincidem com rumores em círculos jornalísticos e acadêmicos aqui sobre a suposta detenção de agentes britânicos e franceses na cidade de Homs.



Uma informação da publicação Islã Times, que divulga notícias da agência de notícias Cham Press, assegura que agentes secretos dos Estados Unidos e da OTAN operam dentro da Síria contra o Governo do presidente Bashar Assad, segundo o portal digital que ganhou relevância por revelar interioridades da política estadunidense.

Wikileaks difundiu desta vez uma mensagem de um analista de informação que trabalha para a assinatura de análise estratégica e de inteligência Stratfor, com sede nos Estados Unidos, no qual diz que assistiu a uma reunião no Pentágono com vários oficiais da OTAN da França e Reino Unido em dezembro passado.

Em sua carta, o especialista diz ter conhecido que agentes dessa aliança bélica já se encontravam sobre o terreno sírio nessa data treinando os grupos armados de extremistas.

Equipes das forças de operações especiais, provavelmente dos Estados Unidos, Reino Unido, França, Jordânia e Turquia já estão sobre o terreno levando a cabo missões de reconhecimento e treinando forças opositoras, assegura o analista em sua mensagem.

Acrescenta que a ideia hipotética era desenvolver uma campanha de ataques de guerrilha, assassinatos e sabotagens para desatar o caos e derrocar o governo sírio.

Fontes extraoficiais sírias destacaram que soldados militares e dos corpos de segurança capturaram em operações contra os grupos armados terroristas a três oficiais cataris, 49 agentes e militares turcos, bem como agentes jordanianos, britânicos e franceses, os últimos na cidade de Homs, que esses grupos converteram em seu principal bastião.

A mensagem revelada por Wikileaks acrescenta que esses grupos recentemente fizeram público que estavam recebendo artefatos bélicos da França e Reino Unido para atacar às forças governamentais.

A princípio de fevereiro legisladores reclamaram desde o Parlamento francês ao presidente Nicolas Sarkozy que esclarecera a presença de agentes franceses em campos, onde se treinam milícias na Turquia para introduzi-las na Síria.

Posteriormente, a televisão russa difundiu que tropas britânicas e cataris estavam "dirigindo a entrega de armamento e coordenando táticas na sangrenta batalha por Homs".

O canal Russia Today descreveu que foram estabelecidos em Homs quatro centros de operações com tropas estrangeiras sobre o terreno com a missão de preparar o caminho para uma incursão militar secreta contra Síria, e para sustentar tal informação citou fontes da inteligência russa.

O portal digital israelense DEBKAFile, dedicado a temas de espionagem, estratégicos e análises de contextos políticos e militares, indicou que a presença dos efetivos cataris e britânicos em Homs foi ponto prioritário na agenda da reunião entre servidores públicos sírios e o chefe do Serviço de Inteligência da Rússia, Mikhail Fradkov, em meados de fevereiro.

Este especialista acompanhou ao chanceler Sergei Lavrov em sua visita a Damasco no passado mês. Com posterioridade a essa revelação por DEBKAFile, servidores públicos russos advertiram publicamente sobre essa presença estrangeira em solo sírio.

Sobre este intríngulis, o portal informativo libanês Manar publicou no passado sábado que armas de fabricação israelense foram utilizadas pela primeira vez pelos grupos armados na comunidade Baba Amr, que foi até semana passada fortaleza principal dessas forças irregulares.

Ali, assegura Manar, o serviço israelense de espionagem Mossad, a empresa norte-americana de mercenários Blackwater e a CIA comandaram operações militares contra o governo sírio.

No passado 1 de março forças sírias completaram a tomada de Baba Amr e outros bairros, onde se tinham fortificado os grupos armados.


Extraído do sítio da Agência Prensa Latina

COCA-COLA E PEPSI MUDAM FÓRNULA PARA NÃO TEREM ALERTA DE CÂNCER

O corante caramelo, usado para dar a típica cor escura destas bebidas contém um ingrediente que foi relacionado com cancro em estudos realizados com animais, o que obrigaria as marcas a colocar um aviso no rótulo


Em causa está uma lei californiana que obriga a que os fabricantes coloquem nos rótulos o aviso de que se trata de um produto potencialmente cancerígeno sempre que na sua composição existam mais de 29 microgramas de 4-metilimidazol (4-MI), relacionado com cancro em estudos realizados com animais.

Nas duas marcas foram encontradas quantidades entre 142 e 154 microgramas de 4-MI por lata. O corante é usado para dar às bebidas a cor de caramelo.

Para evitar essa referência, a Coca-Cola e a Pepsi decidiram alterar a fórmula das bebidas, uma medida que, para já, só afeta a Califórnia mas que deverá estender-se a todo o território norte-americano.

"Apesar de acreditarmos que não há risco à saúde pública que justifique esta mudança, pedimos aos nossos fornecedores de (corante) caramelo para tomar este passo, de forma a que os nossos produtos não estejam sujeitos à obrigatoriedade de um alerta infundado cientificamente", disse à agência de notícias AP a representante da Coca-Cola Diana Garza-Ciarlante.

Por sua vez, a FDA, a agência responsável pela segurança alimentar nos EUA, garante que não há motivo para alarme: "Uma pessoa precisaria de consumir milhares de latas diariamente para atingir as doses equivalentes às administradas" aos ratos usados nos testes laboratoriais.

Extraído do sítio da Revista Visão