17 fevereiro 2012

MICHEL CHOSSUDOVSKY: "ESTAMOS NUM CENÁRIO DE TERCEIRA GUERRA MUNDIAL. E TODOS VÃO PERDER" - Sara Sanz Pinto

“Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico. Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério.”



Presidente e director do Centre for Research on Globalization, Michel Chossudovsky conversou com o i sobre essa possível terceira guerra mundial, de que fala no seu livro “Towards a World War III Scenario: The Dangers of Nuclear War”. Crítico da fortificação militar que os Estados Unidos estão a construir em torno da China, o professor canadiano da Universidade de Otava defende que a opinião pública é fundamental para evitar uma guerra nuclear.

Diz no seu livro que a guerra com o Irão já começou e que os Estados Unidos estão apenas à espera de um rosto humano para lhe dar. Acredita que os objectivos políticos e geoestratégicos de Washington podem levar-nos a uma guerra nuclear com consequências para toda a humanidade?

Não quero fazer previsões e ir além do que aconteceu. Tudo o que posso dizer, e tenho vindo a dizê-lo de forma repetida, é que a preparação para a guerra está a um nível muito elevado. Se será levada a cabo ou não é outro patamar, e ainda não o podemos afirmar. Esperemos que não. Mas temos de considerar seriamente o facto de que este destacamento de tropas é o maior da história mundial. Estamos a assistir ao envio de forças navais, homens, sistemas de armamento de ponta, controlados através do comando estratégico norte-americano em Omaha, Nebrasca, e que envolve uma coordenação entre EUA, NATO e forças israelitas, além de outros aliados no golfo Pérsico (Arábia Saudita e estados do Golfo). Estas forças estão a postos. Isto não significa necessariamente que vamos entrar num cenário de terceira guerra mundial, mas os planos militares no Pentágono, nas bases da NATO, em Bruxelas e em Israel, estão a ser feitos. E temos de os levar muito a sério. Tudo pode acontecer, estamos numa encruzilhada muito perigosa e infelizmente a opinião pública está mal informada. Dão espaço a Hollywood, aos crimes e a todo o tipo de acontecimentos banais, mas, no que toca a este destacamento militar que poderá levar-nos a uma terceira guerra mundial, ninguém diz nada. Isso é um dos problemas, porque a opinião pública é muito importante para evitar esta guerra. E isso não está a acontecer, as pessoas não se estão a organizar para se oporem à guerra. Isto não é uma questão política, é um problema muito mais vasto, e tenho de dizer que os meios de comunicação ocidentais estão envolvidos em actos de camuflagem absolutamente criminosos. Só o facto de alinharem com a agenda militar, como estão a fazer na Síria, onde sabemos que os rebeldes são apoiados pela NATO, na Arábia Saudita e em Israel, e como fizeram na Líbia, é chocante do meu ponto de vista, porque as mentiras que se criam servem para justificar uma intervenção humanitária.

Em vez de uma guerra nuclear, não podemos assistir a um cenário semelhante à Guerra Fria, com os EUA, a União Europeia e Israel de um lado e a China, a Rússia e o Irão do outro?

Esse cenário já é visível. A NATO e os EUA militarizaram a sua fronteira com a Rússia e a Europa de Leste, com os chamados escudos de defesa antimíssil – todos esses mísseis estão apontados a cidades russas. Obama sublinhou em declarações recentes que a China é uma ameaça no Pacífico – uma ameaça a quê? A China é um país que nunca saiu das suas fronteiras em 2 mil anos. E eu sei, porque ando a investigar este tema há muito tempo, que está a ser construída toda uma fortaleza militar à volta da China, no mar, na península da Coreia, e o país está cercado, pelo menos na sua fronteira a sul. Por isso a China não é a ameaça. Os EUA são a ameaça à segurança da China. E estamos numa situação de Guerra Fria. Devo mencionar, porque é importante para a UE, que, no limite, os EUA, no que toca à sua postura financeira, bancária, militar e petrolífera, também estão a ameaçar a UE. Estão por trás da destabilização do sistema bancário europeu.

E a colocação de mais tropas em torno da China vai trazer mais tensão à região.

Quanto a isso não tenho dúvidas, porque os EUA estão a aumentar a sua presença militar no Pacífico, no oceano Índico e estão a tentar ter o apoio das Filipinas e de outros países no Sudeste Asiático, como o Japão, a Coreia, Singapura, a Malásia (que durante muitos anos esteve reticente a juntar-se a esta aliança). Portanto, Washington está a formar uma extensão da NATO na região da Ásia-Pacífico, direccionada contra a China. Não há dúvidas quanto a isto. E não se vence uma guerra contra a China. É um país com uma população de 1,4 mil milhões de pessoas, com um número significativo de forças, tanto convencionais como estratégicas. Por isso, com este confronto entre a NATO e os EUA, de um lado, e a China, do outro, estamos num cenário de terceira guerra mundial. E toda a gente vai perder esta guerra. Qualquer pessoa com um entendimento mínimo de planeamento militar sabe que este tipo de confronto entre superpotências – incluindo o Irão, que é uma potência regional no Médio Oriente, com uma população de 80 milhões de pessoas – poderá levar-nos a uma guerra nuclear. E digo isto porque os EUA e os seus aliados implementaram as chamadas armas nucleares tácticas – mudaram o nome das bombas e dizem que são inofensivas para os civis, o que é uma grande mentira.

Mentira porquê?

Está escrito em todos os documentos que a B61-11 [arma nuclear convencional] não faz mal às pessoas e planeiam usá-la. Tenho estado a examinar estes planos de guerra nos últimos oito anos, e posso garantir que estão prontos a ser usados e podem ser accionados sem uma ordem do presidente dos EUA. Olhe para o que eles designam “Nuclear Posture Review” de 2001, um relatório fulcral que integra as armas nucleares no arsenal convencional, sublinhando a distinção entre os diferentes tipos de armas e apresentando a noção daquilo que chamam “caixa de ferramentas”. E a caixa de ferramentas é uma colecção de armas variadas, que o comandante na região ou no terreno pode escolher, onde estão estas B61-11, que são consideradas armas convencionais. Se quiser posso fazer uma analogia, é a mesma coisa que dizer que fumar é bom para a saúde. As armas nucleares não são boas para a saúde, mudaram o rótulo e chamaram–lhes bombas humanitárias, mas têm uma capacidade destruidora seis vezes superior à de Hiroxima.

Mas a maior parte das pessoas não parece consciente da gravidade do cenário…

A ironia é que a terceira guerra mundial pode começar e ninguém estará sequer a par, porque não vai estar nas primeiras páginas. Na verdade, a guerra já começou no Irão. Têm forças especiais no terreno, instigaram todo este tipo de mecanismos para desestabilizar a economia iraniana através do congelamento de bens. Há uma guerra da moeda em curso – isto faz parte da agenda militar. Desestabilizando-se a moeda de um país desestabiliza-se a sua economia, bloqueiam-se as exportações de petróleo, e isto antecede a implementação de uma agenda militar. Se eles puderem evitar uma aventura militar contra o Irão e ocupar o país através de outros meios, fá-lo-ão. É isso que estão a tentar neste momento. Querem a mudança de regime, o colapso das petrolíferas, apropriar-se dos recursos do país, e têm capacidade para fazer isto tudo sem uma intervenção militar, embora alguma possa vir a ser necessária. Mas o Irão é considerado uma das maiores potências militares da região e basta olharmos para as análises da sua força aérea, a sua capacidade em mísseis, as suas forças convencionais que ultrapassam um milhão de homens (entre activo e reserva), o que permite que de um dia para o outro consiga mobilizar cerca de metade, ou até mais. Tendo em conta estes números, os EUA e os seus aliados não conseguem vencer uma guerra convencional contra o Irão, daí a razão pela qual estão a tentar fazer a guerra com outros meios, e um desses meios é o pretexto das armas nucleares.

Acha que o Ocidente pode lançar um ataque preventivo contra o Irão mesmo sem provas?

Claro que sim! Olhe para a história dos pretextos para lançar guerras. Olhe para trás, para todas as guerras que os EUA começaram, a partir do século XIX. O que fazem sistematicamente é criar aquilo que chamamos incidente provocado para começar a guerra. Um incidente que lhes permite justificar o início de um conflito por motivos humanitários. Isto é muito óbvio. Em Pearl Harbor, por exemplo, sabe-se que foi uma provocação, porque os EUA sabiam que iam ser atacados e deixaram que tal acontecesse. O mesmo se passou com o incidente no golfo de Tonkin, que levou à guerra do Vietname. E agora são vários os pretextos que emergem contra o Irão: as alegadas armas nucleares são um, outro é o alegado papel nos atentados 11 de Setembro, pois desde o primeiro dia que acusam o país de apoiar os ataques, a afirmação mais absurda que podem fazer, pois não existem quaisquer provas. Mas os media agarram nestas coisas e dizem “sim, claro”.

Pode explicar às pessoas de uma forma simples a relação entre guerra contra o terrorismo e batalha pelo petróleo?

A guerra contra o terrorismo é uma farsa, é uma forma de demonizar os muçulmanos e é também a criação, através de operações em segredo dos serviços secretos, de brigadas islâmicas, controladas pelos EUA. Sabemos disso! Estas forças, ligadas à Al-Qaeda, são uma criação da CIA de 1979. Por isso a guerra contra o terrorismo é apenas um pretexto e uma justificação para lançar uma guerra de conquista. É uma tentativa de convencer as pessoas de que os muçulmanos são uma ameaça e de que estão a protegê-las e para isso têm de invadir países perigosos, como o Irão, o Iraque, a Síria e a Coreia do Norte, que perdeu 25% da sua população durante a Guerra da Coreia, mas, no entanto, continua a ser tida como uma ameaça para Washington. É absurdo! Os americanos são um pouco como a inquisição espanhola. Aliás, piores! O que mais me choca é que os EUA conseguem virar a realidade ao contrário, sabendo que são mentiras e mesmo assim acreditando nelas. A guerra contra o terrorismo é uma mentira enorme, mas todas as pessoas acreditam e o mesmo se passava com a inquisição espanhola – ninguém a questionava. As pessoas conformam-se com consensos e quem assume a posição de que isto não passa de um conjunto de mentiras é considerado alguém em quem não se pode confiar e provavelmente perderá o emprego. Por isso esta guerra é contra a verdade, muito mais séria que a agenda militar. Contra a consciência das pessoas – parece que ninguém está autorizado a pensar. E depois vêm dizer-nos “Ah, mas as armas nucleares são seguras para os civis”. E as pessoas acreditam.

Será Israel capaz de atacar Irão sem o apoio dos EUA?

Não. Eles podem enviar as suas forças, por exemplo para o Líbano, mas o seu sistema está integrado no dos EUA e, como o Irão tem mísseis, têm de estar coordenados com Washington. É uma impossibilidade em termos militares. Em 2008, o sistema de defesa aérea de Israel foi integrado no dos EUA. Estamos a falar de estruturas de comando integradas. Quer dizer, Israel pode lançar uma pequena guerra contra o Hezbollah ou até contra a Síria, mas contra o Irão terá de ser com a intervenção do Pentágono. Embora tendo uma fatia significativa de militares, Israel tem uma população de 7 milhões de pessoas e não tem capacidade para lançar uma grande ofensiva contra o Irão.

* Publicado no jornal “I” em 14 Fev 2012.

Extraído do sítio ODiario.info

MENSALÃO: O GROTESCO MIDIÁTICO SE APROXIMA - Gilson Caroni Filho

A manchete do jornal O Globo, em sua edição de 15 de fevereiro de 2012 ("Marcos Valério é o primeiro condenado do Mensalão"), não deixa dúvidas quanto ao espetáculo que dominará páginas e telas depois do carnaval: à medida em que se aproxima o julgamento do processo que a imprensa chama de "escândalo da mensalão", velhos expedientes são reeditados sem qualquer cerimônia que busque manter a aparência de jornalismo sério.

A condenação do publicitário por crimes de sonegação fiscal e falsificação de documentos públicos seria, mesmo que não surjam provas de conduta delituosa por parte dos réus, a senha para o STF homologar a narrativa midiática e não ficar maculado pela imagem de "pizza" que uma absolvição inevitavelmente traria à mais alta corte do país. Essa é a intimidação diária contida em artiguetes e editoriais.

Como destaca Pedro Estevam Serrano, em sua coluna para a revista Carta Capital, "o que verificamos é a ocorrência constante de matérias jornalísticas em alguns veículos que procuram nitidamente criar um ambiente de opinião pública contrária aos réus, apelando a matérias mais dotadas da verossimilhança dos romances que à verdade que deveria ser o mote dos relatos jornalísticos". Os riscos aos pilares básicos do Estado Democrático de Direito são nítidos na empreitada. Serrano alerta para o objetivo último das corporações:

"E tal comportamento tem intenção política evidente, qual seja procurar criminalizar o PT e o governo Lula, pois ao distanciar o julgamento de sua concretude por relatos abstratos e simbólicos o que se procura pôr no banco dos réus não são apenas as condutas pessoais em pauta mas sim todo um segmento político e ideológico."

A unificação editorial em favor da manutenção dos direitos do CNJ em votação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) não revela apenas preocupação com o indispensável controle externo do poder judiciário, mas o constrangimento necessário de juízes às vésperas de um julgamento que envolve, a construção política mais cara à mídia corporativa. No lugar do contraditório, a imposição de uma agenda. Ocupando o espaço da correta publicidade dos fatos, a recorrente tentativa de manipulação da opinião pública. A trama, no entanto, deve ser olhada pelo que traz de pedagógico, explicitando papéis e funções no campo jornalístico. 

O pensamento único, para o ser, não basta ser hegemônico; tem que ser excludente. Não apenas de outros pensamentos, mas do próprio pensar. Parafraseando Aldous Huxley, "se o indivíduo pensa, a estrutura de poder fica tensa". Na verdade, na sociedade administrada não pode haver indivíduo. Apenas a massa disforme, cujo universo cognitivo e intelectivo é, de alto a baixo, subministrado pelos detentores do poder social. É nessa crença que se movem articulistas, editores e seus patrões.

Em um sistema de dominação é essa, e nenhuma outra, a função da "mídia": induzir o espírito de manada, o não-pensar, o abrir mão da razão e aderir entusiasticamente à insensatez programada pelos que puxam os cordões. Os fracassos recentes não nos permitem desdenhar do capital simbólico que as corporações ainda detêm para defender os seus interesses e o das frações de classe a ela associadas. 

Nesse processo, o principal indutor é o "Sistema Globo", que o falecido Paulo Francis, antes de capitular, apropriadamente crismou como "Metástase", pois de fato suas toxinas se espalham por todo o tecido social. Seus carros-chefe, que frequentemente se realimentam reciprocamente, são o jornal da classe média conservadora e, principalmente, o Jornal Nacional, meticulosamente pautado "de [William] Bonner para Homer [Simpson]" que, de segunda a sábado, despeja ideologia mal travestida de notícia sobre dezenas de milhões de incautos

E o que "deu" no Jornal Nacional "pauta" desde as editorias dos jornais impresso-, O Globo por cima e o Extra por baixo- e das revistas, "da casa" ou de uma "concorrência" cujo único objetivo é ser ainda mais sensacionalista e leviana. Algumas vezes, o movimento segue o sentido inverso: uma publicação semanal produz a ficção que só repercute graças à reprodução da corporação.

Os outros instrumentos de espetaculosidade complementam o processo, impondo suas versões de pseudo-realidade: o Fantástico, ersatz dominical do JN; as novelas "campeãs de audiência", com seus "conflitos" descarnados e suas "causas sociais" oportunisticamente selecionadas como desconversa; e, culminando, o Big Brother Brasil, a celebração máxima da total vacuidade.

Processo análogo vem sendo usado, há mais de duas décadas, para esvaziar e despolitizar a política, reduzindo-a às futricas de bastidores, ao "em off" e aos "papos de cafezinho"; e, em época eleitoral, à corrida de cavalões das pesquisas de intenção de voto que ocupam as manchetes, o noticiário, as colunas – ah, as colunas! – e até mesmo a discussão supostamente acadêmica. A não menos velha desconversa nacional: olha todo mundo pra cá, e pela minha lente, para que ninguém olhe pra lá.

Falar-se em "opinião pública", nesse cenário, é um escárnio. "Opinião" pressupõe um espaço interno, em cada indivíduo, para reflexão, ponderação, crítica e elaboração, não controlado pelo poder social. "Pública" requer que exista uma esfera pública, de discurso racional entre iguais, aberto ao contraditório e não subordinado aos ditames do "mercado" ou subministrado de fio a pavio pelo braço "midiático" do mesmo poder. Nem uma nem outra condição pode existir em ambiente que tenta subjugar "corações e mentes", induzindo-o sistemática e deliberadamente à loucura social.

Avançamos bastante, mas não nos iludamos: o que vem por aí é uma luta renhida. De um lado, o espetáculo autoritário.. E, de outro, a cidadania e o Estado de Direito como permanente construção.

* Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.

Extraído do sítio da Carta Maior

CHÁVEZ AINDA ENTERRARÁ MERVAL E O RESTO DA MÍDIA MORIBUNDA - Eduardo Guimarães

Não faz muito tempo, li no portal do jornal O Estado de São Paulo na internet um artigo de uma das marionetes dos barões da imprensa atacando o que chamou de “jornalismo cidadão”. O sujeito dizia que blogs como este não teriam qualidade jornalística, não checariam informações como a grande imprensa, e que, portanto, não seriam confiáveis.

Naquele momento, a primeira coisa que me veio à mente foi a ficha policial falsa que o jornal Folha de São Paulo recebeu por e-mail de fonte anônima há alguns anos e publicou no alto de sua primeira página, com o maior destaque possível. Fiquei me perguntando como alguém pode ser tão cara-de-pau a ponto de dizer que uma imprensa que faz isso seria mais confiável.

Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.

O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois quando erra faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.

Se checagem rigorosa de informações for evidência de bom jornalismo – e é, apesar de não ser a única –, a mídia da ficha falsa da Dilma ou do grampo sem áudio no STF agora tem mais um passivo, a morte iminente de Hugo Chávez que começou a ser anunciada em janeiro e que na última quinta-feira (16) foi endossada, sem checagem, pelo “imortal” Merval Pereira.

Leia, abaixo, post de Merval em seu blog no qual “mata” Hugo Chávez.


Quadro grave

A saúde do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, pode afetar a eleição presidencial. Os últimos exames, analisados por médicos brasileiros, indicam que o câncer está em processo de metástase, se alastrando em direção ao fígado, deixando pouca margem a uma recuperação.

Como a eleição presidencial se realiza dentro de 8 meses, a 7 de outubro, dificilmente o presidente venezuelano estaria em condições de fazer uma campanha eleitoral que exigirá muito esforço físico, pois a oposição já tem em Henrique Capriles um candidato de união.

O ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA, Roger Noriega, invocando informações de dentro do governo venezuelano, escreveu artigo recentemente no portal de internet da InterAmerican Security Watch intitulado “A Grande mentira de Hugo Chávez e a Grande Apatia de Washington”.

Nesse artigo ele dizia que o câncer está se propagando mais rapidamente do que o esperado e poderia causar-lhe a morte antes mesmo das eleições presidenciais.

Em primeiro lugar, que “Exames analisados por médicos brasileiros” são esses? Quem são os tais “médicos brasileiros”? Como os tais “exames” foram obtidos? A mídia que acusa blogs de não checarem informações, ignora cuidados mínimos ao divulgar uma notícia dessa gravidade, que, sendo verdadeira, teria implicações estrondosas na geopolítica das Américas.

Merval não checou nada e ainda trocou as bolas. Confundiu matérias que saíram em órgãos de imprensa espanhóis e norte-americanos que fazem oposição cerrada a Chávez com uma notícia divulgada pela “Folha.com” em julho do ano passado. Veja a matéria, abaixo:

Folha.com - 19/07/2011

Exames mostram que Chávez tem câncer de próstata, dizem médicos

Profissionais brasileiros que tiveram acesso aos exames de Hugo Chávez dizem que o presidente venezuelano tem câncer de próstata.

A informação é da coluna de Mônica Bérgamo publicada nesta terça-feira na Folha e cuja íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

A informação, contudo, não foi confirmada pelo urologista Miguel Srougi, especialista em câncer de próstata que foi chamado para a reunião com os diplomatas venezuelanos.

Ele prefere manter o silêncio para evitar falhas e diz que Chávez “fez muito bem” de ir para Cuba, onde terá a intimidade preservada.

Chávez revelou ter câncer em 30 de junho, após semanas de especulação, em uma mensagem lida em rede nacional em Havana, onde deveria encerrar uma turnê de visitas iniciada no Brasil no começo do mês.

Menos de quatro dias depois do anúncio da doença, Chávez retornaria de surpresa a Caracas, às vésperas do aniversário de 200 anos do país.

Naquele momento, ele anunciou ter feito duas cirurgias em Cuba – uma delas para a retirada de um tumor. Chávez não informa que órgãos ou tecidos foram atingidos pelo câncer nem qual seu estágio. Negou, porém, que a doença tenha atingido o cólon ou o estômago.

A coluna de Bergamo de sábado (16) já apontava indícios de lesão na próstata do presidente venezuelano, mas ressaltava que mais exames eram necessários.

Até semana passada, tudo indicava que Chávez viria ao Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para fazer sessões de quimioterapia contra seu câncer, como fez seu colega paraguaio, Fernando Lugo, que sofreu de câncer linfático no ano passado.

No sábado (16), contudo, Chávez chegou à Cuba, onde informou que deseja seguir o tratamento quimioterápico para câncer. Ele não descartou uma visita futura ao Brasil, no entanto.

Além de preguiçoso – ou mal-intencionado – ao checar informações, Merval nem soube identificar a origem de boatos que pretendem apenas desestabilizar, tanto na Venezuela quanto no exterior, a candidatura de Chávez à reeleição.

Quem saiu primeiro com essa história de metástase do câncer de próstata do líder venezuelano foi o diário norte-americano Wall Street Journal, em novembro do ano passado. Diz o “journal”:

Os relatórios, com base em entrevistas com pessoas que tiveram acesso à equipe médica de Chávez, alimentam rumores recentes de que o homem que governa a Venezuela desde 1999 não será saudável o suficiente para disputar a reeleição em outubro, potencialmente jogando o futuro político do país em dúvida.

No final do mês passado, o diário espanhol “ABC”, que faz oposição a Chávez – bastando, para comprovar, fazer busca de seu nome no sítio do veículo, onde se constatará uma impressionante artilharia contra ele –, publicou matéria anunciando que o venezuelano teria Um ano de vida a menos que aceite um tratamento intensivo.

O artigo do ex-embaixador dos Estados Unidos na OEA Roger Noriega, invocado por Merval, baseia-se nas mesmas invenções sobre “médicos” que teriam “analisado exames” de Chávez e concluído que seu câncer estaria se espalhando rapidamente.

Chega a ser ridículo achar que médicos brasileiros, espanhóis e americanos teriam tido acesso livre a exames de um Chávez que nega peremptoriamente que sua doença tenha se agravado e que certamente toma todos os cuidados com informações sobre a própria saúde.

Aliás, não se entende de que adiantaria um homem que tem menos de um ano de vida disputar uma eleição. Sendo eleito em outubro, se seu estado de saúde moribundo fosse real ele não viveria para assumir o cargo. Teria que estar louco para se meter em tal empreitada sabendo que mesmo vencendo a eleição seria derrotado.

A estratégia da direita midiática internacional é óbvia: acha que pode fazer o povo venezuelano deixar de votar em Chávez com medo de que ele morra e deixe o país acéfalo.

Chávez praticamente não deu bola a uma notícia que já corre o mundo há semanas e que chega atrasada ao Brasil. Aliás, fez troça. Mas os mervais e os PIGs espalhados pelo mundo mergulharam de cabeça no que julgam um filão, cheios de esperança que estão no candidato com que a direita venezuelana deve tentar retomar o poder, o tal de Henrique Capriles.

Se essa direita midiática não fosse tão preguiçosa e tivesse se dado ao trabalho de fazer o que este blogueiro fez muitas vezes ao incursionar nos “cerros” (morros) de Caracas, desjejuando arepa (espécie de pão sírio), suero (coalhada) e té (chá) enquanto ouvia o verdadeiro povo venezuelano, entenderia o que jamais entendeu.

Chávez não é causa, é consequência. Assim como Evo Morales, Rafael Correa, Lula e outros presidentes progressistas que decorreram da onda de governos de esquerda que na década passada varreu a América Latina, ele é o braço político do povo. Se morresse, o povo acharia um substituto.

Essa gente não entende que a morte de Chávez o transformaria em um mártir e permitiria ao seu partido eleger qualquer poste, sem falar na fúria que seria desencadeada entre a imensa maioria de venezuelanos que o apóia com a alma não por ele mesmo, mas porque é o campeão que aquele povo encontrou para reverter a concentração de renda que esmagou a Venezuela por décadas.

O povo venezuelano já está escolado. Em cada uma das sucessivas eleições que Chávez venceu sem que houvesse um único questionamento sério e reconhecido, até a antevéspera de cada um daqueles pleitos a direita midiática sempre disse que daquela vez ele estaria derrotado por antecipação.

Chávez não está moribundo, quem está é essa direita demente que jamais entendeu que ao menos nesta parte do mundo os povos já sabem que não podem permitir que ela volte a governar até que o mal que perpetrou ao longo de séculos seja desfeito. Chávez, portanto, viverá para assistir ao enterro político dessa gente.

Extraído do Blog da Cidadania de Eduardo Guimarães

16 fevereiro 2012

ONU, MALVINAS E A MILITARIZAÇÃO DO ATLÂNTICO SUL

Nações Unidas (Prensa Latina) A Argentina acaba de obter uma importante vitória diplomática ao conseguir a intervenção do secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, como mediador entre Buenos Aires e a Grã-Bretanha para a disputa sobre a soberania das Ilhas Malvinas.



Essa controvérsia estava concentrada até agora em declarações e pronunciamentos dos governos de ambos países, em especial do sul-americano ante cada ação de Londres em torno do arquipélago que ocupa à força desde 1833.

No contexto da organização mundial, a postura argentina também está apoiada desde a década de 1960 por uma sucessão de resoluções do Conselho de Segurança, da Assembleia Geral e do Comitê de Descolonização da ONU.

E, no plano internacional, por declarações de agrupamentos regionais como o Mercado Comum do Sul, a União de Nações Sul-americanas, a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos e as Cúpulas Ibero-americanas.

No entanto, faltava um forte impulso à longa batalha dos argentinos para poder exercer sua soberania sobre as Ilhas Malvinas, Georgias do Sul, Sándwich do Sul e os espaços marítimos circundantes.

O detonante para a nova e exitosa campanha diplomática realizada na sede da ONU pelo chanceler da Argentina, Héctor Timerman, foi a crescente militarização do Atlântico Sul empreendida pelo Reino Unido.

A denúncia do reforço bélico de Londres nessa região, sem descartar a introdução de armas nucleares, ocupou o centro das reuniões que o ministro sustentou na sede da ONU em Nova York com os presidentes do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral e o próprio Ban Ki-moon.

Também com o titular do Comitê de Descolonização, Pedro Núñez Mosquera (Cuba), e os embaixadores da Colômbia e da Guatemala, os países latino-americanos que neste ano ocupam um assento no Conselho de Segurança.

Com provas documentadas, Timerman mostrou a seus interlocutores e ao corpo de correspondentes na ONU detalhes da militarização da região, como a chegada às Malvinas do submarino nuclear Vanguard, o navio destruidor HMS Dauntless e aviões Typhoon com mísseis Taurus, todos de última geração.

Disse que as bases militares britânicas nas ilhas Ascensión, Santa Helena, Tristán de Cunha, Malvinas, Georgias e Sándwich do Sul e no território antártico dominam o Atlântico Sul e o tráfico marítimo e aéreo entre a América do Sul e a África, assim como o acesso aos oceanos Pacífico e Índico.

Trata-se de um controle exercido por uma potência militar que se encontra a 14 mil quilômetros das Malvinas, sublinhou.

Revelou que o governo argentino ainda espera uma resposta de Londres sobre a introdução ou não de armas nucleares na região, como lhe perguntaram vários países preocupados por essa possibilidade.

Já em 2003 se produziu um acidente nas Malvinas durante o transporte de material nuclear entre dois barcos ingleses, o qual pôde derivar em uma propagação de radioatividade.

Como outra prova da escalada militarista britânica na região austral, Timerman indicou que o atual orçamento de Defesa do Reino Unido foi reduzido para todas suas frentes, menos no relacionado às Malvinas.

Os argumentos argentinos não puderam ser categoricamente desmentidos pelo embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, quem tratou de enfrentar a ofensiva de Timerman com uma coletiva de imprensa na qual se limitou a afirmar que "nada mudou em relação a nosso posto de defesa nas ilhas" Malvinas.

Não obstante, admitiu que há submarinos nucleares de bandeira britânica "por todo o mundo" e que Londres aumentou seu poder militar nesse arquipélago desde 1982, quando a Argentina e seu país entraram em guerra, custando a vida de 649 argentinos e 255 ingleses.

O enviado de Buenos Aires também chamou a atenção sobre a vigência do Tratado de Tlatelolco, subscrito por todos os países da América Latina e que converteu a região em uma zona livre de armas nucleares.

Timerman criticou a reiterada negativa do Reino Unido de retomar as negociações dispostas pela ONU e as ilegais medidas unilaterais ditadas por Londres para a extração e exploração de recursos naturais renováveis e não renováveis na área da controvérsia.

Uma atuação que cobra maiores dimensões dada a condição da Grã-Bretanha como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, órgão encarregado de velar pela paz e segurança internacionais.

Agora é só esperar pelos passos que deve dar a diretiva da ONU depois de assumir o compromisso de trabalhar para que a antiga potência colonial venha negociar com a Argentina o velho problema das Malvinas.


Extraído do sítio da Agência Prensa Latina

15 fevereiro 2012

IRÃ PROMETE APOIAR RESISTÊNCIAS LIBANESA E PALESTINA CONTRA ISRAEL

Teerã, 15 fev (Prensa Latina) O Irã valorizou hoje como uma política essencial dar pleno apoio a movimentos de resistência na Palestina e no Líbano contra a ocupação israelense, ainda que o Ministério de Relações Exteriores voltou a afirmar não ser responsável por recentes atentados a delegações sionistas.


O ministro Alí Akbar Salehi sublinhou que entre as prioridades da República Islâmica também está apoiar ao governo e povo da Síria, e suas legítimas demandas, perante a hostilidade de potências ocidentais.

Salehi denunciou a intensificação de pressões contra os movimentos de resistência islamistas Hamas, que opera na Faixa de Gaza, e Hezbollah (Partido de Deus), que faz parte do governo no Líbano, devido a acontecimentos regionais e mundiais.

Sublinhou "a principal política do Irã de exaustivamente apoiar a frente de resistência no Líbano e na Palestina", além da oposição rotunda de Teerã a qualquer interferência estrangeira nos assuntos internos da Síria.

O governo iraniano recordou que as autoridades de Damasco acusam "marginais, saboteadores e grupos terroristas armados" de serem responsáveis pela violência, e ratificou que está convencido de que essas bandas "estão sendo orquestradas a partir do exterior".

Salehi opinou que os acontecimentos no Oriente Médio, como consequência de genuínas demandas dos povos e países, promoveriam o papel e a influência da frente de resistência, assim como da República Islâmica do Irã na região, e isso explica a atual hostilidade do Ocidente.

O chanceler iraniano também expressou nesta quarta-feira sua preocupação pela repressão a xiitas em Bahrein, em mensagens enviadas aos chefes da ONU, o Conselho de Segurança, a Organização de Cooperação Islâmica, a Liga Árabe, o Movimento Não Alinhados e a União Europeia.

Fontes oficiais indicaram que Salehi demonstrou preocupação pela alarmante situação que sofre o povo desse emirado devido à repressão da monarquia Al-Khalifa aos protestos pacíficos opositores e alertou dos efeitos de intervenções militares estrangeiras contra esse povo.

Em outra ordem, a chancelaria do Irã desmentiu alegações do governo de Israel relativas a que este país está por trás das explosões da terça-feira em Bangkok, capital de Tailândia, e reiterou que também não teve nada a ver com as ocorridas antes na Índia e na Georgia.

"Os agentes israelitas são com frequência os perpetradores de tais atos terroristas", apontou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, quem também condenou as explosões.

Extraído do sítio da Agência Prensa Latina

AINDA SEM DECISÃO, CPI DA PRIVATARIA DEVE SER NEGOCIADA EM MARÇO - Najla Passos

Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), empurrou para março uma decisão sobre instalar ou não a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privataria, que investigaria denúncias de desvios de recursos durante privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. 

“Nós ainda não temos uma definição sobre isso”, disse Maia nesta terça-feira (14), depois de reunião de líderes dos partidos sobre a pauta de votações.

Autor do pedido de CPI, formulado a partir do livro-denúncia A Privataria Tucana, campeão de vendas no fim de 2011, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) disse estar confiante. 

Segundo ele, Maia vai se reunir com as bancadas de PCdoB e do PT, na primeira semana de março, para avaliar se há sustentação política suficiente para instaurar a CPI. E ele diz que tem.

“Como toda a bancada do PCdoB e 80% da bancada do PT assinaram o requerimento, creio que não haverá problemas para o presidente fazer cumprir o regimento da Casa”, disse à Carta Maior. 

O líder do PT, Jilmar Tatto (SP), esquivou-se. Disse que a decisão só compete a Marco Maia, que também é petista.

Por enquanto, não existe nenhum obstáculo legal ou formal à criação da CPI. Ela atende o requisito básico de reunir o apoio mínimo de 177 deputados (o pedido foi acompanhado de 185 assinaturas válidas).

Além disso, pelo regimento da Câmara, só é possível que cinco CPIs funcionem ao mesmo tempo, e isso também não é problema. Atualmente, existem três na Câmara (Tráfico de Pessoas, Trabalho Escravo e Exploração do Trabalho Infantil).

Na Secretaria Geral da Mesa Diretora, tramitam ainda mais dois pedidos (Privataria e dos Radares). Para Protógenes, não há risco de que apareça outro pedido de CPI que deixa a da Privataria de fora da lista de cinco.

Portanto, a decisão ou não sobre instalar a CPI será apenas política. Ainda que falte um parecer da assessoria jurídica da direção da Câmara, que é comandada por Marco Maia, sobre o objeto de investigação da CPI.

Extraído do sítio da Carta Maior

EUROPA NÃO TENCIONA RENUNCIAR À CONTRAFAÇÃO

Os europeus estão determinados a não permitir a violação de seus direitos e liberdades para satisfazer as megacorporações. No fim de semana passado, habitantes de duas centenas de cidades do Reino Unido, Alemanha, Holanda, Polônia, Bulgária, Áustria, Finlândia, França, Eslováquia, Estônia, Letônia e Lituânia tomaram as ruas, apesar do frio. Eles se sentiram ultrajados pelo novo Acordo Comercial Anticontrafação (ACTA na sigla inglesa).

Foto: EPA 
O documento estava sendo preparado desde 2006. Os EUA, o Japão e a União Europeia elaboraram o acordo a portas fechadas e, após Tóquio e Washington, no final de janeiro, ele foi assinado pela Comissão Europeia e representantes de 22 países da UE. Agora, o ACTA deve ser ratificado pelos parlamentos dos países signatários. No entanto, os governos de repente se viram confrontados com a resistência do povo.

Como ficou conhecido, o ACTA prevê penalidades de multas severas e até prisão por qualquer violação de direitos de autor. O acordo internacional requer que os participantes do mercado, por exemplo, prestadores de serviços, prestem auxílio na identificação de infratores. Além disso, o acordo abrange não só produtos virtuais mas todas as mercadorias, nomeadamente medicamentos patentados.

Estas disposições do documento levantaram preocupações dos cidadãos que seus direitos e liberdades podem ser seriamente prejudicados. Afinal, até mesmo os funcionários da alfândega na fronteira teriam o direito de inspecionar bagagens buscando produtos copiados ilegalmente, ou mesmo comprados legalmente mas falsificados, diz o perito Andrei Mikhailiuk.

"Uma coisa é isso acontecer na internet, quando algo passa de um servidor nos EUA para um servidor na Turquia. Mas quando a informação “viaja”, por exemplo, em seu laptop, é outra coisa completamente diferente. Enquanto no primeiro caso o controle é possível e bastante transparente, no segundo, quando se trata de uma inspeção física da propriedade de alguém vindo por avião da mesma Turquia para a América, isso, naturalmente, já causa desconforto".

O ACTA já foi chamado de “irmão mais novo” das leis antipirataria norte-americanas SOPA (Stop Online Piracy Act) e PIPA (PROTECT IP Act), contra as quais a comunidade internacional se pronunciou recentemente em larga escala. Todos esses documentos pretendem proteger os proprietários dos direitos de autor, prevendo, ao mesmo tempo, uma severa intervenção no espaço internet e à violação intencional dos direitos humanos. Porém, os usuários costumam reagir tão sensivelmente a qualquer limitação imposta por lei, diz o analista de internet Askar Tuganbaev.

"O principal problema é que as pessoas não veem a informação como propriedade privada que tem seu valor. Apesar do fato de que a informação é impalpável e pode ser facilmente copiada, o custo de sua produção é bastante significante. Portanto, no interesse do desenvolvimento da indústria e da sociedade em geral é necessário regular a circulação de informação e o movimento de portadores de informação".

A propósito, a maioria dos manifestantes não se opõem a uma proteção razoável dos direitos de autor. No entanto, eles insistem em que tais documentos sejam discutidos de forma aberta e não se destinem a infringir os direitos de uns a favor de super-lucros de outros.

Extraído do sítio da Voz da Rússia

IRÃ CONDENA TERRORISMO E DENUNCIA GUERRA PSICOLÓGICA DE ISRAEL

Teerã, 14 fev (Prensa Latina) - O Irã condenou hoje toda forma de terrorismo ao negar acusações de Israel sobre seu suposto envolvimento em atentados contra objetivos diplomáticos na Geórgia e na Índia, e chamou tais acusações parte de uma "guerra psicológica anti-iraniana".


À rejeição das autoridades da República Islâmica somou-se a refutação categórica do porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, de qualquer tipo de vínculo entre esta nação e os referidos ataques a pessoal das embaixadas israelenses.

"O regime sionista tem um sério recorde de ações criminosas contra a humanidade e é o primeiro suspeito de qualquer operação terrorista no mundo", declarou o porta-voz ao qualificar de infundadas as acusações sionistas.

Tel Aviv culpou Teerã de estar por trás da bomba detectada em um carro de sua embaixada em Tbilisi e pela explosão de um artefato em Nova Déli, onde ficou ferida uma funcionária governamental, aumentando mais ainda a tensão em torno do conflito entre ambos governos.

O porta-voz persa recordou que a República Islâmica é "a maior vítima do terrorismo, enquanto Israel e seus aliados são as principais fontes do terrorismo no mundo".

As acusações e sua refutação ocorreram em momentos de preocupante escalada anti-iraniana por parte dos Estados Unidos, seu aliado Israel e a União Europeia (UE) contra o Governo de Ahmadinejad para forçá-lo a deter seu programa nuclear pacífico.

Chefes militares e líderes políticos iranianos advertiram que, se forem intensificadas as pressões e a soberania do país se ver ameaçada, poderiam cortar o fluxo marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde diariamente são transportados ao redor de 15 milhões de barris de petróleo.

Esse volume de hidrocarboneto equivale a 90 por cento das exportações do Golfo Pérsico e de 40 por cento do consumo mundial de petróleo, de acordo com estatísticas oficiais regionais.

Diante disso, autoridades do vizinho emirado Kuwait alertaram que nenhum país árabe do Golfo Pérsico possui um plano de contingência para o Estreito de Ormuz, no caso do recrudescimento das sanções ou uma agressão militar leve o Irã a fechá-lo.

A fonte, citada por meios de comunicação na Cidade do Kuwait, assinalou que se os países do Golfo fossem considerar um plano de emergência examinariam aumentar o uso de um oleoduto de 745 milhas denominado Petroline, que enlaça o oriente da Arábia Saudita com o Mar Vermelho.

Outra opção, agregou o funcionário governamental não identificado, seria recorrer ao oleoduto que fornece 1,5 milhão de barris por dia e atravessa Abu Dhabi até chegar ao porto de Fujairah, justamente no sul do estratégico Estreito.

Extraído do sítio da Agência Prensa Latina

14 fevereiro 2012

A GRÉCIA COMO UM MODELO EM ESCALA PARA A EUROPA - J. Carlos de Assis*

A Grécia não tem peso suficiente para desequilibrar financeiramente a Europa, pois representa apenas algo como 2% da eurozona, mas o que acontece nela é uma espécie de modelo em escala reduzida do cenário europeu e norte-americano que inevitavelmente seguirá o curso que ela tomar. Sob o nome um tanto pomposo de consolidação da dívida pública grega, os neoliberais incrustados no Banco Central Europeu, na Comissão Europeia e no FMI tentam proteger de perda total a finança privada inflada pela maior especulação da história do capitalismo. Dificilmente serão bem sucedidos.



No meio de múltiplos dados e estatísticas bilionárias e trilionárias divulgadas diariamente pela imprensa cobrindo praticamente o mundo todo, é muito fácil para o homem comum perder a perspectiva do que de fato está acontecendo na economia planetária. Contudo, em termos conceituais, tudo é muito simples. Especulou-se demais a partir do mercado imobiliário americano e de alguns países da Europa (Espanha, por exemplo). Essa especulação vazou para o mundo todo através dos sistemas financeiros globalmente conectados. Uma enorme bolha financeira, formada por lucros fictícios, descolou-se da economia real. Seu valor efetivo era uma fração do valor de face.

Toda bolha financeira um dia estoura. Às vezes, no mercado acionário. Outras vezes, quando se exagera nos financiamentos externos (crise dos juros no Terceiro Mundo no início dos 80). Em geral, para que a esfera financeira especulativa se reconcilie com a economia real, os detentores dos créditos se defrontam com perdas certas. Isso, contudo, pode ser atenuado no mercado de títulos onde parte das perdas são patrimoniais e recuperáveis: se a pessoa não precisar de vender as ações no curto prazo, pode esperar melhores condições de mercado mesmo que isso leve anos. Já no mercado de dívida bancária a situação é diferente.

A especificidade da crise atual é que ela resultou de especulação no coração do sistema bancário americano e mundial. Os bancos ofereceram créditos, embrulharam os créditos em títulos arriscados, embaralharam títulos com outros títulos, venderam para seguradoras e fundos, recompraram de seguradoras e fundos, e sancionaram a especulação imobiliária na base oferecendo empréstimos para quem não podia pagar. A partir de 2007, os mais espertos já sabiam que isso não ia durar muito. Com efeito, em 2008, a crise estourou quando o Lehman Brothers, o quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, simplesmente quebrou com bilhões de títulos podres em carteira.

Nos Estados Unidos, as autoridades do Tesouro e do Fed imaginaram inicialmente poder deixar que o mercado “liberal” resolvesse a crise. Logo verificaram que, sem interferência oficial, todo o sistema capitalista, a partir do núcleo bancário, colapsaria. O Bank America e o Citigroup, os dois maiores, estavam em pior situação: o Governo teve que estatizá-los parcialmente. Em seguida, foi feito um teste de stress em relação aos outros 17 maiores conglomerados bancários comerciais, constatando-se que o Fed teria que manter suas torneiras de crédito subsiado abertas para garantir o sistema funcionando. 

Nos Estados Unidos, porém, depois do custo inicial de US$ 800 bilhões ainda no governo Bush, a sustentação do sistema ficou em sua maior parte a cargo do Fed, sem que isso caracterizasse um subsídio irrecuperável. De qualquer forma, o sistema se beneficiou largamente de condições financeiras que permitiram, e ainda permitem, excelentes condições de arbitragem: os bancos tomam dinheiro a um custo de quase zero por cento do Fed e o aplicam, sem risco, nos títulos do Tesouro rendendo 3,5%. É uma simples operação eletrônica, sem qualquer custo. Com isso, facilitou-se o processo de financiamento requerido pelo pacote fiscal – este, sim, à conta do Tesouro e do cidadão – de US$ 787 bilhões do governo Obama, lançado no início de 2009.

Entretanto, a salvação bancária americana é um fato que está longe de ter sido superado. Giram no mercado cerca de US$ 6 trilhões em hipotecas, estimando-se que algo como US$ 1,5 a US$ 2 trilhões sejam de perda certa quando chegar seu vencimento. Os bancos terão de renegociá-las e, principalmente, fazer lucro a curto prazo ou captar no mercado os recursos necessários para cobrir essas perdas pois, caso contrário, quebram. Como são grandes demais para quebrar, eventualmente terão de ser salvos pelo governo, a despeito do risco moral e da indignação dos cidadãos que se verão espoliados pela especulação privada em mais essa rodada.

Na Europa o comprometimento estatal foi mais longe. Os governos tiveram que salvar seus bancos injetando bilhões de dólares em seus caixas. Alguns, como os ingleses Royal Scotland Bank e o Barclays tiveram de ser estatizados. O mesmo destino tiveram os bancos irlandeses. Neste caso, para evitar sua quebra efetiva, foi o Estado que virtualmente quebrou. Na pequenina Islândia, o governo, pressionado por plebiscitos, foi mais sábio: deixou quebrarem três bancos que, em comparação a seu PIB, eram gigantescos. Até na Alemanha o segundo maior banco, o Commenzbank, teve que ser parcialmente estatizado. Note-se que, na zona do euro, a salvação dos bancos ficou quase totalmente a cargo dos tesouros – portanto, dos cidadãos -, já que o BCE limitou a compra de títulos públicos dos governos.

O circuito da crise financeira é, pois, o seguinte: especulação exagerada no mercado de hipotecas, inadimplência, quebra ou ameaça de quebra dos bancos mais expostos e mais ambiciosos, intervenção dos governos para impedir a quebra dos muito grandes (oito centenas de médios e pequenos foram deixados ir à garra só nos Estados Unidos), programas de ajuste fiscal para reduzir o consequente déficit e a dívida pública dos governos a pretexto de tranquilizar os mercados quanto a seu pagamento, destruição do estado de bem-estar social. Isso funcionará? Claro que não, bastando ver a situação de Irlanda, Portugal e Grécia, todas vítimas dos programas de ajuste, e todas sem saída. E não é preciso esperar muito para surgirem as consequências do desastre não só nas ruas de Atenas; é que se verá, no resto da Europa, que de te fabula narratur. 

* J. Carlos de Assis é economista e professor, coautor, com o matemático Francisco Antônio Doria, de “O universo neoliberal em desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna sai às terças também no site Rumos do Brasil e no jornal “Monitor Mercantil”, RJ.


Extraído do sítio da Carta Maior

PARA ONDE IRÃO OS INDIGNADOS E OS "OCCUPIERS"? - Leonardo Boff

Uma das mesas de debates importante no Forum Social Temático em Porto Alegre, da qual me coube participar, foi escutar os testemunhos vivos dos Indignados da Espanha, de Londres, do Egito e dos USA. O que me deixou muito impressionado foi a seriedade dos discursos, longe do viés anárquico dos anos 60 do século passado com suas muitas "parolle".

O tema central era "democracia já". Revindicava-se uma outra democracia, bem diferente desta a que estamos acostumados, que é mais farsa do que realidade. Querem uma democracia que se constrói a partir da rua e das praças, o lugar do poder originário. Uma democracia que vem de baixo, articulada organicamente com o povo, transparente em seus procedimentos e não mais corroída pela corrupção. Esta democracia, de saida, se caracteriza por vincular justiça social com justiça ecológica.

Curiosamente, os indignados, os "occupiers" e os da Primavera Árabe não se remeteram ao clássico discurso das esquerdas, nem sequer aos sonhos das várias edições do Forum Social Mundial. Encontramo-nos num outro tempo e surgiu uma nova sensibilidade. Postula-se outro modo de ser cidadão, incluindo poderosamente as mulheres antes feitas invisíveis, cidadãos com direitos, com participação, com relações horizontais e transversais facilitadas pelas redes sociais, pelo celular, pelo twitter e pelos facebooks.

Temos a ver com uma verdadeira revolução. Antes as relações se organizavam de forma vertical, de cima para baixo. Agora é de forma horizontal, para os lados, na imediatez da comunicação à velocidade da luz. Este modo representa o tempo novo que estamos vivendo, da informação, da descoberta do valor da subjetividade, não aquela da modernidade, encapsulada em si mesma, mas da subjetividade relacional, da emergência de uma consciência de espécie que se descobre dentro da mesma e única Casa Comum, Casa, em chamas ou ruindo pela excessiva pilhagem praticada pelo nosso sistema de produção e consumo.

Essa sensibilidade não tolera mais os métodos do sistema de superar a crise econômica e derivadas, sanando os bancos com o dinheiro dos cidadãos, impondo severa austeridade fiscal, a desmontagem da seguridade social, o achatamento dos salários, o corte dos investimentos no pressuposto ilusório de que desta forma se reconquista a confiança dos mercados e se reanima a economia. Tal concepção é feita dogma e ai se ouve o estúpido bordão: "TINA: there is no alternative", não há alternativa. Os sacrílegos sumos sacerdotes da trindade nada santa do FMI, da União Européia e do Banco Central Europeu deram um golpe financeiro na Grécia e na Itália e puseram lá seus acólitos como gestores da crise, sem passar pelo rito democrático. Tudo é visto e decidido pela ótica exclusiva do econômico, rebaixando o social e o sofrimento coletivo desnecessário, o desespero das famílias e a indignação dos jovens por não conseguirem trabalho. Tudo pode desembocar numa crise com consequências dramáticas.

Paul Krugmann, prêmio Nobel de economia, passou uns dias na Islândia para estudar a forma como esse pequeno pais ártico saiu de sua crise avassaladora. Seguiram o caminho correto que outros deveriam também ter seguido: deixaram os bancos quebrar, puseram na cadeia os banqueiros e especuladores que praticaram falcatruas, reescreveram a constituição, garantiram a seguridade social para evitar uma derrocada generalizada e conseguiram criar empregos. Consequência: o pais saiu do atoleiro e é um dos que mais cresce nos paises nórdicos. O caminho islandês foi silenciado pela midia mundial de temor de que servisse de exemplo para os demais países. E a assim a carruagem, com medidas equivocadas mas coerentes com o sistema, corre célere rumo a um precipício.

Contra esse curso previsível se opõem os indignados. Querem um outro mundo mais amigo da vida e respeitoso da natureza. Talvez a Islândia servirá de inspiração. Para onde irão? Quem sabe? Seguramente não na direção dos modelos do passado, já exauridos. Irão na direção daquilo que falava Paulo Freire "do inédito viável" que nascerá desse novo imaginário. Ele se expressa, sem violência, dentro de um espírito democrático-participativo, com muito diálogo e trocas enriquecedoras. De todas as formas o mundo nunca será como antes, muito menos como os capitalistas gostariam que ficasse.

Extraído do sítio do Pravda

MOODY'S REBAIXA NOTA DE SEIS PAÍSES EUROPEUS E AMEAÇA OUTROS TRÊS

Agência de rating considera "negativo" o desenvolvimento da economia do Reino Unido, França e Áustria e ameaça rebaixamento das notas de crédito. Espanha, Itália, Portugal, Malta, Eslováquia e Eslovênia foram rebaixadas.


Seis países europeus receberam nas primeiras horas desta terça-feira (14/02) uma má notícia vinda dos Estados Unidos: já era madrugada na Europa quando a agência de rating Moody's comunicou o rebaixamento da nota de crédito de Itália, Portugal, Espanha, Malta, Eslováquia e Eslovênia.

O prognóstico de nações mais ricas, como Reino Unido, França e Áustria, também foi reavaliado. Esses países mantiveram a nota mais alta, o triplo A, mas a perspectiva passou de "estável" para "negativa", segundo a classificação da Moody's.

A insegurança quanto às reformas da zona do euro, a crescente perspectiva de enfraquecimento econômico na Europa e o efeito desses fatores sobre o mercado foram as justificativas da agência para o rebaixamento. Na prática, a reclassificação da Moody's, uma das mais respeitadas no meio, significa que os países atingidos têm de pagar juros mais altos por seus títulos públicos.

As notas

Eslováquia e Eslovênia, que passaram de A1 para A2, agora têm uma nota superior à de Itália e Espanha, que receberam A3, assim como Malta. A nota de crédito de Portugal, que era Ba2, passou a ser Ba3. Para todos eles, a avaliação da agência é de desenvolvimento "negativo", o que pode significar 40% de chance de que a nota seja rebaixada novamente nos próximos 18 meses.

Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Luxemburgo, Holanda e Suécia mantiveram o AAA. A agência norte-americana demonstrou, no entanto, preocupação com as reformas na Europa. Por outro lado, a Moody's comentou que não se espera que os países percam dinheiro com os pacotes de resgate.

Reações

É a primeira vez que a agência ameaça o Reino Unido com um rebaixamento. O ministro inglês das Finanças reagiu dizendo que o país tem que cumprir sua promessa de diminuir o déficit orçamentário. "Isso prova que, na situação global atual, o Reino Unido não pode vacilar na hora de lidar com seus débitos", disse George Osborne.

O governo inglês tem sofrido pressão para amenizar a política de austeridade implantada e, assim, dar mais fôlego para a economia respirar. A França afirmou que vai continuar pressionando para melhorar a competitividade e o crescimento por meio da redução do déficit governamental.

A decisão da Moody's vem depois de a Standard & Poor's ter retirado, no último mês, a nota máxima da França e da Áustria, e ter rebaixado as notas da Itália, Espanha, Portugal, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia.

Extraído do sítio da Deutsche Welle