05 dezembro 2011

MERKEL E SARKOZY DEFENDEM NOVO TRATADO EUROPEU E SANÇÕES CONTRA PAÍSES DEFICITÁRIOS - Taíssa Stivanin

Depois de um encontro em Paris nesta segunda-feira, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Nicolas Sarkozy se disseram favoráveis à criação de um novo tratado europeu, e defenderam sanções automáticas aos estados-membros que não cumprirem seus objetivos de redução do déficit público.

A chanceler alemã Angela Merkel e o
presidente francês Nicolas  Sarkozy após
encontro desta  segunda no  Palácio do Eliseu, 
em Paris.- REUTERS/Charles Platiau
O novo tratado, segundo Merkel e Sarkozy, deveria ser ratificado, se possível, pelos 27 países membros da União Europeia. Caso contrário, as mudanças poderiam ser aprovadas pelos 17 integrantes da zona do euro, e outros estados que se propusessem voluntariamente a aceitar as alterações. O presidente francês deu uma coletiva de Imprensa ao lado da chanceler alemã nesta tarde, no palácio do Eliseu, sede da presidência francesa.

De acordo com Sarkozy, o novo tratado deverá ser concluído no mês de março, e ratificado após as eleições presidenciais e legislativas na França, em abril de 2012. “Esta é a única maneira de reestabelecer confiança no euro e na zona do euro.” O acordo franco-alemão, diz o presidente francês, será detalhado em uma carta que será enviada nesta quarta-feira ao presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. O objetivo é preparar o terreno para as discussões sobre a questão que devem dominar a Cúpula da zona do euro, nesta quinta e sexta-feira.

De acordo com a proposta franco-alemã, os estados cujo déficit ultrapassa 3% do PIB poderiam ser alvo de sanções imediatas. Os dois países também propõem a aplicação de uma ‘regra de ouro’ em nível europeu, fórmula de ajuste orçamentário na qual o estado se compromete a gastar o que arrecada. A ideia é que todos o estados adotem uma emenda constitucional que garanta um retorno ao equilíbrio econômico. A Corte de Justiça europeia poderia, desta forma, emitir um parecer sobre o orçamento dos estados, mas não teria poder de interferir na questão.

Sarkozy e Merkel também defendem a realização de uma Cúpula mensal dos chefes de estado e de governo da zona do euro, e descartaram, mais uma vez, a emissão de eurobonds para controlar a crise. "Como convencer os outros a fazer esforços orçamentários se houver uma mutualização das dívidas desde já ? Isso não tem sentido", ressaltou Sarkozy , que chegou a defender a opção em julho.

Os dois países também esperam que o Fundo Europeu de Estabilização Financeira, criado no ano passado para socorrer a Grécia e ampliado, entre em vigor em 2012 . Para facilitar o trâmite das novas propostas, França e Alemanha também propõem que as decisões sejam tomadas pela maioria do estados membros, e não por unanimidade, modalidade do processo legislativo europeu que muitas vezes emperra a tomada de decisões no bloco.

Extraído do sítio da RFI - Rádio França Internacional

PARTIDO DE PÚTIN TERÁ MAIORIA REDUZIDA NO PARLAMENTO RUSSO - Steve Gutterman e Alexei Anishchuk

MOSCOU (Reuters) - O partido de Vladimir Putin terá de governar a Rússia com uma maioria reduzida depois da eleição de domingo, que mostrou uma crescente desconfiança em relação ao homem que há mais de uma década domina a política local, e que pretende voltar ao cargo de presidente em 2012.

Vladimir Pútin e Dmitry Medvedev
O presidente Dmitry Medvedev, aliado de Putin, disse que a eleição foi "justa, honesta e democrática", mas monitores europeus afirmaram que o processo foi distorcido em favor do partido Rússia Unida, e que aparentemente houve inclusão fraudulenta de votos nas urnas e outras irregularidades.

De acordo com a Comissão Eleitoral Central, a bancada do Rússia Unida na Duma (câmara baixa) caiu de 315 para 238 deputados, o que representa uma apertada maioria no total de 450 parlamentares.

Esse resultado constitui o maior revés eleitoral para Putin desde sua primeira eleição como presidente, em 1999, mas numa reunião do governo na segunda-feira ele enfatizou que a maioria simples (226 deputados) basta para aprovar a maioria dos projetos.

"O Rússia Unida tem sido uma parte significativa nos fundamentos da nossa estabilidade política nos últimos anos, então seu desempenho bem sucedido na eleição foi importante não só para o governo como também, na minha opinião, para o país inteiro."

Já Medvedev admitiu que o eleitorado passou "um sinal às autoridades", e sugeriu que dirigentes de regiões onde o partido foi mal deveriam ser afastados.

"O Rússia Unida não foi bem em uma série de regiões, mas não porque o povo se recusou a confiar no partido em si (...), mas simplesmente porque as autoridades locais o irrita", afirmou o presidente. " olham e dizem: 'Se esse é o Rússia Unida, de jeito nenhum vou votar nele'."

A oposição diz que até o resultado final - com pouco menos de 50 por cento dos votos para o Rússia Unida - foi fraudado. O líder do Partido Comunista, cuja bancada deve subir de 57 para 92, disse que essa foi a eleição mais manipulada desde o fim da União Soviética, em 1991.

Protesto

Milhares de pessoas protestaram no centro de Moscou nesta segunda-feira contra o que disseram ser uma eleição parlamentar fraudulenta.

A polícia afirmou ter prendido 300 pessoas em Moscou, onde confrontou uma multidão de 3.000 a 5.000 manifestantes, que gritavam "Revolução" e "Rússia sem Putin", num dos maiores protestos oposicionistas na capital em anos.

A Casa Branca informou ter "sérias preocupações" sobre a conduta da eleição russo.

Embora Putin continue como favorito na eleição presidencial de março, o resultado do domingo pode abalar a autoridade que ele exerce há 12 anos com uma mistura de políticas radicais de segurança, perspicácia política e exibicionismo, mas que não impediu que ele fosse vaiado após uma apresentação de artes marciais no mês passado.

"Muitos russos votaram conta o sistema, e Putin é o cabeça do sistema", disse o comentarista Stanislav Kucher, da rádio Kommersant.

"Putin tem uma opção muito difícil. Para sobreviver politicamente ele precisa fazer reformas, mas só pode fazer reformas caso se livre de muitos interesses escusos no círculo governante. Continuar como está significa o contrário da sobrevivência política."


Extraído do sítio da Swiss.info

O OUTONO DE JOÃO HAVELANGE, O HOMEM QUE NEGOCIOU O FUTEBOL - Fernando Vives

Qualquer pessoa que acompanhou com certo afinco o mundo do futebol nos últimos 40 anos guarda na memória alguma lembrança acinzentada de João Havelange. Acinzentada por seu olhar de um azul irremediavelmente monótono, ou por sua voz cimentada a soltar as palavras como se as cordas vocais fossem uma linha de produção de sílabas robotizadas.

João Havelange transformou o principal esporte da humanidade, mas não necessariamente para melhor. E o homem que mudou o futebol começa a ver sua reputação ruir aos 95 anos de idade.

Aos 95 anos, João Havelange deixa o 
Comitê  Olímpico Internacional para evitar 
a própria  expulsão. Foto: José Cruz/ABr
Neste domingo 4, o belgo-brasileiro que dirigiu a Fifa por 24 anos e desde 1963 era integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) renunciou ao seu posto neste último. Caso não largasse o osso, a investigação interna pela qual vinha sendo devassado certamente culminaria na recomendação para que fosse expulso dos quadros da entidade.

Havelange é acusado de receber propina da empresa de marketing suíça que negociava os direitos de grandes transmissões esportivas até 2001, copa do mundo de futebol inclusa, quando faliu. Segundo denúncia do jornalista britânico Andrew Jennings, da BBC, Havelange recebeu até 6 milhões de libras para liberar os direitos à ISL. A denúncia dos britânicos mostra que um tribunal suíço confirmou a propina e obrigou Havelange a devolver o dinheiro. E é importante frisar aqui: Ricardo Teixeira, manda-chuva do futebol brasileiro e do Comitê Organizador Local (COL), do Mundial 2014, também é acusado de receber a propina da ISL.

A acusação e a consequente queda de Havelange mancha, enfim, uma polêmica carreira que definiu os rumos do futebol mundial e inspirou o COI a fazer o mesmo com as modalidades olímpicas. Competiu como nadador nas Olimpíadas de 1936, na Berlim de Hitler, e como jogador de polo aquático nos Jogos de Helsinque, em 1952. Na sequência, a partir de 1956, o belgo-brasileiro tornou-se presidente da Confederação Brasileiro do Desporto (CBD), entidade que respondia por todos as modalidades olímpicas no Brasil.

Mas o golpe de mestre do dirigente veio em 1974, nas eleições para a presidência da Fifa, às vésperas da Copa da Alemanha Ocidental. Havelange seria o desafiante de Stanley Rous, até então lendário presidente da entidade. Rous era um ferrenho defensor do esporte, mas tinha o defeito típico dos europeus, especialmente os de antigamente: eurocêntrico, ligava pouco para o futebol praticado nos países periféricos, nem se interessava muito em com eles dialogar. Havelange percebeu a deixa e convenceu rapidamente membros das federações menores, como as africanas, e conseguiu golpear Rous.

Se Havelange tem um ponto positivo em sua trajetória, esta é a de levar o futebol para os países pobres. Mas sua mentalidade de que o esporte é, acima de tudo, negócio também levou a Fifa a fazer amizades com ditadores sanguinolentos, que usavam o futebol para a promoção de seus respectivos regimes. A modalidade poderia servir a quem quisesse, desde que os negócios fossem proveitosos para a Fifa.

Foi na gestão dele que o esporte bretão se transformou em uma mina de dinheiro. O futebol como um produto para o lucro fez da Fifa uma entidade internacional desorganizada, nas mãos de poucos e nebulosa, que não presta contas a praticamente ninguém. Tão nebulosa que permitiu ao seu hoje ex-presidente demorar mais de uma década para ser punido por um crime que, segundo a imprensa do Reino Unido, cometeu. Aos 95 anos de idade, João Havelange tem, enfim, a mancha que faltava em seu currículo.

Extraído do sítio da revista Carta Capital

POR UM EFETIVO MARCO REGULATÓRIO DA MÍDIA NO BRASIL - Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes

Para modificar uma legislação de 1962, totalmente defasada em termos políticos, econômicos, tecnológicos e culturais, quando nem a líder do oligopólio midiático existia, movimentos sociais e pesquisadores vêm travando há algumas décadas batalhas por mais espaço para discussões. A luta, materializada na busca da substituição do Código Brasileiro de Telecomunicações (já revogado quanto à telefonia), visa, ao menos, a uma difusão de informações pelo espectro eletromagnético de modo mais parecido com uma verdadeira comunicação: algo dialógico que permita a pluralidade de tipos de conteúdo e uma maior participação social na produção e distribuição, considerando a diversidade do país.

Após muita espera e mobilização, quase no apagar das luzes de sua gestão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a criação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Mesmo com vários problemas, a iniciativa permitiu discussões municipais e estaduais, com o ápice ocorrido em Brasília, na realização da I Confecom, realizada em dezembro de 2009. Foram aprovadas mais de 600 propostas, que deveriam ser discutidas no Congresso Nacional, balizando a construção de um marco regulatório para as comunicações no Brasil, sintonizado com os princípios democráticos.

Quase dois anos depois, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, demonstra ter esquecido disso. Em reunião realizada em outubro último, com entidades sociais que trazem como uma de suas principais bandeiras a democratização da comunicação, ele prometeu abrir em consulta pública o novo marco regulatório da mídia eletrônica ainda em dezembro deste ano. O que poderia ser visto como um avanço sinaliza a discussão apenas de pontos específicos da proposta, evitando ao máximo um maior confronto com os grandes grupos midiáticos. As entidades apresentaram a Bernardo 20 pontos principais, que foram construídos em consulta pública através do site http://www.comunicacaodemocratica.org.br.

Construir propostas específicas

Questiona-se aqui a falta de interesse em se reivindicar a apresentação das discussões sobre as propostas da Confecom e, além disso, o próprio formato de consulta pública. Quantas pessoas têm acesso a discussões sobre o assunto para além de alguns setores da academia e de determinados movimentos sociais? Quantas pessoas têm acesso à internet e, além disso, como poderiam saber sobre esta consulta e sobre a situação atual da comunicação? Vale lembrar que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), prioridade do governo federal, reflete a necessidade de um maior acesso à internet. Porém, não há um planejamento sobre como se deve dar este acesso para que o uso da rede vá além do simples entretenimento, com o ambiente digital servindo para conscientizações sobre assuntos que não passam na grade mídia ou que poucas vezes geram repercussão nas redes sociais.

Não se discorda da existência desta consulta pública sobre os determinados pontos – por mais que se saiba como elas (não) funcionam no Brasil. Mas se houve uma Conferência Nacional de Comunicação, que estabeleceu uma série de propostas aprovadas em diferentes níveis da “sociedade civil”, por que construir outro documento que, além do mais, reduz as necessidades do setor? Toda consulta e iniciativa de abertura ao diálogo é válida; não obstante, maior consulta foi a própria Confecom que, de forma descentralizada, permitiu que todos os setores interessados se manifestassem sobre a temática. Lamentavelmente, isso se deu sem a presença de grande parte dos radiodifusores, a começar pelas Organizações Globo, mas isto não chega a ser novidade, já que via de regra esses grupos negam-se a participar de espaços abertos, preferindo a negociação de bastidor.

O Ministério das Comunicações, sob a gestão de Paulo Bernardo, conseguiu dar celeridade na liberação de algumas informações sobre as concessões, como a lista dos congressistas sócios de rádios e TVs. Porém, está apagando de vez qualquer conquista da Confecom e se propõe a construir propostas específicas, que não avancem tanto. Mesmo dentre estas poucas que ele aceite colocar em consulta pública, se não houver concordância dos grandes meios, o governo não parece que vai tensionar, tendo em vista sua dependência da aprovação das indústrias midiáticas, na falta de um sistema alternativo, que permita uma aproximação mais franca com os diversos setores sociais.

Aproveitar as brechas

Como o ministro sempre deixa claro em suas entrevistas, ele sabe que um marco regulatório atualizado é necessário. Entretanto, a regra é que o auge do processo fique só na consulta em si, na qual o governo abre espaço, entrando verdadeiramente no conflito os movimentos sociais com preocupação no setor, mais ao estilo Davi X Golias. Afinal, há uma imensa força político-institucional contrária à regulamentação, liderada pelos grandes grupos comunicacionais, inclusive com alguns deputados federais e senadores legislando em causa própria, por serem donos de TVs e rádios. O PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer e do presidente do Senado José Sarney – dono de muitos meios de comunicação no Maranhão –, já deixou claro que é contra qualquer regulação no setor.

Enfim, o foco deste texto não é desestimular os movimentos que lutam em prol de uma democratização da comunicação, mas destacar questões importantes sobre o assunto. Não se pode esquecer tratar-se da terceira gestão de um partido que ainda pouco fez para efetivamente mudar a realidade do setor em prol de uma comunicação pública. Se o espaço for dado, o interessante é observar os pontos pedidos por estes movimentos que participaram da reunião, confrontando-os de forma criteriosa com o que foi aprovado na Confecom. Devem-se aproveitar todas as brechas até esta nova consulta pública, mas com a consciência sobre possíveis limites no debate. Afinal, se a sociedade já disse o que quer, não seria a hora de implementar tais projetos e não seguir insistindo em perguntas que já foram respondidas?

* Valério Cruz Brittos e Anderson David Gomes dos Santos são, respectivamente, professor titular no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos, e mestrando no mesmo programa.

Extraído do sítio do Observatório da Imprensa

FOLHA OMITE RELAÇÕES FAUSTINO-SERRA - Altamiro Borges

A seletividade da mídia é algo impressionante. A Folha de ontem (3) publicou uma matéria sobre o indiciamento de João Faustino como integrante da quadrilha que fraudou a inspeção veicular no Rio Grande do Norte. Mas ela simplesmente omitiu que o indiciado foi subchefe da Casa Civil do ex-governador José Serra e que participou do comando da sua campanha presidencial no ano passado. 


Se os envolvidos neste “malfeito”, que desviou milhões dos cofres públicos, fossem da base aliada do governo Dilma, seria o maior escândalo – com direito a capa da Veja, manchete nos jornalões e comentários raivosos nas TVs. Só mesmo os ingênuos ainda acreditam na propalada neutralidade e imparcialidade da chamada “grande imprensa”. Abaixo, a matéria da Folha serrista:

*****
Promotoria denuncia diretor da Controlar

Executivo é suspeito de formação de quadrilha no Rio Grande do Norte; procurado pela Folha, não comentou o caso

34 pessoas foram denunciadas ontem, incluindo também dois ex-governadores e um suplente de senador

FÁBIO GUIBU - DE RECIFE

O Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou ontem 34 pessoas sob a acusação de participar de fraudes na implantação da inspeção veicular no Estado.

Entre os denunciados estão os ex-governadores do Estado Wilma de Faria e Iberê Ferreira, ambos do PSB, o suplente de senador João Faustino (PSDB) e o diretor-presidente da Controlar, consórcio responsável pela inspeção veicular em São Paulo, Harald Peter Zwetkoff.

Os ex-governadores e o suplente foram denunciados sob acusação de envolvimento em crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva, tráfico de influência e fraude em licitação.

Zwetkoff é acusado de formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. Troca de e-mails obtidas com autorização judicial revelam que ele repassou ao consórcio Inspar, do RN, as bases usadas em São Paulo para a implantação da inspeção.

Segundo a Promotoria, com as informações, o grupo fraudou a licitação, que renderia até R$ 1 bilhão em 20 anos. O consórcio pretendia implantar o esquema em outros dez Estados.

Além denunciar as 34 pessoas, os promotores apresentaram à Justiça mais dez pedidos de prisão preventiva. A suposta fraude já havia levado 13 pessoas à prisão. Ontem, cinco foram soltas. Entre eles, está João Faustino.

Os acusados também foram flagrados em escutas telefônicas, supostamente negociando acordos ilegais.

As informações foram posteriormente cruzadas com dados bancários, obtidos com ordem judicial. A promotoria apura ligações entre essas negociações e doações de campanha feitas em Estados de interesse do grupo.

Extraído do Blog do Miro, de Altamiro Borges

GOLPE DE ESTADO CONTRA DEMOCRACIA - Jérome Duval

Vacilante, a democracia faz triste figura e tende a naufragar, contra o pano de fundo de um bipartidarismo institucionalizado a serviço dos rentistas. Por Jérome Duval*

Por toda a Europa, todos se dirigem para uma mesma política de 'austeridade' desejada pelos tecnocratas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu. A demonstração faz-se não só pelo exemplo grego (não funciona, com certeza, para a população grega), mas toma-se também a precaução, quando alguém se preocupa com eleições, de entronizar os mesmos políticos, seja o eleito quem for. O povo já nada escolhe. A política econômica está prefixada pelos financistas, como na Irlanda ou em Portugal, desde a véspera das eleições. A troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) impõe suas políticas. Ao candidato vencedor nas urnas só cabe aplicá-las, enganando o eleitor sobre alguma inexistente diferença entre os partidos, em matéria de economia. 

Mariano Rajoy
Na Espanha, Mariano Rajoy, herdeiro de Aznar, não se atreveu a divulgar as futuras medidas de austeridade que o prejudicariam durante a campanha eleitoral. Nem acabou de ser eleito e já está sendo pressionado para revelar os membros de seu governo, antes até de tomar posse [1] ; e não faz outra coisa além de reunir-se com os grandes banqueiros espanhóis – Isidro Fainé da Caixa, Francisco González do segundo banco espanhol, o BBVA, e Rodrigo de Rato, presidente do Bankia e ex-diretor geral do FMI... Os grandes bancos credores da dívida espanhola comandam as rédeas, Mariano Rajoy gesticula. 

Ou se trata de uma ditadura que se vai impondo, como na Grécia, ou a extrema direita fascista (partido Laos) imiscui-se no poder, sem mandato recebido das urnas. Por toda parte, assiste-se a evicção dos responsáveis políticos, os quais, em vez de serem julgados por suas políticas antissociais, as quais jamais mencionaram nos programas eleitorais, são salvos da vingança do povo, apesar do imundo trabalho que fizeram. Aconteceu com Berlusconi, que achou escapatória segura, apesar de muitos, com certeza, preferirem vê-lo atrás das grades pelo muito que fez sofrer o povo, condenado também a reembolsar todo o dinheiro que desviou e roubou do contribuinte italiano. 

Os ex-Goldman Sachs 

Custe e o que custar, ainda que custe sacrifícios humanos inauditos, a ideologia capitalista ávida de lucros reforça sua dominação em toda a Europa. 

Mario Monti
Durante o mês de novembro de 2011, muitos responsáveis pela débâcle financeira europeia foram empossados, mesmo sem terem sido eleitos. Mario Draghi acaba de ser nomeado para o Banco Central Europeu; Lucas Papademos caiu de paraquedas na chefia do Estado grego; e Mario Monti substitui formalmente um Berlusconi já excessivamente impopular para dirigir a Itália. 

Nenhum desses personagens jamais recebeu um voto, nenhum tem qualquer programa que se tenha comprometido a cumprir, nada de campanha eleitoral que permitisse qualquer discussão ou debate. Mas sobre cada um desses pesa uma parte da responsabilidade pela crise que agora se apresentam para resolver, desde quando viviam sob a atmosfera sulfurosa do conglomerado bancário Goldman Sachs, norte-americano, rei de burlas astronômicas. 

Mario Draghi, quando vice-presidente para a Europa (de Goldman Sachs Internationale); Lucas Papademos, quando presidente do Banco Central da Grécia; e Mario Monti, quando conselheiro internacional de Goldman Sachs; os três provocaram, em diferentes graus, a crise europeia, ajudando a falsificar as contas da dívida grega e especulando sobre a dívida (falsificada) [2] . Carregam pesadas responsabilidades na criação da crise que cresce hoje em toda a Europa e, por isso, têm de ser demitidos dos cargos que ocupam e têm de responder por seus crimes perante a Justiça. 

Grécia

Georges Papandreou
Apesar de ter tentado a todo custo manter-se no poder e adiar as eleições gerais, motivo pelo qual propôs um referendo popular, que levou à sua demissão, Georges Papandreou teve de curvar-se sob pressões que vinham de todos os lados, até de dentro de seu próprio governo. Não esqueçamos que um mês apenas depois de Papandreou ter sido eleito em outubro de 2009, Gary Cohn, número 2 de Goldman Sachs, desembarcou em Atenas, acompanhado de investidores, entre os quais John Paulson, que reaparecerá no centro do que ficou conhecido como "o escândalo Abacus"… [3] 

Favorito do mundo dos negócios, dos banqueiros e parceiros internacionais, Lucas Papademos deixa a vice-presidência do Banco Central Europeu para tornar-se novo primeiro-ministro da Grécia, sem ter sido eleito. Foi presidente do Banco Central Grego entre 1994 e 2002 e, nesse cargo, participou da operação de adulteração das contas perpetrada por Goldman Sachs. A observar que o gestor da dívida grega é um tal Petros Christodoulos, ex-corretor de Goldman Sachs. 

Já não cabe duvidar de que a Grécia deixou de ser nação soberana: seguindo as missões regulares da Troika (BCE, CE, FMI) que visitam os ministérios na capital, haverá agora uma missão permanente, domiciliada em Atenas, para implantar, controlar e supervisionar a política econômica do país. O governo que se comporte! Para bem firmar o cabresto, a Troika prevê um novo plano de endividamento, uma vez que o primeiro memorando (cerca de 110 mil milhões de euros, em maio de 2010), anticonstitucional, pois não foi aprovado pelo Parlamento, não foi totalmente pago. As garras da dívida ferram-se inexoravelmente à carne do povo grego. 

Itália

Com quase nove anos na presidência do Conselho, o império Berlusconi, terceira fortuna da Itália [4] , marcou profundamente a vida política. Seu reinado marca a decadência e a agonia de uma democracia que morre sufocada. Tornado motivo de zombaria da imprensa internacional por seus casos, soterrado sob histórias infindáveis de corrupção e com a popularidade em queda livre, Berlusconi renuncia à presidência do Conselho, dia 12 de novembro de 2011, para não convocar eleições antecipadas. Dia seguinte, o presidente italiano Giorgio Napolitano nomeia o ex-comissário europeu Mario Monti para que assuma imediatamente. Poucos dias antes, dia 9/11, Napolitano já nomeara Monti senador vitalício. Monti obtém larga maioria na Câmara de Deputados no dia 18/11 (556 votos a 61, de 617 votantes). Sem se intimidar ante o acúmulo de funções, já primeiro-ministro, se autonomeia também ministro da Economia. Mario Monti não tem qualquer legitimidade para impor qualquer política de 'austeridade' aos italianos. Houve um putsch! 

Conselheiro para negócios internacionais de Goldman Sachs desde 2005 (na qualidade de membro do Research Advisory Council do Goldman Sachs Global Market Institute), Mario Monti foi nomeado comissário europeu para o mercado interno em 1995, depois comissário europeu para a Concorrência em Bruxelas (1999-2004). É presidente da Universidade Bocconi em Milan, membro do comitê diretor do poderoso Clube Bilderberg, do think tank neoliberal Bruegel fundado em 2005, do presidium Amigos da Europa, outro influente think tank com sede em Bruxelas... e conselheiro da Coca Cola. Em maio de 2010, chegou à presidência do departamento Europa, da Trilateral, um dos mais poderosos cenáculos da elite oligárquica internacional. 

Como escreveu Giulietto Chiesa no jornal de esquerda Il Fatto Quotidiano [5] , veio para "reeducar" os italianos na religião da dívida. Em seu governo, fez-se cercar de banqueiros e seu ministro de Assuntos Estrangeiros, Giulio Terzi di Sant'agata, foi conselheiro político da Otan, antes de ser embaixador em Washington. Não bastasse, um novo superministério encarregado do desenvolvimento econômico, da infraestrutura e dos transportes foi entregue a Corrado Passera, PDG do banco Intesa Sanpaolo. 

Por todos os lados, os interesses privados da oligarquia financeira ultraconservadora e amiga de Washington estão postos acima e antes dos interesses das populações. Esses governos fantoches obedecem aos diktats da finança, forçando os cidadãos a pagar uma dívida injusta pela qual não são responsáveis e que jamais lhes valeu qualquer benefício. A salvação só poderá vir de baixo. Façamos nossa a palavra de ordem dos gregos: "Não devemos, não vendemos, não pagaremos!" [6] 

Notas 
|1| Deve assumir dia 20 de dezembro. Como é uso no reino, o rei deverá ser o primeiro a ser informado sobre o governo. 
|2| Goldman Sachs recebe remuneração do governo grego pelo serviço de aconselhamento bancário, ao mesmo tempo em que especula com a dívida do país. O quadro provavelmente é o mesmo, com o banco comercial JP Morgan, que auxilia a Itália a otimizar as contas (Marc Roche, Banque, Comment Goldman Sachs dirige le monde, Albin Michel, 2010, p.19). 
|3| Ibid, p.23. 
|4| 118ª no mundo, a fortuna da família Berlusconi chega a US$7,8 mil milhões ( Forbes, www.forbes.com/wealth/... ). 
|5| Giulietto Chiesa, "E' il governo Napolitano-Monti-Goldman Sachs", 12/11/2011, Il Fatto Cotidiano. Versão francesa, Courrier International, 14/11/2011, "Super Mario, l'homme qui roule pour la BCE", www.courrierinternational.com/... . 
|6| Appel Sol – Praça Syntagma, Atenas http://www.cadtm.org/Appel-Sol-Syntagma 

*Jérome Duval é membro do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo
Fonte: Resistir

Extraído do sítio do Portal Vermelho

04 dezembro 2011

DILMA ENCARA O(S) INQUISIDOR(ES)




A foto mais o áudio do vídeo 'diz' tudo, não? Por que tanta resistência à criação da Comissão da Verdade? Os semblantes dos fotografados responde.

MERCADO EM ALTA FAZ CRAQUES DO BRASIL ESQUECEREM SONHO DE EUROPA - Marcio Damasceno

Especialistas dizem que o aquecimento do mercado brasileiro, aliado ao real valorizado e à perspectiva da Copa do Mundo de 2014 tornam cada vez mais difícil a clubes europeus atraírem grandes craques brasileiros.

Neymar recusou ofertas
milionárias  para deixar o Brasil
Embora continue um grande exportador de talentos de futebol, o Brasil passa a ser cada vez mais atraente para grandes craques. O real valorizado e o forte aumento do faturamento dos clubes nos últimos anos, aliado à crise financeira que atinge a Europa e a perspectiva da Copa do Mundo de 2014 fazem com que cada vez mais estrelas prefiram permanecer no país a se renderem ao sonho de jogar na Europa.

Se até há poucos anos contratos milionários eram praticamente exclusividade de vendas de astros brasileiros ao exterior, hoje os clubes nacionais conseguem pagar caro e montar esquemas publicitários fortes o suficiente para segurar no Brasil as estrelas que já jogam no país, como comprovou o exemplo recente do astro Neymar. O atacante, de 19 anos, tido por alguns como um sucessor de Pelé, preteriu gigantes europeus como Real Madrid, Barcelona e Chelsea em favor da renovação de seu contrato no Santos até 2014.

Crescimento rápido
I
Ida de Ronaldo para
Corinthians foi marco
"Há alguns anos seria algo impensável um jogador brasileiro dispensar clubes como Real e Barcelona para ficar no Brasil", comenta Luiz Rocha, diretor-executivo da filial brasileira da agência de marketing esportivo Prime Time Sport. Um estudo da empresa detectou que a receita dos clubes da primeira divisão brasileira tem aumentado a ritmo muito mais rápido que a média das primeiras ligas europeias. Entre 2008 e 2009, esse crescimento correspondeu a 12%, enquanto as cinco principais ligas europeias cresceram, em média, apenas 4%.

Apesar de continuar sendo o maior fornecedor mundial de jogadores, o futebol brasileiro não aponta crescimento nas exportações nos últimos anos, apresentando mesmo retração no volume de atletas e nos valores totais de exportação anuais, de acordo com o último estudo da empresa abordando as transferências de craques brasileiros para a Europa.

Manancial de talentos

Rocha, entretanto, ainda acredita que o país continuará por muito tempo como um grande manancial de talentos e que o sonho de jogar na Europa ainda continuará sendo partilhado pela maioria dos atletas brasileiros. "O Neymar é um caso muito especial. Para os outros jogadores, ainda existe o sonho", avalia. "Só que é cada vez mais caro tirá-los do Brasil", acrescenta o empresário, ressaltando porém que os europeus continuarão levando, sem problemas, os talentos menos conhecidos, destaques em campeonatos regionais.

Um real forte, a crise mundial que afetou os clubes europeus e o aumento de arrecadação que os clubes brasileiros apresentam nos últimos anos são fatores que estão colaborando para essa mudança que vive o mercado de futebol no Brasil e que contribui para que craques brasileiros de primeira grandeza prefiram ficar no país.

A volta de Ronaldinho ao Brasil é exemplo do aumento do poder de barganha dos clubes brasileiros
Segundo um estudo da empresa de auditoria DBO RCS, em 2010 o mercado brasileiro de clubes de futebol atingiu uma receita recorde de R$ 2,18 bilhões, o que correspondeu a um aumento de 13,4% em relação a 2009. Nos últimos oito anos, a arrecadação dos clubes brasileiros cresceu 171%.

Estratégias de marketing aumentam arrecadação

Um dos grandes responsáveis pelo aumento de arrecadação está na atual estratégia de marketing desenvolvida pelos times. Em 2010, os clubes brasileiros tiveram crescimento de 38% em relação a 2009 em patrocínio e investimento publicitário. Receitas com patrocínio direto no futebol brasileiro atingiram R$ 566 milhões em 2010.

Para se ter uma ideia do crescimento dos recursos com patrocínio e publicidade nos últimos anos, enquanto em 2010 eles representaram 17% do total gerado pelos clubes, eles correspondiam em 2009 a 14% e, em 2003, a apenas 9%.

Ações de marketing e publicidade têm hoje no Brasil elevada importância no contrato de grandes estrelas de futebol, que se tornam garotos-propaganda de seu clubes, e os times passam a ganhar também sobre a imagem dos jogadores através de acordos publicitários.

Alemanha é exemplo de crescimento

Mercado aquecido trouxe de
volta craques como Adriano
"Um marco na exploração do marketing nos contratos dos jogadores de futebol foi a ida do atacante Ronaldo para o Corinthians em 2009", opina Amir Somoggi, diretor do setor esportivo da DBO RCS. Segundo ele, o sucesso do esquema publicitário que possibilitou o retorno do "fenômeno" ao Brasil, apostando na força da imagem do craque para atrair patrocinadores ao clube, provou ao mercado brasileiro de futebol que vale a pena o investimento.

Somoggi acredita que o mercado brasileiro ainda tem muito a crescer na exploração de marketing no futebol. "Estamos ainda muito aquém. Deverá haver ainda um desenvolvimento muito grande em termos de marketing", avalia, lembrando do impulso que poderá resultar da realização da Copa do Mundo de 2014.

"Com novos estádios e uma maior profissionalização do marketing, poderemos ver um grande crescimento nos próximos cinco anos, como ocorreu com o futebol alemão. O impulso comercial e de imagem provocado pela Copa de 2006 tornou a Bundesliga o segundo maior campeonato em faturamento da Europa, ultrapassando espanhóis e italianos", afirmou.

Extraído do sítio da Deutsche Welle

SÓCRATES, DOUTOR EM FUTEBOL E DO MUNDO




Muere Sócrates, el demócrata del fútbol

El excentrocampista brasileño fallece a los 57 años a causa de un choque séptico de origen intestinal, causado por una bacteria.- Influyó a su país con su ideología y maravilló al mundo con su juego en los Mundiales del 82 y 86. Leia mais...


Sócrates morre aos 57 anos
Por Redacção
O antigo internacional brasileiro Sócrates morreu na madrugada deste domingo devido a uma infecção, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, aos 57 anos de idade. Leia mais...


Fallece Sócrates a los 57 años
El ex futbolista brasileño Sócrates falleció a las 4:30 horas de la madrugada de este domingo en el hospital Albert Einstein de Sao Paulo a los 57 años de edad a causa de un shock séptico de origen intestinal provocado por una bacteria. Leia mais...


Se fue un grande
Sócrates, mítico futbolista brasileño, falleció a los 57 años, producto de una infección intestinal. Jugó dos Mundiales: España 1982 y México 1986. Leia mais...


Socrates was maestro of Brazil's 1982 team
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Socrates, who died of organ damage at the age of 57 on Sunday, was an elegant midfielder who led one of Brazil's most dazzling soccer teams and stood up to the country's military rulers. Leia mais...


Ex-jogador Sócrates morre aos 57 anos
O ex-jogador Sócrates não suportou a terceira internação em menos de quatro meses e faleceu na madrugada deste domingo, às 4h30, aos 57 anos. Depois de se sentir mal na noite de quinta-feira, ele foi levado à UTI do Hospital Albert Einstein, onde foi confirmada uma infecção intestinal causada por uma bactéria. Após leve melhora no sábado, ele acabou não resistindo e teve sua morte confirmada em decorrência a um choque séptico – falência circulatória aguda. Leia mais...


Morre Sócrates, ícone do futebol e da campanha das diretas
O ex-jogador Sócrates morreu na madrugada deste domingo no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, devido a uma infecção generalizada. Leia mais...

El exfutbolista brasileño Sócrates muere a los 57 años de edad
Problemas relacionados con el alcoholismo provocaron que muriera en un hospital de Sao Paulo.
BRASILIA (EFE) — El exfutbolista Sócrates, que disputó los mundiales de 1982 y 1986 con la selección brasileña, falleció este domingo a los 57 años de edad en un hospital de Sao Paulo, a donde ingresó por problemas derivados del alcoholismo, informaron fuentes médicas. Leia mais...


Mídia internacional presta última homenagem a Sócrates
Jornais, rádios e televisões europeias prestam homenagem a Sócrates, após o anúncio do falecimento do ex-jogador, neste domingo, em São Paulo. Leia mais...


Addio a Socrates, il 'dottore' di Firenze
In viola un solo anno, ma è rimasto scolpito nella mente dei fiorentini. Lasciò l'Italia per approdare al Flamengo. Leia mais...


Brasile in lutto. Socrates non ce l'ha fatta
L'ex capitano della nazionale e giocatore della Fiorentina, è morto nella notte a San Paolo. Aveva accusato un malore dopo una cena. Leia mais...


Morreu Sócrates o "doutor"
O antigo futebolista Sócrates, que brilhou nos Mundiais de 1982 e 1986 ao serviço da seleção brasileira, morreu hoje aos 57 anos no hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde estava internado desde quinta-feira. Leia mais...

"O DIA MAIS LONGO" DE FIDEL NO FESTIVAL DE CINEMA DE HAVANA - Alejandra Garcia


Uma entrevista excepcional que permaneceu no esquecimento durante mais de 50 anos e foi encontrada pela cineasta Rebeca Chávez durante uma busca quase como uma detetive, chega às telas do 33º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-americano na sessão não competitiva. O protagonista é nada menos que o jovem Fidel Castro, às vésperas de sua entrada em Havana depois do triunfo da Revolução. Por Alejandra Garcia, em Cubadebate

Fidel Castro, em 1959
Rebeca, uma conhecida diretora do cinema cubano, fez o documentário “O dia mais longo” a partir deste precioso achado, que “dormia” nos arquivos de filmes do Instituto Cubano de Rádio e Televisão (ICRT). Não teria sido possível o aproveitamento desse material sem seu faro de jornalista, sua formação de historiadora e sua paixão por destrinchar acontecimentos, que percorrem toda a sua filmografia.

Conversamos enquanto o “olho” de uma câmera de vídeo filma o diálogo tendo ao fundo o ruído de uma Havana noturna. Tenho a sensação de não estar conversando sobre fatos do passado, mas sobre um modo contemporâneo de fazer cinema em que a História sempre está no presente.

Rebeca entregou ao Cubadebate uma cópia de “O dia mais longo”, documentário produzido pelo Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic), para exibi-la em 2 de dezembro – 55º aniversário do Desembarque do Granma-, mas antes narra os detalhes da realização de seu filme.

Cubadebate: Como encontrou a entrevista e onde?

Rebeca Chávez: Enquanto fazia uma pesquisa para a série Caminhos da Revolução, concretamente para o capítulo intitulado “Antes de 59″, encontramos quase por acaso a entrevista. Naquele momento estava somente na ficha que consignava sua existência mas não dispus a tempo do material. Não deixei de pensar que talvez aparecesse e graças à constância de Zoila y Marlen do ICRT foi isso que aconteceu. Revisei praticamente tudo o que havia de 1959.

Recorde-se que naquele ano o ICRT ainda não tinha sido fundado. Existia a rede de rádio e televisão CMQ, a mais importante e que tinha correspondentes em muitíssimos lugares. Esta rede de rádio e televisão estava a par do que ocorria em Cuba e entre os materiais aparece esta entrevista, que é a segunda que fazem com Fidel Castro nos primeiros quatro dias de janeiro de 1959. A primeira foi feita em Palma Soriano e esta é a segunda, que ocorre no Aeroporto de Camagüey, em 4 de janeiro. Fidel vinha à frente da Coluna número um, proveniente de Santiago de Cuba indo para Havana. Ignoro se o jornalista Luis, que fez a entrevista, estava em Camagüey porque era de lá ou apenas estava lá…

Cubadebate: Por que o documentário se intitula “O dia mais longo”?

RC: Porque não são as 24 horas daquele 4 de janeiro, mas um dia mais longo, que começou quando Fidel fica sabendo da fuga de Batista até sua chegada a Camagüey. São fisicamente como cinco ou seis dias na vida de uma pessoa, mas na história, na emoção, é - creio que pode ser assumido assim – um só dia para Fidel. É uma mesma sequência de fatos: Batista vai embora, foge, ele organiza as tropas para a tomada de Santiago de Cuba e ele próprio não crê que vai entrar tão rápido em Santiago.

Cubadebate: Como conseguiu armar algo assim? 

RC: A primeira coisa foi fazer uma cronologia dos fatos fundamentais, que permita ao espectador situar-se no contexto daqueles dias. Dezembro de 1958 é um dos meses mais febris da Revolução, com a Batalha de Santa Clara, as tropas de Batista nas últimas e o Exército Rebelde na ofensiva final.

A Batalha de Santa Clara é um fato crucial, porque ali realmente o Exército de Batista entra em colapso. A Coluna número um de Fidel estava nesse momento na Central América, nas proximidades de Santiago de Cuba e é ali onde ele toma conhecimento por rádio que Batista tinha ido embora.

Na entrevista que deu em Palma Soriano ele conta algumas coisas que estava vivendo mas o áudio dessa entrevista está francamente em péssimo estado… quando chega a Camagüey, creio que estava mais tranquilo, à vontade (mesmo que sem dormir como ele mesmo contou) mas já tinha triunfado e conta com mais detalhes o que tinha vivido. É uma longa entrevista, feita para a televisão que dura cerca de uma hora…

Cubadebate: Foi transmitida pela televisão nesse dia ou depois?

RM: Não sei. Como todos os acontecimentos eram importantes e uns se sucediam aos outros, cada minuto e cada notícia eram cruciais, penso que esta entrevista, se é que foi transmitida, talvez não tenha sido completamente. Era muito longa, estava sem edição, e ficou ali até que a encontrei.

Cubadebate: Como conseguiu reviver uma entrevista feita por outra pessoa em outra circunstância?

Foi o mais interessante e um desafio, mas depois de tanto tempo é um risco… pois quem a fez originalmente tinha outros objetivos, os cruciais do jornalismo. É alguém que se diz a si mesmo: agora tenho o protagonista essencial da História que está sacudindo Cuba e ele vai me contar.



E é isso que faz Fidel, contar, não só o que viveu naquele 4 de janeiro de 1959 no Aeropuerto de Camagüey, mas o ocorrido nos dias precedentes, que ele tinha muito vivos em sua memória. Ele recorda com muita emoção os que caíram nas batalhas, as derrotas, e fala sobre o que o espera. Imagina, ali está um Fidel de 32 anos, na plenitude de sua beleza física, eufórico, um herói absolutamente popular e tratando de explicar aos demais e a si mesmo o que estava sentindo… que era incrível.

Cubadebate: Como realizou o trabalho de edição?

RC: Desmontei por completo a entrevista para recriar e reestruturar com a editora. Fomos para a frente e para trás e voltei aos arquivos tanto da televisão como do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas (Icaic) e ao Escritório de Assuntos Históricos do Conselho de Estado, esse maravilhoso escritório que Celia Sanchez teceu e quase bordou. Ali continua ainda Elsa Montero que conhece todas as fotos; elas me ajudaram muito porque há ali muito material daqueles dias.

Peguei tudo o que havia - voltei a descobrir sobretudo muitas fotografias inéditas - e fui complementando com esse material a história narrada por Fidel.

Cubadebate: Como vincula o material fotográfico novo com o conteúdo da entrevista filmada?

RC: É apaixonante fazê-lo. Por exemplo, em um momento dado Fidel conta que se reuniu com Eulogio Cantillo - um general batistiano que o traiu - na Central Oriente, para que se rendam e aí estão as fotos. Ele comenta sobre a reunião com Rego Rubido, que era o chefe da Praça Militar em Santiago de Cuba naquele momento, e estão as fotos e filmagens desse encontro em Escandel, perto de Santiago de Cuba. Ali vemos Celia, Vilma, todos cansadíssimos, nas negociações. Está filmado o momento quando Raúl chega ao Moncada no mesmo dia 1º e a calorosa recepção popular dos santiaguenhos de madrugada. Com estas imagens , vamos apresentando o testemunho de tudo o que Fidel diz, que realmente ocorreu quase tal e qual ele conta.

É, como tu dizes, um documento salvo do esquecimento. Submetemos o material a uma série de trabalhos técnicos para limpar a fita, ter mais definição na imagem. Foi digitalizado e agora este material vai ter muitíssimo mais vida.

Cubadebate: Por que não estará na competição?

RC: Foi minha decisão, com a qual o Icaic concordou. Não creio que este material seja para competir na mostra, tem outros objetivos, esclareço que competir me encanta, é uma maneira de saber o que se faz. Além do mais, este ano sou jurada de Obra Prima de Ficção, prefiro que se divulgue, que as pessoas conheçam meu documentário sem que ele esteja necesariamente na competição. Em síntese, não gosto de pôr na comopetição um material com Fidel como protagonista.

E, de certo modo, o documentário passou por uma prova que para mim era muito importante: o olhar dos jovens. A editora Kenia é uma moça de 27 anos que tem trabalhado comigo em outros projetos e ela é a primeira peneira importante que utilizo para avaliar minha obra. Estava muito motivada, se envolveu muito na estrutura que queria obter e se agarrou a esse material. Isso também ocorreu com Reynier que fez os efeitos visuaus. Ele ainda estuda na Cujae. Embora façam parte da equipe técnica, também dizem o que pensam sobre todos os aspectos…como deve ser. O assunto é que quando alguém – como cineasta – viaja pela história, sempre tem o terror e a angústia de que as pessoas recebam e sintam como uma coisa velha, sem interesse… Os mais jovens estão acostumados a ver em velocidade, têm a ideia de que com as novas ferramentas tecnológicas estão “informados” e o que ocorre é que passam pela superfície das coisas, com um estado de ânimo tendente a ter preconceitos com o “histórico”… Não creio que seja o caso, e tenho essa ilusão, por tratar-se desta imagem fresca e quase inédita de Fidel. 

Cubadebate: Que importância tem a música neste documentário? Por que utilizou o Quinteto Rebelde?

RC: Se queres ter uma crônica do cubano, em qualquer época e com qualquer sonoridade, busca a música porque nela tudo está dito com as nossas sensualidade e picardia e além disso se canta e se dança… A filmagem do Quinteto Rebelde me motivava desde que a vi a primeira vez… Se sintetiza nesses planos, é isso que te digo. Imagina: estamos na Sierra Maestra, em meio à guerra, Fidel, Celia, Haydeé, o Dr. Martinez Paez e muitíssimos rebeldes comem com as mãos, riem enquanto os do “Quinteto” tocam violão e cantam esses versos que anunciam uma sabedoria popular que estará no futuro. Ainda faltam muitos meses de guerra. Vê-se nesses planos também um carinho e proximidade com esses homens e mulheres que são nossos heróis contemporâneos. O Quinteto vem como anel no dedo.

Cubadebate: Você tem uma importante obra como documentarista. O que ese filme lhe acrescentou?

RC: Coloquei-me diante deste material como se fosse a primeira vez que fazia um filme. Acumulo uma experiência e talvez, somente talvez, esteja mais segura ou menos nervosa, mas as interrogações e as dúvidas são permanentes. Aqui, além de algo relacionado com a História, havia o frescor dos personagens e as possibilidades de usar outros recursos narrativos para complementar visualmente a entrevista original. Também a figura ou personalidade de Fidel é muito atraente e sempre alguém pode se perguntar: o que há de novo?

Cubadebate: Pode-se falar de um cinema eminentemente histórico?

RC: Sim, pode-se falar. A história é o que alguém não viveu. O rótulo não vem pelo que se narra, vem pelo apego a contar “tal e como foram” ou como se tem dito que foram os fatos, quer dizer, os espectadores esperam que tu repitas a história que já conhecem ou creem conhecer e quando isso não ocorre se sentem traídos. O detalhe é que cada qual pode contar a história segundo a viu ou viveu ou manipulou para servir-se dela… Te recordas do filme Rashomon [do director japonês Akira Kurosawa]?

O outro ângulo do assunto pode ter que ver com uma maneira tediosa, chata, isenta de conflitos ou contradições com que às vezes se apresentam histórias da História, fazem uma espécie de limpeza ou desbotam o tema abordado e isso é pouco atraente em termos de cinema.

Cubadebate: É um documentário do passado ou do presente?

RC: As duas coisas. É uma história do passado que quer prolongar-se no presente. Depois de tudo é uma aspiração muito antiga e que por sorte ocorre todos os dias. Tudo começa no passado.


Extraído do sítio do Portal Vermelho